Archive for maio de 2011

Remixofagia – Alegorias de uma revolução

[vimeo 24172300]

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Caravana Nacional dos Pontos de Cultura à Brasília – 25/05/2011


Entre os dias 24 e 27 de maio de 2011 centenas de representantes de Pontos de Cultura desembarcam em Brasília para uma jornada de encontros, audiências, mobilização, diálogo e celebração. São artistas, educadores, estudantes, jovens, mestres e griôs, gestores, lideranças religiosas e comunitárias, midialivristas, geeks, brincantes, cidadãos, ponteir@s vindos de todos os cantos e pontos que irão à Brasília em defesa da continuidade e avanço do Programa Cultura Viva.
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Os Pontos de Cultura são a expressão mais visível do avanço das políticas culturais do Brasil nos últimos 8 anos, onde as políticas públicas se dedicaram ao reconhecimento e valorização da dimensão da diversidade cultural do povo brasileiro, democratizando o acesso aos bens e produtos culturais mas também – e principalmente – ampliando e democratizando as ferramentas de produção, expressão e comunicação, padrões tecnológicos livres, criação de ambientes reais e virtuais de articulação em rede, promovendo a autonomia e o protagonismo social através da cultura.
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A programação de atividades em Brasília é intensa. No dia 24 de maio, representantes de Pontos de Cultura se reunirão com a Secretária Marta Porto e a equipe da Secretaria de Cidadania Cultural, para um diálogo político sobre a gestão do Programa Cultura Viva. No dia 25 de maio acontece a Marcha Nacional dos Pontos de Cultura, um grande cortejo cultural ao som dos tambores, com a participação de artistas de rua, circenses, brincantes, manifestações da cultura popular, griôs, mestres e centenas de representantes de Pontos de Cultura de todo o país.
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O cortejo segue até o Congresso Nacional, onde os manifestantes serão recebidos pela Ministra da Cultura Ana de Hollanda, e por deputados e senadores da Frente Parlamentar de Cultura, em um momento altamente simbólico que reunirá governo, sociedade civil e poder legislativo pela consolidação e avanço do programa Cultura Viva e pelo exercício da gestão compartilhada das políticas culturais.
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No dia 26/05, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados promove audiência pública sobre o Projeto de Lei Cultura Viva, que inicia sua tramitação no congresso nacional, para escuta e participação popular na construção desta lei que consolidará o Programa Cultura Viva como política permanente de estado. Nos dias 26 e 27 acontece na UnB a reunião da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura.
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Esta mobilização tem caráter nacional e está sendo produzida e organizada de maneira autônoma e colaborativa pelo Movimento Nacional dos Pontos de Cultura, Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, e diversos parceiros e apoiadores de todo o país em um exercício democrático de manifestação política e ocupação cultural da cena pública brasileira.
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Ouça:
SPOT PONTOS DE CULTURA

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Vagas nos ônibus, informações, notícias, contatos, tratar com:

Rio de Janeiro – Capital

Sara Uchoa – saraguchoa (arroba) gmail.com

São Paulo –  Capital

Clarissa  Barbosa – clarissa (arroba) outraspalavras.net

Adriano Paes Mauriz  – adrimauriz(arroba)gmail.com

Veridiana Negrini  – veridiana.negrini(arroba)gmail.com

Antonio Martins  – antoniomartinsbrasil(arroba)gmail.com

São Paulo  – ABC

Stela Cabral – stelafeminista(arroba)gmail.com

São Paulo – Interior e Litoral

BINHO Perinotto – Rio Claro – bob_binhow(arroba)yahoo.com.br

Jacqueline Baumgratz  São José dos Campos – jacque(arroba)ciabolademeia.org.br

Pai Paulo –  Ribeirão Preto  – orunmila(arroba)ibest.com.br

Fernando Oliveira  – Cananéia – fernando(arroba)matimperere.com.br

Marcos Pardim – Itu  – marcospardim(arroba)gmail.com

Chris Lafayette  – Campinas  – chrilafa(arroba)gmail.com

GO

Patricia Ferraz da Cruz –  patriciaferraz007(arroba)gmail.com

Brasília

Leonardo Barbosa – leobr(arroba)foradoeixo.org.br

Continuidade e avanço!

