Cultura Digital Experimental? Parte 2 – Google Buzz

Ainda editando os comentários a partir da provocação do termo “cultura digital experimental”. Ontem postei aqui as conversas que isso gerou no twitter. Hoje trago um pedaço editado da longa conversa que rolou no google buzz. Eu parei a conversa lá por enquanto, porque ela já levantou alguns pontos que merecem atenção específica, e também porque o papo está continuando na lista da MetaReciclagem (e eu vou postar aqui nos próximos dias)

Felipe Fonseca – como soa pra vocês falar em “cultura digital experimental”?

fabianne balvedi – experimentar é o que fazemos desde que existem estúdios livres. nada de novo.

Felipe Fonseca – não tô querendo propor nada de “novo”. é uma conversa que tô começando, sobre propor estratégias para labs/ações/intercâmbios. ainda tentando encontrar o eixo em torno do qual a conversa vai rolar. perguntava se “experimental” é um foco válido. é?

Renato Fabbri – eu até gosto. mesmo não sendo novidade e sendo estilo fruta. é tipo um conceito guarda-chuva que abriga várias coisas inclusive o que fazemos com os estúdios livres e outras atividades +.

marcelo estraviz – isso de “digital” é muito old fashion…

glerm soares – Contraculturadigital

Gesamkunstwerk
Uverdrängung

“O conceito de cultura é profundamente reacionário. É uma maneira de separar atividades semióticas (atividades de orientação no mundo social e cósmico) em esferas, às quais os homens são remetidos. Isoladas, tais atividades são padronizadas, instituídas potencial ou realmente e capitalizadas para o modo de semiotização dominante – ou seja, elas são cortadas de suas realidades políticas. ”
(Cartografias do desejo, Félix Guattari ,1982 – http://organismo.art.br/blog/?p=2638)

você quer dizer Esporos, você quer dizer ALÉM DA POLÍTICA CULTURALDIGITAL WEBCÊNTRICA.

fabianne balvedi – separações em si só não são ruins. pensando numa analogia boba: pedaços de alface separados por mãos que os torcem mantém suas propriedades porque se rompem a partir de sua estrutura natural. Porém se cortados pela navalha de uma faca, perdem muito de seu potencial nutritivo, pois suas estruturas se rompem de maneira abrupta e artificial.

fabianne balvedi – porém, qualquer separação tende a fazer o prazo de validade diminuir, umas mais, outras menos… 😛

glerm soares – Especificamente se eu entendo de onde essa demanda vem e onde você quer chegar -> Isso me lembra o esforço seu e do dpadua e outros Para-Raios em gerar a tempestade Nuvem -> Geada -> Precipitação ——> inviabilizada pela paranoia corporativa cobrando “produtos culturais de política pública webcêntrica” -> isto é -> web gera exposição imediata -> necessidade de se explicar antes mesmo de “experimentar” = aborto onde a criança ainda ofega e se debate até hoje…

Felipe Fonseca – glerm: o lugar de onde tô partindo tem sim a ver com aquele momento para-raio com o dpadua, mas acho que a intenção é outra. não precisamos entregar produtos webcêntricos ou qualquer coisa assim. #redelabs vem de outra perspectiva: existe gente fazendo coisas, e o mundo institucional que quer ajudar isso não sabe como. parafraseando nós mesmxs agora há pouco: existe tradução possível? bora des-precarizar?

glerm soares – Vamos falar de software livre audiovisual que não tem uma linha de código da comunidade daqui, que só quer usar, usar e ficar comparando ingenuamente com software corporativo… porém a política publica só quer propagandear em cima de “cultura livre” fazendo mais e mais “webportais“*? (*que estão ficando bons finalmente – porém ninguem vai sair do facebook, myspace e do youtube por causa disso – aceitem)

Quais políticas públicas pras pessoas realmente abrirem a caixa preta computacional? 90% dos guris que se dizem “tech” ou “hacker” por aqui só entende de web e servidores web. Vamos aos fatos.

Apresentem vossas plataformas de governo ou de vossos candidatos ao Ministério da Cultura Digital! O Povo quer saber!

