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Encontro RedeLabs – como foi

terça-feira, novembro 30th, 2010

Resultado do processo de articulação em rede documentado no blog RedeLabs, o primeiro encontro RedeLabs aconteceu na Cinemateca, durante o Fórum da Cultura Digital Brasileira. Reuniu mais de cinquenta pessoas vindas de diferentes regiões do Brasil e representando diversos contextos – instituições, universidades, ONGs, redes e coletivos. Elas se dispuseram a passar uma tarde inteira debatendo projetos, referências, aspirações e possibilidades. Foi uma tarde longa. Houve algum atrito, e acumulamos bastante cansaço ao cair da noite. Mas acredito que foi um primeiro momento de criação de um espaço colaborativo intercontextual, uma possibilidade de compartilhamento de informação que ainda vai dar muitos frutos.

Desde que começamos a planejar o encontro decidimos evitar o formato de painel, em que duas ou três pessoas falam e todas as outras ficam esperando. Entendemos que isso já acontece bastante em eventos da área. Por outro lado, não queríamos um debate totalmente aberto que correria o risco de perder-se em loops intermináveis, de dar atenção demais às opiniões mais articuladas ou efusivas e excluir outras vozes. Decidimos por um formato inspirado pela Pecha Kucha – receberíamos propostas de microapresentações de no máximo sete minutos, e tentaríamos costurar o debate nos interstícios. Era fundamental que fossem apresentações curtas, sem prejuízo da potencial profundidade de cada uma. Se a gente quisesse ouvir tudo que cada pessoa tem de interessante para contar, certamente ficaríamos uma semana inteira por ali. De qualquer forma, a maioria dos participantes já conhecia um pouco do trabalho uns dos outros. Além disso, sabíamos que as melhores conversas não aconteceriam ali, mas ao longo dos próximos tempos em subgrupos – o encontro deveria ser essencialmente o gatilho de colaborações futuras. Olhando para trás, acho que deveríamos ter limitado também o número de apresentações em no máximo dez, mas não consigo imaginar quais delas a gente poderia cortar.

Duas semanas antes do encontro, eu enviei um email para todo mundo que viria, falando sobre o histórico, o formato e as expectativas. Também abri inscrições para propostas de microapresentações, e avisei que haveria outras coisas interessantes no fórum – algumas apresentações de experiências, oficinas e o painel internacional que eu também estava organizando, sobre laboratórios experimentais. Fui registrando todas as confirmações de participantes do encontro em uma página de wiki, e criei uma lista de discussão para o pessoal começar a aquecer os motores. Uma semana depois reforcei o convite para microapresentações e enviei uma compilação de textos (PDF) do blog RedeLabs.

Comecei o dia quinze resolvendo aquelas coisas de última hora – hotel pra um, transporte pra outro, adaptador de tomada pro gringo, etc. Perto do meio-dia me encaminhei para a Cinemateca, almocei e comecei a recepcionar o pessoal. Maira já estava por lá, e começamos a direcionar os participantes para a tenda lá em cima. O ar condicionado não dava conta, o projetor só rolou em cima da hora, algumas pessoas atrasaram, mas estava tudo sob controle. Passadas algumas dezenas de minutos das 14h, resolvemos começar. Falei sobre o formato e logo começamos com as microapresentações.

Encontro RedeLabs

Encontro RedeLabs

Como eu estava mais no meio-de-campo e tentando dar formato à coisa toda, não fiz anotações específicas sobre cada apresentação. Para quem se interessar, a íntegra do áudio da conversa está disponível para download no estudiolivre – talvez nos próximos meses a gente trabalhe na transcrição e edição desse material (aceitamos sugestões de parceiros/patrocinadores). Mas faço abaixo algumas observações sobre o andamento dos debates.

À medida que a conversa evoluía, eu tentava organizar quais seriam as falas subsequentes. Eu tinha uma lista das microapresentações em post-its, que reordenava de acordo com o ritmo. Para evitar surpresas, eu sempre avisava o próximo a apresentar enquanto a apresentação anterior rolava. Tentei começar intercalando falas mais institucionais/acadêmicas e experiências mais “pé no chão”, mas logo vi que essa divisão não fazia muito sentido. Mais tarde, decidi agrupar algumas falas por região ou por afinidade contextual, o que dava alguma coerência narrativa mas talvez tenha inibido os comentários. Não encontrei uma fórmula ideal. A princípio, as microapresentações só tomariam a primeira parte da tarde, quando deveríamos fazer um intervalo e receber a visita dos gringos que vieram para o painel internacional sobre labs. Depois da pausa, tentaríamos identificar os assuntos e palavras-chave que emergissem durante as apresentações, criar grupos de trabalho e providenciar encaminhamentos. O fato de não termos definido um número máximo de apresentações (que talvez tenha sido uma aposta pessoal minha) acabou dificultando o intervalo e esse segundo momento de análise e reflexão. Na hora do suposto intervalo, uma polarização bastante acentuada de opiniões – com algumas questões antigas mas que certamente permanecem atuais no nosso cenário – exaltou os ânimos. Com a ressaca que acompanhou essa polarização, fizemos uma pausa curtíssima. Mas ainda faltavam oito apresentações, e resolvemos ir em frente. Fiquei feliz porque, apesar dos atritos e do cansaço, todo mundo se esforçou para continuar participando.

Foi só quando já contávamos quase uma hora de atraso – empatando a tenda para o encontro da rede de servidores livres que deveria acontecer às 18h30 – que chegamos ao fim das apresentações. Eu pedi a palavra novamente, junto com José Murilo e Maira, para falar sobre um dos resultados do processo de pesquisa e articulação que tocamos com o Minc em 2010: a elaboração de um edital de bolsas de pesquisa em cultura digital experimental. Falamos em termos gerais sobre o formato do edital, alguns mecanismos inovadores dele e a expectativa de ser lançado ainda antes de 2011. Nas próximas semanas vou escrever um pouco mais sobre isso aqui no blog.

Eu anotei algumas palavras-chave que surgiram ao longo da conversa:

Festival, Prêmio, Parceria, E-lixo, Protocolo, Intercâmbio, Rede, Conectar, Experimental, Dependência, Conhecimento Técnico, Rede de Servidores, Infra-estrutura, Plataforma, Universidade, Pessoa Física, Instituição, Liberdade, Direito Autoral, Banda Larga, Autogestão, Política Pública, Ajuste Jurídico, Edital, Empresa, Financiamento, Espaço, Tempo, Comunidade, Equipamento, Oficina.