Rumo ao Planalto Central!

Divulguem entre seus contatos!!

Programação:
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24/05
11h – Reunião preparatória do encontro com a SCDC
15h30 – reunião CNPdC com SCDC/MinC – Marta Porto
Noite – Preparativo para o ato do dia 25/05
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25/05
13:00h – Concentração e ato cultural em frente ao Minc (apresentações dos pontos, webrádio, música, performances, etc.)
15:30h – Cortejo em direção ao Congresso Nacional
16h – Chegada ao Congresso Nacional – Ato cultural
17h – Audiência com a Ministra Ana de Hollanda no Congresso  (confirmado)
20h – Plenária Nacional dos Pontos de Cultura
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26/05
10h- Audiência Pública do PL Cultura Viva – Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.
15h – Reunião CNPdC
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27/05
Reunião CNPdC
_______________.
Pontão de Articulação da CNPdC/COEPi
Rua do Carmo, s/ nº – Bairro do Carmo
Pirenópolis (GO) – CEP: 72980-000
(62) 3331-1990 / (61)  8158-1938 Mário Brasil (coordenador)
(62) 9204-8087  Patricia Ferraz  (secretária executiva)
(62) 8113-4535 Jussara Pinto (produção)
www.pontosdecultura.org.br

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Frederico Gonçalves Guimaraes – Software Livre Educacional

Via Castalio Podcast

Via Avena

Neste episódio conversei com o Frederico Gonçalves Guimaraes do projeto Software Livre Educacional, que tem como objetivo principal organizar documentação e traduzir softwares livres que possam ser utilizados por educadores. Durante nosso bate-papo o Frederico me explica o quanto é importante difundir o software livre entre os educadores do Brasil, por que  participar do processo de traduções é super importante, sobre filmes do Jerry Lewis e como que um amigo egoísta o incentivou a compartilhar tudo que aprendia com os outros!

Gostaria de aproveitar a chance e agradecer os comentários que recebemos, e dizer que todo feedback é super bem-vindo. Espero que a qualidade do áudio esteja melhor desta vez e, graças à sugestão do Djavan, todos episódios agora terão uma foto do participante para que vocês, caso um dia se esbarrem na rua, possam reconhecê-lo(a) e convidá-lo(a) para tomar uma cerveja, café, vinho ou bebida preferida. :)

Links mencionados:

  • Tradutor do Claws MailGComprisTuxPaint
  • Televisão: Seriados policiais e de ficção científica
  • Televisão: Ultramen
  • Televisão: Mulher Maravilha
  • Filmes:  Todos do Jerry Lewis
  • Livro: Alice no País das Maravilhas
  • Livro: O Senhor dos Anéis
  • Livro: Série Percy Jackson
  • Livro: Ishmael por Daniel Quinn
  • Livro: O Andarilho das Estrelas por Jack London
  • Música: tudo que não seja forró, pagode, etc
  • Música: Linkin Park
  • Música: Pet Shop Boys

Ouça:

MP3

OGG

Este conteúdo se refere a postagem “Frederico Gonçalves Guimaraes – Software Livre Educacional” do blog http://www.castalio.info.

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A revolução virtual 20 anos depois

Via Jandira Feijó.

Duas décadas atrás, o britânico Tim Berners-Lee inventou a web “só porque eu precisava.” Desde então, o mundo nunca mais foi o mesmo. “Que 20 anos não é nada …” ele cantou em seu inimitável do tango Carlos Gardel “Volver”. E talvez em alguns episódios da história do mundo este termo é tão apropriado como o rápido desenvolvimento da Internet nas últimas duas décadas.

A World Wide Web, ou “Rede” transformou a sociedade global, de modo que muitos não hesitam em compará-la com a Revolução Industrial do século XIX.

E a cada ano há menos setores da sociedade que não foram tocados, de uma forma ou outra, com o crescimento explosivo do mundo online. Embora os números variem, alguns estudos estimam que cerca de 2 bilhões de pessoas, ou quase 30% da população do mundo, são usuários do universo da rede.

