Boletim Informativo Heloisa Gomes (MNU-BA)

É um boletim informativo da Coordenação Estadual de gênero MNU/ BA. Seu primeiro número lançado no ano de 1999, recebeu o nome da ativista pelos direitos humanos, educadora e enfermeira, Heloisa Gomes.

Nesta postagem será disponibilizada a primeira edição deste boletim.

  • Heloisa Gomes – Ano 1, N° 1.

Em sua primeira página apresenta-se os motivos da escolha do nome dado ao boletim. Mais adiante, é anunciado o Congresso Extraordinário do MNU, que iria ocorrer no dia 4 à 7 de setembro de 1999, na cidade de Belo Horizonte/ MG – tendo como suas principais pautas: ”1) Projeto político; 2) Organização política; e 3) Revisão dos documentos básicos;” Com isso se faz a proposta da participação das mulheres enquanto movimento de mulheres negras, para que sejam também discutidas suas questões específicas. Para finalizar na mesma página, com o título “Avaliando o 8 de março”, é sinalizado a organização de mulheres em marcha para comemorar o dia, reivindicar seus direitos e denunciar as desigualdades.

O boletim denúncia o racismo e o machismo vivenciado pelas mulheres negras no Brasil configurados nas pelas péssimas condições de trabalho subalternizado, saúde, educação e moradia. Além disso, são várias violências sofridas, assim como: programas de controle a natalidade, abuso sexual e violências físicas e psicológicas – sendo estas condições reflexos do período escravocrata, aonde a mulheres negras eram consideradas apenas objetos sexuais e ferramentas de trabalho. Além disso, é desmistificado o mito da democracia racial, formulada pelo sociólogo Gilberto Freyre, que consistia em criar uma imagem do Brasil totalmente isenta de racismo, na qual o índio, o branco e o negro vivam em completa harmonia. Este mito também influenciou na imagem da mulher negra brasileira direcionadas ao exterior, que contribuía para a formulação uma gama de estereótipos sexistas e racistas.

Com relação à saúde física da mulher negra, o jornal também faz denúncias as políticas de esterilização promovidas pelo Estado para o controle de natalidade, partos cesáreos sem assistência adequada e a falta de informações que deveriam ser passadas para estas mulheres .Através dessas denúncias, o boletim pontua a necessidade de organização de mulheres negras na busca por melhorias.

A Quilombada – Boletim Informativo de Mulheres do FECONEZU

A Quilombada é o boletim informativo de mulheres do FECONEZU – Festival Comunitário Negro Zumbi, que ocorre no interior de São Paulo, com o objetivo de reunir diversas entidades e grupos negros do estado, para promover o debate de diversos temas, principalmente, a situação do negro na sociedade brasileira. O festival é realizado pela Associação Amigos do FECONEZU, mês de novembro. Sua primeira edição ocorreu em 1978, na cidade de Araraquara.

Conforme a primeira publicação do A Quilombada, o boletim surge com a finalidade de divulgar a história de luta das mulheres negras. O boletim conta com duas páginas e matérias escritas por mulheres militantes. A digitação, diagramação e impressão do boletim ficavam sob responsabilidade do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp.  A sede do Grupo de Trabalho – Mulher, responsável pela criação do A Quilombada, se encontrava na cidade de Campinas.

  • A Quilombada – Ano 01, N°0

Em sua primeira página o A Quilombada apresenta seu Editorial, que traz reflexões sobre o Festival Comunitário Negro Zumbi e outros eventos, como o I Seminário de Mulheres FECONEZU e o II Encontro de Mulheres Negras. Além de discutir brevemente sobre a vida da população negra no Brasil e a importância da luta das mulheres. Essa página apresenta também um poema.

O boletim contém um seção denominada “Informativo”, que mostra o processo de organização do II Encontro de Mulheres Negras do Interior de São Paulo.

Por fim, A Quilombada apresenta um texto sobre a discriminação da mulher no trabalho e o preconceito no esporte, ou seja, a relação entre a ignorância e a discriminação.

Nº0:

Informativo Nzinga

Nzinga é um informativo do coletivo de mulheres negras da cidade do Rio de Janeiro. O informativo foi lançado em 1985 com o objetivo de trabalhar questões relacionadas à mulher negra.