Arte Digital? Ouvi falar que vai virar “Classe”! Cade a “classe” tecnologicamente livre pra compartilhar código computacional “poético”?

glerm soares – [*aliás antes que mudem de assunto e comentem sobre meu comentário sarcástico sobre o youtube vs “nossoportal”- eu penso que o certo seria as pessoas publicarem suas coisas no próprio computador e este ser o próprio nó na internet – e que tivessemos banda larga pra isso – mas esse não é assunto principal, pois é o mais discutido desde sempre, porém – sem experimentação com computação ninguém vai entender o que é a internet – então o ovo vem antes da galinha sim (pois ela mutou de outra ave).]

Felipe Fonseca – glerm: concordo com o webcentrismo e servidorzismo, principalmente se tu tá falando de uns 4 anos atrás. hoje eu tenho visto mais gente entrando em experimentação mais profunda – tipo a galera que tu agrega com devolts etc. ou é só impressão porque antes eu não via ninguém? mas de novo pergunto: existe alguma coisa que se possa fazer em nível institucional pra tentar melhorar isso tudo? ou só depende de mais gente deixar de lado o lance de hype web e mídia social? eu não programo, tenho pouca paciência pra matemática e a última vez que pensei em ser engenheiro foi aos 16 anos. mas eu, pessoalmente, gostaria de abrir espaço pra mais gente que tá ali naquele meio do caminho poder encontrar maneiras de produzir sua experimentação. pra isso tô propondo uma conversa com a institucionalidade, um tipo de conversa que eu tenho tentado aprender porque é viabilizadora. vale a pena?

glerm soares – ok. pra voltar na pergunta do ff:

#redelabs = “cultura digital experimental”?

E minha pergunta:
Como garantir um ambiente de real experimentação? Arte? Filosofia? Ideologia?

Residência Permanente?

Cozinha, Cama, Mesa, Banho, Banda larga, Ferros de Solda?

Felipe Fonseca – glerm: “Como garantir um ambiente de real experimentação?” é um pedaço da pergunta que eu tô querendo fazer. (mas antes: “experimentação” é mesmo uma base interessante?). eu, que experimento com coisas muito mais rasas do que tu, gostaria sim de ter casa, comida, roupa lavada, internet, telefone, ferro de solda, verba pra equipamentos & livros & viagens. mas até aí eu disse nada. dinheiro compra tudo isso. depois, quê mais? estruturas são necessárias? espaços, eventos & estratégias? prédios vazios pra malucxs ocuparem? com o quê? internet gigabit? wi-fi livre? bancadas, sofás & máquinas de café? impressoras 3D? canal direto com uma sweatshop chinesa com funcionários semiescravos?

se a gente tem a chance de pedir o que quer, vamos pedir o quê?

Sília Moan Moan – além: se pensarmos como reconhecimento, como incentivo, acho legal. Mas como inovação é nada. O ambiente é a estrutura e as pessoas. Cê quer? Então faz. Mas quando aparece institucionalizado… qualéqueé!?!!

Felipe Fonseca – silia: a intenção não é ser “inovação”. é construir pontes e viabilizar.

Gera Rocha – Me parece tentar retomar algo que já deveria ser e que não é mais.
(Cultura Digital hoje é o que, afinal de contas? Uma instituição?
Além disso, é muito sobrenome/adjetivo.
E, o “como garantir” é extremamente importante de ser perguntado, desde que não caia no “quem vai garantir?”.
Estamos na moda, é foda, mas estamos na moda. kkkkk)

glerm soares – Essa pergunta é ótima:

Quem vai garantir? 🙂

É TUDO que eu preciso saber. Do resto eu pago uma cerva pra continuarmos discutindo COMO GARANTIR!

glerm soares – A questão aqui era só uma escolha de termos? Ou abrimos a caixa de conceitos rumo a uma definição de metas?

Insisto – a institucionalização permeia e é óbvio seu debater de tentáculos, porém as prioridades individuais mesmo – essas confusas subjetividades condutoras – ainda tateiam na definição de termos.

Sim, por aqui basta mexer numas gavetas, acreditar em simulacros possíveis, mas me interessa a profundidade de uma convergência de termos comuns…

…pra saber até onde conseguimos cavar este buraco aqui.

Felipe Fonseca – glerm: “A questão aqui era só uma escolha de termos?” não mesmo. é mais uma busca de eixo. totalmente aberto a sugestões ou alternativas melhores. tô me colocando como mediador de uma conversa que acho que é necessária. antes de me jogar, também quero saber se vale a pena.

