Raça e Classe PSTU

Raça e Classe é o boletim da Secretaria de Negros e Negras do PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado. Este boletim foi criado com o objetivo de debater questões relativas a comunidade negra. As edições disponibilizadas nesta postagem não apresentam informações sobre o número do jornal e sua tiragem. O número de páginas do boletim não é regular.

O PSTU foi fundado em 1994 e seu programa e estatuto foram aprovados durante um Congresso para a fundação do partido em julho do mesmo ano (SILVA, 2001). A fundação do partido seu deu também em razão da ruptura de vários membros com o Partido dos Trabalhadores (PT), para eles o PT deixou de ser uma alternativa para o desenvolvimento de uma postura revolucionária da esquerda. Segundo a página oficial do PSTU do Rio Grande do Sul, o partido defende a implementação de um projeto revolucionário e socialista no Brasil, defendendo a luta do operário, do estudante e uma luta popular.

Os boletins que serão publicados no blog são dos anos 1999, 2000 e 2001.

  • Raça e Classe PSTU – Outubro de 1999.

Em sua primeira página o boletim apresenta a matéria “Novembro é mês da consciência negra. É mês de luta”. Como fica claro no título o texto destaca a importância do mês de novembro para a luta dos negros no Brasil, e ressalta que o ano de 1999 é ainda mais importante em razão do baixo salário e da situação de desemprego enfrentada pelos negros no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Dessa forma, o texto convoca uma paralisação nacional contra o então presidente e o FMI.

Esse tema continua na página seguinte na discussão sobre os 500 anos de racismo e exploração vivenciados pela população negra do país. Na página três o jornal traz um texto sobre as tentativas criadas para uma mobilização internacional para a não execução do ex-líder dos Panteras Negras – Mumia Abu-Jamal. O julgamento de Abu-Jamal foi marcado por manipulação e ocultação de provas e durante o ano de 1999 o mesmo se encontrava no corredor da morte. O texto apresenta também a participação do Brasil nesse processo destacando as reuniões, o surgimento de comitês, entre outras medidas para defender a liberdade para Abu-Jamal.

Em sua última página, o boletim conta com uma matéria sobre a figura de João Cândido e a história da Revolta da Chibata.

Outubro de 1999:

  • Raça e Classe – Novembro de 2000.

Esta edição apresenta apenas duas página e traz primeiramente uma matéria sobre o 20 de Novembro e a importância de Zumbi dos Palmares, último líder do Quilombo dos Palmares. O texto debate ainda sobre as formas de violência que afetam a população negra e pobre e sobre a necessidade de lutar para pôr fim ao racismo, destacando a figura de Zumbi e seguindo o seu exemplo.

Ainda na primeira página o jornal comenta sobre as medidas tomadas no governo de FHC, afirmando que tais medidas afetam de forma negativa a população pobre e negra do Brasil. Dessa forma, para o boletim essa parte da população deve se comprometer com a luta contra FHC e o FMI. Nesta página é relembrada a questão de Mumia Abu-Jamal e a perseguição contra o mesmo. Vale apontar, que apesar das várias campanhas Abu-Jamal só deixou o corredor da morte em 2012 e ainda continua preso.

Na segunda página o jornal debate sobre a eleição de João Paulo e a relação do PSTU nessa campanha. No final da página recebe destaque a frase “Não há capitalismo sem racismo” de Malcolm X.

Novembro de 2000:

  • Raça e Classe – Maio de 2001

Esta edição apresenta uma única página que apresenta um texto de título “Liberdade Guerreira”. Ele trata da luta dos negros pela liberdade, destacando o seu caráter de conquista em razão das dificuldades enfrentadas, dessa forma, pode-se destacar as figuras de Zumbi e João Cândido, segundo o boletim:

O primeiro nos ensinou que para lutar contra a escravidão era preciso atacar o sistema que dela se beneficiava; o segundo, ao apontar os canhões dos navios rebeldes contra o palácio federal, definiu o alvo certeiro na luta contra o racismo: o estado capitalista e seus lacaios.

O texto comenta ainda sobre a abolição e reflete sobre o significado do 13 de Maio e por fim ressalta que a liberdade só vai ocorrer de fato com uma luta contra o sistema e a construção de uma sociedade socialista.

