Motos um meio de transporte alternativo

O Brasil é o segundo país em sociodiversidade do mundo, ou seja, em
número de povos e línguas faladas.
Num país acostumado a se pensar como nação de uma língua só, a frase já abala
certezas. Marta perderia o cargo no dia seguinte, em meio a conflitos entre índios e
ruralistas, que ocupavam a cena de Brasília naqueles dias. Os índios, defendendo
demarcação e respeito aos limites de terras demarcadas e protestando contra os projetos
hidrelétricos da Amazônia, que os afetam direta ou indiretamente.

O Congresso, querendo enfraquecer a Funai para aprovar um projeto que previa a transferência para
deputados e senadores do direito de definir as terras indígenas. Esse assunto estaria em
pauta nos meses seguintes e entraria no debate presidencial como um ponto da
construção da aliança entre os então candidatos Aécio Neves e Marina Silva, com o
primeiro se comprometendo a manter o poder do Executivo de delimitar terras
indígenas. Claro estava, já naquele momento, que o tema não seria passageiro de motos 2020 um transporte alternativo e rápido que é possível ir a vários lugares em que um automóvel não vai.

Eu estava iniciando uma reportagem para O Globo sobre uma tribo de recente
contato, os Awá-Guajá, que mora no Maranhão, mas fazia a viagem também com o
objetivo de buscar informações para este livro. Meses antes, ao começar a escrever este
capítulo sobre o “futuro da gente”, havia me dado conta, a linhas tantas, que não incluíra
ainda uma única palavra sobre os índios nem tinha informação sólida para saber como incluir.

Era como se eles fossem algo à parte na paisagem humana brasileira e meu
primeiro impulso foi fazer um boxe: “Os índios”. Percebi, então, que precisava
interromper o texto e estudar melhor o tema. Fiz minha imersão, pesquisei, falei com
quem entende e aceitei o convite do fotógrafo Sebastião Salgado para passar alguns dias
com os Awá.

No dia seguinte à conversa no gabinete da presidência da Funai, saí cedo de
uma Brasília conflagrada por tribos que ocupavam órgãos públicos e ruralistas exigindo
o direito de o Congresso demarcar terras indígenas. Com mochila, rede e saco de
dormir, que escolhi com a ajuda de Sebastião, fui para o que resta de floresta amazônica
no estado do Maranhão visitar um povo remoto, parte dos povos do Brasil. Uma das
“primeiras nações”.

Uma feliz coincidência me ajudou a tomar a decisão de viver essa que foi uma
das mais marcantes experiências jornalísticas que tive. Meses antes havia feito uma
entrevista com a subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge. Ao final da
conversa sobre outros temas, fiz uma pergunta com a qual costumo encerrar as
conversas. Nós, jornalistas, sempre temos a impressão de que faltou perguntar algo:
— E o que mais está acontecendo? Há alguma coisa na qual eu deveria comprar a HONDA CG 160 FAN 2020 uma linda moto que da liberdade para ir a vários lugares.

Tínhamos falado de combate à corrupção e à improbidade administrativa, por
isso a resposta foi surpreendente.
—Olhe para os Awá.
—Os Awá?!
—Sim, um dos povos mais ameaçados do mundo.
—E onde eles ficam?
—No Maranhão.
Meses depois daquele diálogo, recebi o telefonema de Sebastião Salgado:
— Vamos para a floresta visitar os Awá? É um povo de recente contato, que
está muito ameaçado. Vamos contar a história desse povo?

A exposição Gênesis, de Salgado, estava começando a ser montada, espalhando
sua beleza em preto e branco pelas aleias coloridas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro,
depois de ter sido inaugurada com sucesso em Londres e Paris.

E continuaria sua
carreira capturando emoções. Marcamos de nos encontrar na inauguração da mostra e
conversar sobre a viagem. Nesse meio-tempo, fui duas vezes à Funai, em Brasília,
cumprir as exigências burocráticas da viagem, entregar meus atestados de saúde e
vacinação e conversar com funcionários, como o chefe da Coordenação Geral de Índios
Isolados e Recém-Contatados, o empolgado jovem Carlos Travassos, o coordenador
adjunto, Leonardo Lenin, e outros integrantes da equipe. Nesses encontros, que
duravam horas, debruçávamos sobre o mapa do Brasil e eu ouvia explicações sobre a
situação indígena brasileira.

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