Aqui a listagem de microapresentações propostas:

  • Redes de mobilização – Giselle Beiguelman
  • Eita, Porra – Jeraman
  • Dubversão, Lab C, AECID, Anilla Cultural – Miguel Salvatore
  • Arte e Cultura Digital em Fortaleza – Paulo Amoreira (que também ia falar sobre o Prêmio Ricardo Rosas, mas não deu tempo)
  • Laboratório Cultura Viva – Ivana Bentes
  • Redes experimentais de Cultura Digital no RJ – Adriano Belisário
  • Orquestra Organismo – Glerm Soares
  • Musa.cc – Alfakini e Oriel Frigo
  • Itaulab, em busca de um modelo de sistema viável – Guilherme Kujawski
  • Autolabs, IP://, Descentro, Nordeste Livre – Ricardo Ruiz
  • FILE – Eliane Weizmann
  • Reverberações – Flavia Vivacqua
  • LabDeBug – Karla Brunet
  • Lucas Bambozzi
  • Marginalia Labs / Projects – André Mintz
  • Nuvem – Bruno Vianna, Cinthia Mendonça, Lula Fleischman
  • Anônimos e Gratuitos – Thiago Novaes
  • Projetos experimentais em rede – Ricardo Brazileiro
  • Laboca – Jarbas Jácome

Na terça-feira, que não era feriado, muita gente não pôde voltar à Cinemateca – precisavam dar aulas, montar exposições em sampa e outras cidades, trabalhar em outras coisas. Acabou que não chegamos a retomar com nenhuma conversa estruturada, mas alguns se reencontraram na tenda Hands On do Fórum. De minha parte, conversei com algumas pessoas, estampei o logo da MetaReciclagem em camisetas, bandeiras e até – com ajuda da F4bs e do Pitanga do Garoa Hacker Clube –  acompanhei a confecção de um chaveiro metarecicleiro na Makerbot deles. Na quarta, alguns ainda assistiram à mesa internacional sobre laboratórios – sobre a qual vou escrever outro dia. Um email de agradecimento que eu enviei na lista de discussão redelabs desdobrou-se em conversas muito relevantes que percorreram as semanas seguintes.

No fim das contas, apesar dos percalços e de tudo que eu faria diferente, acredito que o encontro RedeLabs foi extremamente positivo. Deu vazão a uma conversa necessária mas que, por força das circunstâncias, nunca tinha acontecido intencionalmente. Aquelas pessoas costumam se encontrar em outros eventos, mas sempre tratando de assuntos outros. Já sem levar em conta o conteúdo tratado, o simples fato de pessoas em contextos tão diversos terem respondido e efetivamente participado já é uma resposta: existe sim interesse em criar essa conversa colaborativa. Melhor ainda com a qualidade das apresentações e conversas realizadas. Como continuar daqui para a frente? Existem um monte de possibilidades: uma publicação (ou mais) sobre estruturas e laboratórios no Brasil, outros encontros RedeLabs, projetos de intercâmbio, residências/itinerâncias, elaboração de projetos de apoio e bolsas, participação em eventos, etc. A lista de discussão está agora aberta a quem quiser participar, e sempre estamos abertos a sugestões por lá.

Netart Latino Database

segunda-feira, outubro 18th, 2010

Brian Mackern, do site uruguaio netart, tem uma boa compilação de net-artistas disponível em seu site:

http://netart.org.uy/latino/index.html

colartedigital

segunda-feira, outubro 4th, 2010

O projeto colartedigital é um mapeamento da arte digital colaborativa proposto pelo Andre Stangl para o edital de Produção Crítica em Mídias Digitais da Funarte (o mesmo que apoia o projeto “A Arte do Cibridismo” do Thiago Carrapatoso, sobre o qual comentei aqui). Mais informações sobre o colartedigital, aqui. É mais um bom exemplo de como o apoio a projetos experimentais nessa área pode trazer resultados relevantes muito rapidamente.

Conversa com Cesar Harada

quarta-feira, setembro 15th, 2010
No começo do ano, eu estava dando uma vasculhada no site do projeto Opensailing, que concorria à premiação do festival Future Everything. Já tinha ouvido falar dele, e pareceu que podia ter alguma relação com o cenário aqui em Ubatuba. Resolvi entrar em contato com Cesar Harada, idealizador do projeto. Cesar é um francês de ascendência japonesa que desenvolveu seu mestrado no RCA, em Londres, e depois recebeu uma fellowship do TED (entre outras conquistas). Ele respondeu-me entusiástico, dizendo que me conhecia – havia assistido à apresentação que fiz no RCA com Ruiz e CV, há uns dois anos. Falou que admirava as posições e táticas da MetaReciclagem. Na época, ele estava em Londres desenvolvendo protótipos para o Opensailing.
Quando eu comecei a pesquisa redelabs, comecei uma conversa/entrevista com ele. Cesar estava no Quênia desenvolvendo a World Environment Action, e a caminho de Boston para começar a trabalhar em um laboratório do MIT. Nossa conversa já começou com uma mudança:

Cesar Harada

Cesar Harada

Cesar:

Eu acabei de me demitir, ontem (07/07), de uma posição na Escola de Arquitetura SENSEable City Lab (MIT), mas me ofereceram outra vaga no departamento de artes do MIT Media Lab a partir de outubro até janeiro de 2011. Mas eu não sei mais quão relevante isso é. Eu quero focar em oceano e pesquisa, não na mídia que cerca isso.
efeefe:
Como o Media Lab do MIT difere do que se pode encontrar em instituições em Paris e Londres?
Cesar:
A cena de arte e mídia em Paris e na França em geral são bastante apoiadas pelo estado. A arte que sai de lá é muito oficial e “antiquada”. Ela precisa de alguma maneira ter uma conexão com a história da arte ou referências fortes. Uma comunidade underground no Ministério da Cultura está sempre fazendo exposições extravagantes com dinheiro maluco. A arte e mídia na França é em grande parte financiada pelo DICREAM e museus públicos locais como  Le Cube e o 104.
Existe um pequeno grupo emergente de coletivos underground que fazem cada vez mais movimento como a Ars Longa, e uma cena squat bem underground está surgindo também, mas crescendo muito devagar.
Então Paris é em grande parte institucional e muito intelectual, crítica, enraizada na filosofia francesa.
Em Londres é muito diferente. A cena de design interativo é muito mais comercial. Na arte-mídia existem umas poucas instituições que podem bancar prospecção, mas elas são muito boas. A cena de arte britânica em geral é muito mais provocativa e mais rasa do que a francesa, mas também mais dinâmica e mais ligada ao mundo da mídia do que ao mundo da arte.
Nos EUA o Media Lab está quase totalmente incorporado à indústria. No laboratório onde eu trabalhava, nenhum projeto é independente. Cada projeto tem um financiador externo. Com exceção de poucas e ótimas exceções, o Media Lab do MIT é extremamente comercial e apoiado comercialmente. O melhor exemplo é o próprio motivo da minha saída.
O laboratório me pediu para desenvolver uma tecnologia para limpar a mancha de óleo [do vazamento no Golfo do México]. Eu projetei máquinas para limpar o vazamento de óleo. Mas eles queriam me forçar a trabalhar com uma nanotecnologia que só estará disponível depois de 2020. A ideia deles era pegar 20 milhões de dólares, dividir entre dois laboratórios e desenvolver o conceito das máquinas, em vez de soluções reais. O laboratório estava recorrendo a fundos de emergência para levantar recursos para uma tecnologia que não era adequada para solucionar emergências. Mas eles não se incomodam em usar dinheiro de pessoas que estão passando por problemas agora. Eles só querem associar arte e ciência, aparecer e ficar ricos rapidamente.
Então eu decidi que estava mais interessado em ter impacto real no meio ambiente. Então estou saindo para tentar desenvolver eu mesmo a tecnologia. Porque o Media Lab trabalha com mídia, não mais com ciência. A política do laboratório de cidades SENSEable do MIT é extremamente proprietária. No momento que eu entrei lá, tive que assinar um papel dizendo basicamente que minha alma pertence ao MIT. Meu coordenador tenta patentear todas as nossas ideias, fazer o máximo possível de dinheiro, mesmo em projetos humanitários…
Então, acho que você pode entender por que eu estou tão feliz de sair. Eu estava no ninho de cobras. Eles são loucos, totalmente o oposto da MetaReciclagem. São tão antiquados em seu jeito de fazer negócios! Além disso, o MIT é incrivelmente hierárquico. Eu era coordenador de pesquisa, dando ordens para dez pessoas. Isso não é o meu jeito de fazer as coisas. Eu sou mais distribuído, gosto de tratar as pessoas como humanos, não como escravos.
Então eu posso dizer com confiança que o Reino Unido é o mais voltado para o futuro (ficção – 2030), a França é orientada à arte (salto poético a 2020) e o MIT é incorporado ao mercado (2011). Minhas expectativas do MIT eram totalmente diferentes. Eu estou desapontado por eles serem tão antiquados. Eles têm excelentes ideias, mas não desafiam estruturas sociais, e não pensam além daquilo que a indústria deixa eles pensarem.
No fim das contas, eu aprendi um monte. Eu ficaria muito feliz em ajudar a construir, por exemplo, novos modelos de laboratórios no Brasil, se o tempo permitisse. Eu entendo que o MIT Media Lab parece muito bom, olhando de fora. Mas acredito que há muitas outras (e melhores) formas de organizar uma estrutura social para produzir inovação.
Eu vim ao Media Lab pensando nele como uma casa de produção. Acredito que teria sido melhor se eles estivessem trabalhando mais colaborativamente e de forma mais aberta. Além disso, o fato de que eles têm ligações tão fortes com a indústria os transforma em agências de publicidade semi-corruptas. Então, acredito que existem um monte de coisas para aprender com o MIT, mas por outro lado muitos vícios podem ser evitados com nossa forma de pensar – algo como um híbrido de MetaReciclagem, Open Sailing e Media Lab – uma entidade estranha.
Um exemplo interessante que eu encontrei é o Kitchen Budapest. Eu só ouvi coisas boas sobre eles: Cada pesquisador tem um pagamento fixo. Cada pessoa passa 80% do tempo em projetos pessoais, 15% em colaboração, 5% para o laboratório em geral. Muito produtivo, um monte de diversão, espaço aberto, bom relacionamento com a indústria, políticas open source, tudo de bom!
Há duas semanas, Cesar me mandou outro e-mail:
A situação no Golfo estava OK até o fim de agosto, mas eles pararam grande parte do esforço de limpeza do mar porque a mídia está ocupada com outras coisas… eu estou no momento em Seoul, na Coreia, trabalhando em um protótipo para a máquina de limpar óleo. Encontramos também um patrocinador e alguns contatos interessantes – assim espero.