O que a internet colocou a todos provocou uma revolução. E assim como a era industrial trouxe seus gigantes corporativos, o desenvolvimento da rede desenvolveu sua própria geração de mega-empresas. Como na época da Revolução Industrial, a revolução da rede tem seus defensores e detratores.

A expansão econômica do mundo online tem deixado muitas vítimas no mundo real A bela simplicidade dos bilhetes aéreos em portais terminou com centenas de milhares de agentes de viagens. A expansão da Amazon condenou à morte milhares de livrarias. As indústrias, tais como os jornais, vem sofrendo com o avanço da rede. A expansão da Wikipedia, dirigida por Jimmy Wales, e que acaba de completar 10 anos, diminuiu significativamente a capacidade de atração das enciclopédias tradicionais.

Também no campo cultural e político há consequências boas e ruins. Os fundadores do Twitter, Evan Williams e Biz Stone, viram a sua invenção servir para ajudar os movimentos de protesto em sociedades fechadas, um verdadeiro instrumento de democracia. Mas não há voz para muitos que não significa que as idéias que alguns consideram como indesejáveis e até mesmo perigoso para chegar a muitas mais, também permitindo-lhes interagir.

As redes sociais online, entretanto, têm o potencial de conectar as pessoas, independentemente de raça, classe ou lugar de origem de valores compartilhados, hobbies e interesses. No entanto, muitos se queixam de que essas redes, cuja mais atraente é, talvez, Facebook, tornaram-se comuns na interação social, e às vezes ameaçam invadir a privacidade de seus milhões de usuários.

A web possibilitou que a informação antes de passar apenas por uns poucos privilegiados hoje está ao alcance de muitos, e muito mais do que a imprensa abriu as portas às fontes de informação que multiplicam-se.

Há poucos dias, por recomendação de Catherine Pearce, soube da existência de um interessante documentário da BBC:  A revolução virtual. É constituída por quatro capítulos e eu acho que vale a pena baixá-los e assistir com calma.

[youtube S037WkehQvs]

[youtube r39o_7X5Xrs]

[youtube c0SJG21dQsc]

[youtube eSChM8oFU5Q]

[youtube 31eFXfZce5o]

[youtube j_rIYKELK9s]

Em Espanhol via Humanismoy Conectividad:

Hace dos décadas el británico Tim Berners-Lee inventó la web “sólo porque la necesitaba“. A partir de entonces, el mundo no volvió a ser igual. “Que veinte años no es nada…” cantaba Carlos Gardel en su entrañable tango “Volver”. Y tal vez en pocos episodios de la historia mundial es tan apropiada esta expresión como en el vertiginoso desarrollo de la Red en las dos últimas décadas.

La World Wide Web, o la “Red”, transformó de tal manera la sociedad global que muchos no dudan en compararla con la Revolución Industrial del siglo XIX.

Y es que cada vez son menos los sectores de la sociedad que no han sido tocados de una manera u otra por el explosivo crecimiento del mundo “en línea”. Aunque las cifras varían, algunos estudios calculan que cerca de 2.000 millones de personas, o sea casi el 30% de la población mundial, son usuarias del universo de la red.

El poner internet al alcance de todos desató una revolución. Con la red paso algo parecido a lo que ocurrió con la industria automotriz a comienzos del siglo XX. Un invento que existía hace décadas sólo alcanzo su potencial cuando alguien entendió la manera de masificarlo. Del mismo modo, el invento de la World Wide Web por parte de Berners Lee, hizo que internet, creada décadas atrás por científicos del Departamento de Defensa de Estados Unidos y que apenas entusiasmaba a científicos y expertos de una comunidad reducida, súbitamente se convirtiese en una herramienta disponible para cientos de millones de personas.

Y así como la edad industrial trajo consigo sus gigantes empresariales, el desarrollo de la red ha consagrado su propia generación de mega empresas. Como los tuvo en su momento la Revolución Industrial, esta revolución de la red tiene también sus defensores y detractores.

