Archive for janeiro de 2012

Festival da Cultura Digital 2011 [part. 2]

Pois é, pois é, como eu disse em outro post, o ano de 2011 terminou, mas muitas lembranças marcantes – positivas ou não – que ficarão, especialmente em se tratando de Cultura Digital.

E para deixar registrado mais um teco disso,  fica aqui o segundo vídeo que o @mta_teles elaborou durante o Festival da Cultura Digital 3.0, ocorrido em dezembro de 2011. Vale a pena assistir.

[vimeo 35263318]

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cyberwar

Ontem, aqui mesmo nessa terra a qual chamamos Brasil, um extensivo e intenso protesto se levantou na internet contra as medidas a serem aprovadas pelo congresso Estadunidense, medidas estas que tem como objetivo cada vez mais claro, criminalizar todo e qualquer internauta disposto a compartilhar conhecimentos e/ou conteúdos pela rede.
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Este vídeo exemplifica os jogos de interesse e o estado de conflitos que norteia esse assunto:

[youtube K3ORTCseHD8]

Não obstante a isso, também aqui nesta terra, ao final do ano que se passou e conforme já noticiado por este blog, o documento que norteará os próximos 10 anos de metas educacionais (Plano Nacional de Educação 2010-2020) prevê, em suma, indicativos de cyber-liberdades garantidas a professores e alunos através da adoção de software livre e Recursos Educacionais Abertos.

Por si só já teríamos aí um conflito de duas informações de rumos e intenções antagônicas. Mas essa história de conflito e antagonismo está apenas começando…

Enquanto aqui, quase as vésperas do Fórum Social Mundial 2012 (um outro mundo é possível?), as vésperas de um Festival Internacional de Cultura Livre (Conexões Globais 2.0 ) e bem perto de um grande evento de Internet (Campus Party 2012 ), lá, no outro pólo do globo, o site Megaupload, um dos maiores do mundo na área de compartilhamento de arquivos, foi tirado do ar por ordem do FBI e o fundador do site, Kim Dotcom, e outros três executivos da empresa foram presos. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos os acusa de violar as leis antipirataria nos Estados Unidos e acordos internacionais de copyright.

Após esse ato, o grupo hacker Anonymous derrubou sites da Universal Music, Justiça Federal Estadunidense,  o site do FBI, Associação das Gravadoras (RIAA) e Associação Cinematográfica (MPAA) dos Estados Unidos. A operação intitulada #OpMegaupload ou #OpPayback foi anunciada e comemorada pelo Twitter do grupo.

O site do departamento de direitos autorais do governo estadunidense também chegou a cair, mas agora se apresenta estável. Ao comemorar os ataques, o grupo citava o combate à SOPA e à PIPA, a lei antipirataria que tramita no Congresso americano e tem sido alvo de protestos por empresas de internet e coletivos que advogam pela liberdade na internet.

Serão estes são os prenúncios de uma cyberwar? Uma guerra virtual está sendo processada nesse exato momento?

Um  ponto que pode ser compreendido é este:  a cada passo que um grupo de poder hegemônico tenta dar nesse novo mundo conectado, mundo do futuro presente, mais resistência este grupo irá encontrar. Nós estamos aqui. Nós somos uma legião.  Podem derrubar nossas plataformas de compartilhamento, cercear nossos direitos e tentar destruir nosso acesso à informação e a conteúdos, mas jamais poderão tomar nossa liberdade.

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Apple quer mudar a experiência do livro didático com o iBooks2

Via Gizmodo.

Não há dúvidas que os nossos métodos de educação estão ridiculamente atrasados em relação às possibilidades que a tecnologia nos oferece. Os livros didáticos são dos maiores exemplos disso, e mesmo com computadores e smartphones por todos os lados, as crianças e adolescentes continuam usando os mesmos calhamaços há décadas. A Apple acha que há maneiras mais efetivas de apresentar e interagir com o conteúdo educacional, e lançou agora há pouco uma seção de livros didáticos para o iBooks, que pretende “revolucionar” (eles gostam da palavra) este mercado. Steve Jobs disse em sua biografia que queria fazer para a indústria do livro didático o mesmo que fez para a música com o iTunes ou para os tablets com o iPad. Pelo que vimos agora há pouco, há uma chance de a Apple conseguir isso, em condições ideais de temperatura e pressão.