Bate-papo com Gisela Domschke

sexta-feira, setembro 3rd, 2010

Conversei há alguns meses com Gisela Domschke* sobre alguns assuntos relacionados aos Redelabs. Foi em 2008, quando Gisela havia retornado da Inglaterra (onde lecionara no Mestrado de Mídia Interativa da Goldsmiths) e coordenava o LabMIS, que eu a conheci por intermédio de Bronac Ferran. Desde então temos nos encontrado em trilhas cruzadas, principalmente em diversos eventos em Sampa.

efeefe: Você traz uma bagagem interessante, que é essa vivência dando aulas na Goldsmiths, na Inglaterra. E Londres é meio que o epicentro mundial do ideário da indústria criativa. É uma coisa que me assusta um pouco…

Gisela Domschke

Gisela Domschke

Gisela Domshcke: Também a mim. Por isso me agrada o termo cultura digital experimental, já que cultura digital é algo diretamente relacionado a indústria criativa. É o que a originou, praticamente. Toda a indústria criativa é uma consequência dessa cultura digital enquadrada.

efeefe: A comoditização da cultura digital. A gente está falando sobre a necessidade de experimentação que não esteja voltada ao mercado, produto, tv digital. Essa coisa de somente criar novos mercados…
Gisela Domschke: Acho que a indústria criativa realmente não traz aquilo que você está buscando, que é a experimentação. A indústria criativa já traz em si a inserção no mercado. Não vejo que o poder público tenha que investir nisso. Isso se desenvolve sozinho.
efeefe: Até porque tem a ênfase em explorar patentes, e aqui no Brasil a gente tem trazido a coisa de direito autoral alternativo, reforma da lei do direito autoral, licenças livres, e eu acho que dá pra investir em outros caminhos aí.
Gisela Domschke: Penso que temos que encontrar um caminho alternativo. E isso a arte faz muito bem, é o seu grande valor. A cultura digital alternativa tem essa característica. E mais que isso, tem um certo ativismo. Ou poderia ter. Aqui no Brasil isso acontece em menor escala. Quando dava aula na Goldsmiths, no mestrado de Interactive Media, um dos tópicos que lecionava em meu curso era o ativismo, porque sempre vi aí um dos um dos valores mais importantes e interessantes da cultura digital.
efeefe: Eu tava relendo aquela conversa na Empyre, em que estavas mencionando isso…
Gisela Domschke: Acho que no Brasil se faz pouco nesse sentido. Inclusão digital tem acontecido até em telecentros. Mas quando se fala em montar laboratórios, sem dúvida nenhuma, concordo com você, que a questão nao é montar novos centros desses que já estão por aí. É buscar essa excepcionalidade, que está na conversa, nessa formação de uma rede, de troca de experiências. Por exemplo, essa oportunidade de você ir pra lá e participar desse encontro [nota: eu havia acabado de retornar do labtolab, em Madrid] ocasiona muitas ideias, é uma coisa inspiradora. E sem dúvida nenhuma pra eles também. Isso tem que acontecer mais, com mais frequência. Inclusive no Brasil.
efeefe: O que é estranho é que eu tive que ir pra Madrid pra conhecer o pessoal de Buenos Aires, de Córdoba, Santiago, Lima, Medellín, etc.
Gisela Domschke: E ainda depende do CCE proporcionar esse encontro. É realmente um cenário que poderia ser mais facilitado com o apoio do poder público.
efeefe: Um caminho que a gente conversou várias vezes nos últimos anos é a ideia de itinerâncias, em vez de residências. Aqui no Brasil o pessoal que está mais ativo tem um aspecto de circulação muito mais aprofundado do que o relacionamento com uma comunidade específica, um lugar específico. A residência tem essa coisa de levar a pessoa pra se aprofundar em um contexto, mas aqui a gente tem muito mais a circulação. Daí a gente pensar em um programa de itinerâncias, pegando grupos de artistas e fazendo eles circularem, passar duas semanas em um lugar, duas semanas em outro.
Gisela Domschke: Levando alguma coisa…
efeefe: Sim, levando. E fazer um projeto ao longo do itinerário, ou trabalhar, interferir nos projetos que estão acontecendo localmente. Sair desses modelos fixos. Porque o referencial de  medialab tem esse aspecto de fixo, estável.
Aliás, eu queria te ouvir por causa do teu tempo lá fora e da experiência com o LabMIS. Eu estou considerando que existem dois modelos básicos de medialab – um é aquela coisa do MIT, a grande estrutura de cima pra baixo, que surge na encruzilhada entre Universidade e Indústria pra criar patentes e produtos. Muitas vezes ideias bem intencionadas mas que se baseiam sempre em criar novos produtos, como o OLPC, computação vestível, Lego Mindstorms. Tem essa coisa de propor uma solução pro mundo criando novas coisas. É um modelo baseado naquela ideia de inovação industrial, sempre com o risco de acabar caindo na apropriação pela indústria bélica, etc. E tem outro modelo de medialab, que eu vi mais no Medialab Prado, Hangar, nos primórdios do Waag. Uma coisa mais ativista, que vem dos grupos squatters e artistas engajados, que precisavam ter acesso a ferramentas de mídia. E abriram, criaram espaços, um movimento situado. Mas agora o momento é outro. Não é tanto ter acesso a ferramentas de mídia. E pra nossa realidade, falar em inovação é uma coisa complicada, porque a indústria aqui em geral importa inovação de fora. E fica essa questão, qual é a natureza dessa experimentação que a gente quer fazer? O que é necessário aqui no Brasil? Ou então, qual é o modelo de espaço ou articulação e estratégia nessa intenção experimental que não seja necessariamente a ideia de laboratório com grandes computadores novos e brilhantes. Hoje isso tem em toda parte, salas de aula, até telecentros, 3G, celular, o momento é outro.
Gisela Domschke: Acho que é a qualidade do humano que a gente tem que buscar. E isso tanto no trato com a tecnologia quanto no trato entre nós, humanos. Acho muito importante ver quem vai colaborar nesse projeto. Não adianta investir em tecnologia de ponta e ter pessoas que não possuam a compreensão dessa dimensão experimental, porque aí não acontece. E isso é uma coisa muito rara. Criar uma estrutura que possibilite que as pessoas possam trabalhar, criar e passar isso adiante, fazer florescer. Penso que é basicamente por aí que temos que direcionar o projeto redelab. O exemplo do LabMIS. Eu vim de Londres muito com esse tipo de abordagem. Nosso curso era parte do programa do centro de estudos culturais, onde existia uma interdisciplinaridade. Tínhamos alunos voltados para a indústria, mas também alunos voltados para a arte. E outros para o ativismo.
Quando cheguei em São Paulo e soube que o MIS planejava abrir um laboratório – um laboratório em um museu público – vi a possibilidade de se criar algo excepcional. Em termos de formato, a gente tinha que atender às reivindicações de vários artistas que estavam lá como orientadores. Tinha pessoas de diversas áreas, cada um propondo uma lista de equipamentos. A gente teve que pegar o orçamento e ver o que podia fazer para atender às diversas demandas. Criamos um laboratório de edição de vídeo com máquinas da Apple e fibra ótica. Mas criamos em outra sala um lab de desenvolvimento de interfaces. A ideia naquela sala era ter linux, sensores, placas arduino, ferramentas, etc. Aquela sala era um espaço dedicado a essa cultura digital alternativa, até te chamei…
efeefe: É, a gente conversou na época…
Gisela Domschke: O espaço também pode ser fundamental,  o espaço é necessário. Tem esses dois elementos, o espaço e o humano. E vontade, dedicação. Com isso acho que se pode fazer o que quiser.
efeefe: Outra coisa que a gente está pensando é como desenvolver arquiteturas de diálogo. Arquiteturas que facilitem a troca.
Gisela Domschke: você vê, os Zapatistas podem ser uma grande inspiração em termos de arquitetura de comunicação. Como é que a gente não consegue fazer isso acontecer hoje? O Brasil pode ser bem desconectado…
efeefe: Em um sentido é, mas no outro não!
Gisela Domschke: No outro não, claro. Mas ainda assim. As pessoas aqui em São Paulo falam do Acre como se fosse “o fim do mundo”!
efeefe: Tem duas coisas diferentes, uma coisa é o Brasil e outra é São Paulo. São Paulo é um caso à parte no Brasil, justamente nisso de estar à parte. Eu vejo muito mais intenção, por mais que às vezes não aconteça até porque não tem recursos, mas muito mais vontade e abertura pra diálogo fora de sampa do que aqui. Aqui tem um pouco mais de recursos, mas tem muito mais competição. Não tem muito essa disposição pro diálogo. Tem bastante ativismo, mas os ativistas torcem a cara pra arte.
Gisela Domschke: essas segmentações eu não entendo.
efeefe: Tem essa coisa da competição, e por isso eu penso em arquiteturas de diálogo. Como a gente faz um processo que todo mundo se sinta à vontade pra se apropriar.