O Coletivo Nzinga surgiu em junho de 1983 com o objetivo de lutar contra a discriminação sexual e racial. O primeiro encontro do grupo se realizou na sede da Associação dos Moradores do Morro dos Cabritos, em Copacabana no Rio de Janeiro. A escolha por um coletivo se deu com a finalidade de se tomar todas as decisões, de projetos e atividades, em grupo. Nesse sentindo, a entidade começou com 8 mulheres e ao longo dos anos, como a maioria das entidades negras, passou por muitos problemas e crises (NZINGA, Nº1, p. 2 e 3, 1985).

Conforme sua primeira edição, o informativo pretende ser um “serviço em defesa da mulher negra, na conquista de seus direitos, numa perspectiva democrática e visando a justiça social” (NZINGA, Nº1, p. 2, 1985). É válido ressaltar que o coletivo contou com apoio internacional como é relatado nesta edição. Através do projeto “História Contemporânea das Lutas das Mulheres Negras” o coletivo conseguiu apoio financeiro da Global Ministries The United Methodist Church de Nova York, dessa forma foi possível financiar atividades, campanhas e o informativo do grupo.

As duas edições que serão disponibilizadas nesta postagem apresentam números diferentes de páginas, entre outras mudanças.

  • Nzinga – Primeira Edição – 1985

A primeira edição do informativo contém 4 páginas e tem como principal discussão a apresentação do coletivo, sua história e objetivos.

Nas páginas 2 e 3 o jornal traz avisos sobre o coletivo, seus projetos, suas conquistas. Além de contar a história da Rainha Nzinga da Angola, que é homenageada no nome do informativo. A responsável por esta edição foi Miramar Correia.

Nº1:

  • Nzinga – Terceira Edição – Fevereiro e Março de 1986.

Esta edição possui 8 páginas e destaca logo em sua capa as datas 8 de Março e 21 de Março, Dia da Mulher e Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, respectivamente. A foto de capa é do grupo Aqualtune, que recebe destaque nesta edição.

Nas páginas 2 e 7 são apresentadas diversas notícias e temas sobre a constituinte e sobre a relação da mulher negra e a Constituição. As colunas “Aconteceu… Acontecendo” e “Lendo e aprendendo” trazem informações de eventos, campanhas, além de dicas de livros sobre a constituinte, racismo, a questão do aborto e feminismo.

O informativo traz ainda uma entrevista com as mulheres do grupo Aqualltune, para discutir sobre a questão da mulher negra. Nesta entrevista conta-se a história deste grupo, que surgiu com o objetivo de reunir mulheres que já participaram de outras entidades e que queriam discutir sobre os problemas relacionados a mulher negra. O nome do grupo se refere à Aqualtune, mulher que foi trazida como escrava para Recife e que fugiu para Palmares e, posteriormente, teve uma filha que era a mãe de Zumbi dos Palmares.

As responsáveis por esta edição foram Helena Maria de Souza e Maria Martins Pereira, coma colaboração de Bárbara R. Costa e Cláudia Maria Pinto.

Nº3:

 

Boletim Informativo do I Encontro Nacional da Mulher Negra

Será disponibilizado nesta postagem a primeira e segunda edição, que se encontra incompleta, do boletim informativo do I Encontro Nacional da Mulher Negra (IENMN). Esse encontro foi realizado na cidade do Rio de Janeiro e tinha como objetivo reunir mulheres negras de todo o Brasil para discutir questões sobre a desigualdade racial e de gênero.

  • Boletim Informativo do I Encontro Nacional da Mulher Negra – Ano I – Nº1 – Setembro de 1988.

A primeira edição do boletim sobre o I Encontro Nacional da Mulher Negra traz informações sobre o evento e suas propostas. Em sua primeira página o boletim apresenta as informações em destaque nesta edição e convida as mulheres para participarem do evento.

Em seu editorial, na segunda página, o boletim reflete sobre a necessidade da criação deste evento e quais são os objetivos que devem ser alcançados. Através do editorial o boletim procura deixar claro também que ao discutir desigualdade racial e de gênero o Encontro não deseja dividir os movimentos sociais, mas criar “suas próprias referências”. Ainda nesta página é apresentado o expediente, com informações sobre a comissão do boletim, composta por Sandra Helena Torres Bello e Neli Adelaide Gonçalves, e a colaboração de Agnes Rodrigues, Judith Rosário e Maria José Lima.