Maio de 2001:


Referências:

 

Raça & Classe – Partido dos Trabalhadores (PT)

Raça & Classe é o órgão de informação e divulgação da comissão do negro do Partido dos Trabalhadores do Distrito Federal. Este nome tem como finalidade mostrar a linha política dos militantes negros do PT. Esta comissão foi criada em 1984 juntando-se ao Movimento Negro na luta contra o racismo. O boletim informativo Raça & Classe surgiu em 1987, possuindo uma tiragem de 3.000 exemplares.  O editor responsável era Edson Cardoso. O boletim apresentado nesta postagem contém 8 páginas.

  • Raça & Classe – Ano I, Nº1, Junho/Julho de 1987.

A edição de estreia do boletim procura mostrar os objetivos desta comissão e a proposta do informativo.  Em sua segunda página o boletim apresenta a história do Raça & Classe, mostrando que antes de vir a público o jornal já contava com 400 assinantes, e a importância deste título que remete a relação entre a presença do negro na história e o trabalho.

Ainda nesta página o jornal traz um aviso para os leitores assinarem o Raça & Classe como objetivo de fortalecer a imprensa negra. Pode-se destacar também a matéria da Deputada Benedita da Silva do PT do Rio de Janeiro, que faz um pronunciamento sobre o controle da produção mineral brasileira por grupos estrangeiros.

A quarta página do jornal traz uma reportagem e entrevista sobre a Pastoral do Negro. O jornal destaca também notas sobre livros e música. É válido destacar a matéria que se encontra na quinta página e que trata sobre a verdade da abolição através de um debate dos militantes da comissão. O debate contou com a presença de Benedita da Silva, Lourdes Teodoro (professor da Universidade de Brasília), Edson Cardoso (Comissão Regional do Negro) e contou com a presença de 150 pessoas.

É importante comentar sobre a matéria de Edson Cardoso “Publicidade e Racismo”, sobre o papel da propaganda para reforçar a discriminação e o racismo na sociedade brasileira. O jornal traz ainda outras matérias relevantes como a “Vila Paranoá: da Senzala ao Quilombo”, sobre o grupo negro presente na vila Paranoá, em Brasília.

Nº1:

Jornal Praia Verde

O Jornal Praia Verde é um jornal de Brasília, que tem como objetivo “divulgar e contribuir para a cultura afro-brasileira, inclusive os cultos de origem africana, e se colocar a favor dos povos injustiçados, buscando sempre transmitir otimismo e justiça”. O jornal tinha distribuição exclusiva para assinantes e logo após seu lançamento foi bem recebido pelas entidades negras. Esta edição não informa o ano de publicação deste número do jornal.

  • Jornal Praia Verde – Ano I, Nº02.

A segunda edição do Jornal Praia Verde foi lançada em Outubro, um mês após seu lançamento. Um dos assuntos em destaque neste número é o Apartheid, a principal matéria do jornal ganhou o título “Apartheid – o racismo assassino continua”, o texto aborda a situação da África do Sul e fala sobre figuras como Seretze Choabi e Sidney Moliti, membros do Congresso Nacional Africano, instituição voltada para a libertação nacional do povo africano. Outras matérias sobre o tema se encontram nas páginas 3 e 9.

O Editorial desta edição traz informações sobre os comentários acerca da primeira edição do jornal, além de comentar o objetivo do mesmo.

O jornal contém várias seções, entre elas a seção raízes que traz, na página 8, uma matéria sobre Clementina de Jesus, com texto de Teté Catalão, poeta e jornalista. A seção cultura apresenta uma matéria acerca do Projeto Zumbi, grande acontecimento para a cultura afro-brasileira. A terceira edição ocorreu em São Paulo e teve como homenageado Gilberto Gil. Essa seção conta com um texto de Chico Piauí, militante do Movimento Negro Unificado, para as comunidades e entidades negras.

A seção participação apresenta a matéria “As forças de um movimento” que fala sobre o Movimento Negro Unificado, sua história e sua força no cenário nacional. O texto fala sobre a presença do MNU nos estados pelo Brasil e o número de militantes na época. Ainda é abordada uma discussão sobre posição política do MNU e a violência policial, comentando o caso de agressão sofrida por Chico Piauí pelos seguranças da Câmara dos Deputados. Por fim, é levantada a questão do dia 20 de novembro e a importância da figura de Zumbi.

Esta edição contou com 12 páginas. O diretor geral do jornal era José Lucena de Araújo e o editor geral Alexandre Accioly, entre outros diretores e colaboradores. A gráfica responsável pelos exemplares é a Editora e Gráfica Ipiranga.

