Archive for janeiro de 2011

O Minc, quem te viu…

“Nada é original.”

Jim Jarmusch

“Tudo é remix”

Kirby Ferguson

Inspirados pela Cultura Livre e sob o mote crítico de um cenário que se perfaz como de difícil diálogo entre fazedores culturais e instâncias governamentais, TPPL e RF gravaram na última sexta-feira, dia 28/01/2011, no Estúdio Livre da Teia Casa de Criação, um RAP pra lá de criativo. Ouça o som e curtam a letra. Quem gostar pede bis.

Para download:

MP3FLAC |   OGG

O MinC, quem te viu…

By Teddy Paçoca Preto Loco e Renato Fabbri

Em todo Brasil, o chamado: insatisfação.
Em todo lugar, toda região.
Nos deram o oficio, o trabalho, a função.
Agora nos dão as costas como “respostas”?
Tsc tsc tsc tsc
Não, não, não, não!!!

TPPL na cena, morô?
To aqui com meu parceiro Renato Fabbri.

Hein, ô MinC a coisa aqui tá feia
Milhões de descontentes estão pagando de careta
Por conta da transição que foi feita (mal feita, né?)
Engolingo sapo e babando espuma de espreita

Não se sabe “como” ou “por que” de tantos “nãos” (mil questões)
Todas eram respostas. (vacilação)
A gente ama pra ser amado, você me entende?
Quem fala de “verdade” segue sendo indiferente
É surpreendente como água vira vinho.

O porco que era cofre se tornou porco espinho
Comunicação virou rojão (vai estourar)
Quem vai segurar quando o povo for cantar pra subir
Pois não adianta proibir
Voz do povo, voz de Deus: vai loooonge

ô, MinC, quem te viu quem te vê
quem não o conhece não pode mais ver pra crer
quem jamais esquece não pode reconhecer

Me diz aí, quem é você?
Onde vai se esconder?
Onde vai se omitir?
Como vai se explicar,
Quando a casa cair, desabar
Pense muito bem antes de falar
Pois o que será, será
Se subiu, cairá por terra
Com gosto de fel, raiz amarga
Quem não vem no Cordel da Banda Larga?
Nem tudo se resume no seu mundo pequenino
Ele não gira em torno do seu umbigo fino
Vacilo? É! Mancada!
Assume um compromisso com a rapa depois desmarca
Sem dar satisfação?
Ah não, para!
Depois não quer sofrer pressão?
Palhaçada!

ô, MinC, quem te viu quem te vê
quem não o conhece não pode mais ver pra crer
quem jamais esquece não pode reconhecer
Onde? Quem é você? Por que?

ô, MinC, quem te viu quem te vê
quem não o conhece não pode mais ver pra crer

Se o direito é autoral porque não posso opinar,
pelo Creative Commons que você tirou do ar?  (Incrível)
Fomos de sapo pra picuá
Pois sair e retornar
Pra mesma prisão (Ecad, não!)

ô, Minc
que tal um café pra resolver?
sem hostilidade, arrogância, no proceder.
Mas ó: fica aí um alerta pra terminar
Se cês vão mudar o tom é o tom que vai mudar.

ô, MinC, quem te viu quem te vê
quem não o conhece não pode mais ver pra crer (não)
quem jamais esquece não pode reconhecer

Cadê? Cadê? Cadê? (Já era….)

Há quase 2 anos ninguém fala…
E quando perguntado ninguém viu, ninguém sabe…

E aí? Até quando, hein?

A ideia é uma só:
queremos resposta e ponto. Certo?

Eu estou aqui em nome de todos os Pontos de Cultura do Brasil, Morô?

TPPL na cena! R  A  P interior representa.
Juntamente com meu mano Renato Fabri.
Articulando um plano…
E buscando, procurando saber da verdade…

É nois!!!

ps: em tempos de remix, de valorização de culturas tradicionais, vai uma dica. Cordel “Big Brother Brasil, um programa imbecil”. Via iTeia.

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MinC : Da Tropicalia à Bossa Nova

Desde a indicaçao do nome de Ana de Hollanda para o Ministério da Cultura, há na Internet um intenso debate sobre os rumos da politica cultural do pais. Em duas semanas de gestao, a nova Ministra e sua equipe geraram rumores que, na opinião de muitos, é um recado.

A retirada da licença CreativeCommons do site do MinC, o cancelamento de diversas reunioes com agentes da sociedade civil (especialmente aqueles ligados ao debate sobre os direitos autorais), boatos sobre a nomeaçao do advogado Hildebrando Pontes para o cargo de diretor de Direitos Intelectuais, as estranhas mensagens de esclarecimento do Ecad recebida por aqueles que publicaram a carta aberta para a ministra em seus blogs e sites, sao alguns exemplos – praticos e simbolicos – de novas pressões que vem surgindo nesse cenário, apontado por ativistas do Software e da Cultura Livre como uma mudança de direcionamento desta nova gestao. Além disso, para alguns especialistas na área de políticas culturais, estes sinais evidenciaria  a descontinuidade de certas politicas com as quais se comprometeu a presidente eleita – algumas inclusive decretadas em lei ainda na gestao Lula, como o Plano Nacional de Cultura.

