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Encontro RedeLabs – como foi

terça-feira, novembro 30th, 2010

Resultado do processo de articulação em rede documentado no blog RedeLabs, o primeiro encontro RedeLabs aconteceu na Cinemateca, durante o Fórum da Cultura Digital Brasileira. Reuniu mais de cinquenta pessoas vindas de diferentes regiões do Brasil e representando diversos contextos – instituições, universidades, ONGs, redes e coletivos. Elas se dispuseram a passar uma tarde inteira debatendo projetos, referências, aspirações e possibilidades. Foi uma tarde longa. Houve algum atrito, e acumulamos bastante cansaço ao cair da noite. Mas acredito que foi um primeiro momento de criação de um espaço colaborativo intercontextual, uma possibilidade de compartilhamento de informação que ainda vai dar muitos frutos.

Desde que começamos a planejar o encontro decidimos evitar o formato de painel, em que duas ou três pessoas falam e todas as outras ficam esperando. Entendemos que isso já acontece bastante em eventos da área. Por outro lado, não queríamos um debate totalmente aberto que correria o risco de perder-se em loops intermináveis, de dar atenção demais às opiniões mais articuladas ou efusivas e excluir outras vozes. Decidimos por um formato inspirado pela Pecha Kucha – receberíamos propostas de microapresentações de no máximo sete minutos, e tentaríamos costurar o debate nos interstícios. Era fundamental que fossem apresentações curtas, sem prejuízo da potencial profundidade de cada uma. Se a gente quisesse ouvir tudo que cada pessoa tem de interessante para contar, certamente ficaríamos uma semana inteira por ali. De qualquer forma, a maioria dos participantes já conhecia um pouco do trabalho uns dos outros. Além disso, sabíamos que as melhores conversas não aconteceriam ali, mas ao longo dos próximos tempos em subgrupos – o encontro deveria ser essencialmente o gatilho de colaborações futuras. Olhando para trás, acho que deveríamos ter limitado também o número de apresentações em no máximo dez, mas não consigo imaginar quais delas a gente poderia cortar.

Duas semanas antes do encontro, eu enviei um email para todo mundo que viria, falando sobre o histórico, o formato e as expectativas. Também abri inscrições para propostas de microapresentações, e avisei que haveria outras coisas interessantes no fórum – algumas apresentações de experiências, oficinas e o painel internacional que eu também estava organizando, sobre laboratórios experimentais. Fui registrando todas as confirmações de participantes do encontro em uma página de wiki, e criei uma lista de discussão para o pessoal começar a aquecer os motores. Uma semana depois reforcei o convite para microapresentações e enviei uma compilação de textos (PDF) do blog RedeLabs.

Comecei o dia quinze resolvendo aquelas coisas de última hora – hotel pra um, transporte pra outro, adaptador de tomada pro gringo, etc. Perto do meio-dia me encaminhei para a Cinemateca, almocei e comecei a recepcionar o pessoal. Maira já estava por lá, e começamos a direcionar os participantes para a tenda lá em cima. O ar condicionado não dava conta, o projetor só rolou em cima da hora, algumas pessoas atrasaram, mas estava tudo sob controle. Passadas algumas dezenas de minutos das 14h, resolvemos começar. Falei sobre o formato e logo começamos com as microapresentações.

Encontro RedeLabs

Encontro RedeLabs

Como eu estava mais no meio-de-campo e tentando dar formato à coisa toda, não fiz anotações específicas sobre cada apresentação. Para quem se interessar, a íntegra do áudio da conversa está disponível para download no estudiolivre – talvez nos próximos meses a gente trabalhe na transcrição e edição desse material (aceitamos sugestões de parceiros/patrocinadores). Mas faço abaixo algumas observações sobre o andamento dos debates.