O iBooks 2 quer aproveitar todo o potencial do iPad para conteúdos interativos e aplicar isso aos velhos livros didático. Este potencial, aliás, já foi bastante explorado em apps como o Elements, que nos deixou babando logo no lançamento do primeiro iPad, e o Our Choice, de Al Gore, uma aula de como deve ser um livro didático:

[youtube U-edAGLokak]

Durante a demonstração da Apple hoje em Nova York, foram mostradas várias funcionalidades parecidas: toque na imagem para ver uma galeria, use o multitoque para dar o zoom naquele gráfico, faça buscas por palavras-chave no livro inteiro ou clique em links para ver mais detalhes. Há vídeos e sons também, como nos CD-ROMs da minha finada Encarta de 1997. Mas não desmereço a coisa. Tocar na imagem ou “sublinhar” algo com os dedos dá um feedback mais interessante, fora que hoje é tudo mais rápido. A primeira demonstração de hoje — um livro de biologia –, foi realmente fantástica. Modelos 3D de células, fotos interativas com multitoque, gráficos animados. Não sei se isso é mais efetivo em termos educacionais, mas divertido, sem dúvida.

Além do conteúdo mais “interessante” para essa geração de videogames, há boas ferramentas para o professor. Por exemplo: dentro do livro, no meio de uma página, é possível responder diversos tipos de questionários, bem mais interessantes que V ou F e múltipla escolha. Em um exemplo dado na apresentação, o aluno deveria associar as fotos dos ecossistemas a regiões dos EUA, arrastando um em outro. O feedback (você acertou! Estrelinha dourada!) é instantâneo e abre várias possibilidades. A ferramenta de marcação de texto também é esperta e tem, além de várias cores, uma reorganização automática: ela divide as suas coisas sublinhadas em cartões de memorização gigantes (algo bem comum entre os moleques americanos) para facilitar o decoreba. Eu tenho minhas dúvidas da efetividade de algo assim, já que há muito tempo prega-se que o fato de a criança reescrever o conteúdo de um livro didático com suas próprias palavras ajuda na fixação do conteúdo. Mas a educação como um todo precisa ser repensada, então a iPOSTILA(você leu primeiro aqui) pode jogar uma luz sobre o que é melhor.

Porque, acredite, os EUA estão passando por uma “crise educacional” que eles consideram séria. A apresentação mesmo começou falando como a educação da terra do Obama está na “Era das Trevas”, com seus estudantes com rendimento bem inferior aos de outros países desenvolvidos. As notas dos americaninhos em matemática e compreensão de texto não chega ao top20. Mudar o livro-texto pode ser uma saída.

(Veja o vídeo completo de apresentação do TextBooks on iBooks aqui.)

Os livros

Há meia dúzia de integrações interessantes, mas o iBooks por si só não é algo novo. O que o iBooks faz de novo então? Ele cria uma central de distribuição e desenvolvimento. Da mesma forma que o NewsStand criou uma “banca” para todos os apps de revistas e jornais, o iBooks 2 é uma loja e mochila para todos os livros didáticos: um mesmo app para ler, interagir e comprar.

É claro que a coisa é bonita no papel, mas só vai dar realmente certo se escolas, pais e editoras investirem. Neste sentido, a Apple tem uma grande vantagem sobre todos os outros concorrentes nos EUA, em especial no quesito “padronização do hardware” e distribuição — eles dominam o mercado de tablet com larga folga e continuam vendendo como água. O iPad foi o desejo número um da molecada americana no Natal e já há centenas de escolas colocando iPads no material didático. US$ 500 é caríssimo, mas vendo o preço de livros didáticos nos EUA (muitos na casa dos 80 dólares), o investimento pode se pagar.

Um problema em potencial é que os livros são arquivos bem grandes: o livro de biologia lindão apresentado hoje tem 2,77GB: eles diminuem o peso da mochila mas não o espaço em disco necessário. Então estamos falando de um investimento inicial de pelo menos 600 dólares, para o de 32 GB. É caro, mas considerando, de novo, a ampla distribuição do iPad nos EUA (o lugar das condições quase ideais de temperatura e pressão) e a aproximação da Apple com as principais editoras de livros didáticos, há uma chance de a Apple conseguir uma enorme dianteira neste mercado bilionário. Entre os parceiros apresentados hoje, vimos McGraw Hill, Pearson e Houghton Mifflin Harcourt, 3 empresas que representam 90% do mercado de livros didáticos dos EUA. E não são só os “livros-texto”. A DK Publishing, que faz aqueles livros de mesa de centro (Dinossauros!) também está trabalhando junto. Se você é meio velhinho para ler livros didáticos e tem o iPad, baixe o Life on Earth, de E.O. Wilson, que terá os dois primeiros capítulos de graça.

