Resenha | Caio Prado Júnior: Uma Biografia Política

Por Nicholas Merlone

04/09/2017 

Luiz Bernardo Pericás, professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP), faz uma biografia política de Caio Prado Júnior (Caio Prado Júnior: Uma Biografia Política), pela editora Boitempo, com publicação em 2016. Optei por nesta resenha tratar da obra do autor, de modo que não se exclua a sua leitura por inteiro. Assim, além de observações e impressões gerais, procurei também abordar com maior interesse o capítulo 11, que diz: “O Homem Que Inventou Esse Tal de Marxismo no Brasil”. Isto porque, com razão, referencia o cerne de seu livro referente à essência de Caio Prado Júnior.
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“Este é o tipo de livro que, depois das lutas e derrotas de seu personagem, consola o historiador por sua investigação em ampla bibliografia e em fontes inéditas. E brinda o leitor com a narrativa da trajetória de alguém que emerge por inteiro através de suas relações políticas e intelectuais. Eis a biografia de uma época!” – afirma Lincoln Secco.

Em sua obra, Pericás objetiva principalmente travar um debate político do rumo de Prado Júnior, apontando sua militância, seus estudos de clássicos marxistas, suas viagens, sua posição referente ao período da História do Brasil marcado pelo Governo Militar, sua passagem pela prisão, suas relações com pensadores contemporâneos, bem como a expressão de seus pensamentos no decorrer dos anos.
Pericás, assim, afirma que Caio Prado Júnior, a partir de quando virou marxista, deteve uma conduta crítica e independente no que se refere à postura oficial. Além disso, defendeu, a partir dos anos 1930 até o fim de sua vida, a caminhada rumo ao socialismo. Esta postura do autor, segundo Pericás, é essencial para compreender a dimensão de suas reflexões em sua trajetória.

Com efeito, teço agora algumas breves pinceladas sobre o capítulo 11 da biografia: “O Homem Que Inventou Esse Tal de Marxismo No Brasil”.
Pericás afirma que, em 1968, o mundo presenciou ocorrências internacionais marcantes. Enquanto isso, no Brasil, ocorreu a promulgação do AI-5, com a radicalização do regime militar.

Caio Prado Júnior, na época, decidiu se exilar no Chile. O regime militar o via como um “subversivo”. Isto porque era um dos mais relevantes pensadores marxistas do Brasil, além de ser filiado ao PCB (Partido Comunista Brasileiro).
Na ocasião, as publicações comunistas ganharam perseguições. Caio Prado Júnior assim disse:” não devemos discutir a forma de lutar, e sim começar a lutar”. Por essa afirmação foi processado pela Justiça Militar de São Paulo.
Segundo Pericás, não se tratava de uma época para comemorações. Isto porque, na mesma ocasião em que Prado Júnior saía da prisão, o partido comunista sofria grandes represarias das autoridades. Vários ativistas em prol do socialismo foram assassinados pela ditadura.
Finalmente, Albert Camus via o jornalismo como trincheira de combate político. Não somente como uma mera ferramenta de transmissão de notícias, apesar dessa ferramenta ser relevante numa sociedade democrática. Pois bem, a postura de Prado Júnior de combate ao regime militar se evidencia de fato como uma trincheira de beligerância política. Prado Júnior, assim, foi um ícone da luta democrática de seu tempo. Pericás, por fim, bem representa suas ideias, reflexões e posturas.

Com efeito, uma obra que demonstra o trabalho árduo e minucioso do pesquisador. E, acima de tudo, enriquecedora que merece ser lida!

Antonio Prata | Bar ruim é lindo, bicho!

Estadão
26 Dezembro 2008 | 23h57

Antônio Prata

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Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinqüenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinqüenta anos, mas tudo bem).

No bar ruim que ando freqüentando ultimamente o proletariado atende por Betão – é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.

– Ô Betão, traz mais uma pra a gente – eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.

 

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.

O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinqüenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango à passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?).

– Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

Fonte: Estadão.

Shakespeare | 42 Sonetos – Soneto 19

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William Shakespeare

Tradução de Ivo Barroso

Ao longo de todos esses anos que vimos nos dedicando à transposição desses versos imortais, se houve quase sempre a sensação de incompletude, a frustração de não conseguir a desejada semelhança, a mesma riqueza e elevação de tom que prevalece no original, por outro lado alguma vez nos visitou a alegria de ter produzido um ou outro verso que espelhava um momento satisfatório de nossa própria realização.” – Ivo Barroso.

Soneto 19

Tempo voraz, ao leão cegas as garras

E à terra fazes devorar seus genes;

Ao tigre as presas hórridas desgarras

E ardes no próprio sangue a eterna fênix.

Pelo caminho vão teus pés ligeiros

Alegres, tristes estações deixando;

Impões-te ao mundo e aos gozos passageiros,

Mas proíbo-te um crime mais nefando:

De meu amor não vinques o semblante

Nem nele imprimas o teu traço duro.