O boletim traz algumas informações sobre a realização de seminários e reuniões de mulheres negras pelo Brasil. Ainda na segunda página, recebe destaque o seminário “Mulher Negra Cem Anos Depois” que aconteceu na cidade de Salvador, na Bahia. Este evento foi organizado pela entidade União de Mulheres do Nordeste de Amaralina” e contou com a participação de 700 mulheres.

A terceira página destaca as informações relativas ao Encontro, seus objetivos, sua organização com painéis, debates, oficinas, salas de conversa, etc. A página seguinte contém os detalhes sobre o critério de participação deste I Encontro, com a presença de entidades e a não participação de homens no evento.

Esta edição possui ainda dois encartes com informações sobre o Encontro e os temas que serão debatidos, entre eles, a questão da esterilização de mulheres de baixa renda, visto pelos Movimentos Negros como prática de extermínio da população negra. Pode-se destacar outras informações sobre eventos e reuniões realizadas para definir os detalhes do Encontro, como os estados que irão participar da discussão, a comissão executiva e a coluna “Aconteceu… acontecendo”, com notícias de eventos, festas e concursos.

Nº1:

  • I Encontro Nacional da Mulher Negra – Ano I – Nº2 – Novembro de 1988

Esta edição foi publicada em novembro de 1988 com o objetivo de divulgar notícias acerca do Encontro, que se realizaria na cidade de Valença, no Rio de Janeiro. No Editorial são fornecidas informações como a data do evento, a localização, documentos necessários dos militantes, além de notas sobre como chegar ao local e sobre os ônibus organizados para o evento.

  Na página dois o boletim traz um texto, escrito por Judite do Rosário e Vania Sant Anna, sobre a participação das mulheres no Encontro. Esta página contém ainda informações sobre o Seminário Estadual da Mulher Negra do Rio de Janeiro, que aconteceu em 9 de novembro de 1988. O seminário teve a participação de 90 mulheres e 44 foram escolhidas como delegadas. Foram discutidos vários temas como a mulher negra e a educação, sexualidade, violência contra a mulher, entre outros. É citado também, por Judite do Rosário, o Encontro Estadual no Paraná, realizado na cidade de Curitiba nos dias 6 e 7 de agosto deste mesmo ano.

Por fim, o boletim apresenta uma matéria sobre a situação da comunidade Calunga, que é uma comunidade negra, localizada no estado de Goiás, que estava sofrendo com o processo de construção de uma hidrelétrica na região. Segundo o jornal, “em consequência da política racista e segregacionista que se pratica contra a população negra brasileira há quase 500 anos”. O artigo destaca que várias entidades se uniram na luta contra essa situação. O texto é de Sandra Bello.

Nº2:

 

Boletim Informativo Nega Massa

Nega Massa é um boletim informativo do Núcleo de Mulheres do Movimento Negro da Bahia. Foi lançado em 1998, com o objetivo de trazer informações e ressaltar o papel da mulher nas lutas pelos Movimentos Negros. O boletim conta com duas páginas. Será disponibilizada nesta postagem a segunda edição do Nega Massa.

  • Nega Massa – Ano 0 – Nº2.

Em sua primeira página o boletim apresenta o Editorial, que ressalta o aniversário de 20 anos de luta do Movimento Negro Unificado, que foi fundado em 1978 na cidade de São Paulo. O editorial salienta as conquistas do MNU, como o combate ao mito da democracia racial, a luta pela consagração da figura de Zumbi, entre outros marcos. Recebe destaque também a participação das mulheres em todos esses momentos e conquistas.

O boletim traz outras notícias como o texto sobre uma plenária da articulação de mulheres negras que debateu o calendário e o conjunto de atividades para o segundo semestre do ano de 1998 e 1999. A plenária ocorreu em julho de 1998.

A primeira página apresenta ainda um texto sobre a escolha de roupas afro-baianas e a relação entre beleza e identidade. O texto procura discutir a forma de se vestir da mulher negra.

Em sua segunda página o Nega Massa traz uma matéria sobre os 20 anos do MNU e a resistência e luta da mulher negra, retornando o que foi discutido brevemente no Editorial. Segundo o boletim, é preciso destacar a participação das mulheres que “(…) sustentaram, lideraram e marcaram com seu toque de rebeldia, e contestação feminina-africana a história do movimento de libertação negra no Brasil”. O artigo apresenta figuras como Luiza Mahim, Zerefina, Aqualtune e Dandara. Por fim, é lembrada a luta do MNU desde de sua fundação e a relação entre racismo e sexismo. O texto é de Cláudia Pacheco.

