Consegui terminar de escrever um post sobre minha passagem por Madrid durante o Labtolab. Publiquei no blog Desvio, e pros próximos dias estou escrevendo outro post com conclusões e insights depois de ter passado pelo encontro de medialabs.
Archive for the ‘Sem categoria’ Category
Labtolab – diário
segunda-feira, julho 12th, 2010Plenária do eixo arte digital – relatoria
domingo, julho 4th, 2010Pesquisando o processo construído colaborativamente no Fórum de Cultura Digital sob a coordenação de Cícero Silva, encontrei um post de Henrique Costa resumindo a plenária. Alguns pontos ali certamente têm relação com a conversa de redelabs:
- Política de criar uma universidade aberta de arte digital. Pólos da Universidade Aberta do Brasil (UAB) podem ser os mídia labs e Minc daria suporte às prefeituras. Cultura de educação à distância. Cursos de arte digital têm que ser livres. Pensar na linha da educação à distância. É mais fácil entrar nas prefeituras do que nas universidades.
- Mídia labs funcionando 24h.
- Artista administra o Pontolab.
Mais aqui.
O relatório final do Cícero aprofunda alguns desses pontos de maneira bem articulada, mas vou deixar isso pra outro post.
Modelos e Perspectivas – Empyre
segunda-feira, junho 28th, 2010Passei uma tarde da semana passada relendo o debate sobre Modelos e perspectivas para Centros de Mídia e Organizações de Arte em Rede moderado por Marcus Bastos em agosto de 2008 na lista Empyre. Na época eu estava cadastrado na lista, mas a vida estava uma correria e não consegui participar muito.
existe uma necessidade urgente de novas formas institucionais que reflitam processos ‘relacionais’ para fazer frente a sistemas existentes de governança e estruturas representacionais ultrapassadas.
E na sequência fez referência ao texto de Michael Century, Pathways to Innovation.
Vale a pena ler o arquivo completo da discussão, mas escolhi alguns trechos interessantes, abaixo. Não me preocupei em manter a coerência das discussões, só pincei alguns parágrafos que podem ser relevantes na conversa sobre Redelabs. A tradução é minha, e com pouca revisão – deve ter alguns equívocos ou falhas.
Marc Garrett
a cultura é uma interface fluida, complexa e diversa, sempre em transformação e dinâmica. A chave é saber como nós, praticantes, podemos nos tornar agentes mais ativos dentro dessa interface múltipla. Se nós como agentes ativos estamos mais conectados, envolvidos nessa interface cultural para transformar contextos sociais através de nossas práticas criativas, então nós estamos transformando nossa cultura e sua interface.
Anna Munster
(…) os artistas terão dificuldades no futuro. Especialmente artistas jovens que não foram ‘adestrados’ no funcionamento das instituições e não necessariamente sabem como jogar o jogo duplo, ou seja, falar no jargão para obter dinheiro e depois fazer suas coisas. Se dão melhor aqueles artistas que se consolidaram nos confortáveis centros de pesquisa em arte-ciência dos anos noventa e vão obter os recursos porque sempre foi assim. A vantagem é que o trabalho deles geralmente é entediante, então talvez possamos ignorá-lo
.
Marc Garrett
Talvez o mundo das ‘belas artes’ tenha dificuldades para ver a diferença entre arte-mídia e o trabalho digital criado sob o guarda-chuva das ‘Indústrias Criativas’.
Gabriel Menotti
Para ver o trabalho de outras pessoas (sejam imagens dele ou os próprios trabalhos/processos, desde que enredados), eu só preciso me conectar. A quantidade de recursos necessária para conectar-se é muito menor do que o necessário para viajar, por exemplo.
Simon Biggs
Um pouco de promiscuidade entre departamentos, instigado e acompanhado no nível dos indivíduos envolvidos, mas com os apoios institucional e de pesquisa necessários para fazer as coisas acontecerem, parece ser a receita de sucesso.
Na ciência isso não é nenhuma novidade. O novo é que os criativos podem agora juntar-se à festa com alguma coisa nas mãos. Isso estabelece uma sensação de equidade entre os diversos envolvidos que facilita muito a colaboração. A questão é se esse tipo de oportunidades será sustentado e aonde ele pode levar em dez anos.
Anna Munster
Eu sei que parece que a gente saiu um pouco da questão dos centros de mídia para redes e sustentabilidade, mas acho que existem conexões importantes. A conexão está no tipo de centro de mídia que queremos construir e imaginar para uma época vindoura em que a ‘tecnologia’ – como usada e abusada nos anos noventas – não será tão sustentável. Isso pode significar que aqueles ‘centros’ previamente dedicados a grandes projetos vão desaparecer e que nodos menores e mais distribuídos vão virar os lugares quentes… embora eu não tenha ido ao Node.London, eu acompanhei suas atividades à distância e acho que foi uma tentativa preliminar de fazer exatamente esse tipo de coisas.
(…)
De fato, ainda existe a sensação de que as novas mídias – com exceção de alguns bolsos – é curada fora das estruturas hegemônicas do mundo da arte, especialmente os circuitos de bienais e festivais. Mas eu ainda vejo terríveis curadorias de novas mídias por gente de novas mídias que continua priorizando a tecnologia como temática que sustenta as novas mídias. Então aqui diferentes estruturas hegemônicas estão trabalhando – a hegemonia das instituições artísticas e/ou a hegemonia de certas modas e formas, como os games. Apesar de que no fim das contas as duas hegemonias estão conectadas a questões de dinheiro!
Marc Garrett
Eu acho que o interessante no Node.London – que foi uma curva de aprendizado impressionante, mas também uma experiência dolorosa ao mesmo tempo – é que ele foi muito grande. Mesmo que houvesse muita rede, conexões e coisas distribuídas acontecendo ao longo do mês com mais de 150 projetos, e 40 nodos por toda Londres – na verdade havia uma atitude centralizada e uma conexão organizacional centralizada de pessoas, chegando até a cerca de 30 organizadores. Todos os outros se envolveram mais como nodos e espaços regionais, consistindo em parceiros. Esses parceiros eram instituições como o Tate, o Science Museum, o ICA, a Universidade Birkbeck, que ofereceram seus espaços para conferências, discussões on-line e como centros de encontros. Organizações menores como a nossa galeria (que na verdade é uma garagem), a Limehouse, Eventspace, Mediaspace, Area10 e mais um monte.
(…)
O maior problema foi que era um território novo para todos nós. Para algo assim funcionar melhor, eu acredito que deveria ser diverso em termos de infraestrutura, com nodos conectando-se uns aos outros durante o ano todo. Compartilhando recursos continuamente e compartilhando informação e ideias sobre como manter uma conexão menos centralizada. Eu penso que teria que ser um processo informado mais naturalmente que deixasse as coisas desenvolverem-se em estágios diferentes em tempos diferentes, localmente. Incluiria-se aí o uso ecológico e alternativo de tecnologias como um impulso mútuo, com habilidades compartilhadas e pagamento de acordo. Ideias mais abertas e encontros de vez em quando para lidar com necessidades locais em vez de objetivos gerais.
(…)
Eu sou muito otimista com as possibilidades de como as conexões podem ser mais funcionais, práticas e acessíveis entre as práticas das belas artes e da mídia-arte.
Simon Biggs
Precisamos nos perguntar por que os centros de mídia e as redes existem. Qual seu propósito? Eu argumentaria que um elemento chave em suas missões é estimular a criação de novas audiências para novas formas de arte, encorajar novas formas de engajamento público e questionar as frequentemente moribundas dinâmicas entre todos da área, sejam artistas, curadores, teóricos ou consumidores. Certamente, para mim, a razão principal para trabalhar com novas mídias é que elas oferecem novas modalidades de engajamento interpessoal. As práticas das novas mídias têm como fundamento uma conceitualização dos meios artísticos que exigem que sejam constantemente desafiados e questionados para que novos tipos de arte e novos relacionamentos entre pessoas possam ser forjados.
Johannes Birringer
[Posso falar da] minha própria experiência como diretor ou instigador de um laboratório de verão anual em uma pequena região no sudoeste da Alemanha onde se localiza o nosso Interaktionslabor.
Nós o temos realizado por seis anos, inicialmente apoiados pelo governo da região, e depois de dois anos nos tornamos autônomos e agora operamos de baixo para cima. A cada ano temos vinte ou mais artistas que se reúnem e trabalham intensamente no local por algum tempo. Não só artistas – nós recebemos qualquer pessoa interessada em “interação” (não exatamente a mesma coisa que a interatividade técnica, mas nós trabalhamos bastante com possibilidades de design de interface e comunicação).
A experiência de trabalho tornou-se uma experiência social e espiritual cristalizante. Ou seja, reunir artistas e desenvolvedores de software, performers, escritores com muitos backgrounds diferentes (culturais e profissionais). Isso trouxe algumas questões que não conseguimos resolver totalmente. Uma delas é a localização do lab e seu relacionamento com o desenvolvimento de infra-estrutura regional (envolvendo economia, e o interesse de alguns daqueles que inicialmente nos apoiaram e que acreditavam que a gente desenvolveria aplicações práticas e faria algum dinheiro). Também a questão de envolver audiências ou vizinhanças (o lab está localizado em uma mina de carvão e o vilarejo adjacente não se preocupa muito em pensar na gente)… quando convidamos o público, os artistas midiáticos ou as audiências interessadas em tecnologia vêm da cidade ou de ainda mais longe, mas ainda não está claro se os habitantes da região se preocupam muito com arte midiática ou arte digital.