Gisela Domschke: Um pode dialogar com outro, e aí criar outras coisas, não?
efeefe: Mas pra isso é necessário um papel de mediação…
Gisela Domschke: É aí que entram em cena essas figuras importantíssimas – os mediadores. Não é tanto administação, mas mediação o que é necessário.
efeefe: Durante o Labtolab em Madrid, uma das conversas que aconteceu era sobre residências, intercâmbios, etc. Uma integrante do Medialab Prado sugeriu que não deveria haver residências só dos artistas, mas também dos mediadores culturais, de pessoas que estão envolvidas com outras coisas, mas são fundamentais pro que acontece em cada um dos labs. Pensar nesse tipo de intercâmbio também: de gestão, não só de produção. E pensar circuitos. Eu quero acreditar que está se formando no Brasil nos últimos anos um circuito de eventos e espaços. Antes eram coisas mais esporádicas, isoladas. Hoje já tem, só aqui em Sampa, o Arte.Mov, o FILE, o Reverberações, a programação do Itaú Cultural, do MISMatilha Cultural. Um monte de coisas acontecendo, e todas estão em contato. A gente vê as mesmas pessoas participando, e isso acaba se tornando um circuito que pode ser trabalhado, desenvolvido. Que já é mais do que existia há alguns anos. Eu lembro de 2003 no Mídia Tática Brasil, que foi o primeiro momento de contato entre um monte de gente do Brasil inteiro.
Gisela Domschke: Foi em 2003 que veio o Barbrook?
efeefe: Isso, veio o Barbrook, o John Perry Barlow, e o Gil ali no meio. Foi um momento de efervescência. Antes daquilo era meia dúzia de pessoas em cada cidade grande do Brasil que se encontrava pra fazer umas coisas e dialogava muito mais com o que acontecia fora. E aí começou uma integração, intercâmbio entre as pessoas daqui. Depois vieram os pontos de cultura, fez um tipo de contato entre as pessoas mas era uma coisa muito mais utilitária. “Esse ferramental aí de tecnologia e mídia… como é que usa isso pra alguma coisa?”. E nunca teve o momento de aprofundar no que é o isso, qual o isso que a gente quer propor. Sempre foi o “como é que isso serve pra alguma coisa”. Então, tem um monte de gente que tem potencial, que tem um histórico interessante de produção experimental, mas que teve que se encaixar nos formatos possíveis. Gente que não aguenta mais dar oficina. Mas que não tem a estrutura, o interesse, a paciência pra entrar no jargão do financiamento tradicional de projetos experimentais. E é daí que surge essa pergunta, como é que a gente faz pra essas pessoas poderem trabalhar, contemplando toda a visão de processo e não só da obra, da produção, do que pode ser exibido nos circuitos tradicionais.
Gisela Domschke: Ontem mesmo numa discussão,  levantei essa questão: aqui no Brasil a gente não tem nenhum edital para pesquisa no campo da arte. Você sempre tem que entregar um produto cultural. Pra quê? Pra ir lá e fazer a contabilidade no final. Tira foto e manda. Estava comentando sobre essa necessidade de se abrir esse espaço, esse apoio para pesquisa. O British Council fez um pouco isso com o Artist Links. Nesse programa a gente não tinha a necessidade de entregar um produto cultural. Uma coisa tão bacana, mas que infelizmente não terá continuidade. Uma pena. Faz-se três anos na China, três anos no Brasil, e então rumo ao próximo Bric.
efeefe: Cumprir agenda.
Gisela Domschke: Acho bem complicado isso dentro do momento atual da globalização. Muitas vezes a troca cultural segue interesses econômicos.
efeefe: É mais pra mostrar lá do que aqui.
Gisela Domschke: Mais pra mapear realmente, e ver onde eles se situam. Compreender a cultura local seria a etapa inicial para futuros relacionamento de negócios.
efeefe: Pra estabelecer controle. Eu estou conversando com o consulado da Holanda de novo porque eles querem uma atualização do mapeamento de cultura digital no Brasil feito em 2009. Mas agora a gente quer fazer em português, e depois traduzir. Porque isso pode ser interessante pra gente mesmo e pra outros contextos. Isso pode ser um começo de troca.
Gisela Domschke: O Brasil mesmo poderia fazer esse tipo de mapeamento. E como funciona? A Holanda vai e aponta umas pessoas.  Poderiam existir outras formas de se fazer um mapeamento.
efeefe: Eu já propus pra eles de fazer um wiki. A gente vai e escreve sobre tal organização, mas quero que o pessoal da organização também vá lá e escreva.
Gisela Domschke: Nosso Ministério da Cultura poderia conhecer um pouco mais sobre o que está acontecendo no país. Mesmo nós, não conhecemos tudo. Para o redelabs, esse conhecimento seria fundamental.
efeefe: A gente está pensando nessa questão de trabalhar nos espaços inter-institucionais. E tem essa dificuldade de fazer as estruturas não só entrarem na conversa, mas também cada uma delas ceder espaço, tempo, conhecimento para uma rede que se forma também fora delas.
Gisela Domschke: A troca com a instituição pode trazer um conteúdo diversificado. Não precisa só estar na Bienal, no MAC, etc. Poderíamos, por exemplo, ter uma rede no Teatro Oficina. Teatro é um ambiente que pode trazer coisas interessantes em termos de linguagem. Pode ter um nó dessa rede em um espaço de música. De certa forma, criar uma interdisciplinaridade, mas usando instituições que já são focadas em certas linguagens. E na rede a interdisciplinaridade acontecer com pessoas que são especialistas.
efeefe: Sim. A gente está querendo fugir um pouco da imagem de media lab pra sair das limitações…
Gisela Domschke: É necessário trazer o humano!
efeefe: … e pensando em laboratórios em rede, o que dá pra interpretar de uma forma positiva.
Gisela Domschke: Seria uma coisa tática, de guerrilha mesmo. Ocupar esses espaços todos. E criar comunicação entre eles. Só isso já seria um grande gol.
efeefe: A questão é: o quê propõe nisso? Como começamos?
Gisela Domschke: É aí que entra esse diálogo com cada instituição ou organização. Seguindo o exemplo, no Teatro Oficina: aconteceria uma coisa ali com o Zé Celso totalmente diferente do que aconteceria com a Ana Magalhães no MAC. Daí se criam focos de ideias totalmente diversificados.
efeefe: Um campo de improbabilidade.
Gisela Domschke: E não fica aquela coisa de gueto, porque a rede está comunicando a diversidade. Essa interdisciplinaridade seria a grande transformação. Esse diálogo. E aí pensando naquele mapeamento… há de haver milhares de instituições/organizações pelo Brasil afora, com as quais a gente não consegue se comunicar.  A redelabs viria para interferir nesta situacão. Aquele site do Minc, o Cultura Digital, talvez fosse uma tentativa de fazer isso. Mas não adianta vir de cima.
efeefe: Eu estava conversando com o Mushon Zer Aviv, que é ligado ao Eyebeam em Nova Iorque. Ele levantou uma questão: como promover a colaboração sem obrigar as pessoas a colaborarem? Tem também o texto do Geert Lovink, The principle of notworking [pt-br aqui, traduzido por Novaes], que fala que um dos elementos principais da colaboração é que as pessoas podem optar por não colaborar. Se elas não puderem escolher não colaborar, não é colaborativo de verdade. Ele critica ali todas as estruturas que pensam a colaboração a partir da obrigatoriedade da colaboração.
Gisela Domschke: Concordo. E a rede apenas pela rede não é suficiente. Tem que ter o humano, e o presencial.
efeefe: E liberdade. O que eu acho legal no Eyebeam é que eles têm um programa de bolsas pras pessoas ficarem um tempo fazendo o que quiserem. É um caminho interessante: um formato aberto o suficiente que banque as pessoas produzindo – o processo mesmo – mas que vincule essa produção a algum espaço físico. O cara pode até propor de fazer na garagem da casa dele. Deixar indeterminado. Um resultado possível dessa nossa investigação de Redelabs é ouvir que o laboratório físico o cara pode ter em casa.
Gisela Domschke: Essa flexibilidade é fundamental.  O laboratório é essa atitude de querer experimentar, de fazer alguma coisa.
efeefe: E aí a gente vai pro teatro, e laboratório tem outro significado.
Gisela Domschke: Por isso que eu acho bacana esse trânsito. Talvez um sistema de bolsas de apoio a experimentação e fluxo. Porque assim não tem aquela coisa de sobrar lá uma sala com equipamentos que não são utilizados.
efeefe: E tem um monte de elementos novos. Um exemplo fácil é o celular com internet. Tem toda uma questão aí, que a base é comércio, empresa, dinheiro. Mas tem por outro lado uma liberdade que a gente ainda não conseguiu explorar. Se ficarmos presos no modelo de medialab, a gente não vai conseguir explorar isso tudo. E as pessoas não vão ocupar o espaço, vão esperar a indústria trazer a inovação de fora, sem nenhum questionamento além da rejeição total. E isso não muda nada.
Gisela Domschke: Muito legal o questionamento. Acho que é isso, pensar mesmo “pra quê” existir o laboratório hoje em dia.