Oh! permite que intacto siga avante

Como padrão do belo no futuro.

   Ou antes, velho Tempo, sê perverso:

   Pois jovem sempre há-de o manter meu verso.

XIX

Devouring Time, blunt thou the lion’s paws,

And make the earth devour her own sweet brood;

Pluck the keen teeth from the fierce tiger’s jaws,

And burn the long-liv’d phoenix in her blood;

Make glad and sorry seasons as thou fleets,

And do whate’er thou wilt, swift-footed Time,

To the wide world and all her fading sweets;

But I forbid thee one more heinous crime:

O! carve not with thy hours my love’s fair brow,

Nor draw no lines there with thine antique pen;

Him in thy course untainted do allow

For beauty’s pattern to succeeding men.

   Yet do thy worst, old Time: despite thy wrong,

   My love shall in my verse ever live young.

Luis Fernando Veríssimo | Dezesseis Chopes

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Chope gelado! Foto: Peixe Urbano.

A conversa já passara por todas as etapas por que normalmente passa uma conversa de bar. Começara chocha, preguiçosa. O mais importante, no princípio, são os primeiros chopes. A primeira etapa vai até o terceiro chope.

Luís Fernando Veríssimo

In:

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Do terceiro ao quarto chope, inclusive, contam-se anedotas. Quase todos já conhecem as anedotas, mas todos riem muito. A anedota é só pretexto para rir. A mesa está ficando animada, isso é o que importa. São cinco amigos.

Eu disse que eram cinco à mesa? Pois eram cinco à mesa. Dois casados, dois solteiros e um com a mulher na praia – quer dizer, nem uma coisa nem outra. E entram na terceira etapa.

Durante o quinto e o sexto chopes, discutem futebol. O que nos vai sair esse novo técnico? Olha, estou gostando do jeito do cara. E digo mais, o Grêmio não aguenta o roldão nesta fase do campeonato. Quer apostar? Não aguenta. Porque isto e aquilo, que venha outra rodada. E – escuta, ó chapa – pode vir também outro sanduíche aberto e mais uns queijinhos.

O sétimo chope inaugura a etapa das graves ponderações. Chega a Crise e senta à mesa. O negócio não está fácil, minha gente. Vocês viram a história dos foguetes? Na Europa, anda terrorista com foguete dentro da mala. Em plena rua! O negro entra num hotel, pede um quarto, sobe, abra a mala, vai até a janela e derruba um avião. Derruba um avião assim como quem cospe na calçada!

São homens feitos, homens de sucesso, amigos há muitos anos. Nenhum melhor do que o outro. A etapa das graves ponderações deságua, junto com o nono chope, na etapa confidencial. Pois eu ouvi dizer que quem está por trás de tudo… Agora todos gritam, as confidências reverberam pelo bar. Os cinco estão muito animados.

Um deles ameaça ir embora mas é retido à força. Outra rodada! Hoje ninguém vai pra casa. Começa a etapa inteligente. Todos dizem frases definitivas que nenhum ouve, pois cada um grita a sua ao mesmo tempo. Doze chopes. Treze. Começa uma discussão, ninguém sabe muito bem se sobre palitos ou petróleo. A discussão termina quando um deles salta da cadeira, dá um murro na mesa e berra: “E digo mais!” Faz-se silêncio. O quê? O quê? “Eu vou fazer xixi…”

Com quinze chopes começa a fase da nostalgia. Reminiscências, auto-reprimendas, os podres na mesa. As grandes revelações. Eu sou uma besta… Besta ou eu. Tenho que mudar de vida. Eu também. Cada vez me arrependo mais de não ter… de não ter… sei lá! E então um deles, os olhos quase se fechando, diz:

– Sabe o que é que eu mais sinto?

– Diz qual é.

– Sabe qual é o vazio que eu mais sinto aqui?

– Diz, pô!

-É que eu nunca tive um canivete decente.

O silêncio que se segue a esta revelação é mal compreendido pelo garçom, que vem ver se querem a conta. Encontra os cinco subitamente sóbrios, olhando para o centro da mesa com o ressentimento de anos. É isso, é isso. Um homem precisa de um canivete. Não de qualquer canivete, não desses que dão de brinde.

Um verdadeiro canivete. Pesado, de fazer volume na mão, com muitas lâminas. Um canivete decente.

-Eu tive – diz, finalmente, um dos cinco. É uma confissão. E os outros olham para ele como se olha para um  homem completo. Ali está o melhor deles, e eles não sabiam.

