A “caravana das artes”, proposta pelo MinC nesse início de século XXI, é dotada de um forte sentido histórico. Se, no Brasil colônia, os relatos de viajantes estrangeiros – do aventureiro Hans Staden ao conde de Gobineau, passando pelos naturalistas Spix e Martius, entre tantos outros – foram decisivos para nossa compreensão do país, no Brasil republicano e moderno foram os próprios brasileiros que decidiram viajar pela profundidade de seus territórios a fim de conhecê-lo verdadeiramente, despindo-se inclusive dos preconceitos etnocêntricos europeus.

Da epopeia sertaneja de Euclides da Cunha, passando pelo “turista aprendiz” Mario de Andrade pesquisando o folclore do norte e do nordeste, até chegar às caravanas da cidadania de Lula, há momentos marcantes de redescobrimento do Brasil, de tentativa de compreensão de sua realidade histórica. O MinC propõe que este seja mais um deles.

Assim, a caravana das artes tem como objetivo levar em consideração a pluralidade territorial do país e suas singularidades, a fim de que elas sejam refletidas na formulação das políticas públicas para as artes. E, ainda, mobilizar os agentes do campo artístico em todo o país, gerando a atmosfera social necessária para estabelecer a política das artes como uma agenda importante do Brasil contemporâneo.