* Artista e curadora, mestre em Design de Comunicação pelo Central Saint Martins College of Arts, em Londres. Coordenou o curso de mestrado em Mídias Interativas na Goldsmiths University, em Londres. Participou de diversas exposições e festivais de mídia, entre eles o World Wide Video Festival (Amsterdam), Pandemonium Festival (Londres), Lovebytes (Sheffield), Videobrasil (São Paulo), Bienal Mercosul (Porto Alegre), 24a Bienal de São Paulo (São Paulo), Whitney Biennial (Nova York), FILE (São Paulo),  ICA New Media Talents Awards (Londres). Suas obras foram publicadas em periódicos como Creative Review, Blueprint, The Guardian e Arco Magazine. Coordenou a criação do LABMIS, laboratório de mídias do Museu de Imagem e do Som, onde foi responsável pela programação de eventos, workshops e programas de residência de artistas. Foi orientadora do curso de Digital & Virtual Design do Istituto Europeo de Design, São Paulo, e é professora da Escola São Paulo e da FAAP. Desenvolve projetos de curadoria e produção executiva em colaboração com instituições culturais internacionais como British Council, AHRC, Mondriaan Foundation, Virtuel Platform e Ludic Group.

Cidades Digitais

segunda-feira, agosto 30th, 2010

Escrevi um post no blog Ubalab sobre algumas relações entre MetaReciclagem, cidades digitais, ciência de bairro e outras coisas. Redelabs entrou na conversa como uma articulação bem-vinda entre diferentes áreas, e que pode ajudar a encontrar respostas. O post está disponível em:

http://ubalab.org/blog/metareciclando-cidades-digitais

Entrevista – Alejo Duque

segunda-feira, agosto 9th, 2010

Há alguns meses, durante a Lift em Genebra, conversei sobre laboratórios enredados, estratégias nômades e assuntos afins com Alejo Duque. Alejo é um artista colombiano que vive na Suíça e circula por diversos espaços de arte eletrônica, ativismo midiático e afins. Também é um colega de rede Bricolabs . Vão abaixo alguns pedaços da conversa.