La expansión económica del mundo en línea ha dejado muchas victimas en el mundo “real“. La maravillosa simpleza de los portales de compra de pasajes aéreos acabó con cientos de miles de agencias de viajes. La expansión de Amazon condenó a muerte a millares de librerías. Industrias completas, como la discográfica y la de los periódicos, tambalean ante el avance de la red. La expansión de Wikipedia, dirigida por Jimmy Wales, y que acaba de cumplir 10 años de existencia, disminuyó considerablemente el atractivo de las enciclopedias tradicionales.

También en el campo cultural y político hay consecuencias buenas y malas. Los fundadores de Twitter, Evan Williams y Biz Stone, han visto como su invento ha servido para ayudar a movimientos de protesta en sociedades cerradas, un verdadero instrumento de democracia. Pero el que haya voz a muchos que no la tenían, implica que ideas que algunos consideran indeseables y hasta peligrosas lleguen a muchos más, permitiéndoles además interactuar.

Las redes sociales en línea, entre tanto, tienen el potencial de conectar individuos sin importar raza, clase o lugar de origen que comparten valores, hobbies e intereses. No obstante, muchos se quejan que estas redes, cuyo exponente más vistoso es tal vez Facebook, han banalizado la interacción social, y en ocasiones amenazan con entrometerse en la privacidad de sus millones de usuarios.

Al igual que la imprenta, la web permitió que la información, antes privilegio de pocos pasara a estar al alcance de muchos, y mucho más que la imprenta abrió las puertas para que las fuentes de información se multiplicaran.

Hace unos días, por recomendación de mi amigo Roque Pedace, me enteré de la existencia de un interesante documental de la BBC: La revolución virtual. Se compone de 4 capítulos y creo que vale la pena bajarlos y verlos. Me parece que su contenido es muy equilibrado; es por eso que los estoy linkeando para que puedan verlos y gozarlos como yo lo estoy haciendo ahora:

Revolución virtual 1: ¿Libertad en la red? (2010)

Megaupload |   FileServe |  DepositFiles

Revolución Virtual 2 ¿Enemigo del Estado? (2010)

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Revolución virtual 3: El precio de lo gratuito

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Revolución virtual: Homo interneticus (2010)

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Laboratórios do pós-digital

Via @efeefe Felipe Fonseca

Este livro é uma compilação de artigos que eu escrevi nos últimos dois anos, relacionados alaboratórios experimentaisinovação baseada em conhecimento livreMetaReciclagem,cidades inteligentesgambiologia e uma série de fatores que apontam a um campo pós-digital: internet das coisas, computação física, fabricação doméstica, mídia locativa e afins.

Escolha uma das versões:

Todos os textos já foram publicados neste ou em outros sites, e foram revisados e refinados para esta coletânea.

O livro pode ser baixado gratuitamente, mas também existe uma versão em POD (impressão sob demanda) disponível para encomenda no site Clube de Autores*. É um preço meio salgado (R$ 29,92) para um livrinho de 72 páginas, mas é um trabalho semiartesanal – eu mesmo montei, diagramei, revisei, fiz a capa e finalizei o livro. Para cada cópia vendida eu ganho menos de R$ 5. Encomendas de quantidades maiores podem fazer o preço baixar.

Para quem baixou alguma versão grátis do livro e quer demonstrar que gostou, eu também aceito flattrs, doações pelo paypal ou pagseguro. Toda ajuda será bem-vinda e vai ajudar a desenvolver o projeto Ubalab e todas as outras coisas que eu quero fazer em 2011 (este livro já é uma delas).

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bitcoin: 1MjyEB1oK9drJkathMpbBW4VEsjqLpeH13

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* É a primeira vez que eu uso o serviço do Clube de Autores. Só terei certeza da qualidade dos livros quando chegar a primeira cópia que eu encomendei, na semana que vem. Para quem não quer correr riscos, as versões digitais são mais garantidas.

