Felipe Fonseca, membro desta rede, é um dos fundadores da MetaReciclagem, da BricoLabs , integrante do DesCentro e mais uma porção de projetos que trabalham com apropriação crítica de tecnologia, produção colaborativa e outras “vertentes” da cultura digital.

Efeefe, como é conhecido, postou esta semana em seu blog uma importante reflexão, que reproduzo aqui parcialmente por acreditar na relevância ao Programa Nacional de Banda Larga dos pontos levantados por ele. A necessidade de pensar em distribuição de acesso atrelada a pólos locais de inovação, o perigo que o avanço das tecnologias de controle representam, a oportunidade vinda da intersecção entre fronteiras propiciada pelo digital, a importância de ampliar o investimento em desenvolvimento de software livre são alguns dos exemplos usados para mostrar que “o acesso à informação não basta – precisamos é de participação, cotidianos compartilhados e aprendizado em rede”, como resume o próprio Felipe.

A justificativa para isso é clara: “O estímulo à inovação aberta baseada nesses princípios pode promover saltos quantitativos no alcance de iniciativas das comunicações, diplomacia, educação, cidades, segurança, defesa civil, saúde, meio ambiente, transporte, turismo, direitos humanos, ciência e tecnologia, e por aí vai”.

Alguns trechos dos posts:

“Em termos de compreensão sobre o papel das novas tecnologias de informação e comunicação, o momento agora é outro. Não precisamos mais convencer as pessoas sobre a importância da internet. Das redes sociais. Do software livre. Boa parte dos figurões do mundo político, de todos os partidos, tem pelo menos um blog, usa o twitter e tem canal no facebook. Começamos essa década em um patamar muito mais alto. A internet é entendida como recurso fundamental para uma cidadania plena. Existem iniciativas como o Plano Nacional de Banda Larga, o programa Computador para Todos, o Um Computador por Aluno. A maioria dos estados tem projetos de inclusão digital com software livre. Já existem mais telefones celulares do que habitantes no Brasil. Pessoas que tinham aversão aos computadores hoje são os mais entusiásticos usuários das redes sociais. Os internautas brasileiros são os que usam a rede por mais tempo a cada mês, em comparação com outros países.”

[…]

“Os novos governos federal e estaduais que assumem nesse momento de referenciais avançados em relação a oito anos atrás precisam entender o potencial e a importância de adotarem alguns princípios claros. O apoio à liberdade de circulação da informação (e publicação de dados oficiais abertos, que possibilite experiências como o transparência hackday), o fomento à emergência de soluções livres e à descentralização integrada, a orientação sobre a sustentabilidade socio-economico-ambiental da produção criativa em rede e a escolha intransigente de protocolos abertos e livres são necessários em todos os segmentos.”

Veja o texto completo em: Inovação e tecnologias livres – parte 1 – a década que foi

“Além desse quadro atual de conflitos, também é importante trazer para a reflexão as novas possibilidades das tecnologias digitais, que cada vez mais se distanciam daquela ideia equivocada que opunha o virtual ao real. A tecnologia que vem por aí não trata somente de computadores ou telefones móveis para acessar a internet. Existe um amplo espectro de pesquisa e desenvolvimento que propõe novas fronteiras: computação física e realidade aumentada; redes ubíquas; hardware aberto; mídia locativa; fabricação digital, prototipagem e a cena maker; internet das coisas; diybio, ciência de garagem e ciência de bairro.”

[…]

“Todos sabemos o que acontece quando a tecnologia é desenvolvida sem contato com o cotidiano. Ela fica espetacular, alienada e homogênea. Vamos trazer a inovação tecnológica de volta ao dia a dia, fazer com que ela seja não somente lucrativa mas também relevante. Que ajude a construir a sociedade conectada que queremos. Temos a oportunidade de provocar uma onda de criatividade aplicada em todas as regiões do país. Temos a oportunidade de provar que o Brasil é digno da fama de país do futuro. Mas precisamos decidir qual é o futuro que queremos. Já deixamos de lado os futuros imaginários da guerra fria. Nosso futuro pode ser um futuro participativo, socialmente justo, que reconheça mérito, talento e dedicação.”

Veja o texto completo em: http://desvio.cc/blog/inovacao-e-tecnologias-livres-parte-2-hojes-e-depois

Desde a sua criação, a rede CulturaDigital.Br defende acesso à banda larga para todos do país como forma de apropriação cultural e desenvolvimento nacional. Para isso, é preciso pensar além da infraestrutura e levar em consideração os possíveis usos que poderão ser feitos desta rede. Nesse sentido, ter a compreensão de que o cidadão é um criador e não apenas “consumidor” de certos conteúdos é fundamental.