ITU
Alejo Duque: Esse conceito de laboratórios em rede é muito relevante aos tempos em que vivemos. Uma boa rota para trabalhar com um grupos mais amplos do que os grupos locais. De uma maneira, se estamos conversando agora é porque já fazemos alguma coisa assim. Isso já é um laboratório em rede! Não é algo novo que vamos criar. É algo que já existe, com que já trabalhamos, que nos acompanha todo o tempo em que estamos conectados em rede. O que pode ter de novo essa aproximação? O que não existe nos modelos que já temos?
efeefe: É uma questão em aberto. Há um interesse de várias áreas em fazer coisas enredadas, mas não existe uma ideia fechada nisso. Redelabs quer se perguntar exatamente isso: o que podemos propor? Ano passado, no processo do Fórum de Cultura Digital, emergiu a demanda por medialabs. Mas geralmente o que se pensa como medialab é o que se fazia dez anos atrás: estruturas. Porém hoje em dia, pelo menos nas cidades grandes, existe banda larga, os computadores e câmeras são mais baratos. Ao mesmo tempo, há centenas de projetos no Brasil que poderiam ser vistos como medialabs táticos em diferentes sentidos. O importante não é mais a estrutura, mas uma estratégia de ocupação desses espaços que já existem. A ideia agora é conceber um projeto para propor uma estratégia de rede para esses espaços. Acho importante uma coisa mais próxima ao cotidiano, mas trazendo a reflexão sobre meios eletrônicos e o tipo de cultura que se pode fazer com meios eletrônicos quando eles se hibridizam com as culturas populares.
Alejo Duque: Nas sociedades latino-americanas é muito claro o apetite voraz de copiar o que acontece no restante do mundo. É essa noção específica de globalização. Estamos vendo uma cultura das empresas que produzem o imaterial. As indústrias desaparecem, e chegam os museus interativos. Se fala em melhorar o ar das cidades, criam-se bibliotecas, tem toda a questão da gentrificação que acompanha uma cultura de serviços. É um capitalismo selvagem mas muito camuflado. As pessoas que estão responsáveis por essas mudanças querem saber o que pôr nos edifícios que estão construindo. Já não querem medialabs. Há dez anos, tudo que falava em Medialab do MIT tinha muito impacto! Felizmente, hoje falam em Fablab. Eles têm que comprar as máquinas, para fazer um Fablab em seus novos edifícios. Eu venho de um lugar muito parecido com o Brasil e penso que a pequena escala em nível social é que pode efetivar mudança e construir algo maior. É na pequena escala, onde se pode trabalhar com pequenos grupos que vão se solidificando e construindo algo maior, sem dúvida.
Em Medelín particularmente, em se falando de ajudar culturalmente um grupo social para gerar mudança, estão ajudando aos garotos que estão trabalhando com renderizaçao 3d e mundos sinteticos, animação, etc. Encanta a eles o caso da Nova Zelândia – onde passaram a fazer filmes para Hollywood, têm super estúdios, rendering farms, etc. Em Medelín estão tratando de motivar os jovens para que criem empresas nesse modelo. Estão querendo que Medelín vire um hub para empresas como a Pixar. A mim parece um pouco louco.
efeefe: Essa coisa de outsourcing
Alejo Duque: Exato.
efeefe: E se descarta todo um componente cultural que é forte e pode ser fundamental hoje em dia. Tem uma reflexão que acho importante e queria saber tua opinião: no Brasil tivemos muito tempo de instabilidade política, precariedade, em que não havia infraestrutura, etc. As pessoas precisaram desenvolver um senso de criatividade cotidiana que está muito próximo da coisa de low-tech e de aproveitar os restos do processo industrial como matéria-prima de novas invenções. E agora vejo uma coisa na Europa, nos centros de mídia interessados em software livre e low tech e esse tipo de criatividade, toda a coisa de Fablabs e de fabricar em vez de comprar. Porque aí tem um processo diferente de evolução nos últimos anos – todas as pessoas se transformaram mais em consumidores do que atores, inventores, criativos. Houve uma separação entre a criatividade e a vida cotidiana.
Com as novas tecnologias existe toda a relação com o sentido de inventividade cotidiana – a Gambiarra no Brasil, o termo similar na Colômbia, na Índia ["jugaad"]. E a maneira com que isso cria um tipo diferenciado de apropriação de novas tecnologias, eu acredito que leva a uma situação inversa – agora não estamos olhando pra fora e dizendo que devíamos fazer como eles, mas estamos dando o exemplo de como se apropriar das tecnologias para fazer as pessoas desenvolverem seu potencial de criatividade e inventividade. Queria saber da tua experiência com os medialabs da Europa nessa questão da criatividade cotidiana que a gente tem e que agora está sendo interessante também nos países desenvolvidos.
Alejo Duque: É interessante que estejam valorizando muito mais esse tipo de aproximação à tecnologia. Pra mim é estranho, porque tem essa coisa que evolui muito naturalmente quando se é pequeno e está procurando uma porca para a bicicleta ou algo assim. Alguma coisa estragou e você tem que arrumar. É muito bonito porque você pode ir à rua, olhando pro chão por um par de quadras e vai encontrar muita coisa – uma alavanca, uma chave, uma porca e muitas outras coisas. E vai guardar porque entende que mesmo que não vá usar agora pode precisar mais pra frente. Esse é seu laboratório! O laboratório está nas ruas, todo espalhado pelas ruas. E essa sensibilidade se vê valorizada agora na Europa.
De qualquer forma, nós continuamos aprendendo muito com o que eles estão fazendo. Hoje existe esse boom de arduino, cultura maker, DIY [faça você mesmo], instructables, etc. Eu chego a outra questão: sobre toda a comercialização da cultura DIY, que tentei tocar no texto coletivo da bricolabs sobre lowtech . Falei ali comparativamente sobre o catálogo da Radio Shack, que há 40 ou 50 anos era o mais importante pra quem queria aprender sobre rádio e coisas eletrônicas. Penso que a revista Make, que catalisa toda a cultura maker, está vindo por esse caminho. E me parece muito interessante que todo mundo esteja atuando muito com energias renováveis, com recuperar ímãs de HDs para gerar eletricidade, como o pessoal fez aí no Brasil [eu tinha mostrado pra ele esse vídeo do Peetsa]. Mas me parece delicado que através de todos esses sites, de certa forma tão light, hype e fashion, se esteja impulsionando um mero consumo desse tipo de apropriação de tecnologias. Vejo aí um choque frontal entre aquele sair à rua que falei antes e o que a gente aprende a fazer através da internet.
Semana passada a gente fez uma oficina na Suíça e refletimos sobre as pessoas de lugares ditos subdesenvolvidos que têm isso como filosofia de vida – pessoas que sobrevivem e vivem e pensam e todos os dias atualizam essas práticas de apropriação na sua performatividade diária, no cotidiano. Isso é uma filosofia. Essas pessoas nunca estão interessadas no que a gente tá fazendo aqui. Hacking, modding, apropriação, conversão, nada disso. Isso é uma coisa muito importante de discutir, porque a gente tá exatamente no meio do caminho. Nenhum desses senhores que trabalham na rua arrumando carros, que têm as mãos sujas de graxa, vai se interessar por isso. Óbvio que pra gente é um prazer ir conversar com eles e compartilhar, mas…
efeefe: Acho que existe um atrativo interessante para essas pessoas, que é a coisa da tecnologia. E olha isso: podemos usar o pior lado da tecnologia – o mito de estar conectado, de entrar no mundo do que as pessoas mais ricas fazem, pra atrair as pessoas. E em seguida podemos desconstruir essa ilusão e dizer: vem aqui, tu vai aprender a pegar um computador, abrir, fazer coisas com ele. E começar a informá-lo das possibilidades da tecnologia digital auxiliar suas habilidades práticas cotidianas. Não sei o caminho pra isso, mas algumas experiências já foram feitas – conversar com os mestres de culturas populares, mostrar as possibilidades das novas tecnologias. Claro que existe o risco de gerar somente mais consumidores – pessoas que querem comprar coisas, que nunca estão satisfeitas com suas vidas. Precisamos evitar isso. Mas de qualquer maneira não é justo mantê-los longe de qualquer possibilidade por medo de influenciá-los.
Alejo Duque: Vem de novo a pergunta de inclusão e exclusão, sobre a qual já conversamos um pouco na rede Bricolabs. Os políticos falam em inclusão digital. E às vezes a gente percebe que a tal inclusão é uma intromissão completa na vida privada. Pensamos em trilhar o caminho da privacidade, de resguardar a intimidade, fazer com que respeitem nossos atos, nossas pegadas digitais, que se possa decidir quando nossos rastros são indexados e estudados por uma empresa de mercado e quando não. Até mais, escolher quando eu posso deixar rastros que não são verdadeiros – pensar que se alguém me persegue vou simular que vou por esse caminho mas vou por outro.
efeefe: Pistas falsas. Tem a ver também com estratégias de inteligência nas pontas, e não no meio. Na vida cotidiana, nas ditaduras da América Latina, nos estados policiais, nas sociedades violentas, a gente também aprendeu a sobreviver no dia a dia e fazer rastros falsos, toda uma estratégia de sobrevivência e de privacidade. A gente tem uma noção de privacidade diferente: na Europa existe essa coisa do espaço privado, da casa de cada um. Já a gente no Brasil sempre tem convidados dormindo no sofá, o vizinho que tem a chave, a prima do interior que tá morando na sala. Isso constroi uma outra noção de privacidade, mais flexível.
