Posts Tagged ‘culturadigitalbr’

Bolsa de Cultura Digital Experimental – documentando

domingo, janeiro 16th, 2011

Enviei há alguns dias na lista de discussão redelabs um relato sobre o desenvolvimento, no ano passado, de um edital de bolsas para pesquisa em cultura digital experimental que acabou não vingando. Segue abaixo uma versão resumida da história.

Ao fim da nossa conversa na Cinemateca durante o Fórum, cheguei a comentar que tinha ajudado a elaborar um edital de bolsas de cultura digital experimental que estava pra ser lançado pela coordenadoria de cultura digital do Minc. Era parte de um conjunto de editais que eles queriam lançar no fim do ano, que também contaria com editais para software livre, acervos digitais e alguns outros temas. No fim das contas não houve verba ou tempo para lançá-lo. De todo modo, quero contar um pouco do processo e de alguns mecanismos que a gente encontrou ali e que podem ser úteis pra outras iniciativas. É uma viagem essa coisa de dialogar com as restrições institucionais e encontrar brechas para flexibiizar as coisas aos pouquinhos… cansativo e frustrante, mas ainda assim dá uma satisfação cada pequena vitória.

Minha conversa com a coordenação de cultura digital começou por conta de um projeto de laboratórios, fruto da parceria entre Minc e RNP. Eu criticava aquela visão de que simplesmente criar estrutura garante que as coisas vão acontecer. Sugeri à coordenação de cultura digital que era interessante reunir pessoas ligadas a projetos afins, em diversos contextos institucionais. A intenção seria entender melhor as referências e expectativas envolvidas, e tecer uma rede que eventualmente ajudasse a guiar esse tipo de construção. Acabamos atropelados pela agenda burocrática e institucional. O rascunho do tal projeto de laboratórios acabou sendo desenhado em termos gerais, meses antes do nosso encontro. Fiz algumas observações sobre os labs: que não poderiam se tratar de meros telecentros estendidos, oferecendo somente banda e equipamento; que era necessário pensar em curadoria, intercâmbio e eventos; que incorporassem também possibilidades ‘digitais’ que vão além das redes de informação, com prototipagem e telepresença. Em paralelo, surgiu a oportunidade de a coordenadoria de cultura digital lançar um edital sobre o assunto. Eu já tinha começado a conversar com diversas pessoas (naquelas conversas online que publiquei no blog redelabs) e chegamos ao entendimento de que mais importante do que a figura do ‘monitor’ – que a princípio faz a mediação entre a infraestrutura e um ‘público’ externo e anônimo -, era a figura do pesquisador/artista que se utilizaria das estruturas. É uma figura que muitas vezes vive da precariedade (mendicância, como sugeriram o Novaes e a Fabib), deixando de se aprofundar em seus caminhos de pesquisa para oferecer oficinas ou empacotar ‘produtos’, ‘entregáveis’. Na sequência das conversas online e entrevistas encontramos o eixo ‘cultura digital experimental’ e decidimos que o edital dialogaria com esse recorte. Queríamos também enfatizar o caráter processual, a liberdade (inclusive para errar, como lembrou Bambozzi), e abarcar a possibilidade de infraestruturas autônomas. Daí em diante acho que foi mais de um mês desenvolvendo a minuta, negociando liberdades ponto a ponto com o que já existia em outros editais do Minc. Chegamos a algumas soluções boas.
A ideia era apoiar artistas e pesquisadorxs independentes que operassem na fronteira entre arte, tecnologia, sociedade e educação. Queríamos evitar ao máximo cair em alguns vícios recorrentes de outros projetos similares, a saber a necessidade de ‘entregar produtos’, de perder tempo com relatórios formais que não seriam lidos por ninguém, ou de ministrar oficinas que, embora necessárias, muitas vezes acabavam representando um lastro que impedia voos mais altos. Já tínhamos, estrategicamente, a concordância do Minc com pontos como a descentralização, as licenças livres e o uso social de redes online.
A primeira questão era em relação a espaços de trabalho. Não associaríamos cada proponente a um dos futuros laboratórios (que ainda não existem, o que foi uma vantagem), mas em vez de negar totalmente a necessidade do espaço físico (um discurso que já atribuíram a mim, equivocadamente), imaginamos trabalhar isso de maneira emergente. Cada proponente precisava estar associado sim a um laboratório, mas esse laboratório poderia ser qualquer espaço físico que tivesse a infraestrutura necessária para seu trabalho e onde pudesse apresentar o andamento do projeto. Poderia, claro, ser um laboratório institucional estabelecido, mas não haveria restrição mínima – podia ser escola, ponto de cultura, garagem de casa, espaço social ocupado. Era uma maneira de oferecer liberdade e ainda fazer um levantamento emergente de espaços relevantes.