Então a gente tentou várias táticas – convidamos salas de aula e educadores, trouxemos artistas convidados de passagem, convidamos observadores, a TV e o rádio, publicamos livros e catálogos (que não vendem, então a gente os distribui), temos um website, e trabalhamos em rede, e levamos o lab para outros lugares (fomos convidados a ir ao Brasil). E criamos peças que podem ser vistas em outros lugares, espaços, contextos, podem ser disseminados como objetos de mídia baseados em telas ou projetos online.
(…)
Como nos relacionar localmente com “nossos” espaços de arte midiática, ou gerá-los, e como nos relacionar globalmente com outros que a gente possa conhecer. Existe intercâmbio, cooperação? Existe um ‘circuito de festivais’ como existe nas disciplinas ‘hegemônicas’?
Marc
Estamos todos enfrentando a urgência de precisar que algo seja formulado e usado de modo que nós e outros possamos construir ou lidar com questões contemporâneas, ou outras. Mesmo que tenhamos o uso da internet para suportar nossos fóruns e ideias, estamos divididos por muitos fatores diferentes que têm a ver com nosso condicionamento social. Isso evita que a gente trabalhe junto tão bem quanto poderia. Precisamos de mais exemplos e modelos concretos de trabalho além de projetos que desafiem e critiquem. Estar engajado criticamente nem sempre ajuda, quando se trata somente de questionar e não de realmente oferecer alternativas fora das armadilhas em que estamos todos presos atualmente.
Johannes
Alguém pode perguntar qual é o relacionamento entre uma galeria ou organização independente como o Furtherfield e, digamos, o Culture Lab em Newcastle (parte da universidade) ou o Media Lab do MIT ou outros labs ligados a universidades (o Senselab está dentro da universidade?). Como as galerias ou labs que oferecem oportunidades de residências e exposições para artistas emergentes se relacionam, ou negociam, com as atividades discursivas e de pesquisa nas universidades (onde as ‘narrativas de pesquisa’ são frequentemente escritas). Onde se podem ler as narrativas de pesquisa dos independentes? Um grupo como o Transmute (ver aqui) poderia ter completado sua ambiciosa instalação de telepresença sem o financiamento e o suporte logístico de um monte de universidades?
Gisela Domschke
Eu aprecio muito o valor das organizações independentes, que existem pelo esforço do trabalho imaterial voluntário. Mas eu não acredito que isso signifique que o governo não deveria investir em ‘espaços abertos’ onde esses diversos nodos autônomos podem se encontrar e interagir.
Anna Munster
O Senselab não está baseado na universidade, mas está alojado na Sociedade de Arte e Tecnologia (SAT) em Montreal (que está alinhada de diversas maneiras com a Universidade de Montreal principalmente através do envolvimento de pessoal acadêmico nos dois lugares e através de alguns projetos co-financiados). A motivação para o Senselab era a princípio, acredito eu, fazer alguma coisa longe das restrições das agendas determinadas pela Universidade para produção de pesquisa. A motivação e o trabalho são totalmente voluntários, mas eles estão fazendo algumas coisas muito boas, incluindo organização de eventos, exposições e a nova publicação Inflexions cuja primeira edição foi sobre ‘pesquisa-criação’.
(…)
Eu prefiro um baixo nível de conhecimento técnico do que um baixo nível de conhecimento artístico! Essa questão de deixar a arte de fora dos programas universitários de arte e tecnologia acontece em todo o currículo atualmente e vai ser parte da problemática natureza futura da produção artística com inclinações técnicas. Até que a gente deixe de lado o atualmente limitado horizonte de educação universitária baseada em utilitarismo, não teremos uma boa interação entre arte e tecnologia com exceção de algumas pessoas que realmente acreditam no valor da história da mídia-arte, por exemplo…Mas eu acredito sim que existam sinais em toda parte de que artistas, tecnólogos, produtores culturais e pensadores estão entediados desse modelo utilitário e que é por isso que pequenas redes sociais, festivais independentes, workshops, e até grupos de leitura estão voltando à ativa após o que parece ter sido um par de décadas esquecidos!! Então, eu me sinto esperançosa de que estamos vendo e ainda veremos arenas inteiramente novas e práticas de mídia-arte que incorporem essencialmente questões em dimensões éticas e sociais como absolutamente fundamentais (em vez de algo ‘para o qual’ se use a arte, por exemplo).
Danny Butt
Quando a gente discute ‘sustentabilidade’, eu me preocupo um pouco sobre as iniciativas de Universidades que parecem depender da visão de um único funcionário da Universidade sobre o potencial do “externo” à instituição, e que este indivíduo tenda a assumir o papel de tradutor de atividades independentes (frequentemente pouco alinhadas às prioridades da Universidade) em formatos reconhecíveis institucionalmente. Talvez esse acadêmico sinta então que mantém um certo nível de ‘pesquisa real’ para ganhar validação e obter suporte para as ‘outras atividades’. Existem algumas oportunidades táticas excelentes nesse tipo de trabalho para redistribuir recursos para projetos temporários (eu mesmo tento fazê-lo), mas me parece que existe algo faltando no nível de ‘sustentabilidade’, seja lá o que essa palavra horrível signifique nesse contexto.
Eu estou consciente de que esse tipo de ataques táticos à Universidade me parece menos importante do que a tentativa de alterar o tecido dela mesma fazendo-a mais aberta ao tipo de práticas inter e transdisciplinares que foram importantes para o meu próprio desenvolvimento. Esse é o trabalho um tanto lento de construir a agenda de pesquisa, ganhar registros de trilhas, obter financiamento, influenciar práticas de contratação. Resumindo, isso envolve a construção de uma comunidade dentro da academia, dentro dos termos internos à academia (de maneira crítica, é claro). E o trabalho fora da academia parece adquirir um papel mais específico como um ambiente de aprendizado coletivo através do qual eu me sensibilizo às limitações da própria academia que quero afetar. E talvez eu sinta que um pouco do meu (bem-intencionado) trabalho prévio tentando construir coisas fora da academia ao mesmo tempo em que trabalhava dentro dela sofria de uma falta de noção de realidade sobre meu próprio engajamento e capacidade de ocupar o mesmo espaço de alguém fora da Universidade.
Sally Jean Norman
Em termos de conexões institucionais, acadêmicas e públicas, o ZKM é engraçado – ou era, uma década atrás quando trabalhei lá. Ele tem/tinha conexões privilegiadas com a Universidade de Karlsruhe, uma das maiores e mais ricas da Alemanha, o que oferece um conjunto de conhecimento técnico para alguns projetos baseados em computação do ZKM, mas para artistas-estrelas do ZKM com seus próprios – e frequentemente anônimos – programadores pessoais, esse tipo de conexão não existia. Eu tive a sorte de trabalhar com um cientista da computação chamado Bernd Lintermann matriculado na Universidade que dessa forma foi parar no mundo da arte e interessantemente hoje dirige o Institute for Visual Media. A repercussão pública local era limitada às pessoas que atravessavam a rua de uma cidade muito conservadora; se não fossem atropeladas por um bonde ou desencorajadas pelo arame farpado em volta do prédio da Suprema Corte em frente ao ZKM (uma antiga fábrica de munição), eram sobreviventes curiosos. Os maiores públicos vinham de mais longe, direto do aeroporto de Frankfurt ou do outro lado da fronteira em Strasbourg para eventos prestigiados.
Sustentabilidade? Eu acho o termo em si sem sentido já que se trata de um enquadramento temporal – o que na França chamamos de conjuntura. Não é necessariamente um critério para mim a menos que estivermos falando de energias criativas. Sustentabilidade estrutural, organizacional ou institucional pode ser desejável mas pode ser altamente prejudicial. Sustentar a habilidade/agilidade de adaptação, de renegociar as relações, é crucial. O workshop do Senselab no Culture Lab no ano passado fez todo o sentido. Mas eu não tenho ideia se ele poderia acontecer novamente. Às vezes, para sustentar a energia criativa, a pessoa precisa abandonar a infraestrutura que era vital anteriormente. Panta rei. Desculpas para truísmos. Parte da busca de orientação.
Cultura Digital Experimental? Parte 3 – Lista MetaReciclagem
quinta-feira, junho 17th, 2010Terminando de editar a conversa que começou com um post em microblogs perguntando sobre “cultura digital experimental” (e já resultou nesses dois posts aqui: 1 2), e depois migrou para a lista da rede MetaReciclagem. Abaixo os melhores momentos dessa conversa na lista:
Glerm Soares começou puxando um comentário do pessoal do Marginalia Lab às questões propostas no Labtolab, evento do qual eu também participei na semana passada:
Glerm Soares, citando Marginalia Lab: (…) gostaríamos de discutir mais tanto o financiamento quanto a infraestrutura dos laboratórios, especialmente no que se refere à diferença entre as realidades Europeia e Latino-americana [Glerm: e outras políticas continentais também que tal? De onde vêm os chips mesmo?]. Gostaríamos de discutir os prós e contras em ser financiado pelo setor privado, pelo governo, um híbrido dos dois ou completamente (se é que isso existe) independente. Também gostaríamos de discutir a adequação das políticas culturais em diferentes localidades para admitir este tipo de projeto. Por último, gostaríamos de nos aprofundar no debate sobre metodologia e no desafio do enredamento – entre laboratórios e usuários e participantes deles.
Felipe Fonseca: como respondes a essas questões? o que falta?
Glerm Soares: eu acho a parte mais problemática a discussão reciclagem x indústria local.
- O ponto onde o artesanal demanda toda a rede econômica de dependências pra uma tecnologia existir ali no prazo desejado.