Sília Moan Moan – Quem é o cultura digital hoje? Que raioOOO de termo é esse? Abrange tudo isso que eu, você estamos inseridos, ou é só mais um “grupinho” que fica comparando adobe premier x KDEnlive?????? Para mim, essas repostas são passos largos…

Felipe Fonseca – silia: “o cultura digital hoje” é mais ou menos isso aqui: http://culturadigital.br . mas a minha investigação e minha posição não são só lá dentro: tô ali na fronteira (que é meu lugar de conforto) tentando abrir permeabilidades, porque vejo de um lado uma realidade institucional com cada vez mais recursos e do outro um bando de gente criativa, relevante e dedicada pra caramba que continua na precariedade porque não quer se submeter a estranhos atalhos que a tiram das próprias rotas.

glerm soares – ff? Sr. Buzz, tá acompanhando tb? Uma só solução convergente.

(infinitas retas que se encontram num ponto)….

#nome_da_coisa = coisa_em_si?

Minha pergunta “engraçadinha”: Onde, Como, quando?

Gera Rocha – A princípio a rede não deveria permitir que o onde e o quando se tornassem mais quânticos, por assim dizer? Mais múltiplos. Onde, deveria ser em todos os lugares, ou em cada lugar que ocupamos, e que realmente está disponível pra quem quiser saber. O quando também, se desfez consideravelmente e deve ser todo o tempo. Fazemos porque vivemos assim, não porque alguém nos pediu. O como é o complicado mesmo. A realidade múltipla, ou não, se impõe. Sinto falta de ser mais “anti”, mesmo. Acho que de repente tudo é muito “plus” e que isso tá meio farsa….

Felipe Fonseca – gera: a rede possiblita a multiplicidade de ondes, quandos e quens. mas pra chegar a algum lugar, a gente precisa convergir… escolher um quem (que pode ser aberto) / onde (que pode ser aqui mesmo, ou ali no irc, ou numa lista) / quando (que pode ser como essa conversa, que começou no sábado e se esparrama pra segunda). mas de qualquer forma, duas respostas pro glerm: aqui/agora/entre a gente; e daqui a poucos meses num encontro presencial em sampa. bora?

marcelo estraviz – apesar do trocadalho do carilho, eu ainda aposto que esse lance de digital é mesmo uma farsa e que cria um mundinho descolado de webqualquercoisaqualquernota.
o onde é todo lugar mesmo, sem precisar dizer que é um papo webverso ou net-tudo.
o como também pouco importa.
o quando é sempre.

Felipe Fonseca – estraviz: “digital” é uma farsa em muitos sentidos. mas nos últimos anos virou uma categoria “institucional”. nesse sentido, falar em digital é agir taticamente e posicionar-se dentro de um contexto específico com o objetivo de influenciá-lo, espero que para melhor.

glerm soares – O que eu vejo pegando nessa viagem de “Experimental”, como você já apontou na lista metarec – está na essência sim da discussão do papel da arte processual, da redefinição destas construções epifanizadas de sentido como uma valor pra fora do resíduo documentação, documentário, objeto plástico, música, filme, algoritmo, patente.

Gostei de um comentário de alguém ali no seu twitter – “É preciso valorizar o erro“.

Da minha experiência pessoal me vem imediatamente a problemática da quase centena de cacarecos que eu gero e tenho em minha gaveta inacabados pra dar na existência de um “Toscolão” ou da travada que eu dei no “Navalha” e tou paralisado pensando como chegar em uma pesquisa de inteligência artificial aplicada nele que possa ir além do academicismo.
Dezenas de projetos abortados, crises de consciência sobre dependencia tecnológica sem solução e etc.

É preciso que o ambiente possa potencializar uma reflexão sobre esses erros, é preciso que o ambiente possa assimilar uma coisa que eu não vejo mais caminho e tenha como ter alguem próximo para apropriar-se e mutar a idéia reciclada e com um novo sentido discutido em grupo. Pra isso acredito que um modelo de residência, com bastante fluxos de pessoas curiosas e possibilidade para que as mais enagajadas consigam ser absorvidas e somadas é um caminho. Mas é preciso também um respiro pra fora dessa institucionalidade, que a meu ver seria conectando sempre mais redes externas, mantendo a chama acesa da autocrítica desse subsistema.

