Archive for fevereiro de 2010

Cultura democratizada sem o apoio corporativo

No embalo da proposta de que arte, cultura, educação e comunicação são ideias que andam de mãos dadas e que precisam ser compartilhados, rompendo as barreiras do acesso restrito, os conceitos de cultura livre foram defendidos e debatidos durante o Diálogo Interplanetário de Cultura Livre. O evento integrou do Fórum Social Mundial (FSM), que aconteceu de 25 a 29 de janeiro, na região metropolitana de Porto Alegre (RS).

No painel Conceito de Cultura Livre, que reuniu escritores, músicos, editores, desenhistas e praticantes de muitas outras modalidades de arte em Canoas, no dia 26, várias experiências foram apresentadas e compartilhadas, tanto no que diz respeito ao uso de meios alternativos e de novas tecnologias para distribuir bens culturais com licenças livres de direito autoral, quanto em relação a novas práticas de produção, distribuição e consumo (essa, aliás, a questão central quando se fala da arte criada fora da indústria cultural) prática que se tem difundido entre as comunidades que vivem nos contornos das metrópoles.

 

Alan da Rosa, o “poeta da periferia”

Assim surgiu, por exemplo, a Selos Toró, uma editora criada a partir da vontade de Alan da Rosa – um “poeta da periferia” (em sua auto-definição), que vive em Taboão da Serra, na Grande São Paulo – de produzir um livro que fosse um retrato dele mesmo e de sua obra, diferente das edições comerciais e tradicionais.

Seus primeiros poemas lançados ao público foram escritos à mão, as folhas de papel reciclado unidas por fios de lã vermelha. Com o apoio de uma ONG imprimiu 500 exemplares de Vão, que foram vendidos em menos de quatro meses, nas portas de teatros, cinemas e na comunidade em que vive. Uma segunda edição esgotou-se em menos de um ano.

Isso despertou em Alan a vontade de repetir a dose, não apenas com suas obras mas também com as de outros escritores. Nascia assim a Toró.

Hoje, a editora conta com 20 títulos publicados, todos eles produzidos de forma artesanal, como o primeiro trabalho de Da Rosa (como é conhecido). “Nossos livros mesclam a arte digital e a artesania. Fazemos tudo à mão: imprimimos 600 exemplares e  costuramos a mão, ou então colocamos entre panos de chita, juta, búzios. Cada obra tem uma proposta plástica que dialoga com o texto”, explica.

Da tiragem de 600 exemplares, 480 livros vão para a bolsa do autor, que tem a função de passá-los para a frente, seja vendendo de porta em porta, seja promovendo trocas por outros produtos que necessite. Os outros 120 ficam com a editora, que também se encarrega de fazer a obra circular.

Os livros são vendidos a R$ 10,00 nas comunidades, mas normalmente têm um preço diferenciado quando comercializados nas portas de teatros, cinemas e eventos. Não há intermediários, e o autor fica com todo o dinheiro arrecadado.

A ideia de se fazer o livro circular dentro da própria comunidade vai ao encontro da proposta de desmitificar o papel do escritor, segundo Da Rosa. Ao ver que pessoas comuns editam e publicam livros, a comunidade percebe que a cultura é um direito de todos e, mais que isso, é acessível. “Tiramos o autor de um pedestal, mas isso tudo sem matar o segredo, o mistério da arte” emenda o editor.

Para ser fiel à filosofia do compartilhamento da cultura, Da Rosa – que participa do Movimento de Literatura Periférica (SP) – aponta alguns critérios para a definição dos escritores. “Não temos condições de publicar tudo o que gostaríamos, então escolhemos, principalmente autores da periferia, que vão circular com esses livros, não vão deixá-los parados em uma prateleira de livraria. Por isso damos preferência aos autores da comunidade, geralmente negros – mas não só -, e autoras da periferia que tenham uma inserção muito forte em sua comunidade. São, essencialmente, militantes do Movimento de Literatura Periférica”, explica.