Nº2:

Boletim Informativo do Núcleo de Consciência Negra na USP

Serão publicadas nesta postagem duas edições do boletim do Núcleo de Consciência Negra na USP. Conforme a página oficial do núcleo, esta entidade sem fins lucrativos e sem apoio institucional da USP foi fundada em 1987 a partir do trabalho de funcionários, estudantes e professores da USP. O grupo conseguiu a sua sede apenas no ano de 1993. Este núcleo tem como objetivo lutar contra o racismo e a discriminação, seja ela racial ou sexual.

O boletim informativo do núcleo foi criado em 1993, na cidade de São Paulo, e cada edição contém 8 páginas.

  • Boletim Informativo do Núcleo de Consciência Negra na USP – Ano I, Nº0/01, Abril/Maio e Junho/Julho de 1993

Estas edições de lançamento do boletim informativo do Núcleo de Consciência Negra na USP apresentam os resultados de uma pesquisa realizada com militantes de diversas entidades negras no I Encontro Nacional de Entidades Negras (ENEN). Esta pesquisa tem como finalidade traçar um perfil da militância negra brasileira. O texto que aborda as diversas questões avaliadas, com base na pesquisa, é de Luiz Carlos Santos.

Na publicação nº0, que foi lançada em abril/maio do mesmo ano, o boletim traz o resultando parcial deste trabalho, que levou mais de um ano para ficar pronto.

Esta pesquisa pretende ajudar a coordenação do ENEN e as entidades presentes no I Encontro. Todo o conteúdo, das duas edições, é voltado para análise e debate dos dados obtidos através dos questionários. Entre os vários pontos abordados, pode-se destacar perguntas sobre a idade, estado de origem, escolaridade dos militantes, acerca das entidades, sua natureza, preferência política, quem é ou não filiado a partidos políticos, entre outras questões fundamentais sobre o perfil dos movimentos negros do Brasil. Todos esses dados são frutos dos 241 questionários recolhidos e avaliados pelo NCN-USP. Outras informações relevantes são levantadas nesta edição, que tem como colaboradora Regina Nascimento.

Nº0/01:

 


Referência:

Boletim Informativo do Grupo Negro da PUC/SP

O Grupo Negro da PUC foi fundado em agosto de 1979 e se transformou em um importante representante dos Movimentos Negros no estado de São Paulo. Pode-se afirmar que esse grupo se destaca por atuar não somente na universidade (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) como fora dela.

Apesar das barreiras impostas ao grupo e de diversas dificuldades, assim como para outras entidades negras, o grupo conseguiu contribuir diretamente para a luta dos negros e criou, inclusive, um boletim informativo com o objetivo de divulgar sua posição com relação a diversas questões. O boletim contém 12 páginas e chama atenção para festas, encontros da população negra e temas importantes como questões políticas e a mulher negra.

  • Boletim Informativo do Grupo Negro da PUC/SP – Terceiro Ano, Segunda Edição.

No ano de 1982 foi publicada a segunda edição do boletim do Grupo Negro da PUC/SP. Como comenta os responsáveis em seu Editorial, o grupo estava passando neste período por grandes dificuldades e impasses políticos, o que acabou provocando a ideia de por fim ao grupo e, consequentemente, ao boletim. Entretanto, ao perceber o avanço da luta de outros segmentos da sociedade e de outras organizações contra o racismo, a discriminação e outros preconceitos, o grupo decidiu continuar na luta ao lado de todas essas pessoas e entidades.

Em sua terceira página o boletim trata sobre as festas e encontros do grupo, como por exemplo, o FECONEZU – Festival Comunitário Negro Zumbi. Este festival, segundo o boletim “representa a expressão histórico-cultural do negro no Brasil”, ou seja, é uma festa com o objetivo de retratar a arte afro-brasileira e de promover debates entres as entidades e grupos negros de São Paulo e do Brasil. O festival é realizado pela Associação Amigos do FECONEZU e é realizado no mês de novembro. O primeiro festival ocorreu no ano de 1978, na cidade de Araraquara, depois em Ribeirão Preto, São Carlos e Campinas. Em 1982 foi realizado o quinto ano do evento e se deu na cidade de Piracicaba.

Outros encontros que ganharam destaque nesta edição foram: o Encontro Estadual de Entidades Negras e o III Congresso de Cultura Negra das Américas.