Nº2:

Boletins Informativos do MNU – MNU Nordeste e Coletivo de Mulheres

  • Informe MNU Nordeste – Primeira Edição

De 1999, foi o primeiro Informativo do MNU da Região Nordeste e possui apenas 2 páginas. Na época, os Estados que compunham seções do Movimento nessa região eram Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Sergipe e Piauí, sendo a entrada deste último noticiada nessa edição. Em 1999 também se comemoravam os 21 anos do MNU. No final da edição, há as seguintes informações:

informeMNUnordeste é uma publicação sobre a responsabilidade da Coordenação de Articulação da Região Nordeste. Endereço: Rua Direita do Curuzu – 101 – 1º andar – Liberdade – Salvador – Bahia – Brasil – Cep: 40.365-000

A página inicial comunica o lançamento do “informeMNUnordeste” como uma maneira de dialogar e facilitar a interação entre as seções estaduais do Movimento. A matéria “Brasil Outros 500” menciona que o Movimento Nacional pela Resistência Indígena, Negra e Popular saiu no dia 2 de Julho em uma manifestação na Bahia e atenta para a importância do MNU organizar os Comitês Estaduais para lutar contra as formas de repressão e construir uma sociedade justa, igualitária, sem machismo e sem sexismo. Também fala do lançamento do 2º Encontro Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, que aconteceria em Abril de 2000 em Salvador-BA.

A segunda página mostra um espaço reservado aos filiados e filiadas exporem quaisquer questões que acharem pertinentes, chamado “Eis a questão…”. Neste, Stânio de Sousa Vieira, coordenador do MNU-PI, traz uma discussão sobre uma marcha dos Irmãos Valença e Lamartine Babo, que coloca em evidência o termo “mulata”, um termo pejorativo por si só, mas que dentro da letra assume um caráter ainda mais racista ao se analisar o que está implícito. “O teu cabelo não nega, mulata […] mas como a cor não pega, mulata, mulata eu quero o teu amor”. Em seguida, mostra-se o Planejamento do MNU Nordeste, cujas pautas e perspectivas foram: Contatos permanentes com as seções, Fundação de seções nos Estados de Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, Lançamento de Boletim Informativo, Encontro Regional, Encontro de Mulheres do MNU da Região Nordeste, Seminário Nordeste Negro, Escola/Centro de Formação do MNU no Nordeste. Por fim, anuncia-se o Congresso Extraordinário do MNU, que ocorreria de 4 a 7 de Setembro e teria como pautas a organização política, o projeto político, e a revisão de documentos básicos do Movimento.

  • Informativo do Coletivo de Mulheres do Movimento Negro Unificado/RS

Lançado na seção do Rio Grande do Sul pelo Coletivo de Mulheres do MNU local em Novembro de 2002, esse informativo conta com 4 páginas e é voltado especificamente para as mulheres negras, mas possui aspectos que tangem á resistência geral do Movimento. A primeira página é toda dedicada à discussão em cima do ALCA. Segundo o informativo, “Alca é uma proposta de acordo comercial apresentada pelo governo norte-americano durante a 1ª Cúpula das Américas, reunião dos chefes de nações realizada em Miami, em 1994”, e teria por objetivo consolidar a influência e dominação norte-americana nos maiores Estados da região. Por se tratar de uma proposta que beneficiaria poucos e prejudicaria muitos, a autora do artigo, Cledi Oliveira, pontua que a ALCA caracterizaria mais discriminação, mais exploração e relembra a entrada das mulheres no mercado em substituição aos homens devido aos menores salários pagos às mulheres graças à desigualdade de gênero e, por isso, coloca que as mulheres seriam as mais prejudicadas caso a proposta fosse aceita. Devido a essa situação, houve a Marcha dos Sem, na qual as Mulheres Trabalhadoras em Educação participaram juntamente à CUT, a CTA da Argentina e a PIT-CNT do Uruguai, e onde houve o encontro com a Marcha dos Trabalhadores Argentinos. Em Setembro ocorreu o plebiscito pela aceitação ou não do ALCA, no qual a imensa maioria votou pelo “NÃO”.

Concluindo, é compromisso do coletivo de mulheres do MNU, dizer não a ALCA, não a discriminação, não as desigualdades, e assumir o compromisso de formar novas consciências, novos valores e fazermos pulsar a solidariedade, o respeito, a dignidade na relação entre mulheres e homens.