Além de editar o material, a Selos Toró também edita o conteúdo das obras e o disponibiliza na internet, um recurso que Da Rosa reconhece como importante, mas ainda limitado e não suficiente. “Queremos explorar todos os recursos. Muitas vezes algo funciona maravilhosamente na rádio, mas não numa página de internet. Por isso estamos sempre numa encruzilhada, que busca entender o universo da palavra”, esclarece.

E assim, de porta em porta e com cara própria, a editora ajuda a buscar novas formas de democratização da cultura. Os livros da Selos Toró passeiam, sem problemas, pelas comunidades dos autores e pelas cercanias da metrópole. “Não temos muito problema em chegar na comunidade. Nós nos alastramos, porque somos a comunidade”, finaliza Da Rosa.

FONTE: Luciane Zuê/Evandro Duarte

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Região metropolitana ganha espaço e e visibilidade com a descentralização no FSM

A descentralização das atividades e programações foi destacada por Jéferson Assumção, Secretário de Cultura de Canoas, como uma conquista valorosa e um dos grandes diferenciais na 10ª edição do Fórum Social Mundial – FSM (25 a 29 de janeiro, na Grande Porto Alegre).

Houve quem reclamasse de esvaziamento nos eventos, da distância e de alterações na programação, mas para Assumção a ideia foi um presente para os municípios da periferia, que tiveram, pela primeira vez, a oportunidade de mostrar sua produção cultural e participar ativamente do evento.

Ao compor a mesa no debate promovido pelo Pontão CUCA (Centro Universitário Cultura e Arte), da União Nacional dos Estudantes (UNE), na tarde do dia 27, Assumção fez coro aos demais participantes da mesa ao afirmar que uma política mais humana é possível e necessária em todos os continentes, e que essa conquista só será possível mediante o respeito e a valorização das culturas locais.

Diferentemente do que aconteceu nas edições anteriores, quando a capital do Rio Grande do Sul sediava o FSM e concentrava debates, paineis, fóruns, mostras artísticas e eventos paralelos, em 2010, quando se comemorou os 10 anos do Fórum e seu retorno à cidade de origem, a organização do evento optou pela descentralização da programação, entendendo que esse modelo era mais coerente com a proposta do FSM, que prega o respeito à diversidade como princípio essencial. Assim, as cidades da grande Porto Alegre (Canoas, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Sapiranga e Gravataí) também foram contempladas com eventos e programações artísticas.

“Foi a primeira vez que isso aconteceu, e a região metropolitana teve a oportunidade de mostrar sua força, sua disposição em construir um novo mundo e seu poder criativo, coisas que muitas vezes ficam à sombra da movimentação que ocorre na capital”, explicou Assumção.

Durante a semana do Fórum, Canoas concentrou aproximadamente 230 atividades e mais de 80 shows, basicamente de produção local. “A cidade ganhou duplamente, tanto por colocar em evidência sua produção cultural quanto por receber visitantes, que na maioria das vezes não ultrapassam as fronteiras da capital”, esclareceu o secretário, acrescentando que esse novo modelo valoriza as localidades e coloca em evidência temas como a tecnologia e a educação, que tanto quanto a educação e a saúde sempre estiveram de lado em nosso país.

“Essa prática é fundamental para que se deixe para trás o paradigma da identidade única, que muitas vezes não reconhece as diferenças do outro. E esse é o princípio da diversidade cultural, presente desde o primeiro FSM”, finalizou.

FONTE: Luciane Zuê

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Pontos de Cultura e articulação social: estratégias para um Novo Mundo

Em 27 de janeiro, terceiro dia do 10° Fórum Social Mundial (FSM), os Pontos de Cultura e a articulação entre os povos da América Latina ganharam espaço na diversificada programação programada para o Fórum.

Sugerida e organizada pelo Pontão CUCA (Centro Universitário Cultura e Arte), da União Nacional dos Estudantes (UNE), e mediada pelo estudante Felipe Redó, a discussão foi rica em declarações que enalteciam a importância dos Pontos de Cultura no processo de mudanças políticas, sociais e culturais desejadas pela sociedade e evidenciadas durante o FSM.