Na página seguinte, o boletim apresenta uma discussão sobre “20 de Novembro – Dia Nacional da Consciência Negra”, na qual discute-se  a negação do dia 13 de maio e a parceria do grupo com outros grupos como o Movimento Negro Unificado de São Paulo, a Comissão de Negros do Partido dos Trabalhadores, entre outras entidades. Nessa perspectiva, o boletim traz um artigo de Wilson Santos, que fora publicado primeiramente no boletim informativo Nêgo do Movimento Negro Unificado da Bahia. O artigo discute exatamente o não reconhecimento do dia 13 de Maio e a escolha do dia 20 de Novembro.

Esta edição apresenta ainda um artigo destinado às mulheres negras. Primeiramente, o texto traz o significado de palavras como mulata/mulato e uma discussão sobre os estereótipos que perseguem as mulheres, sem deixar de comentar a imposição de determinado padrão de beleza as mulheres negras, a questão da prostituição, tráfico de mulheres negras e a sua luta por espaço, dignidade e liberdade.

Por fim, o boletim apresenta discussões sobre as eleições do ano de 1982, a história de “Seu Cunha”, figura importante para os Movimentos Negros e um poema que reflete sobre a questão da negritude.

Nº02:

 

A Quilombada – Boletim Informativo de Mulheres do FECONEZU

A Quilombada é o boletim informativo de mulheres do FECONEZU – Festival Comunitário Negro Zumbi, que ocorre no interior de São Paulo, com o objetivo de reunir diversas entidades e grupos negros do estado, para promover o debate de diversos temas, principalmente, a situação do negro na sociedade brasileira. O festival é realizado pela Associação Amigos do FECONEZU, mês de novembro. Sua primeira edição ocorreu em 1978, na cidade de Araraquara.

Conforme a primeira publicação do A Quilombada, o boletim surge com a finalidade de divulgar a história de luta das mulheres negras. O boletim conta com duas páginas e matérias escritas por mulheres militantes. A digitação, diagramação e impressão do boletim ficavam sob responsabilidade do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp.  A sede do Grupo de Trabalho – Mulher, responsável pela criação do A Quilombada, se encontrava na cidade de Campinas.

  • A Quilombada – Ano 01, N°0

Em sua primeira página o A Quilombada apresenta seu Editorial, que traz reflexões sobre o Festival Comunitário Negro Zumbi e outros eventos, como o I Seminário de Mulheres FECONEZU e o II Encontro de Mulheres Negras. Além de discutir brevemente sobre a vida da população negra no Brasil e a importância da luta das mulheres. Essa página apresenta também um poema.

O boletim contém um seção denominada “Informativo”, que mostra o processo de organização do II Encontro de Mulheres Negras do Interior de São Paulo.

Por fim, A Quilombada apresenta um texto sobre a discriminação da mulher no trabalho e o preconceito no esporte, ou seja, a relação entre a ignorância e a discriminação.

Nº0:

Tribunal internacional para julgar os crimes do imperialismo na África

Este informativo traz informações acerca da preparação para o Tribunal Internacional sobre a África. O informativo contém 4 páginas e foi publicado em fevereiro de 2000, em Los Angeles nos Estados Unidos.

Em sua primeira página o informativo traz um texto sobre a conferência preparatória ao Tribunal Internacional, que se realizou em Joanesburgo, na África do Sul em fevereiro de 1999. A conferência foi organizada pelo Partido Socialista da Azânia. O texto apresenta o debate acerca dos crimes cometidos na África.

Na página seguinte o informativo traz uma matéria de título “Por que nós acolhemos a conferência preparatória do tribunal sobre a África”, texto de Lybon Mabasa, presidente do Partido Socialista da Azânia.

A página três contém uma entrevista com Milton Barbosa, do Movimento Negro Unificado. Comentando a situação do povo africano hoje, porque Barbosa apoia o Tribunal Internacional e a participação do Brasil.

O informativo traz ainda uma campanha para a libertação de Mumia Abu-Jamal, ex-membro do Partido dos Panteras Negros, preso injustamente e condenado ao corredor da morte nos Estados Unidos.

Tribunal internacional para julgar os crimes do imperialismo na África:

Jornal Maioria Falante – Nº27

  • Maioria Falante – Vigésima Sétima Edição

O n°27 do jornal Maioria Falante compreende os meses de julho e agosto de 1992 e traz como tema principal o Funk e o Charme, juntamente com o que jornal denomina de “a discriminação do lazer”.