E espere muitos livros novos em breve porque, além de tudo, não parece ser extremamente complicado criar novos livros didáticos para o iBook.

O iBooks Author

Um grande pedaço da conferência de hoje foi dedicado ao iBooks Author, a ferramenta de criação de livros didáticos gratuita, disponível hoje na App Store do Mac. Ela é um cruzamento do Pages com o Keynote (ou Word e PowerPoint) que pareceu bastante intuitiva. Há diversos templates, então se você quiser criar um livro de Química basta selecionar aquele modelo e começar a arrastar seus textos e fotos de lá. Elementos interativos podem ser feitos a partir de modelos também, ou importando coisas em javascript ou HTML5 (sorry, Flash).

Não faltaram hipérboles ao pessoal da Apple, e Phil Schiler caprichou ao definir o iBooks Author: “se você já esteve envolvido no desenvolvimento de um eBook, sabem que isso é um milagre.” Gostei de “milagre”, é um adjetivo para quem estava cansado de “mágico”, mas Schiler tem razão no sentido de custos. Apps como Our Choice são caríssimas para serem desenvolvidas, e a nova ferramenta parece, pela rápida volta que eu dei aqui, possibilitar coisas boas de maneira mais rápida/barata. O que deve reduzir o preço dos livros-didáticos (os primeiros custam US$ 14). Aí está a oportunidade para os brasileiros.

E o Brasil?

Não temos iPads, computadores e smartphones por todos os lados, aqui tudo é caro e ainda há o problema de segurança. Mas já está claro que o tablet pode ser uma boa ferramenta educacional, e várias escolas estão experimentando com isso. Por enquanto, centros de ensino como o COC escolheram ferramentas customizadas rodando em tablets baratos e não muito bons, mas se a experiência do livro didático for notadamente superior no iPad — como parece ser –, as escolas podem migrar para a ferramenta da Apple. Não falo de escolas públicas ou mesmo a maioria das particulares. Mas não tenha dúvidas de que o iBooks Author poderá rapidamente ser usado para criar iPOSTILAS em cursos de pós e faculdades mais caras, ou mesmo nas melhores escolas particulares, que não raro batem os R$ 2 mil de mensalidade, sem contar com o custo da lista de material no início de ano.

É esperar para ver como a concorrência reage e pode ser um pouco cedo para falar isso, mas neste mercado especificamente, a Apple acertou em cheio. Ela tem um hardware padronizado e amplamente distribuído, acordos com os principais fornecedores de conteúdo e uma ferramenta de desenvolvimento e distribuição incrivelmente azeitada. Vejo espaço para soluções mais baratas (eBooks simples em tablets de R$ 400, por exemplo), mas no topo da tecnologia, acho difícil alguém destronar a Apple neste segmento.

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Recursos Educacionais Abertos e Software Livre no Plano Nacional de Educação – 2010-2020

