Coragem | Será que é o fim? Ops, uma “rasteira criativa”…

Tô saindo do CEU, alguém grita:
– Tia, não vai ter mais coisa na sala dos computadores?
– Vai sim, eu só não vou estar mais aí… nada de mais.
– Eita… Mas ó, vou continuar fazendo umas coisas com o Blender. O problema é que… se minha pasta tiver num computador que eu não puder usar, como que faz?
– Ora, passa ela pra outro computador, com um pendrive, como você fez “quinhentas vezes” 🙂
– Mas era o seu pendrive, como arranjo outro?
– Você sabe pedir ajuda como ninguém.
– Mas e se eu tiver muita dúvida e ninguém conseguir me ajudar, no mundo inteiro?
– Duvido que chegue nesse ponto. Mas você já tem meu número de telefone, lembre que é outro DDD, 81. Posso te contar umas piadas se você ligar…
– Vou ligar a cobrar (olhar maroto)
– Ah, toma vergonha na cara, Miguel (11 anos)!
– Kkkk

No último dia (02/07) de ocupação, a galera aprontou comigo, levei uma “rasteira criativa”. No anfiteatro do CEU, havia programado de mostrar ao pessoal as shapekeys da protagonista do Open Movie Sintel, para gente alterar umas expressões junto, além de animar um personagem articulado e fazer a modelagem de um rosto completo a partir de um cubo. Tudo ao vivo, acompanhando pelo telão, os participantes comandariam/sugeririam que ferramentas e operações fazer (eu as executaria no computador da cabine do teatro). Ou seja, eles decidiriam cada detalhe, enquanto eu só apertaria botões.

De repente, desligaram todas as luzes do lugar e, em alguns minutos, surgiu:
– Ah, Fessora, c tá entendendo nada, VOU AÍ FAZER!
– KKKKKKK.

1_20150702_160932O Victor, o João, o Zenildo, o Miguel… todos ocuparam meu computador, e o espaço inteiro, como ninguém. A Alessandra foi sugerindo comandos, cortes, procedimentos… a Bruna pegou o microfone, ligou o amplificador, e foi “dublando” personagens animados. Perdi o controle completamente.2_20150702_155118Até meu celular foi embora, porque o João precisava registrar tudo com a câmera. E pediu preu filmar também como ele simulava alguém caindo no chão (na verdade ele me deu um puta susto, pois só depois mostrou que era “simulação” :P), pra animarmos movimentos baseados nisso.
Pura gritaria e caos criativo.3_20150702_155435

Não sei se vão continuar desenvolvendo coisas com software livre no LabCEU. Mas sei que no coração de cada um já há mais CORAGEM em explorar territórios, em transformar realidades, em experimentar processos inusitados. E com muito humor. Passei vários momentos do dia chorando, só de lembrar. E os agradeço profundamente.

Ocupar não é só dar curso, oficina ou capacitação. É como cultivar uma horta. E, por incrível que pareça, é jogar lenha na fogueira também, questionando. É inspirar à experimentação, seja do que for. Assim, ocupei por alguns meses, mas o propósito disso é provocar os participantes a pisar em qualquer território com postura e respeito de ocupador também. E, no caso do CEU de Sertãozinho, a transformarem aquele espaço, continuamente, por vários anos. É propor desafios de percepção que os instiguem a enxergar cada vez mais potencialidades nesse “mangue de desenvolvimento”. E para cuidarem dele, para que esse ninho (o LabCEU) continue cheio de vida e de morte.

Caso contrário, para os desavisados, são só cabos e placas.
É que os computadores não passam de uma desculpa, um pretexto de encontro. Minha ocupação não é sobre capacitar tecnicamente em computação gráfica (embora os participantes tenham experimentado inúmeros processos, sabendo atalhos e tudo… que muitos profissionais desconhecem), é sobre ter coragem. De se expor e de mobilizar pessoas para resolver um desafio coletivamente. De reconhecer o outro como um possível parceiro comunitário e de respeitar suas ideias. De discursar (com muita eloquência, inclusive) sobre erros, tentativas, indagações e piadas que surgem enquanto cada um se entrega a um desafio. Para mim, essas atitudes são fundamentais para qualquer articulação coletiva.

Assim, sinto que o programa LabCEUs está contribuindo para com demandas sociais que poucas iniciativas conseguem dar conta, ou mesmo, chegar perto, sensibilizar.

Esta postagem é, também, um pouquinho em homenagem ao Colégio de Aplicação da UFPE. Que ajudou a fomentar coragem em meu coração e o acompanha até hoje.