Na mesa, os debatedores Célio Turino (Secretário de Cultura e Cidadania do MinC), Maria Benites (Comissão Internacional de Cultura, coordenadora do programa acadêmico na Universidade de Siegen (Alemanha) e Presidente do Instituto Vygotskij), Jéferson Assunção (Secretário de Cultura de Canoas),  Eduardo Balan (Articulação Latino Americana de Cultura e Política) e Jussara Cony (GHC – Grupo Hospitalar Conceição), se revezaram em  declarações que a todo momento colocavam em foco as propostas essenciais do FSM: a diversidade, o respeito ao sujeito como protagonista e a necessidade de unidade para que um novo mundo seja possível.

Ao abrir o debate, Felipe destacou que a intenção do CUCA ao promover o encontro reforça a certeza do Pontão sobre a necessidade de se buscar a articulação entre os movimentos sociais, sejam eles brasileiros ou não. Mais que simplesmente discutir o tema em encontros programados especificamente para esse fim, Redó destaca que cabe a cada movimento posicionar-se para ocupar um espaço que existe e que deve ser conquistado. “Se por um lado o Estado nos dá autonomia, por outro cabe a nós buscar o protagonismo nesse processo”, conclui.

“ÁREAS LIBERTAS”

Célio Turino concentrou sua fala no tripé sobre o qual todos os Pontos de Cultura devem sustentar suas ações: autonomia, protagonismo e empoderamento.

Ele discordou parcialmente da colocação feita por Felipe, explicando que mesmo que o Estado dê autonomia à sociedade, ela precisa conquistá-la, e que esse é um caminho demorado e, às vezes, doloroso. Com certeza é preciso que os movimentos sociais tenham autonomia, mas segundo afirma, o mais importante é que a queiram e saibam fazer uso dessa conquista.

O protagonismo, segundo Turino, trata-se da disposição em falar na primeira pessoa, marcando posições e demonstrando sua própria visão de mundo. Da mesma forma que a autonomia, também não se trata de uma caminhada fácil, tanto que o grande objeto de dominação da sociedade é, de acordo com o Secretário de Cultura e Cidadania do MinC, o impedimento ao protagonismo dos sujeitos e, consequentemente, dos movimentos sociais.

Já o empoderamento seria, a princípio, a transferência de poder do governo para as comunidades, mas no sentido “abrasileirado” da expressão passou a significar o caráter de transformação que cada pessoa pode ter. “É nesse veio que está acontecendo a grande revolução brasileira. Os Pontos de Cultura são, de certa forma, áreas libertas, e têm sentido como a continuidade da expectativa de um novo mundo possível; os Pontos têm a oportunidade e a capacidade de agir e transformar, tornando públicas suas narrativas das realidades locais”, coloca, para complementar que no processo da construção dessas narrativas cada um busca seu veículo, que tanto pode ser uma caneta quanto uma câmera de vídeo. Qualquer instrumento, nas palavras de Turino, pode ser utilizado para transcrever essa interpretação de mundo.

Ao concluir suas colocações, Célio Turino foi contundente: “A morte de um ponto de Cultura é ele se submeter ao governo”, finalizou.

DESENVOLVIMENTO
E HUMANIZAÇÃO

Em sintonia com o espírito das propostas lançadas já nas primeiras edições do Fórum Social Mundial, as ações praticadas pelos movimentos sociais buscam aliar desenvolvimento e humanização. É dessa forma que Jussara Cony, Superintendente do GHC, define o projeto de ação do grupo, que reúne quatro hospitais, 12 postos de saúde e agrega, aproximadamente, 7000 funcionários. Em sua estrutura o GHC agrega 18 pontos de cultura, sendo 16 externos e 2 internos. São, segundo Jussara, espaços de inclusão social que alcançam não só os funcionários, mas as comunidades nas quais o grupo está inserido.“Esse é o nosso projeto: saúde e cultura juntas, como estratégias para a construção desse mundo novo”, explica Jussara.