Alejo Duque: A gente tem que pensar em quando estamos trazendo os mestres de cultura popular, como saber que estamos fazendo uma inclusão justa ou que ela está acontecendo de forma equilibrada. Que não vá virar consumismo ou colonização, tecnoconolização – introduzir tecnologias que não deveriam ser introduzidas.
efeefe: A própria ideia de inclusão já não me soa bem. Melhor é pensar que não são as pessoas que precisam se adaptar às tecnologias, em como transformar essas tecnologias para mudar a vida das pessoas. Não é que o mecânico precise enviar email ou entrar no chat, mas pensar em que tipo de tecnologia se pode desenvolver para melhorar a vida dele. Nesse sentido, a flexibilidade possível com software livre, low tech, etc, significa que se podem desenvolver novos dispositivos ou novos usos para dispositivos que já existem, especificamente para aquele cara. Então acho que é uma perspectiva que é um trabalho muito mais pesado do que tudo que já foi feito: desenvolver múltiplas tecnologias, e não só incluir. A mera inclusão, conceitualmente, sempre chega em um ponto em que não é mais necessária.
Alejo Duque: Em Medelín temos um problema estrutural. Vocês no Brasil têm uma estrutura muito maior e mais forte. Nossos grupos sao mais nômades, têm que ir de um lugar a outro com o hackerspace porque não há um lugar fixo. É muito dificil. Existem poucos lugares bons aonde ir. Por exemplo a Casa Três Pátios, centro para residências de artistas, onde estão muito interessados em uma aproximação da arte tradicional com a tecnologia. Temos que resolver nossos problemas estruturais para poder operar, e então ser capazes de abrir um espaço para ser hospitaleiros e trazer outras pessoas para gerar intercâmbios. É um metodo de trabalho que depende 100% desse tipo de interação e fluxo de informacao. Senão não o faríamos, estaria cada um em sua casa trabalhando pela internet.
efeefe: Ah, então uma questão importante: qual é a relevância de ter espaços para essas coisas? Por que as pessoas precisam de espaços e não trabalham cada um em sua casa? A ideia comum dos medialabs é de que havia tecnologias que não eram acessíveis às pessoas, e havia a necessidade de uma grande estrutura para pagar por acesso, computadores, câmeras. Quando isso vai mudando, ficando mais acessível e há ainda toda a possibilidade de trabalhar com computadores usados, qual o motivo de as pessoas ainda quererem se encontrar e compartilhar espaços? Não é somente compartilhar informação, que é possivel por email e skype, é?
Alejo Duque: O primeiro é uma coisa natural, que é o aspecto humano. Precisamos estar em grupos. É uma coisa bonita que se vê com alguns garotos que vêm ao grupo trabalhar. São dropouts, um pouco deslocados, que não se enquadram, não encaixam. Têm problemas com os grupos a que pertencem no colégio, na universidade, na carreira que estão seguindo. Problemas com o próprio sistema da Universidade, não conseguem cumprir horários e tarefas. Mas são muito bons. Fazem tudo de sua própria maneira, resolvem de maneira 100% criativa! E ali encontram um grupo com o qual podem experimentar, compartilhar. Encontram um grupo, o que é fundamental. O segundo, é quando alguém tem um problema operacional para resolver. Por exemplo, alguém que quer fazer uma obra interativa, com sensores, que quer passar uma mensagem para o mundo, essas coisas. Talvez tenha o computador, encontrou documentação na internet, mas o cara não sabe como fazer a parte eletrônica. É um pouco triste, porque existe um nível em que as pessoas vêm ao grupo para se utilizar do grupo, para seus fins pessoais. Por isso mesmo, uma das tarefas do grupo é trabalhar para que tudo seja entendido como um projeto de colaboração, e você sabe como isso é complexo e difícil.
efeefe: Não achas que aqueles techs que têm a visão mais fechada na coisa eletrônica, por exemplo, não podem também aprender com os artistas? Há um diálogo, ou então: o que podemos fazer para existir mais diálogo?
Alejo Duque: É uma situação que gera uma maravilha de interação. A palavra arte é uma que não usamos. De fato eu sou o único que teve uma formação em escola de arte. Só usamos essa palavra como piada, para rir. Para dizer “estamos fazendo arte” e brincar de tudo que significa essa história de arte. Porque sabemos bem que não queremos participar dessas economias de galeria, curadoria e exposição. É um grupo que tem muito mais gente da engenharia do que da arte. Eles gostam muito de poder sair da caixa de números e produção. Para eles é uma troca. Há diferentes maneiras de fazer e contribuir. E nós que somos artistas aprendemos muito porque os garotos têm um conhecimento e uma metodologia de trabalho muito avançada. Outra coisa que falamos é que o movimento do software livre é 50% do caminho ganho. Porque todos temos muito claro que estamos dando, entregando. Não há um problema de autoria, não é começar do zero.
efeefe: Que tipo de de estratégias se pode pensar para os grupos nômades? Para que possam compartilhar os espaços, o tempo de uso dos espaços de maneira efetiva, sem perder a flexibilidade e agilidade que têm enquanto grupos nômades? Porque existem muitas vantagens no nomadismo. E ainda, muitas estruturas existem e fazem suas próprias programações. Como conectar as estruturas e pôr no meio do caminho os grupos nômades que podem fazer o papel de informantes entre os espaços diferentes, o papel de hermes/mercúrio?
Alejo Duque: Das abelhas…
efeefe: Isso, das abelhas. Os informantes, as abelhas, já trabalham. Agora queremos criar estratégias para dar suporte a essas pessoas que cumprem essa função. Porque a institucionalidade sempre se preocupa principalmente em criar estruturas de acesso, e o que a gente está propondo no eixo redelabs é que já existem dezenas dessas estruturas. Então a pergunta é não somente como apoiar essas estruturas que já existem mas também como apoiar as coisas que existem entre as estruturas. Como criar estratégias que façam a conexão entre as estruturas.
Alejo Duque: É uma pergunta maravilhosa, que tem a ver com o que eu comentei antes: como definir o que são laboratórios em rede? Isso se liga muito bem à situação que temos. Em Medelín existe uma organização que se encarrega de usar parte dos lucros das empresas locais para traçar os caminhos para daqui a 25, 50 anos. São os que estão planejando o que vai acontecer estrategicamente com as pessoas que vivem na cidade. Conversei com o vice-presidente dessa organização. Eles vêm fazendo coisas interessantes. Estão muito preocupados porque não têm ideias novas, não encontram novas maneiras de fazer as coisas. Tiveram um momento de êxito, fizeram capitais enormes e hoje estão assustados porque estão saindo essas makerbots, repraps [impressoras 3D] se replicando por toda parte. Quem tinha a empresa para fazer injeção de plástico tem que estar um pouco assustado, porque daqui a pouco todo mundo vai fazer isso em casa. Então eles ainda têm poder, têm muito dinheiro e querem pesquisar, fazer P&D. E sabem que precisam desses grupos pequenos que operam por aí a partir das redes, que são rápidos e ágeis, que têm uma velocidade que eles nunca poderiam alcançar. Eles querem organizar essas conferências, oficinas.
Então talvez respondendo à tua pergunta: eles estão trabalhando através dessas oficinas realizadas no Museu de Ciências, em um espaço para comunidades. O grupo do Hackerspace vai lá e realiza oficinas de streaming, que também realizam no Museu de Arte Moderna. Dois públicos diferentes, um na comunidade e outro de gente que se aproxima do Museu. E também o fazem com o pessoal de 3D rendering, que certamente conhece o Blender, que é software livre, mas não sabem muito sobre outras possibilidades para compartilhar informação entre eles, e o steaming poderia ser útil. É assim que estamos operando na colombia, em Medelín particularmente. O Hackerspace está recebendo por essas oficinas, que paga seus custos.
efeefe: Existe um perigo aí que já passamos no Brasil, e começamos a mudar: a apropriação. As pessoas que têm poder e dinheiro chamam os hackers e ativistas a trabalhar como técnicos para projetos conceituais, que no fim das contas vão dar muito mais dinheiro para os financiadores. Agora a gente tá pensando em mecanismos oficiais para equilibrar a equação, para que as pessoas não tenham que vender suas almas para as instituições locais. Criar ferramentas que permitam que os coletivos autogestionados mantenham o controle sobre suas coisas e que tudo seja compartilhado. Uma possibilidade é criar mecanismos oficiais, e o governo entra como órgão para equilibrar: tudo vai ser em licença livre, não se fala mais nisso. Equilibrar a relação entre os coletivos que têm potencia e agilidade, e as instituições que têm estrutura e dinheiro. É uma coisa de desenvolver um novo modelo de relação entre as instituições e as pessoas/coletivos.
Alejo Duque: Uma última coisa: estávamos falando sobre se incluímos ou não quem costumava nos excluir antes?
efeefe: Acho que a rede tem essa coisa de que a generosidade traz mais resultados do que seu oposto. Mas acho que depende muito do contexto.

