Presentes do Leandro

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Eu sou Leandro Silva. Eu sou bem feliz porque sou artista bonequeiro de profissão.

A felicidade é que não nasci bonequeiro, tive outras possibilidades na vida, estudei muito (e continuo estudando), mas decidi ser artista bonequeiro. Decidi por minha própria conta e risco, paguei o pato e estou aí. Me fiz assim. Ser livre pra mim é ser o que se desejou ser apesar, apesar, apesar…

Troquei minhas certezas por alguns sonhos mágicos por convicção religiosa: acho que a vida segue depois daqui, mas será outra vida, em outros planos. Esta atual é única, irrepetível e minha fé não admite não viver aqui e agora o sonho que se tem. É a tal da Saga Pessoal.

Sou nordestino e carrego no meu jeito as coisas do meu povo. Não é só sotaque, não. É a malícia, a lealdade e os arretamentos que este pedaço riquíssimo do Brasil transborda. Sou brasileiro, por isso também vivo pelo país. Rodei muito, em muitos lugares, construindo histórias legais com gente bacana. Aí quando vim para Porto Alegre – RS fazer uma residência artística no Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, decidi que era hora de fincar umas raízes por uns tempos. Nasceu a Família Fuzuê Teatro de Animação e fechou! Gente se fazendo artista bonequeiro, como eu me fiz.

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Meu nome é inquietude: Ora escrevo, ora produzo, ora crio coisas, ora faço política cultural, ora jogo tudo pra cima, ora quero tudo, ora não quero mais nada. Mas tudo arranjado, pois aprendi forçosamente a ter algum foco na vida. Assumo minhas incoerências. A última é que amo chuva no Nordeste e detesto aqui no Sul. Resquício de minha estrada na religião em tempos idos, chego a senti uma pontada de culpa por xingar São Pedro e, ah, vá chover lá no Nordeste, velho!

Eu penso algumas coisas sobre a arte, sobre ser artista e como me vejo nisso tudo. Estes dias resgatei o prefácio de um livreto que escrevi em 2010 e que parece que nunca vou publicar mesmo. Lá, ainda está expresso muito do que penso e acredito neste lance de fazer e viver pela arte. Tomo a liberdade de encerrar esta apresentação pessoal com trechos deste prefácio e uns beijos meus! Até mais!

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(…) acredito na arte como uma elevação e uma expansão transcendental do ser humano. A ÚNICA missão da arte é nos lançar para além daquilo que somos. É me expandir rumo à plenitude de tudo que sou. Fazer arte é um processo expansivo da alma.

Assim, não acho que a arte tenha a obrigação de ser boa ou má, heroína ou vilã, nem tenha obrigação de ser “educativa”, “moralista” e cheia de valores altruísta. A arte se propõe a algo mais simples, mais básico, mais humano: Expandir-se!

Se resolvo utilizar a arte, e no meu caso em especial o teatro e a literatura, algumas vezes em processos educativos, isso é uma OPÇÃO pedagógica e metodológica. Mas tal opção não agrilhoa, não algema o pássaro livre da arte que mora em mim. Afinal, o Espírito sopra onde quer…

A arte é um processo libertário, que pode se dar de forma pessoal ou coletiva. Mas é acima de tudo uma experiência, um olhar muito particular de cada um. (…) O que cada uma faz com o que vê e escuta, e o modo que participa é intrinsecamente seu – um universo particular.

A arte se faz acima de tudo no OLHAR de quem frui, aprecia e no ateliê interior (CORAÇÃO) do artista que produz. Mas é, em qualquer das hipóteses, momento libertário, de dentro para fora. O meu olhar é o meu olhar. Podemos no máximo COMPARTILHAR os nossos olhares sobre o mesmo quadro da Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Mas a sensação experiencial é bastante particularizada. Entendo assim que o fazer artístico não pode ser taxado e formatado num modelo de moralismo, ou qualquer outro modelo que seja. Posso fazer uma opção. Mas não posso agrilhoar de forma exclusivista o olhar do outro e o processo criador.

O convite que vos faço é: Dispam-se ao apreciar qualquer manifestação artística! Permita-se se embriagar! A arte não está no mundo dos formatados, na obviedade, mas na diversidade. A arte é um momento de embriaguez. Quem dela não se inebria, não a alcança em profundidade.

Assim, a arte habita outro locus da alma humana, para além da moralidade, religiões e convenções sociais, podendo tocar estes aspectos por opção ou pelas circunstâncias do criador-apreciador.

E então? Vamos nos embriagar com uma taça de arte?

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 O Eclético e o “Multimídia”(?)

Ao longo de 10 humildes anos experimentando teatro e outras artes… (apenas experimentando, sim! Fazer arte no Piauí ainda é uma experiência kármica! Viver de forma exclusiva de arte é difícil e você só pode ser artista por sorte, determinação… ou sina, que é o meu caso), toquei em diversas possibilidades: escrevi e montei algumas peças, compus alguns musicais, pintei, desenhei, conspirei algumas teorias e práticas, especialmente no campo da arte-educação.

Alguns amigos dizem que eu sou eclético. Alguns inimigos me chamam de incompetente… Faz um monte de coisas e é ruim em todas elas. Sem problema! A questão do ecletismo ou da “poli-incompetência” vem sendo a questão sobre a qual me debato interiormente nos últimos anos. E da qual discordo radicalmente hoje (…).

De fato, fiz muitas experiências, todas pequenas, em muitas “modalidades artísticas”. Era a minha nóia, minha viagem, em busca de saber qual é de fato a minha “persona” artística. Este é um processo natural e importante de qualquer artista e que pode levar anos ou nunca acabar, já que o artista está em constante processo de desconstrução e reinvenção.

Defendo-me (…) de ser um sujeito “eclético” e, sob um olhar da contemporaneidade, me vejo (por hoje) como um artista “multimídia”.

Hoje o que busco é a valorização e o diálogo entre a diversidade cultural e o contato com as novas mídias na execução do meu fazer criador. Um criar dialogante e propositivo.

(…)

Na conjuntura atual, tudo é diálogo e interatividade. Acredito que estamos vivendo o alvorecer de uma nova consciência global. Acredito que estamos despertando para a alma comum do mundo, a “animus mundi”, para a idéia de que há unicidade em nossa diversidade. De que somos diferentes, mas uma só família. E a arte é, hoje, um convite a dialogar, a um constante partilhar interativo dos olhares interiores.

A tecnologia nos aproxima. As redes sociais se proliferam, especialmente no mundo virtual. Nunca tivemos tanto acesso à fruição cultural na ponta dos dedos, ao alcance de um teclado de computador. Nunca ansiamos tanto construir uma fraternidade global, expressa nos inúmeros sites de relacionamento e na construção coletiva através das novas mídias.

 A Arte se transcende como um Universo Multimídia, de desestanquisição para a interação criativa, na reformulação de novas formas de expressão e de expansão da criatividade humana.

A tecnologia está nos permitindo um “boom!”, um “crash!” subversivo, dialogante e interativo, que ao mesmo tempo satura e convida a interagir.

Quero está na crista destas novas ondas!

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😉

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