No preâmbulo do texto, falamos bastante sobre cultura digital, redes, experimentação e processo. Para dar o tom da conversa.
Além de um grupo de artistas e pesquisadorxs, também seria selecionado um grupo de ‘articuladorxs culturais’. O papel dessas pessoas seria viabilizar o trabalho dxs bolsistas – criando pontes com eventos, buscando apoio e parcerias específicas, facilitando a documentação, possibilitando intercâmbios entre xs diferentes bolsistas. Me inspirei bastante no papel dos ‘mediadores culturales’ do medialab prado, que desempenham algumas dessas funções e também atuam como interface com o público visitante. Foi muito difícil encontrar o formato para essxs articuladorxs. A gente queria que fossem selecionadxs somente depois dxs bolsistas, para conseguir encontrar pessoas que tivessem relação com os assuntos tratados. Mas isso demandaria outro edital, com chances de dar aqueles descompassos de agenda que já vimos em outros casos. Acabamos fazendo um só edital para as duas modalidades.
Cada bolsista receberia cerca de R$ 3600,00 por mês, durante doze meses. Não teriam verba extra para equipamentos, viagens ou afins.
Como o foco era no processo, a seleção não se daria estritamente em relação ao projeto de pesquisa mas na relação entre esse projeto de pesquisa, os objetivos estratégicos do edital (ver abaixo) e o currículo dos proponentes. A ideia, mais uma vez, era enfatizar a liberdade – não queríamos ninguém preso a um projeto que podia se demonstrar irrelevante alguns meses depois. Mudanças de rumo eram previstas e estimuladas.
Os objetivos do edital, segundo os quais a comissão de seleção escolheria os projetos, eram os seguintes:
  • apropriação crítica de tecnologias digitais de informação e comunicação;
  • exploração de imaginários e linguagens híbridas;
  • prototipagem e fabricação digital;
  • hardware livre;
  • tecnologias móveis;
  • metareciclagem;
  • realidade aumentada;
  • produção na fronteira entre arte, ciência e sociedade;
  • internet das coisas;
  • performances online distribuídas, experimentação e inovação.
A comissão de seleção seria mista, com integrantes do ministério e pessoas da área (incluindo algumas das que estavam lá no nosso encontro na Cinemateca). A princípio, a gente também tinha imaginado um conselho de orientação – cada projeto teria 1 orientadorx/interlocutorx, e essas pessoas formariam um conselho que funcionaria como referência conceitual e curatorial para os bolsistas. Mas aqui travamos outra vez na dificuldade jurídica: escolher os orientadores antes dos projetos poderia ser inviável (por exemplo, se houvessem propostas com os quais nenhum orientador tivesse intimidade); escolher os orientadores depois dos projetos seria juridicamente questionável. A alternativa seria fazer totalmente separado: os bolsistas e articuladores selecionados no edital, e o conselho de curadores associado ao hipotético projeto de laboratórios. Mas, obviamente, não seria possível explicitar uma relação formal entre o edital e um projeto que não se sabe quando seria implementado (e que se fosse lido como pré-requisito empataria ainda mais a coisa toda). Ficou essa área indefinida, que num cenário positivo tinha tudo pra correr bem.
A documentação também seria mais dinâmica: é inescapável que o ministério exija um relatório de início, um de percurso (seis meses) e um relatório final. Mas isso poderia ser documentado em um blog criado na plataforma culturadigital.br. Esse blog também poderia servir para a documentação cotidiana (que seria estimulada e incentivada pelos articuladores), mas não necessariamente: essa documentação processual poderia ser feita em qualquer sistema que o bolsista escolhesse (blog próprio, outros CMSs, microblog, youtube, etc.).
O lance de cessão de direitos de imagem, não teve como evitar. É uma proteção que a instituição faz pra não se preocupar em ser processada por ter usado a foto dos bolsistas em um blogue ou release. É bazuca pra matar passarinho, mas daquele jeito: um passo de cada vez.
O edital, no fim das contas, ficou aguardando aprovação. O ano virou, temos uma nova ministra. Vamos ver se a equipe que entra entende a importância dessas bolsas para o desenvolvimento da cultura digital experimental no Brasil.