Desde a garantia de atendimento totalmente direcionado ao Sistema Único de Saúde (SUS), até a ida de médicos brasileiros para atendimento a vítimas do Haiti, o que impulsiona as ações do GHC é essa preocupação com a pessoa. “Fico feliz que estejamos vivendo esse momento de efervescência pela retomada histórica do protagonismo. E estamos fazendo tudo isso dentro do capitalismo, o que seria muito difícil de se acreditar lá na primeira edição do Fórum”, comemora, explicando que quando o GHS luta pela humanização do SUS e pela criação de pontos de cultura, é porque entende que a sociedade precisa dessa proposta humana em contraponto ao desumano do capitalismo.

SEMENTES DE UMA
NOVA SOCIEDADE

Representantes não brasileiros na mesa do debate, Eduardo Balan e Maria Benites reforçaram a idéia de que os Pontos de Cultura são um diferencial na construção de políticas públicas pensadas a partir da ligação entre cultura, comunicação e educação.

Entusiastas assumidos do modelo desenvolvido pelo Programa Cultura Viva, tanto Eduardo quanto Maria Benites acreditam que através do diálogo entre governo e sociedade é possível que se desenvolva uma mudança na realidade política e social, principalmente nos países da América Latina.

“Sempre acreditei que se algo parecido com a Revolução Francesa fosse acontecer novamente, esse movimento nasceria no Brasil. A palavra revolução pode e deve ser entendida como um passo para se re-evoluir, e nesse sentido, não tenho dúvidas de que os Pontos de Cultura são verdadeiros “ovos de Colombo” para a verdadeira re-evolução social e cultural”, defende Benites.

Eduardo Balan expõe opinião semelhante. Para ele, os Pontos de Cultura representam a ferramenta mais avançada entre o público, o estatal e o comunitário. “São pequenas sementes de um estado novo e de uma nova forma de estado, que brotam em toda a América Latina”, explica.

RESPEITO
ÀS DIFERENÇAS

A nova realidade vislumbrada a partir do real entendimento entre governos e sociedade é a saída para que se evite uma cultura hegemônica, que revela e estimula a superioridade de um povo sobre o outro. Essa é, com certeza, a opinião recorrente entre todos os que participaram do debate  no dia 27.

O FSM e seus espaços de discussão buscam mostrar que a cultura tende a reunir os povos em vez de separá-los, e que existe espaço para as diferenças e especificidades que se desenvolvem.

“Temos que nos ver como novos Galileus, que acreditam na existência de uma outra verdade e que não se acham o centro do Universo. É um privilégio viver nesta época, mas também uma grande responsabilidade”, finaliza Maria Benites.

FONTE: Luciane Zuê

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Assista a gravação do primeiro dia das Rodas de Prosa Cultura e comunicação no FSM10

Na manhã do dia 27, a roda de prosa “Pontos de Cultura e gestão compartilhada: outro mundo possível na gestão cultural”, teve lugar em Canoas (RS) – cidade da Grande Porto Alegre onde acontece parte das atividades do Fórum Social Mundial:10 anos (FSM10).

A conversa foi a primeira parte da atividade Cultura e comunicação: ações colaborativas para políticas públicas, que segue amanhã na Câmara Municipal de Canoas – ação realiza pelo Pontão Digital Ganesha (SC) e a Secretaria de Cidadania Cultural (SCC/MinC).

A Fundação Cultural de Canoas recebeu Pontos de Cultura do Rio Grande do Sul, em grande parte integrantes da rede Cultura e Saúde, Santa Catarina e Paraná, além de Minas Gerais e São Paulo. A roda de prosa começou com a cantiga de Dona Cirlei, 74 anos, griô de Pelotas (RS), que fez uma saudação aos participantes.

Integração e reconhecimento
A gestora da rede Cultura e Saúde, e superintendente do Grupo Hospital Conceição (GHC), Jusssara Cony, lembrou que há 10 anos, na primeira edição do FSM, vivia-se um “desmonte da perspectiva de vida” com o Neoliberalismo, chamando o período de “fim da história”. “Hoje, buscamos novos caminhos de articulação e integração com os governos, em busca de políticas públicas resultantes de uma real construção coletiva”, afirmou. “Para isso, temos que ter paciência revolucionária!”.