O Editorial traz a proposta de fazer crítica a algumas “lideranças” do Movimento Negro, que não procuram formular projetos em longo prazo voltados para a comunidade afro-brasileira. É discutida, como em outras edições, a falta de participação do Movimento Negro com a base.

Essa edição apresenta um espaço reservado para o debate acerca do balé clássico e como este faz parte da cultura do grupo dominante e acaba não oferecendo oportunidades aos bailarinos negros. Conforme o texto, nessa perspectiva, “a arte se funde com a estética dos povos brancos”.

Também recebe destaque a matéria com o correspondente do Maioria Falante em Nova Iorque – Paulo Afonso Duarte – relatando a sua história e sua relação com o jornal.

No que se refere à matéria principal sobre o Funk e o Charme é mostrado um pouco da realidade de cada ritmo e sua relação com a sociedade brasileira. Sobre o Funk é discutido todo o preconceito e a discriminação sofrida pelo seu público, além da relação com os patrocinadores, com o poder público e, principalmente, com racismo. Assim sobre o Charme os entrevistados falam a respeito da diferença entre os dois movimentos e a forma distinta como eles são tratados pela polícia.

No caderno de educação é preciso comentar sobre as matérias que trazem a questão ambiental em evidência e a relação entre ecologia e escola.

Outro tema trabalhado é o problema de identidade e a forma como é tratado o negro ao longo da história do Brasil, o autor debate ainda o momento de luta em que se encontra a comunidade negra. A matéria que relaciona e discute essas temáticas é de Yedo Ferreira: “Negros: povos invisíveis das Américas”.

Por fim vale ressaltar um pequeno texto que debate, sobretudo o negro e a religião muçulmana, texto de Cláudio de Jesus Nery, membro da articulação nacional de negros muçulmanos.

Nº27:

Jornal Maioria Falante – Nº25 e Edição Extra

  • Maioria Falante –Vigésima Quinta Edição

A vigésima quinta edição compreende os meses de junho e julho de 1991 do ano IV do jornal. Nessa edição são destacadas na capa as principais notícias e matérias, com ênfase nas informações sobre a preparação para o I Enen – I Encontro Nacional de Entidades Negras.

Em uma matéria de Yedo Ferreira sobre o Movimento Negro, o autor critica o formato pedido pelo I Enen, formato em que a maioria das entidades negras não se encontra. Ferreira ainda trata com ironia as pessoas que acreditam que o encontro possa vir a contribuir para a organização do Movimento Negro.

Vale mencionar também a matéria de Pedrina de Deus sobre a Secretaria de Defesa e Promoção do Negro, onde a autora discute se esta secretaria não seria um ato de racismo. De Deus traz para o debate como se comporta a sociedade brasileira frente ao racismo e a dívida do Estado brasileiro com negros.

Na última página do jornal novamente se fala sobre o I Encontro Nacional de Entidades Negras, dessa vez dando destaque aos depoimentos sobre o evento e o que está acontecendo nos bastidores.

Nº25:

  • Maioria Falante – Edição Extra – Janeiro de 1992

Essa edição, que possui apenas quatro páginas, fala sobre a volta do jornal após uma ausência de quase seis meses em razão da recessão econômica. A publicação procura nesse sentido falar com seus leitores e mostrar que o Maioria Falante vai continuar e que conta com o apoio de seus assinantes e de seu público.

Aparece em destaque nessa edição o tema da Imprensa Étnica e a relação entre o Maioria Falante e a educação e como o jornal vem sendo usado como recurso didático em razão da identificação dos leitores com os temas abordados (causa negra, indígena, das mulheres, crianças e adolescentes da periferia).

Edição Extra:

Jornal Maioria Falante

O jornal Maioria Falante – um serviço de combate ao racismo e à discriminação foi fundado na década de 1980 por um grupo de amigos e circulou ininterruptamente de 1987 a 1996. Foi um periódico afro-brasileiro que resistiu a barreira criada aos jornais destinados a comunidade negra, no que se refere à sua circulação durante anos. Sua sede se encontrava no bairro da Lapa na cidade do Rio de Janeiro.