À medida que a conversa evoluía, eu tentava organizar quais seriam as falas subsequentes. Eu tinha uma lista das microapresentações em post-its, que reordenava de acordo com o ritmo. Para evitar surpresas, eu sempre avisava o próximo a apresentar enquanto a apresentação anterior rolava. Tentei começar intercalando falas mais institucionais/acadêmicas e experiências mais “pé no chão”, mas logo vi que essa divisão não fazia muito sentido. Mais tarde, decidi agrupar algumas falas por região ou por afinidade contextual, o que dava alguma coerência narrativa mas talvez tenha inibido os comentários. Não encontrei uma fórmula ideal. A princípio, as microapresentações só tomariam a primeira parte da tarde, quando deveríamos fazer um intervalo e receber a visita dos gringos que vieram para o painel internacional sobre labs. Depois da pausa, tentaríamos identificar os assuntos e palavras-chave que emergissem durante as apresentações, criar grupos de trabalho e providenciar encaminhamentos. O fato de não termos definido um número máximo de apresentações (que talvez tenha sido uma aposta pessoal minha) acabou dificultando o intervalo e esse segundo momento de análise e reflexão. Na hora do suposto intervalo, uma polarização bastante acentuada de opiniões – com algumas questões antigas mas que certamente permanecem atuais no nosso cenário – exaltou os ânimos. Com a ressaca que acompanhou essa polarização, fizemos uma pausa curtíssima. Mas ainda faltavam oito apresentações, e resolvemos ir em frente. Fiquei feliz porque, apesar dos atritos e do cansaço, todo mundo se esforçou para continuar participando.

Foi só quando já contávamos quase uma hora de atraso – empatando a tenda para o encontro da rede de servidores livres que deveria acontecer às 18h30 – que chegamos ao fim das apresentações. Eu pedi a palavra novamente, junto com José Murilo e Maira, para falar sobre um dos resultados do processo de pesquisa e articulação que tocamos com o Minc em 2010: a elaboração de um edital de bolsas de pesquisa em cultura digital experimental. Falamos em termos gerais sobre o formato do edital, alguns mecanismos inovadores dele e a expectativa de ser lançado ainda antes de 2011. Nas próximas semanas vou escrever um pouco mais sobre isso aqui no blog.

Eu anotei algumas palavras-chave que surgiram ao longo da conversa:

Festival, Prêmio, Parceria, E-lixo, Protocolo, Intercâmbio, Rede, Conectar, Experimental, Dependência, Conhecimento Técnico, Rede de Servidores, Infra-estrutura, Plataforma, Universidade, Pessoa Física, Instituição, Liberdade, Direito Autoral, Banda Larga, Autogestão, Política Pública, Ajuste Jurídico, Edital, Empresa, Financiamento, Espaço, Tempo, Comunidade, Equipamento, Oficina.

Aqui a listagem de microapresentações propostas:

  • Redes de mobilização – Giselle Beiguelman
  • Eita, Porra – Jeraman
  • Dubversão, Lab C, AECID, Anilla Cultural – Miguel Salvatore
  • Arte e Cultura Digital em Fortaleza – Paulo Amoreira (que também ia falar sobre o Prêmio Ricardo Rosas, mas não deu tempo)
  • Laboratório Cultura Viva – Ivana Bentes
  • Redes experimentais de Cultura Digital no RJ – Adriano Belisário
  • Orquestra Organismo – Glerm Soares
  • Musa.cc – Alfakini e Oriel Frigo
  • Itaulab, em busca de um modelo de sistema viável – Guilherme Kujawski
  • Autolabs, IP://, Descentro, Nordeste Livre – Ricardo Ruiz
  • FILE – Eliane Weizmann
  • Reverberações – Flavia Vivacqua
  • LabDeBug – Karla Brunet
  • Lucas Bambozzi
  • Marginalia Labs / Projects – André Mintz
  • Nuvem – Bruno Vianna, Cinthia Mendonça, Lula Fleischman
  • Anônimos e Gratuitos – Thiago Novaes
  • Projetos experimentais em rede – Ricardo Brazileiro
  • Laboca – Jarbas Jácome

Na terça-feira, que não era feriado, muita gente não pôde voltar à Cinemateca – precisavam dar aulas, montar exposições em sampa e outras cidades, trabalhar em outras coisas. Acabou que não chegamos a retomar com nenhuma conversa estruturada, mas alguns se reencontraram na tenda Hands On do Fórum. De minha parte, conversei com algumas pessoas, estampei o logo da MetaReciclagem em camisetas, bandeiras e até – com ajuda da F4bs e do Pitanga do Garoa Hacker Clube –  acompanhei a confecção de um chaveiro metarecicleiro na Makerbot deles. Na quarta, alguns ainda assistiram à mesa internacional sobre laboratórios – sobre a qual vou escrever outro dia. Um email de agradecimento que eu enviei na lista de discussão redelabs desdobrou-se em conversas muito relevantes que percorreram as semanas seguintes.