- O ponto onde a reciclagem é só um maneirismo estético pra parecer mais bonito o mais difícil e sofrido, mas deixa de criar uma estratégia mais inteligente e até mais ecológica pra criar uma solução mais estável quando necessário e viável.
Felipe Fonseca: isso envolve a gente ter uma conversa em um espectro muito mais amplo do que costuma ser ver por aí. como tu sugeriu antes, “migração pra software livre” é só um pedacinho do que precisa ser feito. sustentabilidade (logística, de fornecimento, de materiais, de disponibilidade, de recursos financeiros) é ainda um horizonte distante.
acho que a reciclagem como maneirismo estético tem vantagens e desvantagens. o problema no que tu colocou é o “só“. só maneirismo estético. especificamente sobre computadores, a gente precisa trilhar um caminho que não é tão simples quanto parece – reutilizar máquinas antigas diminui o impacto imediato no meio ambiente, mas também tem um custo – equipamentos mais antigos têm menor eficiência energética, são frequentemente menos confiáveis, geram mais calor. o equilíbrio aí é uma busca eterna.
Glerm Soares: E claro as expectativas, ansiedades dos envolvidos e o ambiente necessário pra que um espaço desses consiga deixar fluir uma reflexão produtiva e todos os simulacros derivados. É preciso que uma cena independente exista sim, com perspectiva de inserção, mas crítica e autocrítica deste sistema econômico possível, para poder desafogá-lo e repensá-lo em loop. Um desejo de que isso exista independente dos labs… pra que possa haver uma experiência de raiz e de curiosidade anterior questionando legitimidades institucionais sempre…
Felipe Fonseca: acho que isso vai continuar existindo independentemente dos labs, inclusive em espaços/tempos como esse aqui onde a gente conversa agora. mas eu, particularmente nesse momento, tô buscando compor estratégias com os labs – não subordinadas a eles, mas aproveitando a chance de influenciar o jeito como as coisas são feitas.
(…) Eu estava vendo hoje a Ivana Bentes num debate na cparty levantando que se uma “estética processual” faz mesmo sentido (e a obra é o lixo do processo artístico), é necessário pensar em estratégias de financiamento do processo inteiro. financiamento de vidas, ela diz.
como se faz isso? e acho que não tem como repensar isso sem repensar o papel da ‘arte’.
Glerm Soares: Pra pegar essa coisa do termo “cultura digital experimental” que você colocou como questão no buzz está na essência sim da discussão esta consciência do papel da arte processual, da redefinição destas construções epifanizadas de sentido como um valor pra fora do resíduo documentação, documentário, objeto plástico, música, filme, algoritmo, patente.
Gostei de um comentário de alguém [Nota: Lucas Bambozzi] ali no seu twitter – ‘É preciso valorizar o erro‘.
Da minha experiência pessoal me vem imediatamente a problemática da quase centena de cacarecos que eu gero e tenho agonizando em minha gaveta inacabados pra dar na existência de um “Toscolão” ou da travada que eu dei no “Navalha” em crise de upgrade e tou paralisado pensando como chegar em uma pesquisa de inteligência artificial aplicada nele que possa ir além do academicismo ou essa e aquela linguagem de programação ou essa ou aquela estética.
Dezenas de projetos abortados, crises de consciência sobre dependência tecnológica sem solução e etc. E dá-lhe azucrinar vocês por aqui nestes momentos.
É preciso que o ambiente possa potencializar uma reflexão sobre esses erros, é preciso que o ambiente possa assimilar uma coisa que eu não vejo mais caminho e tenha como ter alguém próximo para apropriar-se e mutar a idéia reciclada e com um novo sentido discutido em grupo. Pra isso acredito que um modelo de residência, com bastante fluxos de pessoas curiosas e possibilidade para que as mais enagajadas consigam ser absorvidas e somadas é um caminho. Mas é preciso também um respiro pra fora dessa institucionalidade, que a meu ver seria conectando sempre mais redes externas, mantendo a chama acesa da autocrítica desse subsistema.”
Tati Prado: essa ideia do processo/estética processual na arte tá nos primórdios da construção dos conceitos de arte contemporânea. blz, o hélio oiticica já dizia isso e uma leva de artistas tb, naquela época, antes até, e hj. o que nunca ninguém conseguiu fazer, de fato, foi “abrir mão do lixo”.
Por quê? eu não sei ao certo, mas talvez o ser humano precise de alguma “materialidade” pra perceber que tá vivo.
pode ser que a contribuição da ivana pra olhar pra isso de novo, só q de outro jeito, venha desse ponto: ‘outros mecanismos de financiamento/financiamento de vidas’.
esse detalhe faz toda diferença porque está na gênese da arte a ideia de produto.
qdo os caras pintavam as paredes da caverna, não chamavam aquilo de arte. só muito tempo depois, atribuíram àquela prática esse conceito/ideia. [e aí eu nem tô falando de arte-produto no sentido mercantil apenas.]
e hj, qdo as práticas processuais “voltaram” pro foco da cena, não se sabe muito bem como lidar com isso. galera faz as coisas de forma integrada à vida cotidiana, tal como no tempo das cavernas. [sem juízo de valor sobre esta prática] daí entram as instituições pra tornar visível o produto: universidades, museus, galerias, grandes mostras e festivais, o público, etc. há um sistema que “complexifica” a vida cotidiana, confere status ao que é banal, tornando ou fazendo parecer genial uma coisa que todo mundo faz o tempo todo: criar e experimentar. (uma coisa q é supervalorizada no campo da arte e dá a impressão de “exclusividade”).
qdo a ivana usa a palavra “financiamento”, ela não nega o caráter de produto da arte. mas qdo ela diz “financiamento de vida”, talvez esteja tratando a arte e a cultura como se fossem a mesma coisa. linkando com a ideia da karla (pq essa conversa “redelabs” tá mais do q espalhada e difusa) pra mim, é como se a cultura fosse o espaço, e a arte, o lugar.
daí, a “proposta” da ivana de estender a ideia de produto pra todo o conjunto – financiar a vida – soa estranha. não se pensa a vida como produto porque ele precisa de um “contorno”… mas ninguém sabe como e qdo ela termina.
Felipe Fonseca:
mas eu não vi a fala da ivana como estendendo a ideia de produto para a arte não. acho que ela falou em “financiamento” principalmente porque as pessoas que buscam esse tipo de coisa precisam, em última instância, de recursos (espaço, equipamentos, deslocamento, casa, comida, roupa lavada e bandalarga
) – e infelizmente a maneira mais fácil de obter todos esses recursos é com dinheiro. a questão que ela levanta é: como pensar em novas maneiras de levar esse dinheiro às pessoas, a partir justamente dessa crítica ao “produto” da arte. a pergunta é: como viver de arte, e como apoiar projetos e ações ligadas a isso.”
Tati Prado: é o que eu tb gostaria de saber, mas o que a experiência me mostrou até agora é que, nessa lógica produtiva – de bens e serviços, com especializações e fragmentações – em que vivemos, o artista acaba sendo um “inútil necessário” à sociedade… e os profissionais da cultura são os “dedicados incompetentes” [competência no sentido literal: fazer o que lhe compete, fazer "mais" ou "menos" não importa. mesmo se vc vende teu carro pra pagar um espetáculo, vc continua sendo incompetente pq tá fazendo aquilo que não deveria e não é da tua responsabilidade, mas é necessário, porque o cenário não te permite trabalhar de outro jeito. daí vc insiste ad aeternum... é um devotado às pessoas, às relações humanas, e vai pro céu...]
Tati Prado: talvez a minha dúvida seja anterior: existe arte sem “mecenas”?. eu não me lembro de ter visto. o que eu vejo são “mecenas” com outros nomes e roupas, dependendo do momento histórico e do cenário (numa perspectiva pública: se antes era o rei, agora é o “estado democrático de direito”; numa perspectiva privada individual: o “paitrocínio” para os mais abastados ou a escolha de outra “profissão” para os menos – ficar tocando stairway to heaven na guitarra para sempre no fim de semana; numa perspectiva coletiva independente-brasileira: muita solidariedade, doação, empenho pessoal, trabalho voluntário, mobilização e apoio de aliadxs – família, amigos, redes e parcerias pontuais convenientes)
do ponto de vista “econômico-financeiro”, a arte é uma atividade deficitária, ou seja, não produz recursos materiais suficientes “endógenos”. tá sempre precisando de agentes externos para subsidiá-la e garantir sua existência. e aí, a arte e a ciência, que têm uma raiz comum de criação e experimentação, “pedem” um fork. a “ciência” (do ponto de vista clássico, originária da física) se conecta com a indústria de larga escala, que gera recursos financeiros, e elas se retroalimentam. do ponto de vista da arte essa conexão é falha ou inexistente. do ponto de vista da cultura, há uma encruzilhada: a indústria cultural “atropelando” e massacrando as possibilidades de oxigenação da própria cultura em vez de retroalimentá-la. não que a ciência/academia não tenha problemas (vide necessidades de pesquisa aplicada e muitas parcerias duvidosas entre universidades e indústrias), só que a cultura “percebeu” há muito pouco tempo que ela tem que se virar porque não é quadrada. e aí entra toda a discussão de “economia da cultura” – as tentativas de provar e tornar visível a capacidade da cultura gerar e movimentar recursos materiais e imateriais (muitas vezes ela não tá propondo alternativas, tá só se encaixando na lógica vigente sob uma ótica local/comunitária pra sobreviver). já a “ciência tecnológico-exata” [horrível esse termo, seria um tipo de “licença didática?”), me parece trabalhar muito mais sobre a premissa da “superação” de paradigmas (teorias são substituídas a todo momento; a carruagem é substituída pelo carro, depois vem o bonde; o raio x é menos preciso que a tomografia, que por sua vez fica “atrás” da ressonância magnética), enquanto a cultura pressupõe a coexistência de perspectivas muito distintas (sociedades indígenas não são melhores nem piores, mais ou menos evoluídas, que as “digitais”, são simplesmente diferentes e precisam conviver em diálogo)
Felipe Fonseca: um pedaço da reflexão aqui é que estruturar maneiras de apoiar essas coisas “experimentais” é sim em muitos sentidos jogar dinheiro em coisas que não vão dar certo. coisas que não vão ser “produtivas” na sociedade. coisas que vão ficar no piloto, e desaparecer. a hipótese, entretanto, é que algumas, poucas, dessas coisas, podem reverter em coisas boas pra sociedade. no fim das contas, eu não tenho nenhuma certeza de que a conta vai ser positiva – por exemplo, retornando em “valor à sociedade” a quantidade de recursos que investirmos em projetos experimentais. ainda assim, acho válido tentar.
eu posso estar bitolado positivamente pelos projetos que vi apresentados aqui no medialab ontem, parte do #interactivos. ali tem umas coisas que ficam exatamente nesse meio do caminho entre arte, ciência e, sei lá, ativismo. coisas que não cabem estritamente nos sistemas estabelecidos de nenhuma das áreas. e eu acho que esse tipo de – ó de novo – experimentação é necessária por um monte de motivos.