De acordo com um de seus fundadores, Togo Ioruba, na entrevista dada ao repórter Carlos Alberto Madeiros da Costa, o jornal nasceu graças à experiência de seus participantes com a imprensa negra da época e defendeu, sobretudo, a ideia de suprir a necessidade de uma imprensa que trouxesse o combate ao racismo, mas não só isso, que destacasse, do mesmo modo, a mulher, o indígena, os jovens marginalizados, ou seja, “as ditas minorias”, que são maiorias no país.

O Maioria Falante era distribuído em vários estados do Brasil como: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso e nas diversas bancas dos bairros do Rio de Janeiro.  O jornal conta com 16 páginas em cada edição, com exceção de alguns números extras, e é integrante do MEPP – Movimento de Educação Política Popular. Conforme informações da edição extra de 1992 o Maioria pode ser tratado como um jornal voltado também à educação, em razão do número de assinantes que trabalham com o ensino. Nesta mesma edição é revelado que as mulheres representam 45% dos leitores do jornal, os homens 25% e as entidades 30%. Outros dados relacionados aos assinantes mostram, que 60% deles fazem parte da classe média e 50% são universitários (MAIORIA FALANTE, EDIÇÃO EXTRA, p. 3, 1992). Pode-se destacar também, que na década de 1990 o jornal possuía 2.000 assinaturas no Brasil e no exterior.

No que se refere aos fundadores do jornal é importante ressaltar figuras como o jornalista Togo Ioruba, já citado no texto, o poeta e militante Elé Semog, Maria Júlia Feijó Theodoro responsável por questões da parte administrativa do jornal, o professor Carlos Alberto Ivanir dos Santos, entre outros membros.

Serão divulgados no blog os números 10, 25, 27 e uma edição extra.

  • Maioria Falante – Décima edição (Edição especial)

Nessa edição especial, que compreende os meses de novembro e dezembro de 1988, o jornal destaca em sua capa os principais temas que são abordados como a educação, o massacre de menores e sobre o Movimento Negro. É pertinente salientar que na parte inferior da segunda página se encontram as informações técnicas sobre o jornal como o diretor responsável, a lista de colaboradores, coordenadores, editores e o endereço da sede.

Vale destacar algumas matérias desse número como, por exemplo, o texto produzido por Gustavo Muller que traz para os leitores o debate sobre a vida sexual de pessoas com deficiências e como a sociedade as enxerga como se não fossem seres humanos. Além disso, o autor traz uma relação entre esse tema e as questões socioeconômicas e culturais do Brasil. Nessa mesma página se localiza o texto de Almir Pereira Júnior acerca da sociedade brasileira e a sua postura ao ignorar a discussão sobre a sexualidade no país.

Do mesmo modo pode-se ressaltar a matéria de Beth Silva Santos sobre as conquistas com relação aos direitos das mulheres com a Constituição de 1988. O texto mostra alguns dos principais direitos e faz questão de salientar que esta é uma conquista importante, no entanto representa apenas uma etapa. Além disso, o jornal apresenta uma pequena nota sobre o I Encontro Nacional de Mulheres Negras, que ocorreu na primeira semana de 1988, reunindo mulheres negras de todo o país para discutir temas como o mito da democracia racial, a família, o trabalho, a educação, a sexualidade e outros.

Nessa publicação o Maioria Falante debate diversos assuntos relacionados ao Movimento Negro. Primeiramente essa edição cita uma nota sobre o protesto do MN contra um anúncio publicado na Revista de Domingo do Jornal do Brasil, em 28 de outubro de 1988, da cadeia de magazines “Smuggler”, o anúncio em questão retratava uma mulher negra amordaçada, presa em uma cadeira por várias crianças brancas, tudo feito de “maneira muito natural”. Essa imagem revoltou a comunidade, o MN e algumas entidades. Além de expor o racismo essa propaganda ainda revela a situação em que se encontra a empregada doméstica no Brasil.

Essa edição conta também com outras notas sobre o tema como a história do Movimento Negro paulista na década de 1980 e outra que diz respeito à como os militantes avaliam o Movimento Negro, para alguns o Movimento precisa de “novas táticas para crescer junto dos negros da periferia”, para estes a linguagem do MN é extremamente elitista, textos de Miriam Braz e Carlos Nobre respectivamente.

Nº10:


Referências:

  • Entrevista com Togo Ioruba no canal Cultne – acervo digital de cultura negra, criado no ano de 2010. Disponível em: https://youtu.be/7sUPh4Pgbxw. Acesso: 27/04/2017.