Muitas Emoções…!

Recebi das mãos do Otávio este abaixo-assinado, sobre os “jogos de arminha” (jogo de tiro em primeira pessoa):Aaixo_assinado_participantes_145735Já neste vídeo, surpreendemos o Eliézer, ao entregarmos uma medalha (feita em sua homenagem) que modelamos e imprimimos coletivamente!

20150610_141946

Haja coração 😀

 

Animação 3D Coletiva | Vai ter gol, GOOOOOOOL!

Já fez uma animação 3D coletivamente?
Pois a gente tentou na semana passada… e foi assim:

– Vaitergol, vaitergol, vaitergol, vaitergol… GOOOOOOOL! (4m36s)

– Não esquece de apertar “a”
– Eu aperto p’ocê.

– Que doidera, mano!
– Haha.

– Agora move o “corpitcho” dele…

– Rotaçáum!
– Quê?
– Rotaçáaaaum! Buraco negro!

Animação 3D | O Personagem 3D do Lucas Dança!

Um de nós, ao digitar um atalho “errado”, descobriu como renderizar em tempo real. Outro, está experimentando iluminar e posicionar câmeras. Já outro (14m04s), acabou de fazer seu personagem dançar…

– C quer que o pé (do Sonic) também se mexa?
– É, e os dedos!
– Ixi, dedo vai ser difícil. Melhor você não tentar isso agora, depois vou te explicar…
– Vou tentar SIM.
– Pode tentar, não tem problema nenhum (rs).
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– Aie, ficou muito “Bravo!”
– Quem que tá bravo?…
– Não! Bravo! É “Da hora” (a animação)! Haha! 
– Ficou mesmo…
– Ficou “massa”, igual diz você.
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– Ow, onde ele arranjou esse Sonic??
– Pegou da net, agora tá pintando e colocando ossos para animar…
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– Puts, ficou SEM LUZ! Esqueci da luz!
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– Tá vendo, Verri, essa é sua primeira animação de verdade (renderizada), um filme!
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– Descobri uma coisa! Apertei o atalho errado e agora olha isso aqui!
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– Vou fazer uma cirurgia de vértice (para “consertar” o nariz do Sonic), com Alt+M… Que acontece se selecionar 2 de uma vez?
– Oxe, tenta!

Rigging | Extrusões, Esqueletos e LINUX no LAB!

– Uma metralhadora de vértices, Fessôra… O modelo tá bugado!
– Para quê que tem essa extrusão?
– Pra fazer um.. como se diz… um joelho?
– E pra juntar várias partes, faz uma cirurgia de vértice?
– Exatamente!

Essa “cirurgia” pode ser feita através da ferramenta “Merge” (Alt+M), do Blender 3D, ao juntar um vértice de uma malha com outro da outra, agregando-as em um vértice só que as liga. Um dos participantes fez isso para juntar o nariz do Sonic ao corpo. E vários utilizaram essa ferramenta para juntar pescoço com o corpo, já que optaram em modelar a cabeça do personagem separadamente e depois fazer dos dois um objeto só (Ctrol+J). Já marcando a opção “X-Ray”, no painel Objeto, com o esqueleto (armature) selecionado, conseguimos ver os ossos, sem que eles fiquem escondidos na malha (modelagem). Lembrando que, na animação renderizada, eles nunca aparecem.

Neste vídeo mostramos também que conseguimos instalar Linux no LAB!

Open Movies | Essa é a protagonista do filme?!

Todos os arquivos de edição (.blend) dos personagens, cenários, animações e absolutamente tudo que faz parte do curta Sintel estão na internet, para download gratuito. O que nos permite alterá-lo completamente. É uma das características dos Open Movie Projects.

Deixei o projeto das shapekeys da personagem principal aberto em um dos computadores e fui dar uma volta… O Zenildo e o Victor começaram a “fuçar” e se surpreenderam com o fato de que estávamos tão próximos do que dá vida a essa estória. No começo desse vídeo, por exemplo, estamos movimentando as bochechas e nariz da personagem.
sintel_skeys

Shapekeys permitem atribuirmos keyframes às alterações feitas nas faces de uma modelagem 3D. Através delas, podemos configurar as expressões de um rosto, por exemplo, para que seja possível animá-lo, logo depois.

Na nossa página “desenvolvimento“, há mais informações e projetos (.blend) sobre o que estamos experimentando com os arquivos dessa animação.