Nestes ultimos oito anos a sociedade civil estabeleceu uma relaçao de dialogo e parceria com o Ministério da Cultura, o que permitiu a potencializaçao de milhares de atividades e agentes culturais em todo o pais, e a projeçao do Brasil no cenario internacional.

Com o objetivo de fazer um balanço do movimento em torno da Cultura Digital brasileira, será realizado na proxima segunda-feira (31) uma reuniao presencial e virtual, concreta, mas descentralizada, para articular as açoes para este novo periodo.

Participe :

Quando ?

Segunda-feira 31/01 – 18h

Onde ?

No link http://www.pontaodaeco.org/aovivo,  através de chat (browser) e áudio (skype) e no twitter através da hashtag #dalicencaminc

No Rio:

Pontão da ECO (Av. Pasteur 250 – Praia Vermelha)

Em São Paulo:

Casa da Cultura Digital (Rua Vitorino Carmilo, 459 – Santa Ceclia – Sao Paulo / prox ao Metrô Marechal Deodoro)

Em Fortaleza:

Vila das Artes (Rua 24 de Maio, 1221, Centro. Fortaleza – Auditório no piso superior)

Via: Aline Carvalho e Pontão da ECO

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Campus Party Brasil 2011: O Movimento e a Campus

A Campus Party Brasil é um dos principais acontecimentos tecnológicos realizados anualmente no Brasil, ficando atrás apenas do Fórum Internacional do Software Livre. No evento são tratados dos mais diversos temas relacionados à Internet reunindo um grande número de comunidades e usuários da rede mundial de computadores envolvidos com tecnologia e cultura digital. Todas as edições já realizadas ocorreram na cidade de São Paulo, com a estréia tendo acontecido no ano de 2008.


A Campus Party surgiu na Espanha, onde foi realizado o primeiro dos eventos em 1997, posteriormente estendendo-se a outros países como Brasil, Colômbia e México. Hoje é considerado um dos maiores eventos de inovação, ciência, criatividade e entretenimento digital de todo o mundo, tendo reunido milhares de cidadãos de todos os cantos do mundo em um único espaço.

Todos os anos, no Campus Fórum, espaço dentro da Campus destinado a discussões filosóficas e conceituais sobre os rumos e perspectivas da Cultura Digital e do universo High Tech no mundo, há participação de representantes da sociedade civil organizada, como Pontos de Cultura, personalidades do música brasileira, instituições não-governamentais em geral, pesquisadores, sociólogos e até autoridades governamentais como ministros e secretários de governo. Vale ressaltar que desde seu lançamento, a Campus contou com a presença do Ministro da Cultura fazendo honras de sua abertura oficial ou apresentando-se em diálogo aberto em mesa redonda com participantes do evento.

A edição 2011 contará com a presença de Al Gore (ex vice presidente norte-americano, ganhador do prêmio Nobel da Paz pela luta por causas ambientais, produtor de “Uma verdade Inconveniente”, ganhador do Oscar de melhor documentário), Ben Hammesley (Editor especial da revista wired, jornalista da BBC, ganhador do prêmio British Press Awards) e Steve Wozniak (co-fundador da Apple, uma das maiores e mais poderosas empresas das modernas tecnologias computacionais de todos os tempos).


Pessoas + Internet + Cultura + Digital = Dados da Campus Party Brasil

  • O evento teve como organizador no Brasil, durante 2008, 2009 e 2010, Marcelo Branco, membro do conselho científico do programa internacional de estudos superiores em software livre da Universidade Aberta de Catalunha e também um dos principais coordenadores do Fórum Internacional do Software Livre. Como consultor de conteúdos, durante 2009, a Campus contou com Sérgio Amadeo, sociólogo, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, professor da Universidade Federal do ABC, defensor e divulgador do Software Livre e da Inclusão Digital, um dos grandes implementadores dos Telecentros na América Latina e ex-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) da Casa Civil.;