Painel laboratórios experimentais – anotações

quinta-feira, dezembro 2nd, 2010

Enquanto moderava o painel sobre laboratórios experimentais no Fórum da Cultura Digital Brasileira e tuitava, eu também fazia algumas anotações a mão no caderninho. Vai aí um relance, mais como um mapa de palavras-chave do que relato extensivo.

Tapio Makela

  • Medialabs
  • Oficinas / residência
  • 90s – Universidades – primeiros hackers
  • engenharia experimental
    • DNS alternativo
  • equipamento ainda é necessário
  • aspecto social, compartilhamento de conhecimento
  • polar circuit lab
    • 4-8 weeks
    • encontro
    • financiamento mínimo
  • solar circuit – tasmania
  • p2p -> practice to policy
    • transformar as políticas de financiamento
    • discussão sobre por que a arte/tecnologia é relevante não somente para a arte, mas para a sociedade
  • backbone cultural europeu – e-c-b – falha
  • 2004 – ISEA – Talinn
    • cruzeiro de 2 dias
    • intimidade social + enredamento
  • m-cult
  • a declaração de delhi sobre um novo contexto para as novas mídias
    • além da ideia de “prover acesso”
  • lab: não somente tecnologia e sociabilidade, mas também ambiente crítico
  • marin.cc
  • em suma:
    • acesso >> conhecimento
    • salas >> encontros, listas de discussão
    • espacial >> social
    • infra pesada >> kits leves
  • art’n'd – arte e desenvolvimento – colaboração translocal
  • labs dinâmicos: lab + trabalho de campo

Barnabas Malnay

  • Kitchen Budapest
  • financiado por uma corporação
  • prezi surgiu lá
  • maio 2007
  • autonomia
  • grupo de pessoas, backgrounds e expertises diversos
  • colaborativo
  • sem paredes
  • centro da cidade
  • não existem projetos individuais
  • pesquisa baseada em produção
    • serviços
    • educação
    • pesquisa
    • visibilidade
  • submap
  • desenvolvimento de software de código aberto
  • eventos abertos
  • bacarobo

Marcos Garcia

  • Nova desordem digital
  • divisões antigas não contam mais
  • lab deve ser voltado não só a artistas, mas todos
  • Prefeitura de Madrid – público – função social
  • linhas de trabalho
    • interactivos
    • visualizar
    • lab del procomún
    • inclusiva-net
    • avlab
    • medianera lab
  • áreas
    • formas de aprendizado
    • modelos de organização e colaboração
    • genealogia dos meios
    • inovação legal
    • arquivo digital
  • formatos
    • oficinas internacionais de produção
    • oficinas de produção local
    • grupos estáveis de trabalho
    • encontros avlab
  • protocolos
    • um lugar (lab aberto)
    • mediadores culturais (interlocutores)
    • chamadas abertas (projetos/colaboradores)
    • espaço online
  • oficina de prototipagem
    • chamada internacional
    • 10 ideias + assessores
    • 50 colaboradores
    • colaboradores – granularidade
      • não é obrigatória a participação em todos os dias
    • processo aberto
    • documentar os erros
    • mediadores culturais conectam/abrem os protocolos
  • mini-oficinas espontâneas, propostas pelos usuários
  • cañas! parte festiva!
  • replicabilidade

