↑ Retornar para O Espetáculo

Final Alternativo

Os Três Presentes Mágicos

FINAL: A revelação

 

(Teatro de bonecos. Surgem os três irmãos e a Princesa. O rei é uma silhueta de sombras)

Rei: Como prova de agradecimento, minha filha irá se casar com um de vocês.

Contador de histórias 01: Mas, majestade? Quem terá o direito?

Contador de história 03: Com quem a Princesa poderá se casar, se cada um dos irmãos tiveram papel importante na liberdade de Sua Alteza?

Rei: Oras, como tomar tal decisão e ainda assim ser justo? Como? Reúnam os mais velhos! Reúnam os quimbandas, adivinhos e curandeiros! Reúnam os mais sábios e respeitados de todo o reino para que discutam e resolvam esta questão, pois a mim, desejo continuar sendo um rei de Justiça!

(Os três contadores de histórias cochicham e discutem nervosamente).

Contador de história 02: Majestade, chegamos à seguinte conclusão: nenhuma! Depois de três dias e três noites inteiras de discussão, não sabemos com quem a Princesa deverá se casar.

Contador de histórias 01: (sombras se apagam. Bonecos ficam de frente para a plateia)

E vocês? Em sua opinião, qual dos irmãos mereceria desposar a bela princesa? O dono do espelho?

Contador de história 02: O detentor do tapete voador?

Contador de histórias 03: Ou o que possuía uma rede invencível?

(Surge o monstro quimpassi)

Quimpassi: Nenhum dos três!

Irmãos: O quimpassi!

Rei: Quem é esta criatura? E o que faz aqui?

Quimpassi: (deixa cair sua máscara horripilante) Nenhum dos três!

Irmãos: Vovô!

Irmão Mais Velho: Mas, não é possível!

Irmão do Meio: Era o senhor o tempo todo? Mas como?

Irmão Mais Novo: Deixamos o senhor da aldeia antes de partirmos!

Rei: Seja bem vindo, Kayodê[1]!

Irmãos: Vocês se conhecem?

Vovô-Quimpassi: Sim. Vos apresento o meu irmão, rei destas terras distantes do Congo. E não poderão casar-se com a princesa, pois ela é vossa irmã mais nova.

Irmãos: O que? Não é possível!

Vovô-Quimpassi: Sentem-se. É uma longa história!

Há alguns anos, a família real sofreu uma grande desgraça. Uma guerra de alastrou por meses em nossa terra liderada pelo monstro que acabaram de aprisionar graças aos seus presentes mágicos e que foi duramente combatida por nosso povo. Os três filhos do rei foram sequestrados e desapareceram. Todos os tinham como mortos e a rainha, profundamente abatida, exigiu a todo o reino silêncio e respeito à sua imensa dor. Um ano depois, nasceu sua irmã. Mas a rainha, abatida todos estes anos, incapaz de superar a perda dos filhos, acabou morrendo enquanto dava à luz. Por anos, trabalhei arduamente junto com o povo mágico quimpassi em busca de cada um de vocês, até que os descobri sãos e salvos, adotados por aldeões nos limites mais remotos do Reino do Congo. Seus pais os encontraram abandonados na savana e os adotaram. E eu cuidei de todos, até chegar o dia certo e a hora certa, pois vocês estavam predestinados a derrotar de uma vez por todas o monstro e restabelecer para sempre um tempo de paz e alegria em todo o Congo. Os seus pais adotivos estão chegando para se unir a vocês.

Irmão Mais Velho: Ainda amamos a Princesa.

Irmão do Meio: Mas agora é diferente…

Irmão Mais Novo: O amor é para sempre igual. Mas também agora é diferente… Amor fraterno.

Os três: Amor de irmãos.

Princesa: Amor de irmã.

(Os três se abraçam. O reino do Congo vai se distanciando até perder-se dentro do mapa da África; até o horizonte do céu azul… Fim)

[1] Kayodê, em ioruba, significa “aquele que traz alegria”.

Pular para a barra de ferramentas