No fim das contas, apesar dos percalços e de tudo que eu faria diferente, acredito que o encontro RedeLabs foi extremamente positivo. Deu vazão a uma conversa necessária mas que, por força das circunstâncias, nunca tinha acontecido intencionalmente. Aquelas pessoas costumam se encontrar em outros eventos, mas sempre tratando de assuntos outros. Já sem levar em conta o conteúdo tratado, o simples fato de pessoas em contextos tão diversos terem respondido e efetivamente participado já é uma resposta: existe sim interesse em criar essa conversa colaborativa. Melhor ainda com a qualidade das apresentações e conversas realizadas. Como continuar daqui para a frente? Existem um monte de possibilidades: uma publicação (ou mais) sobre estruturas e laboratórios no Brasil, outros encontros RedeLabs, projetos de intercâmbio, residências/itinerâncias, elaboração de projetos de apoio e bolsas, participação em eventos, etc. A lista de discussão está agora aberta a quem quiser participar, e sempre estamos abertos a sugestões por lá.

RedeLabs – Valeu

terça-feira, novembro 30th, 2010

Ao fim do primeiro dia do encontro RedeLabs, enviei essa mensagem para as pessoas que participaram:

Obrigado pela presença de quem pôde, obrigado pela lembrança de quem não pôde. A conversa foi longa e cansativa, mas necessária. Funcionou? Não sei, tenho aqui muitas anotações para mudar nas próximas ocasiões. Foi longo demais, faltou o break, não chegamos a ter nenhum encaminhamento específico, faltou aprofundar em alguns pontos importantes que acabaram sendo encobertos pelo barulho & fadiga. Mas eu já considero uma vitória a gente ter conseguido se reunir, passar a tarde juntos e tocar em tantos assuntos.

Jarbas fez algumas sugestões de encaminhamentos, quase no fim.

A primeira era sobre editais para pessoas físicas. Pra quem não estava até o fim, eu cheguei a comentar sobre um edital que está engatilhado no ministério, para bolsas de pesquisa em cultura digital. Eu participei da elaboração da minuta do edital, posso falar mais sobre isso amanhã pra quem quiser saber. Vou também, como o Novaes sugeriu, publicar o texto da minuta do edital. [por recomendação do pessoal do Minc, só vamos publicar o texto do edital depois que ele for lançado]

A segunda era sobre intercâmbio, e acho que isso dá uma conversa boa também – tanto intercâmbio dentro do Brasil quanto fora. Outro assunto pra gente conversar amanhã.

A terceira era sobre como a cultura digital experimental pode se articular com o plano nacional de banda larga. Acho que aí tem uma conversa profunda sobre apropriação, que também pode rolar amanhã.

Eu quero sugerir ainda mais dois temas pra gente conversar:

  • Uma publicação sobre laboratórios experimentais no Brasil, talvez a partir da conversa de hoje, e ainda recebendo colaborações de todxs e conversas futuras.
  • O próximo encontro redelabs – onde, quando, como?

Mais duas coisas:

Bora. Até amanhã à tarde, na tenda “Hands On”.

Precisarem de algo, tamos aí.

RedeLabs – uma semana

terça-feira, novembro 30th, 2010

Quando faltava uma semana para o encontro RedeLabs, mandei a mensagem abaixo para todo mundo que tinha confirmado a participação. Ela dava um retorno sobre algumas conversas paralelas, falava sobre o status dos planos e incluía uma compilação de posts do blog RedeLabs.

Em primeiro lugar, quero agradecer ao retorno de todxs. Já somos mais de cinquenta pessoas confirmadas no encontro RedeLabs. Acho que estamos propondo uma conversa bem potente, a julgar pelas propostas de microapresentações que já apareceram por aqui e pelos comentários recebidos por email. Tem 2 ou 3 de vocês que ainda não conseguiram confirmar, por favor avisem o mais rápido possível se poderão vir…
Aliás, sobre as microapresentações: já temos dez propostas, mas ainda tem espaço pra mais. Estamos no aguardo de mais propostas por aqui, bora galera!
Eu fiz uma pequena compilação de textos do blog redelabs. São alguns posts que resultaram do levantamento e investigação que fizemos nos três meses de pesquisa do projeto. Ainda tem muito material que não consegui editar, algumas entrevistas e relatos, mas isso fica pro futuro. Segue em anexo essa versão incompleta, em PDF.
As conversas na lista de discussão estão engatinhando, naquele ritmo de um grupo de pessoas que ainda não se conhece muito bem. Quem ainda não apareceu, cole lá: http://groups.google.com/group/redelabs