Painel internacional – laboratórios experimentais

quinta-feira, dezembro 2nd, 2010

Uma das ações complementares ao encontro RedeLabs durante o Fórum da Cultura Digital Brasileira foi o painel internacional sobre laboratórios experimentais. Ele deveria ter sido a penúltima atividade do fórum, mas por mudanças na agenda acabamos sendo os últimos. Isso foi interessante porque pudemos nos estender por alguns minutos, e também porque saímos diretamente para a festa de encerramento, ali no saguão.

A ideia do painel era trazer diferentes referências para enriquecer o debate sobre laboratórios (de mídia, de tecnologia, experimentais, etc.). Como eu já comentei algumas vezes, aqui no Brasil muitas vezes o imaginário de “laboratórios” se limita ao icônico Media Lab do MIT. Hoje em dia existe uma grande variedade de arranjos alternativos, e se quisermos desenvolver laboratórios adequados aos dias de hoje precisamos inovar nesse sentido.

Para aproveitar ao máximo os nossos convidados (e, confesso, postergar ao máximo o aparecimento dos loucos de palestra), eu propus um formato de debate semi-aberto: após cada apresentação, três pessoas ligadas à área aqui no Brasil fariam comentários pontuais. Esses respondentes foram Daniel Gonzalez, Miguel Salvatore e Paulo Amoreira. Queria que eles ressaltassem pontos relevantes de cada fala, e construíssem pontes entre o nosso contexto e o dos convidados.

Cada um dos painelistas trouxe um recorte específico. Tapio Makela, da Finlândia, colocou alguma perspectiva histórica sobre medialabs administrados por artistas desde meados dos anos noventa. Contou causos sobre experiências, resgatou o aspecto sensível de compartilhar experiências, lembrou da importância de as pessoas cozinharem juntas e falou sobre seu projeto Marin.cc. Tapio precisou sair no meio da fala seguinte para pegar o avião de volta a Helsinki. Barnabas Malnay contou sobre o Kitchen Budapest, laboratório húngaro financiado por uma grande empresa de telecomunicações. Foi de lá que saíram desde startups inovadoras como o Prezi, até uma série de projetos colaborativos e de código aberto. Para encerrar o painel, Marcos Garcia apresentou o Medialab Prado de Madrid, um dos centros que mais têm contribuído para o desenvolvimento de projetos experimentais baseados em conhecimento livre, responsabilidade social e apropriação de tecnologias.

Apesar do cansaço do pessoal depois de três dias intensos de fórum, rolou um bom debate ao fim da sessão, a ponto de precisarmos cortar as conversas para partir para a festa. Gostei bastante da sessão. O vídeo deve estar disponível nas próximas semanas no site do Fórum (assim que rolar eu publico aqui).

Encontro RedeLabs – como foi

terça-feira, novembro 30th, 2010

Resultado do processo de articulação em rede documentado no blog RedeLabs, o primeiro encontro RedeLabs aconteceu na Cinemateca, durante o Fórum da Cultura Digital Brasileira. Reuniu mais de cinquenta pessoas vindas de diferentes regiões do Brasil e representando diversos contextos – instituições, universidades, ONGs, redes e coletivos. Elas se dispuseram a passar uma tarde inteira debatendo projetos, referências, aspirações e possibilidades. Foi uma tarde longa. Houve algum atrito, e acumulamos bastante cansaço ao cair da noite. Mas acredito que foi um primeiro momento de criação de um espaço colaborativo intercontextual, uma possibilidade de compartilhamento de informação que ainda vai dar muitos frutos.