A Arte do Cibridismo

domingo, agosto 1st, 2010

O blog do projeto de pesquisa de Thiago Carrapatoso para a bolsa de produção crítica em mídias digitais (A Arte do Cibridismo) tem excelentes entrevistas com gente que está produzindo e pesquisando assuntos ligados à Cultura Digital Experimental (ou como queiram chamar) no Brasil. Linguagem, espaços, fomento, produção e outros temas emergem das conversas por ali. Bom alimento pra RedeLabs.

FILE

sexta-feira, julho 30th, 2010

Hoje de manhã dei uma passada rápida no FILE pra encontrar com Ricardo Brazileiro, que veio com a galera do Laboca de Recife pra dar oficinas de arte e tecnologia, além de exporem obras que concorrem ao File Prix Lux. Cheguei e tava uma bela zona de arduinos, máquinas, projetores e ruídos pra tudo que é lado. Laboratório vivo, pulsante de descobertas. Galera empolgada. Deu gosto de ver. Brazileiro me apresentou pro Jarbas Jácome que fez minha fita ali de um jeito que até me deixou envergonhado ;)

FISLI – Debate Cultura Digital Experimental

quinta-feira, julho 29th, 2010

Apareceu meio em cima da hora a oportunidade de organizar um debate sobre cultura digital experimental (que está virando o eixo principal de reflexão do projeto redelabs) durante o FISL na semana passada, em Porto Alegre. Montamos uma mesa meio às pressas, com Adriano Belisário, Vilson Vieira, Ricardo Ruiz, Glerm Soares + Simone e Dalton Martins. Maira agitou as coisas por lá. Eu não pude ir, e também não consegui estar online para acompanhar o stream ao vivo.

Debate - Cultura Digital Experimental

Pelos relatos, a conversa expôs alguns conflitos que andavam submersos. Gerou algum mal-estar entre os presentes, mas eu acho isso positivo. Melhor do que aqueles debates onde ninguém discorda de ninguém (e ninguém muda de opinião, e ninguém aprende nada).

Dizem que a íntegra do vídeo vai estar disponível online nos próximos dias. Aguardamos. Enquanto isso, ficam aqui o relato da Maira, os comentários do Adriano e do Glerm e um post do Dalton. A conversa está só começando…

Foto: Robson Bonfim