Rede//Labs no Laboratório de Cidades Sensitivas (LabCEUs)

Nos primeiros dias de julho fiz uma viagem para conhecer alguns dos projetos, processos e produções de cultura digital experimental que estão acontecendo nas cidades de Recife, Fortaleza e Goiânia, e assim alimentar o mapeamento continuado do Rede//Labs no Brasil. 

Em Recife, o foco da imersão foi o LabCEUs – Laboratório de Cidades Sensitivas, desenvolvido pela equipe do InCiti (grupo de Pesquisa e Inovação para as Cidades) da Universidade Federal de Pernambuco, em parceria com o Ministério da Cultura do Brasil.  A sede do InCiti está localizada no bairro de Recife Antigo, numa área estratégica e central da cidade, próximo a equipamentos de arte e cultura (Centro Cultural dos Correios, Caixa Cultural, Torre Malakoff, Paço do Frevo), incubadoras de economia criativa como o Porto Mídia e o parque tecnológico Porto Digital. O local do InCiti é um prédio de três andares com muito espaço, compartilhado entre as equipes do LabCEUs e a do Parque Capibaribe, que atua na revitalização urbana e participativa dessa região.

Junto com Felipe Fonseca fomos convidados para fazer parte da comissão avaliadora na segunda chamada de ocupações, que acontecem ao longo do segundo semestre em dez CEUs (Centros de Artes e Esportes Unificados) espalhados em diversos estados do Brasil. A primeira chamada pública foi em inícios deste ano e as ocupações aconteceram de março a julho. A segunda edição começa a partir do mês de agosto com laboratórios de dois a quatro messes de duração. A comissão foi integrada por representantes do Ministério da Cultura, da sociedade civil, membros do projeto e de cada CEU participante.

Além de participar do processo de avaliação, fiquei mais uns dias convivendo com a equipe, que me acolheu para conversar e conhecer mais sobre as dinâmicas de trabalho. Destaco aqui alguns alguns aspectos que mais me chamaram a atenção sobre esta experiência:  

  • LabCEUs encarou o desafio de desenvolver modelos de apropriação criativa de infra-estruturas públicas disponíveis nas cidades. O formato de ocupação laboratorial proposto traz uma reformulação da antiga ideia de “telecentro” como espaço físico que oferece acesso a equipamentos e conectividade para a de “laboratório” como possibilidade de explorar a experimentação tecnológica e o território de maneira expandida. Isso inclui processos de formação, mas não se limita a eles. Neste caso, a experimentação e os processos de produção e criação colaborativa são privilegiados, e conectam a dimensão tecnológica com a comunitária em diálogo com as identidades locais, agregando as pessoas em torno de temáticas diversas. 
     
  • O protagonismo dos mediadores, que tem como função principal o acompanhamento (de maneira presencial e remota) do desenvolvimento de cada ocupação, e de maneira dinâmica assume diferentes perfis conforme o perfil as demandas dos projetos: agregação e articulação das ocupações, ativação pontual no território, orientação técnica e metodológica, apoio para a documentação, produção conceitual. Para além desses perfis, existe o mediador local, bolsista do CEU que oferece suporte logístico na cidade. 
     
  • Há uma busca pela sustentabilidade da produção do conhecimento, que se manifesta na ênfase da documentação e compartilhamento dos processos. A documentação é elaborada pelos proponentes dos projetos nos blogs de cada ocupação, pelos mediadores nos relatos das visitas presenciais e compartilhada com licenças abertas em diferentes blogs da plataforma Cultura Digital.Br, que são agregados na página do LabCEUs
     
  • O incentivo ao intercâmbio como estratégia de articulação em rede. Entre os diferentes projetos acontece por enquanto em forma remota por meio de teleconferências, grupos de e-mails e aplicativos de mensagens como Telegram. Já com a equipe de mediação os intercâmbios acontecem em forma telemática e presencial por meio de visitas pontuais. 
     
  • O InCiti em si mesmo funciona como um laboratório. Trata-se de um grupo de pesquisa composto por acadêmicos e profissionais de diversas áreas, que formam uma equipe jovem, talentosa, motivada e muito criativa. O ambiente de trabalho é bem descontraído, acolhedor e inspirador. A organização dos espaços facilita os encontros e intercâmbio de ideias entre a equipe e as pessoas que se aproximam ao local para participar de atividades ou simplesmente para saber mais. Aplica diversas metodologias ágeis de gestão de projetos como Scrum e Design Thinking e há um esforço evidente por experimentar e sistematizar o uso metodologias colaborativas e o trabalho em rede.
     
  • A progressiva adhesão local do LabCEUs, que na segunda chamada teve uma maior quantidade de projetos vindos das próprias cidades dos CEUs ou de lugares próximos, o que mostra um interesse crescente de apropriação da comunidade, que participa não apenas como receptora das ocupações mas também como proponente ou em desenvolvimento conjunto. 

Durante esses dias entrevistei os coordenadores Ricardo Ruiz e Ricardo Brazileiro, os mediadores Sofía Galvão e André Moraes e Alessandra Gama, quem realiza a ocupação Labinventário – lab de processos em patrimônio cultural com a comunidade do Quilombo Alto Alegre em Horizonte (Ceará). O material em áudio está em processo de edição e em breve será disponibilizado no site do Rede//Labs.

 

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