A segunda página traz um “Você Sabia Que” e é dedicada a trazer informações e dados sobre o desemprego das mulheres, principalmente das negras; sobre as dificuldades de ascensão social das mulheres, mesmo com mais tempo de estudo que homens; sobre a diferença de salários entre homens e mulheres; e ainda traz um infográfico com a distribuição dos ocupados da RMPA, segundo sexo e cor, de 2002, que mostra as desigualdades de gênero e cor no âmbito do trabalho.

A terceira página põe em pauta a saúde da mulher negra com a matéria “A Mulher Negra e os Alimentos Através da Prevenção”, escrita por Irene Paula da Silva, na qual fala que mulheres negras têm tendência a obesidade ou desnutrição principalmente por causa da má alimentação, fruto de jornadas diárias corridas ou até mesmo de dificuldades financeiras. Traz algumas dicas de alimentos importantes de serem ingeridos pra a melhor saúde da mulher e uma dica de leitura do livro ACAÇÃ, do Pai Cido do Oxum, sobre pratos que tiveram origem na tradição religiosa de matriz afro.

A quarta e última página encerra a edição com o poema “SOU NEGRA” e o texto “Menina Mulher Negra”, de Malu Viana, sobre a resistência da mulher negra.

Boletim Omnira – Sexta Edição

Em outubro de 1994 foi publicada a sexta edição do boletim Omnira. A matéria de capa em destaque intitulada “Quilombolas hoje!” fala sobre o II Seminário Nacional de Mulheres Negras que aconteceu em setembro de 1994, em Salvador/Bahia. Esse encontro contou com a participação de mulheres de 15 estados e tinha como objetivo elaborar “propostas organizativas de mulheres brasileiras no final do século”, trataram ainda acerca do problema da saúde, sobre políticas públicas, questão de gênero e racismo. Vale mencionar que o Omnira esteve presente nesse seminário. Essa matéria é de autoria de Lucidalva do Centro de Mulheres do Cabo e Cristina Vital do Omnira/MNU.

Neste número o Editorial promove a discussão sobre doenças consideradas étnicas/raciais, como a anemia falciforme e ainda ressalta a participação do Omnira no desenvolvimento de uma pesquisa sobre a saúde da mulher negra.

Esta edição traz ainda uma matéria acerca do turismo em Pernambuco. No período dessa publicação o turismo estava sendo visto como uma grande atividade do estado e tinha se tornado tema de debates e projetos políticos. Entretanto, a matéria chama atenção para outro tipo de turismo – o sexual, e sua relação com o estado de Pernambuco.

Pode-se destacar também a coluna “Mulheres em Movimento” trazendo informações sobre eventos para comunidade.

Outra matéria relevante diz respeito à organização das mulheres negras em Pernambuco com o “Coletivo de Mulheres Negras”, que surge em 1991.  Esse coletivo é criado para ser um espaço político e de articulação, para que as mulheres desenvolvam ações de combate a discriminação de gênero, raça e classe. O coletivo conta com a participação de diversas entidades, incluindo o Omnira. A matéria é assinada por Lucidalva do Centro de Mulheres do Cabo.

Na coluna “Mulheres que fazem parte de nossa história” essa edição traz a biografia de Benedita da Silva, uma importante política brasileira.

N°06:

Boletim Omnira – Quarta e Quinta Edição

  • Boletim Omnira – Quarta Edição

A quarta edição do boletim Omnira compreende os meses de outubro e novembro de 1993.  A matéria de capa traz informações sobre uma sessão especial que ocorreu na Assembleia Legislativa de Pernambuco para comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra e da participação das mulheres negras nessa luta. Várias entidades participaram da homenagem como o Movimento Negro de Pernambuco, que foi representado pelas militantes Cristina Vital e Mônica Oliveira, autora da matéria.

Esse número traz também informações acerca da instituição ETAPAS, que criou a Rede de Jornais em julho de 1992, com o objetivo de ajudar no desenvolvimento de jornais comunitários, como o Omnira, e como é desenvolvido esse trabalho.