O GHC, chamado por Cony como “caldeirão de cultura”, tornou-se a primeira rede de integração entre políticas que relacionam cultura e saúde no Brasil – rede que busca o reconhecimento do movimento cultural nas unidades de saúde do grupo e seu entorno. “Pensamos cultura e saúde afim de ampliar o desenvolvimento social. Os Pontos de Cultura também são hoje essenciais na construção de uma nação”, finalizou.

Thiago Skárnio, representante do Pontão Ganesha, atentou para que as Políticas Públicas Culturais estivessem asseguradas na agenda dos candidatos nas eleições 2010, afim de garantir a sua continuidade. “Assim como a comunicação tem buscado ser reconhecida como direito público, a cultura também deve estar nessa batalha”, afirmou.

O Ganesha tem como foco o jornalismo cidadão, através da apropriação das tecnologias de informação e comunicação (TICs), para um exercício pleno da cidadania. Animação de redes, oficinas de formação e produção de conteúdo estão na malha de ações do Pontão Digital sediado em Santa Catarina.

Sujeito histórico e novos editais
Para o Secretário de Cidadania Cultural do MinC, Célio Turino, referindo-se às considerações de Jussara Cony, houve um momento em que o diálogo entre sociedade e Estado estava “travado, inclusive no campo da luta das ideias”. Os anos 90 teriam sido “intimidatórios” quanto a alguns aspectos da liberdade de expressão.

Já a nova década foi de reafirmação, resultado de um movimento como o FSM. “Incorporar o Estado no processo de mudança é indispensável, mesmo que ele ainda seja um instrumento de dominação”, apontou. “Temos um Estado em disputa hoje. Algumas fendas foram abertas. São nelas que trafegam ações como os Pontos de Cultura do Programa Cultura Viva”, disse. Turino acredita que seja essencial “trabalhar no sentido do sujeito histórico (empoderamento), trabalhando a relação entre Potência e Afeto, como Spinoza. É um campo de diálogo que deve ter seu lugar”, relacionou.

O secretário acredita que “o salto de civilização” deve acontecer após uma “costura de muitas redes”, buscando integrar a cultura em um sentido transformador, “articulando Ética, Estética e Economia” – sua visão do que seria cultura.

Ele anunciou que, a partir de meados de fevereiro, serão lançados uma série de editais da SCC/MinC: Interações Estéticas, Tuxaua, Pontos de Mídia Livre, Prêmio Asas e outros que estão “ainda em construção” e que serão brevemente anunciados.

Jefferson Assunção, Secretário de Cultura de Canoas, apontou que a ideia do Ponto de Cultura revoluciona por colocar a produção cultural fora da mão do Estado. “É Impossível realmente centralizar a cultura. Cabe sim ao Estado o papel de sustentação, de ser uma inteligência capaz de gerar frutos”, avaliou.

Desta forma, a perspectiva de “belas artes, ornamento e distinção ligados à cultura”, continuou Assunção, “vem abaixo com esse novo paradigma, com um vetor de cidadania trabalhando conjuntamente com o vetor do avanço das linguagens artísticas. O periférico caminha também ao centro, pois não se pode mais ver a cultura como um centro único”.

No dia 28, a roda de prosa, que acontece na Câmara Municipal de Canoas, aborda o tema “Cultura e comunicação: ações colaborativas de fomento”, com a presença de Juana Nunes, coordenadora de Articulação e Mobilização em Rede da SCC/MinC), Paulo Sergio “PC” Barbosa, representante da Ação Griô na Comissão estadual dos Pontos Cultura RS, Julia Basso, do Pontão de Cultura Kuai Tema (Paraná) e Vania Pierozan (pontinho de Cultura CuriosaIdade – RS).

Texto: Zonda Bez (SCC/MinC)

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