Tati Prado: (…) como a gente desenha uma política pública federal?
(…) e nessa conversa dos “sem nome labs”, pelo que percebi, há muitas coisas pra discutir.
(…) até onde eu imagino, podem ser/são/serão espaços de convergência, intersecção, conflitos salutares, convívio estimulante, “zonas de colaboração” e um bocado de outras coisas…
Glerm Soares: tentando ajudar um pouco mais no desenho estratégico da “contrapartida” a quem interessar possa:
O resultado pra quem investe é a construção desse cenário cultural de ciênciarte (ja sem saber a diferença) aplicada de maneira poética, apaixonada, inconsequentemente tão empolgada num processo de descoberta da estetização e revelação do cotidiano, sem esquecer de toda a política que a estética tem papel de mimetizar e criticar/sublimar papeis sociais e ansiedades subjetivas e dali vem o seu valor inestimável. Isso tudo justifica inclusive nosso frequente questionamento de tentar arrumar maneira polivalente e simultânea de acessar fomento à arte, ciência, tecnologia no esforço de fazer isso responder pela economia que o movimento todo destes vértices em colisão gera e envolve; também pela construção de um cenário intelectual e reflexivo que cria um ambiente melhor pra uma vida mais interessante além da sobrevivência básica.
Não é só música – é inteligência matemática aplicada e assimilada como linguagem acessível, orgânica, harmônica. Não é só imagem – é pesquisa pra uma maneira mais eficaz de comunicação em simulacros que ainda possam surpreender. Não é só dança – é corpo em descoberta de si. Não é só improviso – é reciclagem de materiais, talentos e ambientes. Não é só festa – e a transformação do cotidiano em um carnaval de idéias. Não é só sobrevivência – é convivência…
Tati Prado: sou contra a fome (física, simbólica e espiritual), não contra o fomento. trabalho nele, por ele e com ele.
(…) escolher ser “inútil necessária” e “dedicada incompetente” significa, entre outras coisas, transitar por diversos pontos de vista e papeis em diferentes momentos, por muitas vezes simultâneos. passar a noite com os editais (se é pra mim, pro namorido, prxs amigxs que dizem não saber escrever projetos ou pras “redes” não faz diferença nenhuma pra mim. são “ócios” do ofício.) e no outro dia ir falar com a funarte, a unesco, a votorantim ou seja lá onde precise ir pra entender, discutir e batalhar pelo fomento e algo mais, requer considerar um amplo espectro de pontos de vista. eles podem ser de diversos tipos: uma visão progressista, uma compreensão limitada da ciência, a ideia de que “arte é expressão do sentimento” e cultura tira criança da rua, que artista tem o direito de criar em paz em vez de ficar preenchendo formulário… blablabla… aiaiaisocorro… valei-me nossa senhora do balé moderno… oh meu fantástico mundo de bob…
Redelabs – Caminhos brasileiros para a Cultura Digital Experimental
terça-feira, junho 15th, 2010Em outro post, falei sobre dois modelos lembrados com frequência quando se fala em laboratórios de mídia. Para o nosso contexto aqui no Brasil, esses exemplos externos são importantes menos por suas características específicas – infra-estrutura, funcionamento, costura institucional ou metodologias – do que por sua adequação às características do contexto em que se inserem. Também levantei nesse texto anterior que uma certa sensação de liberdade pode ser o elemento que esses modelos diferentes têm em comum. Como a proposta do projeto redelabs é promover o diálogo entre essas iniciativas de todo o mundo com o que é interessante e possível fazer aqui no Brasil, quero começar a desdobrar um pouco das nossas particularidades, e pensar em como isso pode apontar caminhos futuros. Abaixo eu tento relacionar alguns fatos, eventos, estruturas e redes que têm alguma relação com isso. Estou certamente bastante limitado à minha própria experiência, e adoraria receber comentários e sugestões sobre o que mais for relevante.
Tecnologias enredadas no Brasil
Nos anos recentes, as tecnologias de informação e comunicação se desenvolveram em um ritmo bastante acelerado, disseminando-se por praticamente todas as áreas do conhecimento. Os brasileiros viramos recordistas no tempo mensal de uso de internet, especialmente com o uso em massa de redes sociais – uma tendência que seria vista em todo mundo alguns anos depois do que por aqui. As tecnologias em rede fazem cada vez mais parte do imaginário – mais um motivo para experimentação, crítica e reflexão. Grande parte dos programas de inclusão digital do terceiro setor e do setor público também já entenderam que sua missão não pode estar limitada a oferecer acesso e atuam na dinamização de projetos, formação de público e desenvolvimento do potencial de jovens criadores.
Em particular, cresceram de maneira significativa as ações no cruzamento entre arte, ciência, tecnologia e sociedade. Uma quantidade cada vez maior de espaços, eventos, redes e programas dedicam esforços a promover reflexão, produção e a articulação na área – costurando atuação entre as instituições culturais e artísticas, a academia, os coletivos independentes, o governo e a indústria. Artistas, produtores, estudantes e curiosos têm cada vez mais oportunidades para se conhecer e aprender uns com os outros. Não só brasileiros – frequentemente, os eventos realizados aqui contam com a presença de nomes importantes do mundo todo, enquanto eventos de todo o mundo também convidam representantes brasileiros. Instituições de naturezas diversas têm fomentado a criação e exibição de projetos críticos e engajados, reconhecendo a relevância dessa produção. O mesmo em eventos como o FILE, o Emoção Art.Ficial, o Arte.Mov, a Submidialogia e tantos outros. No Brasil ainda não existe uma visão clara de circuito, mas grande parte dessas iniciativas operam em parcerias informadas. Estratégias conjuntas já parecem estar no horizonte, é só questão de criar os mecanismos adequados.
Uma particularidade: “mídia” e “laboratório”
Eu demorei para prestar atenção nisso, mas é emblemático que aqui no Brasil a gente fale em “a mídia” como uma palavra no singular. Talvez isso seja um eco dos tempos em que praticamente o único meio de comunicação relevante era aquela grande emissora de televisão. Talvez tenha a ver com a tendência que os meios de comunicação de massa têm ao uníssono, ao alinhamento e à falta de diversidade. De qualquer forma, às vezes me dá a impressão de que usar o termo “mídia” para identificar esse tipo de experimentação convergente para a qual queremos propor caminhos acaba por limitar bastante sua compreensão: muitas pessoas pensam que se trata de “fazer vídeos”, ou então de “fazer meios de comunicação alternativos” – o que é necessário, mas não é o foco aqui. Um assunto sobre o qual todo mundo acha que precisa tomar uma posição clara a favor ou contra acaba tendo pouco espaço para aquele tipo de liberdade sobre o qual eu falava antes. Por isso a tentativa de desviar um pouco do foco na mídia e concentrar mais nas possibilidades de intercâmbio entre espaços de articulação, ou laboratórios.
Semana passada no Labtolab, Gabriel Menotti me falou que achava a ideia de laboratório tão ou mais complicada que a de mídia. Concordo que alguns dos significados geralmente atribuídos a laboratórios são realmente difíceis (falei sobre eles no outro post – exclusão, ênfase em infra-estrutura, desconexão com a realidade lá fora). Mas ainda assim, muitas interpretações são possíveis. Tentando equacionar uma construção que vá além da ideia disseminada de laboratórios de mídia, prefiro manter o termo que permite uma maior flexibilidade de interpretação.
Raqueando estruturas
Talvez porque até há pouco tempo não existia quase nenhuma possibilidade formal de financiamento de projetos experimentais, as pessoas interessadas na área aprenderam a ocupar todo espaço possível, mesmo em projetos com outras naturezas. Um exemplo emblemático é o papel que o SESC de São Paulo exerce há alguns anos – como um dos únicos espaços que abrigavam um tipo de experimentação que se posicionava entre o ativismo midiático e a educação. Muita gente começou ou desenvolveu a carreira oferecendo oficinas no SESC. Um caso próximo (entre dezenas ou centenas desenvolvidos por conhecidos): entre janeiro e fevereiro de 2007, eu organizei com Ricardo Palmieri o LaMiMe – Laboratório de Mídias da MetaReciclagem. Foi uma ocupação temporária da sala de internet do SESC Avenida Paulista, que ofereceu oficinas sobre eletrônica básica e hardware livre (arduinos, etc.), software livre (pd, cinelerra, ardour, etc.) e outras. Foi uma oportunidade excelente para troca de conhecimento e para conhecer gente nova. Mas o formato de oficina condiciona as trocas para um lado mais instrumental e pontual, e coíbe um pouco o ritmo mais caótico e despretensioso da descoberta. Por mais que se beneficiem mutuamente, a educação e a experimentação têm objetivos e naturezas distintas, e é necessário que aconteçam com respeito a essas diferenças.