Desde que começamos a planejar o encontro decidimos evitar o formato de painel, em que duas ou três pessoas falam e todas as outras ficam esperando. Entendemos que isso já acontece bastante em eventos da área. Por outro lado, não queríamos um debate totalmente aberto que correria o risco de perder-se em loops intermináveis, de dar atenção demais às opiniões mais articuladas ou efusivas e excluir outras vozes. Decidimos por um formato inspirado pela Pecha Kucha – receberíamos propostas de microapresentações de no máximo sete minutos, e tentaríamos costurar o debate nos interstícios. Era fundamental que fossem apresentações curtas, sem prejuízo da potencial profundidade de cada uma. Se a gente quisesse ouvir tudo que cada pessoa tem de interessante para contar, certamente ficaríamos uma semana inteira por ali. De qualquer forma, a maioria dos participantes já conhecia um pouco do trabalho uns dos outros. Além disso, sabíamos que as melhores conversas não aconteceriam ali, mas ao longo dos próximos tempos em subgrupos – o encontro deveria ser essencialmente o gatilho de colaborações futuras. Olhando para trás, acho que deveríamos ter limitado também o número de apresentações em no máximo dez, mas não consigo imaginar quais delas a gente poderia cortar.

Duas semanas antes do encontro, eu enviei um email para todo mundo que viria, falando sobre o histórico, o formato e as expectativas. Também abri inscrições para propostas de microapresentações, e avisei que haveria outras coisas interessantes no fórum – algumas apresentações de experiências, oficinas e o painel internacional que eu também estava organizando, sobre laboratórios experimentais. Fui registrando todas as confirmações de participantes do encontro em uma página de wiki, e criei uma lista de discussão para o pessoal começar a aquecer os motores. Uma semana depois reforcei o convite para microapresentações e enviei uma compilação de textos (PDF) do blog RedeLabs.

Comecei o dia quinze resolvendo aquelas coisas de última hora – hotel pra um, transporte pra outro, adaptador de tomada pro gringo, etc. Perto do meio-dia me encaminhei para a Cinemateca, almocei e comecei a recepcionar o pessoal. Maira já estava por lá, e começamos a direcionar os participantes para a tenda lá em cima. O ar condicionado não dava conta, o projetor só rolou em cima da hora, algumas pessoas atrasaram, mas estava tudo sob controle. Passadas algumas dezenas de minutos das 14h, resolvemos começar. Falei sobre o formato e logo começamos com as microapresentações.

Encontro RedeLabs

Encontro RedeLabs

Como eu estava mais no meio-de-campo e tentando dar formato à coisa toda, não fiz anotações específicas sobre cada apresentação. Para quem se interessar, a íntegra do áudio da conversa está disponível para download no estudiolivre – talvez nos próximos meses a gente trabalhe na transcrição e edição desse material (aceitamos sugestões de parceiros/patrocinadores). Mas faço abaixo algumas observações sobre o andamento dos debates.

À medida que a conversa evoluía, eu tentava organizar quais seriam as falas subsequentes. Eu tinha uma lista das microapresentações em post-its, que reordenava de acordo com o ritmo. Para evitar surpresas, eu sempre avisava o próximo a apresentar enquanto a apresentação anterior rolava. Tentei começar intercalando falas mais institucionais/acadêmicas e experiências mais “pé no chão”, mas logo vi que essa divisão não fazia muito sentido. Mais tarde, decidi agrupar algumas falas por região ou por afinidade contextual, o que dava alguma coerência narrativa mas talvez tenha inibido os comentários. Não encontrei uma fórmula ideal. A princípio, as microapresentações só tomariam a primeira parte da tarde, quando deveríamos fazer um intervalo e receber a visita dos gringos que vieram para o painel internacional sobre labs. Depois da pausa, tentaríamos identificar os assuntos e palavras-chave que emergissem durante as apresentações, criar grupos de trabalho e providenciar encaminhamentos. O fato de não termos definido um número máximo de apresentações (que talvez tenha sido uma aposta pessoal minha) acabou dificultando o intervalo e esse segundo momento de análise e reflexão. Na hora do suposto intervalo, uma polarização bastante acentuada de opiniões – com algumas questões antigas mas que certamente permanecem atuais no nosso cenário – exaltou os ânimos. Com a ressaca que acompanhou essa polarização, fizemos uma pausa curtíssima. Mas ainda faltavam oito apresentações, e resolvemos ir em frente. Fiquei feliz porque, apesar dos atritos e do cansaço, todo mundo se esforçou para continuar participando.