Entrevista – Drew Hemment

sexta-feira, agosto 20th, 2010
Drew Hemment

Drew Hemment

Continuando o post anterior (sobre o Future Everything), vai abaixo uma curtíssima entrevista que consegui fazer com Drew Hemment. Drew é diretor do festival Future Everything, que nesse ano sediou também a Glonet (global networked event) – que contou com um capítulo brasileiro junto com o Arte.Mov. Ele esteve no Brasil há alguns anos (relato aqui).

efeefe: Faz sentido chamar os projetos que o Future Everything exibe de “cultura digital experimental”? O que você acha dessa expressão e como isso se relaciona com o contexto mais amplo de como as tecnologias se inserem no mundo (em termos econômicos, artísticos, sociais, ambientais, etc.).
Drew Hemment: “Cultura Digital” já foi referido anteriormente a grupos de pessoas engajando-se naquelas mídias e artes digitais que eram relativamente fáceis de distinguir da cultura não-digital. Hoje, à medida que o espaço digital se espalha para todas as áreas, é muito mais difícil identificá-lo como uma área discreta. Eu nunca usei o termo “cultura digital experimental”, mas é uma opção possível para indicar aquelas áreas do espaço digital mais amplo que incluem artistas, hackers, a borda mais interessante da comunidade de desenvolvedores, etc.
efeefe: Eu sei que vocês têm experimentado com formatos bastante enredados, com particular sucesso na Glonet (conferência enredada global). Por que vocês propuseram isso?
Drew Hemment: A motivação foi em primeiro lugar a sustentabilidade ambiental – reduzindo a necessidade de viagens aéres -, e em segundo lugar buscar novas maneiras de se estar conectado globalmente em uma época em que a telepresença e afins se tornaram interessantes outra vez. Os resultados podem ser vistos em nosso blog.
efeefe: Que tipo de mecanismo de apoio ainda falta para propiciar a produção de experimentação cada vez mais enredada e sustentável? Por exemplo, alguns artistas demandam alternativas de financiamento que enfoquem menos em obras artísticas e mais em processos, o que possivelmente levaria a produção menos competitiva e mais cooperativa. Que papel você imagina que o governo deve ter nesse contexto?
Drew Hemment: É uma pergunta difícil de responder sem transformar em um grande texto que infelizmente não posso fazer agora. Eu concordo bastante com sua afirmação. No clima econômico atual, agora é a época de ser muito empreendedor, não no sentido de buscar lucro, mas de ser inventivo em como se desenvolve e apoia projetos. É o que nós mesmos estamos tentando. Não temos todas as respostas, mas estamos definitivamente fazendo as perguntas!
Pessoalmente, tendo a pensar que o financiamento público não pode ser toda a resposta… No Reino Unido o governo não se demonstrou muito bom em ver o valor da cultura DIY emergente [grassroots]. O Brasil foi (algumas vezes) melhor. Ao mesmo tempo, muitas pessoas na área valorizam sua independência. Eu gostaria de ver os governos apoiando mais essa área, apesar de, como eu falei antes, eu não ver financiamento como a resposta a tudo.

Future Everything – Festivais como Laboratórios Vivos

sexta-feira, agosto 20th, 2010
Contact Theatre

Contact Theatre

O Future Everything é um festival que acontece anualmente no Contact Theatre em Manchester, Inglaterra. Criado há mais de 15 anos (quando ainda se chamava Futuresonic), é um dos eventos mais importantes daquilo que estamos chamando aqui de cultura digital experimental. Eu tive a oportunidade de participar do festival em 2008 (relatos aqui e aqui) e em 2010 (aqui e aqui).

Há alguns meses Drew Hemment, diretor do festival, escreveu um post de blog contextualizando os Future Everything Labs e levantando um dos (meta-) temas da próxima edição: Festivais como Laboratórios Vivos. Traduzo um trecho abaixo:

“A melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo”.
Esta citação de 1971 do cientista da computação norte-americano Alan Kay, mencionada dentro da mostra artística do FutureEverything em 2010, captura um ethos comum na cultura digital atual.
O festival FutureEverything busca “trazer o futuro para o presente”, agregando uma comunidade mundial de artistas, tecnólogxs e pensadorxs do futuro para compartilhar, inovar e inventar o futuro.
O FutureEverything apresenta intervenções participativas de arte-design que constroem futuros possíveis e possibilitam que as pessoas os habitem como experiências e experimentos. Esses experimentos projetam e testam inovações na arte, sociedade e tecnologia, e geram ideias e conceitos colaborativamente. Projetos artísticos participativos no festival anteveem e experienciam transformações na sociedade ou nas tecnologias, trazendo o futuro ao presente.
A perspectiva de laboratório vivo emergiu de disciplinas como a ciência computacional e o design. Ela implica tirar a pesquisa do laboratório para testar ideias e protótipos com participantes em situações da vida real. Ela vai além do simples teste com usuários, envolvendo-os na co-criação, experimentação e avaliação.
O laboratório vivo do FutureEverything envolve uma visão diferente da curadoria artística, em que o curador assume o papel de disruptor, ensaiando experimentos participativos na vida urbana moderna que levam as pessoas a verem problemas de maneira diferente, e contribuírem para mudanças. Ele também tem características do pensamento de design, particularmente do design participativo.
O FutureEverything combina essas influências para transformar a cidade de Manchester em um laboratório vivo, ou espaço de atuação [play space] para experimentos participativos.
O festival cria um espaço no qual as pessoas podem experimentar e atuar. As atividades podem incluir obras de arte, protótipos de tecnologia, inovação social e projetos de design. Isso fica mais interessante quando é realmente colaborativo e as pessoas estão fora de seus papeis convencionais – artistas fazendo espaços sociais, comunidades criando tecnologia, tecnólogxs possibilitando que percebamos o mundo renovado.
Em seu programa artístico e em sua conferência, o FutureEverything reúne artistas, curadorxs, tecnólogxs, pesquisadorxs, críticxs, futurólogxs e cientistas para descobrir as pequenas faíscas que se desdobram em novas maneiras de ver o mundo. Ele destaca mostras artísticas, oficinas, performances e intervenções, incluindo muitas estreias mundiais – transformando a cidade em um espaço para experimentação e fazendo-a viva.
Adotando essa perspectiva, o FutureEverything pode inventar e testar novas alternativas provocadoras para desafios na arte, sociedade e tecnologia, e contribuir para debates internacionais na arte, na inovação social e na cultura digital.

FILE

sexta-feira, julho 30th, 2010

Hoje de manhã dei uma passada rápida no FILE pra encontrar com Ricardo Brazileiro, que veio com a galera do Laboca de Recife pra dar oficinas de arte e tecnologia, além de exporem obras que concorrem ao File Prix Lux. Cheguei e tava uma bela zona de arduinos, máquinas, projetores e ruídos pra tudo que é lado. Laboratório vivo, pulsante de descobertas. Galera empolgada. Deu gosto de ver. Brazileiro me apresentou pro Jarbas Jácome que fez minha fita ali de um jeito que até me deixou envergonhado ;)

Labtolab – diário

segunda-feira, julho 12th, 2010

Consegui terminar de escrever um post sobre minha passagem por Madrid durante o Labtolab. Publiquei no blog Desvio, e pros próximos dias estou escrevendo outro post com conclusões e insights depois de ter passado pelo encontro de medialabs.

Um resumo do Brasil profundo

segunda-feira, junho 14th, 2010

Escrevi há dois anos um artigo que seria publicado como caderno submidiático #7 do des).(centro e posteriormente no livro Apropriações Tecnológicas. O que segue abaixo é uma tentativa de contar a mesma história sob a perspectiva dos laboratórios de mídia.

Em 2002, quando começou a articulação para a realização de um “Laboratório de Mídia Tática” em São Paulo, eu demorei alguns meses para entender porque o chamavam de “laboratório”. Entendi menos ainda quando o festival Mídia Tática Brasil finalmente aconteceu, muito mais focado em colocar as pessoas em contato do que em fazer coisas novas acontecerem ou promover experimentação. De qualquer maneira, ele promoveu o contato e a troca entre um monte de gente que se reencontraria várias vezes nos anos seguintes. Teve ainda o mérito de propor atividades no telecentro da Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, uma ação incipiente mas promissora de convergência entre o referencial ativista internacional e a realidade brasileira. Isso se aprofundaria, por exemplo no projeto Autolabs, criado e desenvolvido em 2004 por integrantes dos coletivos que estavam no MTB. O Autolabs sim acabou assumindo um papel mais experimental. Apesar de ser antes de tudo um projeto focado na educação midiática, ele proporcionou um ritmo de convivência entre as pessoas que levou a um grande nível de experimentação – técnica, social e administrativa. As bases do que foi desenvolvido e testado por ali seriam depois replicadas em muitos outros projetos, entre eles a ação cultura digital nos Pontos de Cultura.