O mesmo pode ser visto no contexto dos Pontos de Cultura: pessoas interessadas em desenvolver projetos experimentais mas que por força dos formatos possíveis acabaram se submetendo à lógica educacional. Repito: oficinas são fundamentais. Mas não são tudo.
Propondo novos caminhos
Em vez de ficar sempre tentando encontrar brechas nos formatos possíveis, precisamos pensar em quais são os formatos que podem dar conta de equilibrar a diversidade de necessidades pessoais, artísticas, institucionais e sociais.
Outro post aqui nesse blog debateu a questão da experimentação e da incorporação do erro dentro do processo. Em um desdobramento daquela conversa na rede MetaReciclagem, eu citei uma imagem que Ivana Bentes trouxe para o debate Arte Open Source (com Giselle Beiguelman e André Mintz, na última Campus Party): “a obra é o lixo do processo artístico”. O fato de grande parte dos mecanismos de apoio à arte ainda se basearem na ideia de obra pode ser uma das causas pelas quais existe mais competição do que colaboração. Como fazer para trazer essa dimensão do processo para dentro do ciclo? Hoje em dia, um espaço que tem recebido reconhecimento pela inovação e relevância é o Eyebeam, em Nova Iorque. Um dos formatos com os quais eles trabalham são as fellowships, bolsas concedidas para artistas destacados, não necessariamente ligadas a um projeto específico. Será que isso é um caminho interessante? Certamente, nos últimos anos têm aparecido oportunidades similares aqui no Brasil. Só para citar algumas: as bolsas da Funarte, que desde o ano passado reconhecem a cultura digital como uma área de investigação e produção, ou o programa Rumos do Itaú Cultural. Também o Prêmio Sergio Motta, o novo File Prix Lux e alguns recentes prêmios do Ministério da Cultura propõem questões próximas. O Minc ainda criou no ano passado o projeto XPTA.Labs, que se posiciona de maneira bastante incisiva na questão experimental, e justamente nessas semanas deve estar saindo o resultado do edital de Esporos de Cultura Digital, que também se propõe a apoiar espaços de articulação e produção.
Um pouco do meu pé atrás em propor uma política centrada em laboratórios parte do princípio de que a falta de infra-estrutura – equipamentos e acessibilidade – não é mais o maior obstáculo à produção. O coordenador de um laboratório de mídia europeu há pouco comentou comigo que está encarando um problema grave: o espaço e a infraestrutura de sua organização vão triplicar nos próximos anos, mas o orçamento para atividades deve diminuir em 30%. Ele questiona hoje em dia a retórica de infraestrutura que usou para conquistar apoio institucional em seu contexto. O que acho que faz mais falta aqui no Brasil é a falta de mecanismos adequados para a troca, exibição, formação de público e – é claro – sobrevivência. Estamos em um momento em que temos abertura para propor esses mecanismos.
Daí vêm algumas perguntas que tenho repetido nas últimas semanas para algumas pessoas, e que quero fazer também a qualquer pessoa interessada no assunto:
- Faz sentido pensar em um projeto que tenha por foco apoiar e desenvolver ações de cultura digital experimental? No que ele deveria consistir?
- Como ir além do modelo de laboratório de mídia? Acesso à internet, equipamentos para produção e espaços de encontro estarão cada vez mais disponíveis. Se é possível fazer cultura digital experimental em uma livraria que ofereça internet wi-fi, no próprio quarto ou na garagem de casa, o que um espaço que se dedica a isso precisa ter para atrair as pessoas e fomentar a troca e a produção colaborativa?
- É possível construir uma conversa realmente colaborativa entre laboratórios? Pensar em um cenário em que as diferentes instituições e grupos envolvidos se proponham a, mais do que demandar recursos, também oferecer partes de sua estrutura, conhecimento aplicado e oportunidades de apoio para uma rede aberta de laboratórios de cultura digital experimental. Mais do que residências, promover itinerâncias e nomadismo comunicante pode ser uma boa.
- Qual a necessidade que temos hoje em dia de infra-estrutura? O Minc está caminhando no sentido de interligar seus espaços com fibra ótica – o que cria uma possibilidade de uso de banda larguíssima para experimentação e projetos. O que é possível propor em uma estrutura interconectada dessas?
Ideias, correções ou sugestões? Aguardo demonstrações de interesse e comentários abaixo.
Laboratórios de Mídia – referências
domingo, junho 13th, 2010A ideia de laboratório de mídia é uma construção diversa e bastante genérica – e justamente por isso, com significados distintos. Muitos modelos diferentes usam esse nome: de grandes estruturas que se propõem a dar forma ao futuro da humanidade, até iniciativas de pequenos grupos que, em sentido complementar, promovem a apropriação crítica das tecnologias, buscando humanizar o desenvolvimento e uso destas. Além de dezenas de outros formatos que se inserem no contexto da educação, do uso comercial de novas mídias, da busca artística formal, etc. Este post pretende explorar dois modelos emblemáticos e relacionados: o Medialab do MIT e alguns laboratórios de mídia europeus.
O Medialab do MIT é uma das maiores referências de um modelo que propõe grandes estruturas, ligadas à indústria de tecnologia e à academia. Ele cumpre um papel bastante complexo, e por vezes contraditório. Por um lado agrega pessoas criativas de todo o mundo, que trazem toda sua bagagem de vivências e referências para um ambiente multicultural e inovador, onde têm acesso a uma estrutura técnica e de conhecimento sem comparação. Por outro lado, o Medialab se insere em um contexto bastante delicado: provê patentes e inovações em um contexto econômico e político que se baseia na transformação do cotidiano em comércio. Mesmo que muitos dos projetos desenvolvidos no Medialab estejam baseados no estímulo à participação e à inclusão social, muitas vezes sua estrutura acaba legitimando um estilo de vida (um futuro imaginário) baseado no consumismo, na comoditização da criatividade e na manutenção de desigualdades em nível internacional a partir de um regime de propriedade intelectual apoiado pelo estado. Para não falar na tendência a um papel professoral que fica no limite entre a arrogância e o messianismo. O Medialab criou duas subsidiárias internacionais – na Irlanda e na Índia – que fecharam as portas depois de poucos anos de atuação.
Já alguns laboratórios de mídia europeus foram formados com outras bases – relacionados à arte em novas mídias, e/ou dialogando com o ativismo midiático ligado à cena squatter dos anos noventas, com os movimentos altermundista, do copyleft e do software livre e com uma matriz de atuação hacker/DIY. Seguem também uma certa linhagem da contracultura europeia que tem suas raízes em 1968 e em tudo que veio depois daquilo. Ao longo dos últimos quinze anos, esses laboratórios conseguiram aproveitar o interesse institucional advindo da disseminação das tecnologias de informação e comunicação para viabilizar estruturas e eventos que trouxeram resultados positivos para o mundo inteiro. O contraditório desse modelo está em uma certa crise de identidade que assume quando a retórica política das indústrias criativas tenta cooptar suas práticas para transformar toda essa potência em meras oportunidades de espetáculo e exploração comercial, trocando a reflexão e o aprofundamento por um vício superficial na novidade tecnológica. Esses laboratórios lutam para encontrar o equilíbrio entre a dependência de recursos do estado/empresas e o quanto precisam ceder em troca.
Existem muitas diferenças entre esses dois modelos, mas é importante buscar aquilo em que elas convergem. Apesar das diferenças institucionais, é possível ver uma condição em comum entre as pessoas que atuam nesses dois contextos: uma certa liberdade, que tem pelo menos dois diferentes aspectos. O primeiro é a liberdade de definição de temas de atuação. Sem dúvida é uma liberdade relativa e definida a posteriori, totalmente condicionada pela orientação temática de quem recruta e mantém essas pessoas. Mas ainda assim, fica a impressão de que elas ganham espaço por conta da paixão que nutrem por uma ideia, um insight ou um assunto, em vez de precisar se submeter a uma orientação prévia das instituições. Isso é o contrário do que elas encontrariam em um ambiente formal de trabalho ou usualmente no ensino tradicional. Certamente, essa liberdade não está somente nos laboratórios de mídia. Ela está presente por vezes no fomento à inovação na universidade ou em alguns mecanismos e instituições artísticas. Mas é um elemento que se pode identificar nessas estruturas tão diferentes entre si.
O segundo aspecto presente é a liberdade de experimentar. Em um sentido talvez bastante específico: os projetos que desenvolvem não requerem resultados objetivamente mensuráveis de imediato. Outra vez, ao contrário do mundo do trabalho, que avalia a todo momento a produtividade de qualquer ato e promove uma especialização que isola áreas de conhecimento. Como surgiu no nosso debate online da semana passada, esse aspecto experimental naturaliza (ou deveria naturalizar) o erro como elemento fundamental da criação.
Bem articuladas, essas liberdades propiciam um espaço de oxigenação e renovação, e talvez esses laboratórios emerjam como mediadores situados do conflito entre criação e consumo. Olhando sob um ponto de vista amplo, esse é um papel fundamental, que pode dar alguma pista sobre como podemos atestar a relevância da área. Exatamente nesse nicho que estamos observando, essa relevância não tem quase nada a ver com o impacto econômico direto da produção cultural, mas de seu papel simbólico. Seu papel de influência no imaginário social, de politização (em sentido amplo) daquilo que de outra forma é visto como mera ferramenta.