A matéria principal se encontra na terceira página e trata a questão do tráfico de mulheres, analisando a exportação da mulher brasileira e a participação de Pernambuco como o estado “campeão” nesse problema, sem deixar de lado a questão do racismo e fato de que as mulheres negras são as mais exportadas e exploradas, em razão dos estereótipos de mulher “sensual” e “quente”.  O texto ainda informa acerca do Comitê Internacional Contra o Tráfico de Mulheres e Turismo Sexual, criado com objetivo de debater esse tema e de denunciar essa situação e representado nacionalmente pela Cristina Rodrigues do Grupo Cultural Olodun. Pode-se destacar ainda a participação do Omnira, que logo de início mobilizou uma palestra sobre a temática na cidade do Recife no mês de outubro de 1993. A matéria é assinada por Cristina Vital.

Na coluna “Mulheres que fazem parte de nossa história” essa edição traz a biografia da Rainha Tereza, “mulher negra que liderou o Quilombo de Quariterê, no Mato Grosso”.  Por fim, esse número ainda conta com a poesia “Nem tudo está perdido” do poeta negro pernambucano, Solano Trindade.

N°04:

  • Boletim Omnira – Quinta Edição

O boletim do Grupo de Trabalho da Mulher – Omnira, do Movimento Negro Unificado seção Pernambuco, traz em maio de 1994 sua quinta edição.

A matéria de capa é de Adelaide Lima e aborda a realidade da mulher negra no período da escravidão e na década de 1994, quando foi publicado o jornal. O texto ressalta a situação atual das mulheres negras, que trabalham como domésticas, babás e outros empregos onde ainda sofrem abusos e convivem com a dificuldade para se iniciar uma família e para mantê-la. Nesse sentido, o texto afirma que para a sociedade branca “o lugar da mulher negra é de servir em todos os sentidos”. A partir disso Lima defende a união das mulheres, relembrando as mulheres negras do passado e suas lutas.

Nesta edição o Editorial comenta sobre a demora na publicação do Omnira, em razão das muitas atividades do Movimento Negro Unificado e dos poucos militantes. Traz também explicações acerca das discussões feitas nesta edição sobre o dia do trabalho, na perspectiva da Central dos Movimentos Populares e do próprio MNU.

A matéria publicada pela Central dos Movimentos Populares traz a história do dia 1° de Maio. Ressaltando o caráter de luta dessa data e seu momento internacional e no Brasil. O MNU segue outra linha de análise, questionando o dia internacional do trabalhador e afirmando que essa data não contempla os negros e índios trabalhadores do Brasil. O MNU afirma que quando essa data foi estabelecida em 1886 a situação do branco e do negro no Brasil era bem diferente. O primeiro se encontrava assalariado e os segundo – escravo. A partir disso a matéria questiona o que de fato esse dia representa e quem ele representa. Além disso, Cristina Vital, autora do texto, ainda afirma que a “exploração do branco era registrada e a do negro queimada nos arquivos”.

Pode-se destacar a matéria de Maria do Rosário Trindade dos Santos acerca da saúde pública no Brasil. O texto ressalta a privatização da saúde e do desastre da mesma, afirma ainda que o mais prejudicado por essa miséria é o povo negro, especialmente a mulher negra que sofre com diversos problemas, incluindo a questão da esterilização em massa.

N°05:

 

Boletim Omnira – Segunda Edição e Informativo

O segundo número do boletim Omnira compreende os meses de maio e junho de 1993. O principal tema trabalhado é a questão do dia 13 de maio, dessa vez, sobre a perspectiva da mulher negra. A matéria traz um desenho de uma mulher negra acorrentada a uma favela, além de uma discussão que revela as consequências da falsa abolição. O texto é assinado por Abrenide Simões.

O Editorial do boletim pede que as leituras se comuniquem, para contribuir nesse debate e faz uma reflexão sobre os objetivos do Fórum de Mulheres Negras do estado de Pernambuco.

O boletim traz também uma coluna chamada “Mulheres em Movimento” onde são anunciados os eventos e acontecimentos mais importantes para a comunidade.

Essa edição do Omnira promove uma discussão acerca da mortalidade materna, na matéria “As mulheres negras também são “campeãs””. O texto revela as principais causas dessa mortalidade como a falta de assistência médica e os abortos clandestinos. Nesse sentido, Cristina Vital e Vilma de Deus, autoras do texto, afirmam que em razão da condição social da mulher negra, ela é a mais atingida por esses fatores. As autoras ainda destacam uma solução, que seria discutir profundamente essa questão, levando em consideração que “o Brasil é um país dividido por raças”.

