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O Gigante não acordou. As pessoas é que não são mais pequenas e desconectadas

Uma das muitas hashtags utilizadas pelas mídias sociais para relacionar mensagens sobre os protestos ocorridos no Brasil nas últimas semanas foi #OgiganteAcordou.

À medida que as manifestações pela redução das tarifas do transporte público no Brasil, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, foram ficando numerosas e tensas, a discussão política também foi tomando conta das redes sociais.

Durante dias, governo e boa parte da imprensa ficaram atônitos, sem entender bem o que queriam aquelas milhares de pessoas convocadas pela Internet, que não estavam ali só por causa do aumento de centavos nas passagens.

Entre as tantas hashtags, escolhi #OgiganteAcordou justamente por discordar do seu significado. Reivindicações e protestos existem no país desde sempre. A diferença é que hoje, as pessoas podem associar-se a uma causa com um click no computador ou celular. Envolver-se já é outra história.

Envolver-se é dedicar horas do dia, perder relacionamentos e, até, passar fome. Por isso, muitos militantes de movimentos sociais e organizações tradicionais tratam com relutância e desdém o “Ativismo de Sofá”. Mas também esse é um tratamento que deve começar a mudar após o dia 19 de Junho de 2013, data e que os aumentos da tarifa do transporte público do Rio de Janeiro e São Paulo foram revogados em função dos protestos.

Em movimentos cujos integrantes cresceram em contato com a Cultura Digital, dinâmicas de rede não são novidade. É o caso do Movimento Passe Livre (MPL), que desde seu início utiliza a internet para divulgar as suas ações e articular-se de forma descentralizada. Oficialmente o MPL foi fundado em 2005, durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, mas existiam movimentações desde 2001 em Salvador e Florianópolis.

Inicialmente por meio de listas de e-mails, hoje utilizando blogs, sites e redes sociais, o MPL ganhou destaque pela sua capacidade de replicação em várias cidades do país e pela promoção de grandes mobilizações por um transporte público, gratuito e de qualidade. Além de uma bandeira de fácil assimilação, existem práticas offline que não podem ser deixadas de lado: a sua organicidade é presencial, em reuniões, debates e, claro, manifestações.

Com a popularização dos dispositivos digitais (principalmente câmeras e smartphones) e a atuação muito próxima de coletivos de mídia independente, o MPL passou a usar cada vez mais a internet para denunciar abusos policiais e perseguições. Durante uma das suas maiores manifestações na capital catarinense, em 2005, conhecida como a “Revolta da Catraca”, o vídeo “Amanhã Vai Ser Maior“, produzido coletivamente durante os protestos e distribuído pela internet, foi amplamente compartilhado.

Movimentos sociais em rede são uma realidade em várias partes do mundo. Mas suas maiores realizações não foram na Tunísia, durante a “Primavera Árabe”, na Espanha com os “Indignados”, nos Estados Unidos com a “Ocupação de Wall Street”, e nem no Brasil, durante os “#ProtestosBR”. Foi, isso sim, o despertar das pessoas para o fato de que a tecnologia pode fazer bem mais pela cidadania do que enviar a declaração do imposto de renda para o governo.

Thiago Skárnio é Coordenador do Pontão Ganesha de Cultura Digital.
Matéria publicada originalmente no Caderno de Cultura do Diário Catarinense no dia 22 de Junho.

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