Esses projetos são quase sempre multidisciplinares e participativos. Existem dezenas, talvez centenas de instituições, projetos, redes mais ou menos organizadas e coletivos que se situam nesse cruzamento de áreas. Entretanto, elas próprias têm questionado a definição de laboratório de mídia. É uma longa discussão, e o que vai abaixo é só um resumo.
A ideia de laboratório implica certamente conotações positivas, como o aspecto experimental, a criação de conhecimento e ser um espaço de troca, aprendizado e teste de hipóteses. Mas também incorpora algumas limitações: sugere uma ênfase no acesso a infra-estrutura e equipamentos de alto custo, o que é cada vez menos o caso; traz uma sensação de exclusividade, de que só pessoas com alguma certificação podem ter acesso; e uma certa apreensão de que se trate de um ambiente não comprometido com a aplicação prática ou com a relevância de suas ações “no mundo real” – o eterno projeto piloto, que nunca sai da elucubração. Existem, obviamente, muitas outras interpretações possíveis para o termo, mas essas são as que emergem nas conversas com as pessoas envolvidas.
Já o tema mídia pode levar ao condicionamento à atuação com tecnologias de informação e comunicação, e com frequência esse é um dos aspectos menos importantes dos projetos desenvolvidos. Alguns deles só fazem um uso instrumental das tecnologias, e concentram-se muito mais em aspectos conceituais, estéticos, sociais, de gestão e outros. Em consequência, se cria uma situação na qual para inserir-se nos mecanismos de viabilização estrutural e financeira, alguns projetos precisam propor a utilização pro-forma de qualquer tipo de mídia, o que os desvia de seus objetivos reais.
De qualquer forma, o nome laboratório de mídia é mantido por falta de alternativa. Alguns se posicionam como laboratórios experimentais, outros explicitam que não necessitam de uma estrutura física própria posicionando-se como coletivos ou agências. Há ainda os deixam de questionar, e logo se veem com problemas internos de relacionamento porque as pessoas estão dedicando tempo demais a fazer coisas nas quais não têm nenhum interesse porque se deixaram condicionar pela estrutura institucional.
O que emerge das conversas com pessoas interessadas na área é um foco em experimentação, no cruzamento entre arte, ciência, cultura, tecnologia, educação e design, e em diálogo com a sociedade. Reconhecer que essa experimentação vai muito além do que geralmente se associa às ideias de laboratório e mídia é um começo, mas ainda precisamos conversar muito mais sobre que estratégias podem ser delineadas entre os diferentes atores, as diferentes forças e os múltiplos contextos que os circundam, em particular aqui no Brasil. Um bom caminho pode ser deixar temporariamente de lado toda a estrutura e as atividades dessas referências internacionais, e concentrar mais no que elas compartilham na essência: liberdade, experimentação, e temática multi-disciplinar. A partir daí a gente constroi a nossa resposta específica. Ou pelo menos tenta
Cultura Digital Experimental? Parte 2 – Google Buzz
terça-feira, junho 8th, 2010Ainda editando os comentários a partir da provocação do termo “cultura digital experimental”. Ontem postei aqui as conversas que isso gerou no twitter. Hoje trago um pedaço editado da longa conversa que rolou no google buzz. Eu parei a conversa lá por enquanto, porque ela já levantou alguns pontos que merecem atenção específica, e também porque o papo está continuando na lista da MetaReciclagem (e eu vou postar aqui nos próximos dias)
Felipe Fonseca – como soa pra vocês falar em “cultura digital experimental”?
fabianne balvedi – experimentar é o que fazemos desde que existem estúdios livres. nada de novo.
Felipe Fonseca – não tô querendo propor nada de “novo”. é uma conversa que tô começando, sobre propor estratégias para labs/ações/intercâmbios. ainda tentando encontrar o eixo em torno do qual a conversa vai rolar. perguntava se “experimental” é um foco válido. é?
Renato Fabbri – eu até gosto. mesmo não sendo novidade e sendo estilo fruta. é tipo um conceito guarda-chuva que abriga várias coisas inclusive o que fazemos com os estúdios livres e outras atividades +.
marcelo estraviz – isso de “digital” é muito old fashion…
glerm soares – Contraculturadigital
Gesamkunstwerk
Uverdrängung
“O conceito de cultura é profundamente reacionário. É uma maneira de separar atividades semióticas (atividades de orientação no mundo social e cósmico) em esferas, às quais os homens são remetidos. Isoladas, tais atividades são padronizadas, instituídas potencial ou realmente e capitalizadas para o modo de semiotização dominante – ou seja, elas são cortadas de suas realidades políticas. ”
(Cartografias do desejo, Félix Guattari ,1982 – http://organismo.art.br/blog/?p=2638)
você quer dizer Esporos, você quer dizer ALÉM DA POLÍTICA CULTURALDIGITAL WEBCÊNTRICA.
fabianne balvedi – separações em si só não são ruins. pensando numa analogia boba: pedaços de alface separados por mãos que os torcem mantém suas propriedades porque se rompem a partir de sua estrutura natural. Porém se cortados pela navalha de uma faca, perdem muito de seu potencial nutritivo, pois suas estruturas se rompem de maneira abrupta e artificial.
fabianne balvedi – porém, qualquer separação tende a fazer o prazo de validade diminuir, umas mais, outras menos…
glerm soares – Especificamente se eu entendo de onde essa demanda vem e onde você quer chegar -> Isso me lembra o esforço seu e do dpadua e outros Para-Raios em gerar a tempestade Nuvem -> Geada -> Precipitação ——> inviabilizada pela paranoia corporativa cobrando “produtos culturais de política pública webcêntrica” -> isto é -> web gera exposição imediata -> necessidade de se explicar antes mesmo de “experimentar” = aborto onde a criança ainda ofega e se debate até hoje…
Felipe Fonseca – glerm: o lugar de onde tô partindo tem sim a ver com aquele momento para-raio com o dpadua, mas acho que a intenção é outra. não precisamos entregar produtos webcêntricos ou qualquer coisa assim. #redelabs vem de outra perspectiva: existe gente fazendo coisas, e o mundo institucional que quer ajudar isso não sabe como. parafraseando nós mesmxs agora há pouco: existe tradução possível? bora des-precarizar?
glerm soares – Vamos falar de software livre audiovisual que não tem uma linha de código da comunidade daqui, que só quer usar, usar e ficar comparando ingenuamente com software corporativo… porém a política publica só quer propagandear em cima de “cultura livre” fazendo mais e mais “webportais“*? (*que estão ficando bons finalmente – porém ninguem vai sair do facebook, myspace e do youtube por causa disso – aceitem)
Quais políticas públicas pras pessoas realmente abrirem a caixa preta computacional? 90% dos guris que se dizem “tech” ou “hacker” por aqui só entende de web e servidores web. Vamos aos fatos.
Apresentem vossas plataformas de governo ou de vossos candidatos ao Ministério da Cultura Digital! O Povo quer saber!
Arte Digital? Ouvi falar que vai virar “Classe”! Cade a “classe” tecnologicamente livre pra compartilhar código computacional “poético”?
glerm soares – [*aliás antes que mudem de assunto e comentem sobre meu comentário sarcástico sobre o youtube vs "nossoportal"- eu penso que o certo seria as pessoas publicarem suas coisas no próprio computador e este ser o próprio nó na internet - e que tivessemos banda larga pra isso - mas esse não é assunto principal, pois é o mais discutido desde sempre, porém - sem experimentação com computação ninguém vai entender o que é a internet - então o ovo vem antes da galinha sim (pois ela mutou de outra ave).]
Felipe Fonseca – glerm: concordo com o webcentrismo e servidorzismo, principalmente se tu tá falando de uns 4 anos atrás. hoje eu tenho visto mais gente entrando em experimentação mais profunda – tipo a galera que tu agrega com devolts etc. ou é só impressão porque antes eu não via ninguém? mas de novo pergunto: existe alguma coisa que se possa fazer em nível institucional pra tentar melhorar isso tudo? ou só depende de mais gente deixar de lado o lance de hype web e mídia social? eu não programo, tenho pouca paciência pra matemática e a última vez que pensei em ser engenheiro foi aos 16 anos. mas eu, pessoalmente, gostaria de abrir espaço pra mais gente que tá ali naquele meio do caminho poder encontrar maneiras de produzir sua experimentação. pra isso tô propondo uma conversa com a institucionalidade, um tipo de conversa que eu tenho tentado aprender porque é viabilizadora. vale a pena?
glerm soares – ok. pra voltar na pergunta do ff:
#redelabs = “cultura digital experimental”?
E minha pergunta:
Como garantir um ambiente de real experimentação? Arte? Filosofia? Ideologia?
Residência Permanente?
Cozinha, Cama, Mesa, Banho, Banda larga, Ferros de Solda?
Felipe Fonseca – glerm: “Como garantir um ambiente de real experimentação?” é um pedaço da pergunta que eu tô querendo fazer. (mas antes: “experimentação” é mesmo uma base interessante?). eu, que experimento com coisas muito mais rasas do que tu, gostaria sim de ter casa, comida, roupa lavada, internet, telefone, ferro de solda, verba pra equipamentos & livros & viagens. mas até aí eu disse nada. dinheiro compra tudo isso. depois, quê mais? estruturas são necessárias? espaços, eventos & estratégias? prédios vazios pra malucxs ocuparem? com o quê? internet gigabit? wi-fi livre? bancadas, sofás & máquinas de café? impressoras 3D? canal direto com uma sweatshop chinesa com funcionários semiescravos?
se a gente tem a chance de pedir o que quer, vamos pedir o quê?