Foi só quando já contávamos quase uma hora de atraso – empatando a tenda para o encontro da rede de servidores livres que deveria acontecer às 18h30 – que chegamos ao fim das apresentações. Eu pedi a palavra novamente, junto com José Murilo e Maira, para falar sobre um dos resultados do processo de pesquisa e articulação que tocamos com o Minc em 2010: a elaboração de um edital de bolsas de pesquisa em cultura digital experimental. Falamos em termos gerais sobre o formato do edital, alguns mecanismos inovadores dele e a expectativa de ser lançado ainda antes de 2011. Nas próximas semanas vou escrever um pouco mais sobre isso aqui no blog.

Eu anotei algumas palavras-chave que surgiram ao longo da conversa:

Festival, Prêmio, Parceria, E-lixo, Protocolo, Intercâmbio, Rede, Conectar, Experimental, Dependência, Conhecimento Técnico, Rede de Servidores, Infra-estrutura, Plataforma, Universidade, Pessoa Física, Instituição, Liberdade, Direito Autoral, Banda Larga, Autogestão, Política Pública, Ajuste Jurídico, Edital, Empresa, Financiamento, Espaço, Tempo, Comunidade, Equipamento, Oficina.

Aqui a listagem de microapresentações propostas:

  • Redes de mobilização – Giselle Beiguelman
  • Eita, Porra – Jeraman
  • Dubversão, Lab C, AECID, Anilla Cultural – Miguel Salvatore
  • Arte e Cultura Digital em Fortaleza – Paulo Amoreira (que também ia falar sobre o Prêmio Ricardo Rosas, mas não deu tempo)
  • Laboratório Cultura Viva – Ivana Bentes
  • Redes experimentais de Cultura Digital no RJ – Adriano Belisário
  • Orquestra Organismo – Glerm Soares
  • Musa.cc – Alfakini e Oriel Frigo
  • Itaulab, em busca de um modelo de sistema viável – Guilherme Kujawski
  • Autolabs, IP://, Descentro, Nordeste Livre – Ricardo Ruiz
  • FILE – Eliane Weizmann
  • Reverberações – Flavia Vivacqua
  • LabDeBug – Karla Brunet
  • Lucas Bambozzi
  • Marginalia Labs / Projects – André Mintz
  • Nuvem – Bruno Vianna, Cinthia Mendonça, Lula Fleischman
  • Anônimos e Gratuitos – Thiago Novaes
  • Projetos experimentais em rede – Ricardo Brazileiro
  • Laboca – Jarbas Jácome

Na terça-feira, que não era feriado, muita gente não pôde voltar à Cinemateca – precisavam dar aulas, montar exposições em sampa e outras cidades, trabalhar em outras coisas. Acabou que não chegamos a retomar com nenhuma conversa estruturada, mas alguns se reencontraram na tenda Hands On do Fórum. De minha parte, conversei com algumas pessoas, estampei o logo da MetaReciclagem em camisetas, bandeiras e até – com ajuda da F4bs e do Pitanga do Garoa Hacker Clube –  acompanhei a confecção de um chaveiro metarecicleiro na Makerbot deles. Na quarta, alguns ainda assistiram à mesa internacional sobre laboratórios – sobre a qual vou escrever outro dia. Um email de agradecimento que eu enviei na lista de discussão redelabs desdobrou-se em conversas muito relevantes que percorreram as semanas seguintes.