Pedro Bial | Crônicas de Repórter – BOMBAS, JORNAIS E TABLÓIDES

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Ao inaugurar esta coluna no Jornal da Tarde, um colega me aconselhou: é como escrever uma carta semanal a um amigo. Como tecer uma missiva pessoal a um destinatário desconhecido. Qualquer matéria jornalística é de fato uma conversa, uma revelação a um estranho. O jornalista desobedece à primeira lição que as crianças aprendem e sempre, sempre, fala com estranhos. A coluna surgiu com a intenção de criar uma espécie de diário de bordo deste repórter que vive entre aeroportos e quartos de hotel. A cada semana, assinaria de um porto diferente em algum lugar da Europa, em algum lugar do mundo. Irônico como só ele, insistiu o destino em me levar, por duas temporadas, logo nestes primeiros meses de coluna, a um território estrangeiro bem familiar aos leitores, o Brasil. O Brasil é longe, insular, auto-referente. Aqui, sinto-me isolado do mundo. Alguns atribuem o nosso desinteresse pelo que se passa lá fora à fartura de notícias nacionais. Outros dizem que o noticiário internacional pós-guerra fria ficou muito complicado, sem mocinhos ou bandidos claramente delineados.

Agora a França nos oferece um vilão bem ao gosto da mídia. Nem Sadam, nem Kadafhi; o homem mau do momento é Jacques Chirac, presidente da França.

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Chirac conseguiu fazer tudo errado, desde a posse. Ou melhor, desde a campanha, quando fez promessas que não poderia mesmo honrar. Para o governo francês, habilitar a economia para a unificação monetária europeia é ponto de honra. Só que este objetivo exige a redução do déficit público. Cortar os gastos com o “Welfare State” significa comprar uma briga monumental com um dos sindicalismos mais ativos e organizados da Europa.

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Antes de enfrentar a própria sociedade francesa, Chirac conseguiu unir a opinião pública mundial contra seu governo. Na preparação dos testes nucleares na Polinésia, revelou-se a incompetência do novo governo. Incompetência, arrogância ou ignorância da nova desordem mundial. O Eliseu deu uma campanha de presente para o Greenpeace, e ainda abasteceu o sentimento anticolonial dos vizinhos australianos e neozelandeses. Quando reagiu, o governo francês usou um discurso de linguagem paranóica, denunciando um complô das potências do Pacífico para prejudicar os interesses franceses.

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De fato, os testes foram uma multinotícia. Para a mídia australiana, a ecologia tinha um papel secundário na discussão. O que estava em jogo não era a questão ambiental e sim o resquício colonial do Taiti. George Negus, o âncora mais importante da tevê australiana, me disse: Os testes tiveram um benefício direto: acabaram com a farsa da imparcialidade jornalística. Formos parciais desde o início. A propósito, a Austrália exporta a maior parte do urânio consumido pela França. As exportações estão suspensas enquanto os testes continuarem.

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Outra discussão levantada pelas explosões em Mururoa e arredores trata do poder das ONGs sobre a imprensa de todo o mundo.

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O Greenpeace cria notícias e, principalmente, imagens espetaculares. Os militantes ambientalistas fazem o jogo deles. Oferecem, de graça, informações, imagens, facilidades técnicas e logísticas, a empresas de comunicação cada vez mais preocupadas em cortar custos. Quando um repórter embarca no Rainbow Warrior e transmite suas matérias dos equipamentos do Greenpeace, está fazendo uma cobertura ou passa a ser parte de uma campanha? O dilema ético não pertence às organizações não-governamentais, é problema da imprensa. As ONGs são fontes de boas pautas. As coberturas das fomes e guerras na Etiópia, Somália e Sudão surgiram depois de pressões das ONGs. Os assessores de imprensa não-governamentais são em geral gente querida e conhecida no meio jornalístico, com credibilidade para plantar os seus dados e números de forma quase inquestionada. Depois da grande pisada na bola, quando acusou a Shell de ameaçar todo o mar do Norte com a desativação de uma plataforma no fundo do mar, o Greenpeace pediu desculpas públicas. Tinha divulgado informações erradas, que toda a mídia tinha reproduzido. O Greenpeace se retratou. A imprensa não…

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1995 está, felizmente, chegando ao fim. Ando ocupado na confecção da retrospectiva do ano, sob a direção de Silvia Sayão. Imagens têm um estranho dom: o que é ficção torna-se um documento de época. O que é registro da realidade quase sempre adquire um caráter ficcional. Vejo as cenas do terremoto em Kobe no começo do ano, uma cobertura que me custou um alto preço emocional. Vejo as cenas do terremoto em Kobe no começo do ano, uma cobertura que me custou um alto preço emocional. Hoje, parece tudo irreal, um sonho mau. Me emociono quando lembro, sem o auxílio de nenhum vídeo a não ser a memória, o que vi e vivi. Mas, ao ver as imagens que produzi naquela semana de janeiro, nenhuma emoção pessoal é despertada. Parece que assisto a um filme, uma história alheia, distante no tempo e no espaço.

dezembro/95