  • A 1° Campus aconteceu no Ibirapuera, em fevereiro de 2008, e foi aberta oficialmente por Gilberto Gil, então Ministro da Cultura. Como um dos maiores marcos públicos envolvendo um membro do governo de um país dentro de um evento social de tecnologia, Gil falou aberta e democraticamente sobre políticas públicas de Cultura Digital, Compartilhamento, Software Livre, Direitos Autorais e Plano Nacional de Banda Larga Pública. É preciso “bandalargar o Brasil“. Destaques:
  1. Gil 2008 – Abertura da Campus
  2. Gil 2008 – Apresentação da “Reactable” em conjunto com o Gilberto Gil.
  3. Gil 2008 – Direitos Autorais e a política do Ministério da Cultura
  4. Gil 2009 – Encontro com Pontos de Cultura e estudiolivristas
  5. Gil 2009 –  Gil discute Conhecimento Livre 2009
  6. Gil 2010 – Plano Nacional de Banda Larga e politica pública de Cultura Digital
  7. Governança 2.0 com José Murilo Jr., Gerente de Cultura Digital do MinC, 2010.
  • Em 2008, 2009 e 2010, Indígenas, Quilobolas e Comunidades Tradicionais participam do evento, mostrando que Cultura, Arte, Sustentabilidade e Tecnologia estão necessária e fundamentalmente interligados no século XIX. Tc da Casa de Cultura Tainá, militante tecno-quilombola e Anápuáka, do projeto Web Brasil Indígena, ao lado de Marcelo TAS, em 2010, são destaques. TC explica como a rede Mocambos consegue reunir 50 comunidades indígenas espalhadas em 17 estados graças à velocidade do acesso à informação que a web proporciona.
  1. TAS, quilombolas e indígenas: a rede mudou?
  2. Indígenas na Campus Party
  • Debate sobre direitos autorais e compartilhamento na rede atinge níveis altos de discussão no evento, reunindo a cada ano pesquisadores, professores, mestres, doutores, advogados, produtores e fazedores culturais, de diversas áreas e setores da Cultura. Destaque em 2010 para mesa com Alexandre Oliva (Fundação Software Livre América Latina), Cláudio Prado (Laboratório Brasileiro de Cultura Digital Casa de Cultura Digital), Leo Germani (Desenvolvedor web e jornalista), Pablo Capilé (Circuito Fora do Eixo).
  1. Campus Fórum 2010: Direito autoral Com a palavra, as comunidades da Internet

  • Encontro de estudantes de EAD, de comunidades que atuam na inclusão digital, de telecentros, de lan houses,  metarrecicleiros, estudiolivristas, pontos e pontões de cultura são vistos como importantes participações sociais, tanto pelo lado governamental (MinC), quanto por realizadores privados do evento (Telefônica e Futura Networks). Durante encontro do GT Cultura Digital, em 2009, que reuniu Pontos de Cultura de todo o país, Gilberto Gil ouviu representantes de várias instituições descreverem seus projetos e afirmou querer continuar participando das políticas de inclusão digital que ajudou a disseminar pelo Brasil. Em 2010, já ex-ministro, colocou que a capacidade de imitar faz parte da poesia desde os tempos de Homero, na Grécia, e que “recombinação é o nome do jogo, o que faltam são as facilidades das novas tecnologias para ampliar o conhecimento”. Gil salientou ainda a importância dos militantes da cultura livre para a ampliação do conhecimento. “Não adianta o receio com a negatividade das coisas, soltando gás paralisante. É preciso encarar as novas possibilidades. Isso é politizar”, disse. Em 2010 também, a ex ministra chefe da Casa Civil, hoje presidenta da república, visitou a campus party Brasil e conversou com centenas de ativistas da Cultura Digital.
  1. Campus Fórum 2010

Novo ministério, a Era Ana de Hollanda: surpresas na Campus Party?

[youtube 4Jvk73zVZIg]

Como é de conhecimento nacional, pelo menos aos minimamente observadores da política cultural no Brasil, o Ministério da Cultura agora é regido por novas e femininas mãos: Ana de Hollanda anunciada ao final de dezembro de 2010 para ocupar o posto que antes foi de Juca Ferreira e que, por sua vez, havia ocupado o posto deixado por Gilberto Gil.

Ana é cantora, compositora, gestora Cultural, mas ao que se sabe não estado próxima das discussões nacionais e internacionais sobre novas tecnologias e cultura. O que não significa que não possa surpreender nestes termos. Há de se aguardar um posicionamento da primeira mulher a ocupar o posto mais alto do Ministério da Cultura do Brasil.

Fica a pergunta: Ana virá a um dos maiores eventos de tecnologia do país? Isso mostraria, de certa forma, a preocupação do novo ministério para essa nova interface entre o fazer cultural e as novas mídias e tecnologias? Mas uma coisa é fato: se vier, terá de fazer o diálogo com toda a comunidade presente.

Muitos aguardam ansiosa e positivamente que sim. Seria um bom começar, com de pés direitos, para a nova ministra e para todos que tem construído inovadores o interligados caminhos na Cultura Brasileira de hoje.

Outra presença desejável e esperada no evento deste ano é a do Ministro das Comunicações Paulo Bernardo, que já assume a pasta com a incumbência de criar uma nova e fundamental secretaria: Secretaria de Inclusão Digital, a pedido da própria Presidenta Dilma.


Agenda Campus Party 2011


Data: 17 à 23 de Janeiro

Local: São Paulo – SP – Brasil

Centro de Exposições Imigrantes

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