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Em busca de um modelo de desenvolvimento aberto e distribuído em software livre para o governo

Em 2003 o Governo Federal iniciou um forte movimento de adoção do software livre como diretriz política e tecnológica. Nesse mesmo período o Ministério da Cultura passou a pautar o software livre em seus programas e projetos, com destaque ao Programa Cultura Viva, em que a Ação Cultura Digital promoveu a distribuição de Kits Multimídia com aplicações específicas — edição digital de áudio e vídeo — em software livre para os Pontos de Cultura.Desde então, o MinC realizou alguns investimentos no desenvolvimento e suporte ao uso de software livre no mundo da cultura. Uma das iniciativas que merece destaque é o projeto Estúdio Livre, que através de bolsas de pesquisa para diversos profissionais, entre 2005 e 2007, gerou documentação e capacitação para a produção e distribuição de mídia criada com software livre. No entanto, dentre essas bolsas, não havia recursos suficientes para investir no desenvolvimento e aperfeiçoamento destes softwares.

Nos demais setores de governo, a demanda por aplicações típicas da administração federal potencializou o compartilhamento de plataformas comuns entre as instituições governamentais, e favoreceu o incentivo a comunidades de desenvolvimento baseadas nas áreas de TI dos órgãos parceiros, fomentando também a interação com parceiros comerciais que foram motivados a compartilhar o código. Tal dinâmica alavancou o sucesso do Portal do Software Público, que desempenha papel estratégico na disseminação do uso de aplicações livres nas diversas esferas de governo.

Entretanto, o desenvolvimento das aplicações livres específicas demandadas pelo mundo da cultura não se encaixam tão bem neste arranjo intra-governo. Penso que isto se dá pelo fato da inovação neste setor emergir da confluência entre a arte e a tecnologia, no diálogo natural entre as práticas e as linguagens que surgem em meio às novas formas de conceber, produzir e distribuir cultura. Tal configuração a meu ver determina o caráter distribuído e aberto que o apoio a este tipo específico de desenvolvimento deve incorporar.

Enquanto isso, nos pontos de cultura, o descompasso entre as demandas de uso das aplicações livres do kit multimídia, e a evolução das mesmas frente às alternativas em software proprietário, gerou o que podemos chamar de um atrativo perverso ao uso de programas piratas. Se partimos do princípio de que o uso de software livre constitui elemento estruturante da implementação dos Pontos de Cultura, torna-se evidente que para o sucesso da política é fundamental uma preocupação especial com a qualificação das ferramentas livres disponibilizadas aos contemplados.

Em 2009, no âmbito do processo do Fórum da Cultura Digital Brasileira, a necessidade de apoio ao desenvolvimento de softwares livres, especialmente aplicações para produção e distribuição de mídia, foi uma das principais demandas apontadas pela sociedade como forma de garantir a plena disseminação e uso dos softwares livres por parte de artistas e profissionais da área da cultura. Esta demanda emerge naturalmente da compreensão estratégica sobre a importância que o software adquire em um mundo mediado pelas interfaces digitais, e em minha visão configura resultado direto do exercício de apropriação tecnológica qualificada promovida pelo movimento dos pontos de cultura.

Em resposta a esta demanda o Ministério da Cultura, através da sua Coordenação de Cultura Digital, inaugurou na edição de 2010 do Forum Internacional de Software Livre (FISL) uma série de discussões junto às comunidades de desenvolvimento. O objetivo foi convocar o setor para auxiliar na formulação de um Programa de Apoio ao Desenvolvimento Aberto e Distribuído de Softwares Livres, com foco preferencial nos softwares de produção multimídia utilizados por produtores culturais e pontos de cultura.

Em paralelo, realizamos uma série de consultas junto à Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) para avaliar modelos institucionais que contemplassem o apoio governamental às comunidades de desenvolvimento de software. Exploramos a possibilidade de se coordenar a evolução das aplicações e a produção de código de forma distribuída através de plataformas colaborativas abertas, que poderiam operar diretamente a relação com os desenvolvedores através de micro-pagamentos por empreitada (bounties).

Software Livre não é um projeto, grupo ou comunidade. Trata-se de um conceito para o desenvolvimento de tecnologia, o qual evoca a inovação nas dinâmicas produtivas e nos modelos de negócio. A partir da demanda do Fórum da Cultura Digital, e face à postura arrojada do ministério em fomentar a reflexão sobre os arranjos econômicos da cultura colaborativa, entendemos que cabia ao MinC o papel de alavancar a atuação do Governo para legitimar e apoiar essas novas dinâmicas.