Luiz Algarra – Não sei não, FF. Cultura me parece um entrelaçamento de condutas, sentires e fazeres humanos em um cotidiano de convivência. Se for assim toda cultura já é uma dinâmica existente, um fluxo que especifica e é especificado pelos seres humanos vivos imersos neste processo. Não sei como falar em cultura experimental. Quem vive imerso numa cultura não a percebe feito um peixe nágua, apenas vive. Agora, quando percebemos nossa cultura já estamos em outra cultura, numa posição reflexiva que nos diferencia daqueles que apenas vivem naquela cultura de modo transparente. Como poderíamos experimentar uma cultura? Talvez apenas convivendo com outras pessoas num fluxo cultural distinto do atual. Conviver digitalmente, por exemplo. Talvez por aí algo se sustente, mas depende muito do contexto de onde você quer falar Cultura Digital Experimental, e de onde você pretende que as pessoas te ouçam, certo? Na academia, no ativismo, nas políticas governamentais, na própria rede em suas possibilidades?

Felipe Fonseca – algarra:- esclarecendo dois pontos específicos:

  • o contexto onde estou querendo trabalhar a questão é em “políticas governamentais“. resumindo ao máximo: o Ministério da Cultura (daí “cultura” tomada em um sentido limitado, quase específico) percebeu uma demanda por apoio a “laboratórios de mídia“. começamos uma conversa sobre isso e abriu-se espaço para uma leitura alternativa no sentido de construir uma proposta coletiva (em vez de simplesmente dizer “vamos construir coisas dessas aí”). daí que não estou, nesse momento, questionando todos os significados possíveis de “cultura” – estou falando da atividade das pessoas que aplicam sua percepção, criatividade, expressão e vivência em coisas ou ações (“obras”, “peças”, “instalações”) que fazem sentido para outras pessoas. os nomes “arte digital”, “arte eletrônica”, “arte em novas mídias” são bastante excludentes. os nomes “cultura digital” e afins são muito genéricos. prefiro os genéricos, mesmo que cheguem a significar nada – porque dão mais liberdade de ação.
  • experimental, como estou propondo aqui é em oposição a “já testado” ou “estabelecido”. daí parto de uma percepção minha: que existe gente fazendo múltiplos usos alternativos das tecnologias da informação – não necessariamente para “produzir” “riqueza” ou para “ganhar dinheiro”; e que esses usos alternativos são necessários para a sociedade como um todo. decidi chamá-los “experimentais” justamente para embutir esse aspecto que o bambozzi comentou no twitter – da aceitação do erro, do desvio, do teste como essenciais.

Luiz Algarra – Agora estou mais localizado no fluxo. Bem não sei se estás procurando um conceito, um label pro projeto ou as duas coisas em uma mas vamos lá. Vou falar do Experimental, a mim parece algo que vai ser testado, validado para poder rodar, algo como um projeto piloto. Entendo que você esteja colocando o foco em algo que se inventa e reinventa a cada momento, um experimentar como princípio fundante, um viver em beta, mas não sei o termo experimental passa isso pensando do ponto de vista das políticas públicas.
Eu usaria Cultura Cibernética, apenas isso. Não como uma transliteração de Cyber Culture mas a partir do conceito de retroalimentação presente na cibernética. Estamos falando de dinâmicas culturais (interações entre humanos) que se modelam em um fluxo entrelaçado. Nesta nova cultura digital as interações não são determinísticas numa relação de causa-efeito. Os encontros humanos são expressões individuais modeladas pelo meio que surge através das expressões individuais. Retroalimentando-se, ciberneticamente.

Sei que o termo foi meio gasto pelo mau uso mas cientificamente é o que mais se aproxima de uma descrição sobre um processo de auto-organização de grupo onde cada indivíduo é parte e todo ao mesmo tempo.