Sília Moan Moan – além: se pensarmos como reconhecimento, como incentivo, acho legal. Mas como inovação é nada. O ambiente é a estrutura e as pessoas. Cê quer? Então faz. Mas quando aparece institucionalizado… qualéqueé!?!!
Felipe Fonseca – silia: a intenção não é ser “inovação”. é construir pontes e viabilizar.
Gera Rocha – Me parece tentar retomar algo que já deveria ser e que não é mais.
(Cultura Digital hoje é o que, afinal de contas? Uma instituição?
Além disso, é muito sobrenome/adjetivo.
E, o “como garantir” é extremamente importante de ser perguntado, desde que não caia no “quem vai garantir?”.
Estamos na moda, é foda, mas estamos na moda. kkkkk)
glerm soares – Essa pergunta é ótima:
Quem vai garantir?
É TUDO que eu preciso saber. Do resto eu pago uma cerva pra continuarmos discutindo COMO GARANTIR!
glerm soares – A questão aqui era só uma escolha de termos? Ou abrimos a caixa de conceitos rumo a uma definição de metas?
Insisto – a institucionalização permeia e é óbvio seu debater de tentáculos, porém as prioridades individuais mesmo – essas confusas subjetividades condutoras – ainda tateiam na definição de termos.
Sim, por aqui basta mexer numas gavetas, acreditar em simulacros possíveis, mas me interessa a profundidade de uma convergência de termos comuns…
…pra saber até onde conseguimos cavar este buraco aqui.
Felipe Fonseca – glerm: “A questão aqui era só uma escolha de termos?” não mesmo. é mais uma busca de eixo. totalmente aberto a sugestões ou alternativas melhores. tô me colocando como mediador de uma conversa que acho que é necessária. antes de me jogar, também quero saber se vale a pena.
Sília Moan Moan – Quem é o cultura digital hoje? Que raioOOO de termo é esse? Abrange tudo isso que eu, você estamos inseridos, ou é só mais um “grupinho” que fica comparando adobe premier x KDEnlive?????? Para mim, essas repostas são passos largos…
Felipe Fonseca – silia: “o cultura digital hoje” é mais ou menos isso aqui: http://culturadigital.br . mas a minha investigação e minha posição não são só lá dentro: tô ali na fronteira (que é meu lugar de conforto) tentando abrir permeabilidades, porque vejo de um lado uma realidade institucional com cada vez mais recursos e do outro um bando de gente criativa, relevante e dedicada pra caramba que continua na precariedade porque não quer se submeter a estranhos atalhos que a tiram das próprias rotas.
glerm soares – ff? Sr. Buzz, tá acompanhando tb? Uma só solução convergente.
(infinitas retas que se encontram num ponto)….
#nome_da_coisa = coisa_em_si?
Minha pergunta “engraçadinha”: Onde, Como, quando?
Gera Rocha – A princípio a rede não deveria permitir que o onde e o quando se tornassem mais quânticos, por assim dizer? Mais múltiplos. Onde, deveria ser em todos os lugares, ou em cada lugar que ocupamos, e que realmente está disponível pra quem quiser saber. O quando também, se desfez consideravelmente e deve ser todo o tempo. Fazemos porque vivemos assim, não porque alguém nos pediu. O como é o complicado mesmo. A realidade múltipla, ou não, se impõe. Sinto falta de ser mais “anti”, mesmo. Acho que de repente tudo é muito “plus” e que isso tá meio farsa….
Felipe Fonseca – gera: a rede possiblita a multiplicidade de ondes, quandos e quens. mas pra chegar a algum lugar, a gente precisa convergir… escolher um quem (que pode ser aberto) / onde (que pode ser aqui mesmo, ou ali no irc, ou numa lista) / quando (que pode ser como essa conversa, que começou no sábado e se esparrama pra segunda). mas de qualquer forma, duas respostas pro glerm: aqui/agora/entre a gente; e daqui a poucos meses num encontro presencial em sampa. bora?
marcelo estraviz – apesar do trocadalho do carilho, eu ainda aposto que esse lance de digital é mesmo uma farsa e que cria um mundinho descolado de webqualquercoisaqualquernota.
o onde é todo lugar mesmo, sem precisar dizer que é um papo webverso ou net-tudo.
o como também pouco importa.
o quando é sempre.
Felipe Fonseca – estraviz: “digital” é uma farsa em muitos sentidos. mas nos últimos anos virou uma categoria “institucional”. nesse sentido, falar em digital é agir taticamente e posicionar-se dentro de um contexto específico com o objetivo de influenciá-lo, espero que para melhor.
glerm soares – O que eu vejo pegando nessa viagem de “Experimental”, como você já apontou na lista metarec – está na essência sim da discussão do papel da arte processual, da redefinição destas construções epifanizadas de sentido como uma valor pra fora do resíduo documentação, documentário, objeto plástico, música, filme, algoritmo, patente.
Gostei de um comentário de alguém ali no seu twitter – “É preciso valorizar o erro“.
Da minha experiência pessoal me vem imediatamente a problemática da quase centena de cacarecos que eu gero e tenho em minha gaveta inacabados pra dar na existência de um “Toscolão” ou da travada que eu dei no “Navalha” e tou paralisado pensando como chegar em uma pesquisa de inteligência artificial aplicada nele que possa ir além do academicismo.
Dezenas de projetos abortados, crises de consciência sobre dependencia tecnológica sem solução e etc.
É preciso que o ambiente possa potencializar uma reflexão sobre esses erros, é preciso que o ambiente possa assimilar uma coisa que eu não vejo mais caminho e tenha como ter alguem próximo para apropriar-se e mutar a idéia reciclada e com um novo sentido discutido em grupo. Pra isso acredito que um modelo de residência, com bastante fluxos de pessoas curiosas e possibilidade para que as mais enagajadas consigam ser absorvidas e somadas é um caminho. Mas é preciso também um respiro pra fora dessa institucionalidade, que a meu ver seria conectando sempre mais redes externas, mantendo a chama acesa da autocrítica desse subsistema.
Luiz Algarra – Não sei não, FF. Cultura me parece um entrelaçamento de condutas, sentires e fazeres humanos em um cotidiano de convivência. Se for assim toda cultura já é uma dinâmica existente, um fluxo que especifica e é especificado pelos seres humanos vivos imersos neste processo. Não sei como falar em cultura experimental. Quem vive imerso numa cultura não a percebe feito um peixe nágua, apenas vive. Agora, quando percebemos nossa cultura já estamos em outra cultura, numa posição reflexiva que nos diferencia daqueles que apenas vivem naquela cultura de modo transparente. Como poderíamos experimentar uma cultura? Talvez apenas convivendo com outras pessoas num fluxo cultural distinto do atual. Conviver digitalmente, por exemplo. Talvez por aí algo se sustente, mas depende muito do contexto de onde você quer falar Cultura Digital Experimental, e de onde você pretende que as pessoas te ouçam, certo? Na academia, no ativismo, nas políticas governamentais, na própria rede em suas possibilidades?
Felipe Fonseca – algarra:- esclarecendo dois pontos específicos:
- o contexto onde estou querendo trabalhar a questão é em “políticas governamentais“. resumindo ao máximo: o Ministério da Cultura (daí “cultura” tomada em um sentido limitado, quase específico) percebeu uma demanda por apoio a “laboratórios de mídia“. começamos uma conversa sobre isso e abriu-se espaço para uma leitura alternativa no sentido de construir uma proposta coletiva (em vez de simplesmente dizer “vamos construir coisas dessas aí”). daí que não estou, nesse momento, questionando todos os significados possíveis de “cultura” – estou falando da atividade das pessoas que aplicam sua percepção, criatividade, expressão e vivência em coisas ou ações (“obras”, “peças”, “instalações”) que fazem sentido para outras pessoas. os nomes “arte digital”, “arte eletrônica”, “arte em novas mídias” são bastante excludentes. os nomes “cultura digital” e afins são muito genéricos. prefiro os genéricos, mesmo que cheguem a significar nada – porque dão mais liberdade de ação.
- experimental, como estou propondo aqui é em oposição a “já testado” ou “estabelecido”. daí parto de uma percepção minha: que existe gente fazendo múltiplos usos alternativos das tecnologias da informação – não necessariamente para “produzir” “riqueza” ou para “ganhar dinheiro”; e que esses usos alternativos são necessários para a sociedade como um todo. decidi chamá-los “experimentais” justamente para embutir esse aspecto que o bambozzi comentou no twitter – da aceitação do erro, do desvio, do teste como essenciais.
Luiz Algarra – Agora estou mais localizado no fluxo. Bem não sei se estás procurando um conceito, um label pro projeto ou as duas coisas em uma mas vamos lá. Vou falar do Experimental, a mim parece algo que vai ser testado, validado para poder rodar, algo como um projeto piloto. Entendo que você esteja colocando o foco em algo que se inventa e reinventa a cada momento, um experimentar como princípio fundante, um viver em beta, mas não sei o termo experimental passa isso pensando do ponto de vista das políticas públicas.
Eu usaria Cultura Cibernética, apenas isso. Não como uma transliteração de Cyber Culture mas a partir do conceito de retroalimentação presente na cibernética. Estamos falando de dinâmicas culturais (interações entre humanos) que se modelam em um fluxo entrelaçado. Nesta nova cultura digital as interações não são determinísticas numa relação de causa-efeito. Os encontros humanos são expressões individuais modeladas pelo meio que surge através das expressões individuais. Retroalimentando-se, ciberneticamente.