A rede mundial de computadores é um espaço essencialmente colaborativo. Ao contrário das mídias tradicionais, a interação é sua alma. Por outro lado, as forças do mercado têm dominado os fluxos da rede, mas isto só tem sido possível através de artifícios que retiram e limitam as potencialidades da Internet, seja através de softwares de vigilância, bloqueio e controle, seja por meio de uma legislação. O movimento do software livre é expressão autêntica desse potencial da rede e o grande modelo para a consolidação de soluções compartilhadas diante de questões complexas, a partir da interação multi-étnica, multinacional e multicultural. É a afirmação da possibilidade da Internet consolidar-se também como uma esfera pública planetária, evitando a condição hegemônica de supermercado global. É o grande exemplo da construção de uma comunidade transnacional imaginada-virtual. (RIBEIRO, 2000)
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“Uma vez que as redes são múltiplas, os códigos interoperacionais e as conexões entre redes tornam-se as fontes fundamentais da formação, orientação e desorientação das sociedades” (CASTELLS, 1999: 499)
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A cada 10 anos, no Brasil, um novo Plano Nacional de Educação – documento norteador, consultivo, de estabelecimento de meta para o setor educacional- é elaborado. O PNE, como é chamado, sempre busca representar um marco naquilo que se pretende como avanço.
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O novo PNE vigente está fresquinho, foi elaborado a partir de um centena de contribuições da sociedade civil organizada, comunidade acadêmica, setores parlamentares e afins. E vejam só que notícia fantástica, ele incorpora, vinculado as metas da educação básica (ensino fundamental e medio – ate 14 anos), o uso de SOFTWARES LIVRES e de RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS!
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Destacamos aqui o texto das metas onde aparece a prerrogativa pelo Software Livre e pelo PNE:
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Meta 7: Fomentar a qualidade da educação básica em todas etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o IDEB:
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7.10) Selecionar, certificar e divulgar tecnologias educacionais para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, assegurada a diversidade de métodos e propostas pedagógicas, com preferência para softwares livres e recursos educacionais abertos, bem como o acompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas.
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7.12) Implementar o desenvolvimento de tecnologias educacionais, e de inovação das práticas pedagógicas nos sistemas de ensino, inclusive a utilização de recursos educacionais abertos, que assegurem a melhoria do fluxo escolar e a aprendizagem dos alunos.
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Veja o texto completo neste link:

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Referências
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Professores, o que são Recursos Educacionais Abertos e como eles funcionam?
[youtube HgvUEvigvyU]

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CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Paz e Terra, 1999.
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RIBEIRO, Gustavo Lins. Política cibercultural: ativismo à distância na comunidade transnacional imaginada-virtual. In: Cultura e política nos movimentos sociais latino-americanos: novas leituras / Sonia E. Alvarez, Evelina Dagnino, Arturo Escobar (organizadores). Editora UFMG, 2000.
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SILVEIRA, Sérgio Amadeu. Exclusão digital: a miséria na era da informação. São Paulo: Perseu Abramo, 2001.

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Cartografia da Cadeia Criativa do Livro

Este texto é uma compilação da pesquisa realizada, no âmbito da Diretoria de Livro, Leitura e Literatura (DLLL) do Ministério da Cultura (MinC), a fim de subsidiar uma proposta de política pública com foco na cadeia criativa do livro, uma linha programática até então pouco mobilizada na DLLL. Procuramos neste documento organizar os dados da pesquisa, dispersos em 05 relatórios temáticos, produzidos ao longo de 2011, cada um compondo um aspecto da cartografia. Para que se entenda, no documento 01 apresentamos uma proposta metodológica, no 02 um registro das articulações, no 03 parte da pesquisa realizada com entidades e autores, no 04 parte da pesquisa realizada entre os entes federados e o 05 apresenta os resultados da análise. O desafio é juntar os dados mais relevantes em um texto legível, pois esta fragmentação de informações ao longo de vários relatórios técnicos torna necessário um texto que organize a pesquisa. Este texto recupera dados e informações apresentados ao longo dos 05 produtos a fim de relacioná-los, analisar resultados preliminares e apontar cenários possíveis, com vistas à criação de uma política pública voltada para a articulação da cadeia criativa do livro.
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Por Valéria Viana Labrea – @valerialabrea
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Contatos: valeria.labrea(arroba)hotmail.com (61) 81789505
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Consultoria realizada no âmbito da Diretoria de Livro, Leitura e Literatura – DLLL (Secretaria de Articulação Institucional/ Ministério da Cultura)/ UNESCO.
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Finalidade da Contratação: Fornecer subsídios para o desenvolvimento de políticas, programas e ações para a cadeia criativa do livro.
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Festival da Cultura Digital 2011

O ano de 2011 terminou, mas muitas lembranças marcantes – positivas ou não – ficarão, especialmente em se tratando de Cultura Digital.

Ônibus Hacker, Festival da Cultura Digital 3.0, Labs de Garagem, 10a Oficina para Inclusão Digital, PNBL em discussão, Tablets, Mobile, Redes… Foram tantos temas que quase não houve tempo de descansar.

E para deixar registrado um pouco de tudo isso, fica aqui o vídeo que o @mta_teles elaborou durante o Festival da Cultura Digital 3.0, ocorrido em dezembro de 2011.

[vimeo 33695113]

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