Shakespeare | 42 Sonetos – Soneto 19

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William Shakespeare

Tradução de Ivo Barroso

Ao longo de todos esses anos que vimos nos dedicando à transposição desses versos imortais, se houve quase sempre a sensação de incompletude, a frustração de não conseguir a desejada semelhança, a mesma riqueza e elevação de tom que prevalece no original, por outro lado alguma vez nos visitou a alegria de ter produzido um ou outro verso que espelhava um momento satisfatório de nossa própria realização.” – Ivo Barroso.

Soneto 19

Tempo voraz, ao leão cegas as garras

E à terra fazes devorar seus genes;

Ao tigre as presas hórridas desgarras

E ardes no próprio sangue a eterna fênix.

Pelo caminho vão teus pés ligeiros

Alegres, tristes estações deixando;

Impões-te ao mundo e aos gozos passageiros,

Mas proíbo-te um crime mais nefando:

De meu amor não vinques o semblante

Nem nele imprimas o teu traço duro.

Oh! permite que intacto siga avante

Como padrão do belo no futuro.

   Ou antes, velho Tempo, sê perverso:

   Pois jovem sempre há-de o manter meu verso.

XIX

Devouring Time, blunt thou the lion’s paws,

And make the earth devour her own sweet brood;

Pluck the keen teeth from the fierce tiger’s jaws,

And burn the long-liv’d phoenix in her blood;

Make glad and sorry seasons as thou fleets,

And do whate’er thou wilt, swift-footed Time,

To the wide world and all her fading sweets;

But I forbid thee one more heinous crime:

O! carve not with thy hours my love’s fair brow,

Nor draw no lines there with thine antique pen;

Him in thy course untainted do allow

For beauty’s pattern to succeeding men.

   Yet do thy worst, old Time: despite thy wrong,

   My love shall in my verse ever live young.

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Autor: Leitor Andarilho

Escritor Viajante!

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