No fim das contas, apesar dos percalços e de tudo que eu faria diferente, acredito que o encontro RedeLabs foi extremamente positivo. Deu vazão a uma conversa necessária mas que, por força das circunstâncias, nunca tinha acontecido intencionalmente. Aquelas pessoas costumam se encontrar em outros eventos, mas sempre tratando de assuntos outros. Já sem levar em conta o conteúdo tratado, o simples fato de pessoas em contextos tão diversos terem respondido e efetivamente participado já é uma resposta: existe sim interesse em criar essa conversa colaborativa. Melhor ainda com a qualidade das apresentações e conversas realizadas. Como continuar daqui para a frente? Existem um monte de possibilidades: uma publicação (ou mais) sobre estruturas e laboratórios no Brasil, outros encontros RedeLabs, projetos de intercâmbio, residências/itinerâncias, elaboração de projetos de apoio e bolsas, participação em eventos, etc. A lista de discussão está agora aberta a quem quiser participar, e sempre estamos abertos a sugestões por lá.

RedeLabs – Valeu

terça-feira, novembro 30th, 2010

Ao fim do primeiro dia do encontro RedeLabs, enviei essa mensagem para as pessoas que participaram:

Obrigado pela presença de quem pôde, obrigado pela lembrança de quem não pôde. A conversa foi longa e cansativa, mas necessária. Funcionou? Não sei, tenho aqui muitas anotações para mudar nas próximas ocasiões. Foi longo demais, faltou o break, não chegamos a ter nenhum encaminhamento específico, faltou aprofundar em alguns pontos importantes que acabaram sendo encobertos pelo barulho & fadiga. Mas eu já considero uma vitória a gente ter conseguido se reunir, passar a tarde juntos e tocar em tantos assuntos.

Jarbas fez algumas sugestões de encaminhamentos, quase no fim.

A primeira era sobre editais para pessoas físicas. Pra quem não estava até o fim, eu cheguei a comentar sobre um edital que está engatilhado no ministério, para bolsas de pesquisa em cultura digital. Eu participei da elaboração da minuta do edital, posso falar mais sobre isso amanhã pra quem quiser saber. Vou também, como o Novaes sugeriu, publicar o texto da minuta do edital. [por recomendação do pessoal do Minc, só vamos publicar o texto do edital depois que ele for lançado]

A segunda era sobre intercâmbio, e acho que isso dá uma conversa boa também – tanto intercâmbio dentro do Brasil quanto fora. Outro assunto pra gente conversar amanhã.

A terceira era sobre como a cultura digital experimental pode se articular com o plano nacional de banda larga. Acho que aí tem uma conversa profunda sobre apropriação, que também pode rolar amanhã.

Eu quero sugerir ainda mais dois temas pra gente conversar:

  • Uma publicação sobre laboratórios experimentais no Brasil, talvez a partir da conversa de hoje, e ainda recebendo colaborações de todxs e conversas futuras.
  • O próximo encontro redelabs – onde, quando, como?

Mais duas coisas:

Bora. Até amanhã à tarde, na tenda “Hands On”.

Precisarem de algo, tamos aí.

RedeLabs – uma semana

terça-feira, novembro 30th, 2010

Quando faltava uma semana para o encontro RedeLabs, mandei a mensagem abaixo para todo mundo que tinha confirmado a participação. Ela dava um retorno sobre algumas conversas paralelas, falava sobre o status dos planos e incluía uma compilação de posts do blog RedeLabs.

Em primeiro lugar, quero agradecer ao retorno de todxs. Já somos mais de cinquenta pessoas confirmadas no encontro RedeLabs. Acho que estamos propondo uma conversa bem potente, a julgar pelas propostas de microapresentações que já apareceram por aqui e pelos comentários recebidos por email. Tem 2 ou 3 de vocês que ainda não conseguiram confirmar, por favor avisem o mais rápido possível se poderão vir…
Aliás, sobre as microapresentações: já temos dez propostas, mas ainda tem espaço pra mais. Estamos no aguardo de mais propostas por aqui, bora galera!
Eu fiz uma pequena compilação de textos do blog redelabs. São alguns posts que resultaram do levantamento e investigação que fizemos nos três meses de pesquisa do projeto. Ainda tem muito material que não consegui editar, algumas entrevistas e relatos, mas isso fica pro futuro. Segue em anexo essa versão incompleta, em PDF.
As conversas na lista de discussão estão engatinhando, naquele ritmo de um grupo de pessoas que ainda não se conhece muito bem. Quem ainda não apareceu, cole lá: http://groups.google.com/group/redelabs