Como resultado de toda esta reflexão, e após algumas consultas internas sobre a melhor forma de encaminhar um projeto com tal especificidade, fomos aconselhados pela Consultoria Jurídica do ministério a buscar a parceria com uma universidade. Ao final do ano de 2010, o plano foi desenhado contemplando 2 dimensões, ou eixos: (1) a prospecção de elementos que auxiliem a administração pública a encontrar mecanismos de contratação, gestão e monitoramento / avaliação de projetos de desenvolvimento desta natureza, e (2) a realização de editais que implementem os mecanismos prospectados, efetivamente fomentando o desenvolvimento e a melhoria dos softwares culturais livres. Tais editais seriam então avaliados com o objetivo de identificar as boas práticas e assim evoluir o modelo.

Foi então que em nome da Secretaria de Políticas Culturais do MinC realizei contato com a Universidade Federal do ABC, representada na pessoa do Prof. Sergio Amadeu, sondando a possibilidade do projeto tornar-se objeto de um termo de cooperação entre as instituições. Com reconhecida experiência em questões que envolvem a implementação de software livre em governos, e estando agora à frente de um departamento acadêmico voltado para a reflexão sobre os desafios que estes novos arranjos econômicos engendram, o Prof. Amadeu mostrou-se parceiro qualificado para a empreitada. Sua reputação no tema, não por acaso, encontra-se extensivamente documentada neste blog.

Devido às circunstâncias típicas dos períodos de fim de ano nos órgãos federais, e acrescido o fato de que se tratava de uma temporada de pré-transição de governo, ocorreu um atraso no encaminhamento dos trâmites de formalização da parceria. No dia 31/12/2010 foi enfim publicado no DOU o extrato do Termo de Cooperação n° 006/2010, firmado entre o MinC e a UFABC — para alegria de todos os que trabalharam arduamente para que esta iniciativa inovadora sobrevivesse aos difíceis caminhos da burocracia estatal.

Desde então, minha tarefa tem sido explicar o contexto do projeto para os integrantes da nova gestão do MinC, demonstrando a importância da iniciativa neste momento de ampla reformulação dos arranjos criativos e econômicos no campo da cultura. Não à toa, o projeto despertou o interesse da nova Secretaria de Economia Criativa, além de ter sido bem apreciado quando apresentado em detalhe ao Secretário Executivo Vitor Ortiz e mais recentemente à Ministra Ana de Hollanda.

O problema concreto para a efetivação do Termo de Cooperação hoje se resume às limitações orçamentárias impostas aos órgãos do executivo neste ano atípico, o que demandará mais criatividade e dinamismo por parte do MinC e da UFABC para a realização das metas. Confio que a pertinência e propriedade da iniciativa tenha condições de atrair outros parceiros de governo em condições de apoiar o projeto, e neste sentido estamos já conversando com os ministérios das Comunicações, da Ciência e Tecnologia, e em breve retomaremos o contato com o MEC.

O momento é de retomada pós-transição,
e na perspectiva da comunicação sobre projetos de interesse público, é fundamental termos a boa vontade de explicar exaustivamente as premissas que orientaram as políticas. Especialmente quando tratamos do digital e suas implicações para o mundo da cultura, há de se levar em conta o efeito da aceleração, da velocidade com que alguns paradigmas estão sendo impactados por acontecimentos típicos do dia-a-dia no século 21. É natural a ansiedade vivenciada por alguns setores da sociedade que se vêem ameaçados por futuros incertos, indecifráveis.

Vivemos um cenário em que o grau de compreensão sobre os diferentes aspectos das transformações trazidas pelo digital se mostra por demais heterogêneo. Neste contexto, onde o diálogo entre grupos com pouca afinidade e / ou convivência é dificultado, é sempre bom privilegiar a atenção às possíveis identidades, ao invés de exacerbarmos polêmicas em torno às naturais diferenças. Esta atitude positiva tem como fundamentos o respeito e a confiança, que constituem valores elementares para uma boa e civilizada conduta na ecologia digital.

Por José Murilo Junior – Coordenador de Política Digital da Secretaria de Política Cultural do MinC

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