O Omnira ainda apresenta em várias edições uma coluna chamada “Mulheres que fizeram parte da nossa história”, nesse número a história relatada é a da Rainha Nzinga. Em outra edição do Omnira, a historiadora e militante, Martha Rosa Figueira Queiroz, fala sobre a importância de se destacar essa figuras do passado. Ela afirma que “é esta realidade de guerreira que nos leva a resgatar as heroínas negras do passado e referendar as do presente. Não como forma de colecionar heroínas negras e datas mortas, que não transformam. A lembrança guerreira das de ontem e a identificação com as de hoje, nos tem levado a continuar na luta pela conquista de nossos direitos de cidadãs comuns e descendentes de uma civilização milenar, possuidora de uma história de risos e lágrimas.” (OMNIRA, nº 4, out/nov/1993)

Vale mencionar que em suas páginas o Omnira destaca uma campanha do MNU chamada “Reaja à Violência Racial”.

N°2:

  • Informativo

Em outubro de 1993, o boletim Omnira traz um informativo para promover uma palestra que iria ocorrer na cidade do Recife com o tema: Exportação de Mulheres. A palestrante era do Coletivo Mulheres Negras da Bahia, Cristina Rodrigues.

 

Boletim Omnira

O boletim Omnira é uma publicação do Grupo de Trabalho de Mulheres do Movimento Negro Unificado de Pernambuco. O Omnira, palavra que significa liberdade, foi criado em 1993 com o objetivo de analisar em textos e matérias questões de gênero e raça.

O boletim contém 4 páginas, impressas em off-set, preto e branco, sobre papel jornal, e com tiragem de 1000 exemplares. Quanto ao formato, os três primeiros números do Omnira vieram em tamanho meio ofício, passando a ser editado em tamanho ofício a partir do número 4, como resultado da mudança (QUEIROZ, 2011, p.548) na edição da Rede de Jornais. Essa rede foi criada em julho de 1992, pela entidade não governamental, intitulada ETAPAS. Essa entidade tinha como finalidade unir jornais de várias comunidades com o objetivo de possibilitar o seu crescimento. Uma das características dessa rede era o fato de que nas páginas internas dos jornais, as matérias deveriam tratar de temas gerais, presente em todas as comunidades. Nesse sentido as matérias presentes na parte de dentro do Omnira, eram as mesmas dos jornais da rede. Pode-se com isso afirmar que, diferentemente do Negritude, o MNU não determinava todas as questões relacionadas ao Omnira, entretanto esse boletim atingia um público maior e mais diversificado (QUEIROZ, 2011, p.548).

Como afirma a historiadora Martha Rosa Figueira Queiroz, Doutora em História pela Universidade de Brasília, através das páginas do Omnira podemos observar que o Movimento Negro reflete sobre gênero, ao construir grupos de mulheres que buscam analisar as relações raciais sob o ponto de vista feminino. O Omnira é a voz feminina em alto e bom tom na história do MN no Recife por ressaltar as personagens e as cenas desse enredo que articula racismo e sexismo (QUEIROZ, 2011, p.549).

No que diz respeito ao grupo Omnira, ele foi criado em março de 1993 com o objetivo de fazer um trabalho de conscientização com as mulheres negras para sua valorização e autoestima, através não só do boletim, como de palestras, reuniões, pesquisas e outras formas criadas pelo grupo para se relacionar com a comunidade.

Além de mostrar as edições do boletim, será disponibilizado nesta postagem o projeto original do grupo Omnira, onde o grupo de mulheres apresenta o projeto, justifica o mesmo e deixa claro seu objetivo de busca pela liberdade e por uma verdadeira democracia racial, além disso, as autoras do projeto afirmam que pretendem “desenvolver com as mulheres de baixa renda negra em sua maioria – atividades educacionais, na área de saúde, com vistas a uma melhoria na qualidade de vida.” (PROJETO DO GRUPO OMNIRA DO MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO).

Projeto Omnira:

No que se refere ao boletim, no acervo do Movimento Negro Unificado, na Casa da Cultura, constam 4 edições do Omnira, mais um informativo do ano de 1993. Os números que serão disponibilizados no blog são: nº02, 04, 05 e 08.


Referências:

  • QUEIROZ, M. R. F. 2011. Do Angola ao Djumbay: imprensa negra recifense. Cad. Pesq. Cdhis v. 24 n.2.
  •  Projeto do Grupo Omnira do Movimento Negro Unificado.