Redelabs – alinhando

terça-feira, novembro 30th, 2010

Duas semanas antes do encontro RedeLabs, eu mandei uma mensagem a todas as pessoas que haviam confirmado a participação. A ideia era preparar o terreno e esquentar os motores. Um pedaço da mensagem – histórico, expectativas – eu publiquei aqui; e o restante – formato, etc. – vai abaixo:

O encontro

Teremos quatro momentos:

Na tarde do dia 15, na tenda de “redes” do Fórum, uma conversa geral com microapresentações inspiradas no formato Pecha Kucha. Pra quem não conhece, um resumo simplório: apresentações de 6m40s, com 20 slides de 20 segundos cada. Não temos nenhum compromisso com o formato em si, mas sim com o tempo. Ou seja: se não quiserem slides, ou tiverem só um slide, ou quiserem falar MENOS do que 6m40, tudo bem. Mas não temos tempo para grandes apresentações, portfólios, análise profunda de cenário ou coisas assim. Imagino que a maioria das pessoas aqui já se conheça, ao menos de vista, então não precisamos de apresentações pessoais detalhadas. A apresentação também não é obrigatória (até porque até agora somos cerca de 50 confirmadxs). O que nos interessa é que todo mundo que tiver ideias ou questões interessantes sobre como articular, agenciar, desenvolver, produzir, finalizar, exibir e circular produção experimental ligada a cultura digital faça uma pequena intervenção. Seja contando causos relevantes, experiências que deram errado, sugerindo caminhos a trilhar, etc.

IMPORTANTE: peço que todas as pessoas interessadas em fazer microapresentações nos mandem até daqui a uma semana (08/11) uma sinalização: seu nome e assunto da apresentação.

Ao fim da tarde do dia 15, a gente vai levantar os assuntos que emergiram ao longo da conversa. Eventualmente, vamos criar grupos de trabalho específicos e sugerir encaminhamentos coletivos. O Minc também vai apresentar duas propostas que já está desenvolvendo e que têm profunda relação com a nossa conversa.

No dia 16, dentro da área do Fórum, os grupos de trabalho podem se reunir para continuar a conversa, trabalhar em questões específicas e desenvolver possibilidades de cooperação e intercâmbio. Também é um bom momento para pensar em um segundo encontro RedeLabs em 2011.

No dia 17, a princípio às 16h30, haverá no seminário do fórum um painel sobre laboratórios experimentais com Marcos Garcia do Medialab Prado, Tapio Makela do Marin.cc e possivelmente um terceiro convidado ainda a confirmar. O timing é meio estranho em relação ao nosso encontro (o ideal era que fosse antes do encontro), mas a gente navega entre o que é possível. Estão todxs convidadxs.

Um esboço dessa dinâmica e da programação, além da lista de pessoas que está recebendo essa mensagem, está disponível aqui:

http://redelabs.org/wikka.php?wakka=RedeLabsCulturaDigital

Existem também pessoas que foram convidadas e não poderão vir, além de pessoas que ainda não convidamos. A ideia é que elas passem a integrar essa rede logo depois de termos realizado o primeiro encontro.

Links

Redelabs – começando

segunda-feira, novembro 15th, 2010

Começa hoje às duas da tarde o encontro Redelabs, dentro do Fórum Brasileiro de Cultura Digital. Para esquentar os motores, eu fiz uma compilação de posts publicados aqui no blog RedeLabs e disponibilizei aqui.

Mais notícias depois.

Grupo RedeLabs

terça-feira, maio 25th, 2010

Criei um grupo para debater o projeto redelabs na Cultura Digital. E essa semana publico mais coisas por aqui.