Sei que o termo foi meio gasto pelo mau uso mas cientificamente é o que mais se aproxima de uma descrição sobre um processo de auto-organização de grupo onde cada indivíduo é parte e todo ao mesmo tempo.
Felipe Fonseca – sim, eu entendo a referência à cibernética. pensando no tipo de experiência e de vivência com as tecnologias que a gente gosta de ter, acho que faz sentido pensar em um aspecto cibernético sim. mas aí pergunto: extrapolando, será que não é um referencial que se pode aplicar, além das tecnologias, a toda à cultura? e aí, talvez no âmbito dos objetivos dessa conversa aqui, mudar de rumo nesse ponto, depois de uns sete anos de insistência no “digital” pode ser desviar das coisas que precisam de mais atenção. nos espaços que eu imagino que possamos abrir, a gente vai poder chamar de “digital”, de “cibernética”, de “online”, de “livre” ou o que for. não precisamos ter um nome definitivo.
quero lembrar aqui que no auge da cultura digital nos pontos de cultura eu fui um dos primeiros a criticar a justaposição de “cultura” e “digital”. meu argumento na época é que em algum ponto toda a produção cultural (como entendida no mundo institucional) vai ter algum contato, mesmo que mínimo, com tecnologias digitais. nem que seja no orkut usado pra mobilizar participantes para a festa de são joão. e que justamente por isso, a gente tinha que trabalhar com o horizonte de que algum dia “cultura digital” vai poder se aplicar a quase todo projeto apoiado pelo ministério da cultura. na época eu defendia que “cultura livre” era mais próximo do que a gente queria propor. hoje já não tenho essa certeza, mas sei que o “digital” foi assimilado pelas estruturas decisórias, e isso é inelutável. como o gera percebeu aí, tô querendo usar isso estrategicamente. o que me leva a crer que temos motivos não-conceituais para usar “digital”.
a pergunta, lá no início, surgiu da minha dúvida de que só cultura digital consiga dar uma noção sobre todas essas iniciativas que não têm nome. mas já tô me repetindo.
Gera Rocha – Do ponto de vista que você colocou agora, FF, acho importante manter a marca “Cultura Digital”. Acho que agregar o “Experimental” passa a mensagem de ser tanto um espaço onde o erro é possível, mas principalmente do “experimental” no sentido científico ou do cientista, que é aquele que experimenta para poder criar, que está colocando em prática a técnica somada à criatividade. Dessa forma, o termo Cultura Digital Experimental demonstra um tipo compreensível à politica pública da qual você está falando.
Sem dúvida, existe uma galera que está fazendo isso de forma muito do caralho. E acho que o Devolts, a iniciativa dele e a galera que está nele é um exemplo muito bom disso (o CDTL também, mas de um outro jeito, e a própria metarec).
Se há a possibilidade de viabilizar iniciativas como essa, mantendo a liberdade de “experimentação” concordo com você que se deve tentar, sim, e muito provavelmente conseguir fazer isso acontecer.
Luiz Algarra – Esta label tem um sentido para quem está no projeto e outro para quem está fora do projeto, enxergando o projeto de algum lugar externo. Se o que se busca é um entendimento para o público interno então tá fácil. Conversar sobre o label e seus significados é uma atividade inicial e constante que garante a ressignificação da coisa toda. Desse modo podemos ver o label mais como um gatilho disparador do que um conceito final, certo?
Tatiana Prado – eu não vou tratar do termo “cultura digital” porque não tenho referências conceituais aprofundadas o bastante para aceitar ou sugerir outro melhor. entendo e reconheço o que efe quer dizer com “uso tático-estratégico” e assimilação institucional que essa dupla tem. e, além disso, tb prefiro os genéricos pela liberdade de ação.
pra mim, o problema é o “experimental“. ele é um nome e uma prática muito associad@ à arte, à ideia de inovação e “experiências gratuitas” que não têm o compromisso de chegar a lugar algum além delas mesmas. as tentativas (ou “erros”, se assim quisermos ver tb tudo bem) se bastam por si. em termos de política pública isso tem a ver com a perspectiva do “fomento“.
no entanto, qdo penso em cultura não consigo localizar o experimental porque a natureza da cultura é fluida, híbrida e depende das relações. é quase como se ela fosse uma experimentação constante, entendem?
mas eu entendo essa “necessidade” de adjetivar o “cultura digital” pra enfatizar 1s tipo(s) de prática(s) e perspectiva específica (e genérica, ao mesmo tempo, pra aumentar nossa dificuldade).
por outro lado, ao contrário de instituições privadas, fundações e iniciativas do terceiro setor, um ministério não pode esquecer que tem o compromisso com uma certa “universalização”, “amplitude” de ações e recursos pelo simples fato que sua renda vem de imposto (pago por toda a população) e sua responsabilidade é sobre todo território. e aí, acho que deve haver um cuidado redobrado com essa perspectiva específica-genérica.
marcelo estraviz – taí: fomento. gostei.
Cultura Digital Experimental? Parte 1 – Twitter
segunda-feira, junho 7th, 2010No sábado, enquanto estava na fila do check-in para o voo que me traria a Madrid, pensava nos eixos de reflexão e articulação em torno dos quais o projeto redelabs vai se desenvolver. Perguntei na rede o que as pessoas achavam do termo “cultura digital experimental”, que eu já usei em alguns posts por aí. A conversa se espalhou pelo twitter, pelo google buzz e também na lista da MetaReciclagem. Saíram coisas bem interessantes ali no meio, que quero trazer aqui pro blog. Mas como o volume foi grande, vou fazer por partes – por ferramentas, na verdade. Começando, hoje, pelo twitter. Ali, a conversa ficou um pouco limitada pelos 140 caracteres e pela impossibilidade de responder a posts específicos. Tentei organizar, abaixo:
efeefe: como soa pra vocês falar em “cultura digital experimental”?
bambozzi: @efeefe tudo pode ser experimental, no sentido de que é resultado ou proporciona experiências novas.
efeefe: @bambozzi Então experimental é genérico demais? quero entender o que têm em comum todas essas coisas táticas-diy-desconstrutivas.
bambozzi: @efeefe defender o experimental, convicto e explicitado como tal, não é tão genérico. Assumir a experiência, a pesquisa, o erro inclusive.
bambozzi: @efeefe e precisa ficar um pouco mais entendido onde começam as novas mídias e quando elas se sobrepoem às demais – se isso rola de fato.
efeefe: @bambozzi Mas tu acha viável ou desejável construir uma estratégia coletiva voltada para uma cultura digital experimental?
rodrigosavazoni: @efeefe soa bem. E adequado, se tomarmos como base o trabalho da rede #metareciclagem, sempre, no mínimo, um passo a frente dos demais
efeefe: @rodrigosavazoni a #metareciclagem tá no meio de tudo e todxs – com passos à frente e atrás, numa dança meio estranha.
rodrigosavazoni: efeefe: Aliás, o experimental anda de braço dado com o pioneirismo. E isso é bom
efeefe: certamente, circunscrever isso sob o eixo “cultura digital” (também um genérico) é uma tática específica de contexto.
efeefe: …porque o digital não é o mais importante. E tanto cultura quanto experimental podem significar um monte de coisas.
mondegrass: @efeefe Concordo plenamente. E por mais importante que uma ferramenta seja, é apenas uma ferramenta. Precisa ou precisou de mãos e mente…
efeefe: @mondegrass Mas como chamam essas mentes & mãos? O que elas têm de especial?
mondegrass: @efeefe Talvez o que mova as mentes e mão seja a vontade, sonho. Por mais que uma ferramenta seja exata, ela ainda é desprovida de sonhos.
mondegrass: @efeefe Eu humilde pensante creio que o que mais vale são as órbitas. Quando tudo se alinha e gira, coisas acontecem.
mondegrass: @efeefe mas ainda estou a aprender sobre tais órbitas, e meu caminho é longo…
efeefe: ainda: “livre” é outra esfera – ecológica/econômica, mas não interessa tanto em termos de linguagem. devia é ser pré-requisito.
efeefe: outras ideias recorrentes: mídias, novas mídias, interface. E claro, o onipresente “laboratório”. Labrat am I?
e ainda: imaterial, criativo, disruptivo, sustentável, reflexivo, inclusivo, fluido, líquido, rizomático… ixe, vai longe.
efeefe: pra não falar nos chegados mais próximos – des, sub, meta, trans – como notou fabib.
bambozzi: @efeefe ficar demais nos chegados já vira endomarketing.
efeefe: concordo. endomarketing me incomoda já tem um tempo. e acho que é uma preocupação também presente em outros lugares.
efeefe: até por isso é necessário tentar ver as coisas mais de longe, pra entender qual o papel dessa cena no macro. pistas?
efeefe: e ainda enredado (minha trad pra networked), conectado, tele, online.
efeefe: sem mencionar o idiota 2.0 e o quase ultrapassado virtual.
efeefe: repetindo Pajé: qual a ideia por trás? E uns anos depois: pra que pd?
efeefe: essas coisas todas não se justificam em si mesmas. Ou não deveriam. #comofaz pra interagir com o mundo lá fora?
efeefe: não só na crítica genérica à contemporaneidade, mas se relacionando e propondo soluções…
efeefe: soluções pra disparidade, pro fundamentalismo moralista de origem religiosa (que existe aqui no Brasil sim!), pro consumismo.
efeefe: pra violência urbana, pro desrespeito à natureza, pra todo cerceamento de liberdade – até aquele q grassa em círculos “livres”.