Felipe Fonseca – sim, eu entendo a referência à cibernética. pensando no tipo de experiência e de vivência com as tecnologias que a gente gosta de ter, acho que faz sentido pensar em um aspecto cibernético sim. mas aí pergunto: extrapolando, será que não é um referencial que se pode aplicar, além das tecnologias, a toda à cultura? e aí, talvez no âmbito dos objetivos dessa conversa aqui, mudar de rumo nesse ponto, depois de uns sete anos de insistência no “digital” pode ser desviar das coisas que precisam de mais atenção. nos espaços que eu imagino que possamos abrir, a gente vai poder chamar de “digital”, de “cibernética”, de “online”, de “livre” ou o que for. não precisamos ter um nome definitivo.

quero lembrar aqui que no auge da cultura digital nos pontos de cultura eu fui um dos primeiros a criticar a justaposição de “cultura” e “digital”. meu argumento na época é que em algum ponto toda a produção cultural (como entendida no mundo institucional) vai ter algum contato, mesmo que mínimo, com tecnologias digitais. nem que seja no orkut usado pra mobilizar participantes para a festa de são joão. e que justamente por isso, a gente tinha que trabalhar com o horizonte de que algum dia “cultura digital” vai poder se aplicar a quase todo projeto apoiado pelo ministério da cultura. na época eu defendia que “cultura livre” era mais próximo do que a gente queria propor. hoje já não tenho essa certeza, mas sei que o “digital” foi assimilado pelas estruturas decisórias, e isso é inelutável. como o gera percebeu aí, tô querendo usar isso estrategicamente. o que me leva a crer que temos motivos não-conceituais para usar “digital”.

a pergunta, lá no início, surgiu da minha dúvida de que só cultura digital consiga dar uma noção sobre todas essas iniciativas que não têm nome. mas já tô me repetindo.

Gera Rocha – Do ponto de vista que você colocou agora, FF, acho importante manter a marca “Cultura Digital”. Acho que agregar o “Experimental” passa a mensagem de ser tanto um espaço onde o erro é possível, mas principalmente do “experimental” no sentido científico ou do cientista, que é aquele que experimenta para poder criar, que está colocando em prática a técnica somada à criatividade. Dessa forma, o termo Cultura Digital Experimental demonstra um tipo compreensível à politica pública da qual você está falando.
Sem dúvida, existe uma galera que está fazendo isso de forma muito do caralho. E acho que o Devolts, a iniciativa dele e a galera que está nele é um exemplo muito bom disso (o CDTL também, mas de um outro jeito, e a própria metarec).
Se há a possibilidade de viabilizar iniciativas como essa, mantendo a liberdade de “experimentação” concordo com você que se deve tentar, sim, e muito provavelmente conseguir fazer isso acontecer.

Luiz Algarra – Esta label tem um sentido para quem está no projeto e outro para quem está fora do projeto, enxergando o projeto de algum lugar externo. Se o que se busca é um entendimento para o público interno então tá fácil. Conversar sobre o label e seus significados é uma atividade inicial e constante que garante a ressignificação da coisa toda. Desse modo podemos ver o label mais como um gatilho disparador do que um conceito final, certo?

Tatiana Prado – eu não vou tratar do termo “cultura digital” porque não tenho referências conceituais aprofundadas o bastante para aceitar ou sugerir outro melhor. entendo e reconheço o que efe quer dizer com “uso tático-estratégico” e assimilação institucional que essa dupla tem. e, além disso, tb prefiro os genéricos pela liberdade de ação.
pra mim, o problema é o “experimental“. ele é um nome e uma prática muito associad@ à arte, à ideia de inovação e “experiências gratuitas” que não têm o compromisso de chegar a lugar algum além delas mesmas. as tentativas (ou “erros”, se assim quisermos ver tb tudo bem) se bastam por si. em termos de política pública isso tem a ver com a perspectiva do “fomento“.
no entanto, qdo penso em cultura não consigo localizar o experimental porque a natureza da cultura é fluida, híbrida e depende das relações. é quase como se ela fosse uma experimentação constante, entendem?
mas eu entendo essa “necessidade” de adjetivar o “cultura digital” pra enfatizar 1s tipo(s) de prática(s) e perspectiva específica (e genérica, ao mesmo tempo, pra aumentar nossa dificuldade).
por outro lado, ao contrário de instituições privadas, fundações e iniciativas do terceiro setor, um ministério não pode esquecer que tem o compromisso com uma certa “universalização”, “amplitude” de ações e recursos pelo simples fato que sua renda vem de imposto (pago por toda a população) e sua responsabilidade é sobre todo território. e aí, acho que deve haver um cuidado redobrado com essa perspectiva específica-genérica.

marcelo estraviz – taí: fomento. gostei.