Diário de bordo – Conversa Intergaláctica
Oi pessoal do projeto Ondas Radiofônicas e leitores do nosso blog,
Vou dar um relato do encontro que participei hoje, no campus da UFRJ da Praia Vermelha, de preparação para o Festival Intergaláctico. Para quem não ouviu falar sobre este evento, o objetivo, pelo o que eu entendo, é reunir pessoas com experiências em mídia alternativa (rádio, impressos, etc.) e promover debates e oficinas com os participantes. Me parece que o grande foco é meio radiofônico, sendo que três modalidades alternativas do fazer rádio são de interesse para o evento: pessoal de rádio comunitária, galera da rádio livre e ainda aqueles que piram em rádio arte.
Hoje na conversa tinha gente principalmente do movimento de rádios livres. Geralmente este pessoal circula ou tem como primeiro campo de experiências as iniciativas de rádio dentro das universidades – o que possui facilidades e dificuldades. Por um lado, estes movimentos são formados por estudantes de vários cursos, criando espaços de encontro entre diversas áreas e fortalecendo uma identidade grupal. Por outro, estes grupos tendem a se fechar e, mesmo abrindo a rádio livre dentro da universidade para as populações ao redor, esta ponte é frágil e necessita de um cuidado de ambas as partes.
As rádios comunitárias, por sua vez, são propostas de fazer comunicação que surgem e são geridas por moradores de determinadas comunidades e possuem mais integração com o entorno (pelo menos na teoria). Estas rádios não deixam de serem um espelho destes grupos, com propagandas locais, as diversas ideologias deste contexto explicitadas nos programas, usando uma linguagem de rádio que se assemelha aos formatos amplamente divulgados pela grande mídia. Rádio como entretenimento, notícia e propaganda – afinal é esta maneira de fazer que se apresenta como linguagem possível e que pode ser copiada e reproduzida sem muita crítica.
A terceira instância seria a rádio arte, ou aqueles que buscam fazer experimentações com o som dentro do meio radiofônico. Poderíamos citar desde aquele DJ que cria músicas ao vivo misturando loops (pedaços que se repetem) e fragmentos de canções diversas até a transmissão de ruídos sonoros e todo som que busque uma reflexão e atenção do ouvinte, ou simplesmente quem, dentro de qualquer tipo de rádio, gosta de experimentar as possibilidades que o meio permite. O que às vezes se perde é uma maior comunicação com públicos variados.
Apresentada estes três universos de rádio, uma das linhas da conversa, entre tantas outras discussões, foi pontuada em como pensar em criar interfaces de interação e troca entre seus envolvidos. Me parece que o Festival buscará este horizonte, mas sem nenhuma fórmula pronta. Depende de quem estiver no barco.
Abraços,
Marcelo Wasem

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