No fim de 2003, alguns dos participantes do MTB fomos convidados para a última edição do Next Five Minutes, na Holanda. Conhecemos lá o pessoal do Sarai (Nova Déli), que tinha uma plataforma de intercâmbio com a fundação Waag (Amsterdam). Eles estavam lançando uma chamada para projetos para a plataforma. Pediam que se enviassem propostas para a criação de um centro de mídia para promover intercâmbio “sul-sul”. Foram selecionadas propostas do coletivo Mídia Tática – que propunha um ônibus que circulasse pelo Brasil – e da MetaReciclagem – que já tinha dois espaços de trabalho, em São Paulo e Santo André.

Ao longo do desenvolvimento do projeto nos meses seguintes, o Mídia Tática propôs uma estratégia para a criação de três centros de mídia – em Campinas, São Paulo e Rio. No Rio, Ricardo Ruiz e Tatiana Wells chegaram a criar o IP, um espaço na Lapa. Já a MetaReciclagem, à medida que se espalhava para novos espaços – o próprio IP, novas iniciativas em outros lugares do Brasil e a perspectiva iminente de implementação dos Pontos de Cultura, além de outros projetos públicos – decidiu não propor nenhum centro, mas pensar uma estratégia em rede para a ocupação de espaços que já existiam. Ela propunha não laboratórios, mas “esporos”, espaços auto-geridos que se comunicariam através de uma rede aberta.

Essas duas perspectivas foram apresentadas no encontro da plataforma no fim de 2004, na Índia. Segundo a avaliação dos parceiros internacionais, nenhuma das duas propostas no Brasil “estava pronta” para desenvolver um centro. Na opinião deles, ainda estávamos em uma fase prematura de organização. Hoje eu tenho mais elementos para afirmar que, pelo contrário, estávamos propondo uma forma de para-organização (como sugere Jamie King nesse PDF aqui). A plataforma Waag/Sarai se propôs a promover a residência de dois integrantes da MetaReciclagem no projeto Cybermohalla, em Nova Déli; e a apoiar uma publicação e um evento organizados pela Mídia Tática. O evento tornou-se a Submidialogia, que teve sua primeira edição em 2005 em Campinas, e depois outras edições ao longo dos anos – em Olinda, Lençois, Belém, Atins e Arraial d’Ajuda – a próxima será na Baía de Paranaguá.

Naquela primeira edição da Submidialogia, foram dados os primeiros passos para estabelecer-se o des).(centro, que incorporou desde o início todo o referencial de ação em rede e produção colaborativa – suas assembleias se realizam através da internet, e não existe a figura do presidente ou qualquer eufemismo equivalente. O próprio nome da associação já traz uma visão crítica do caminho tradicional das organizações – que muitas vezes começam com grupos de afinidade mas acabam tendendo à centralização, à especialização e à alienação.

Ao longo de todos esses anos, esse grupo bastante heterogêneo e disperso, assumindo diversas identidades dinâmicas e formando subgrupos que se mesclam e reformam o tempo todo, também realizaram outras ações e eventos – o festival Findetático, o encontro Digitofagia, as próprias conferências Submidialogia e muitos encontros e ações entremeadas no meio do cenário cultural e político. Agregou ainda muitas pessoas interessadas em diversos aspectos da apropriação de tecnologias. Realizou experimentação em diversas áreas, inclusive em formatos de organização e trabalho coletivo – até na própria implementação da cultura digital nos Pontos de Cultura, que incorporou princípios de autonomia, conhecimento livre, aprendizado em rede e outros, promovendo um diálogo profundo do formato hacklab com a realidade institucional no governo. E continua se refazendo a todo instante.

Labtolab

segunda-feira, junho 7th, 2010

Estou essa semana em Madrid para o Labtolab, encontro de laboratórios de mídia organizado pelo Medialab Prado. Vou falar um pouco sobre MetaReciclagem e tentar trazer um pouco da reflexão dos redelabs.

Minha estada aqui está sendo apoiada pelo Centro Cultural da Espanha em São Paulo.

Eventos

sexta-feira, maio 28th, 2010

Um pilar fundamental para o desenvolvimento de cultura digital experimental é a realização de eventos onde ela seja reconhecida enquanto linguagem, inovação e ação social. Talvez aqui no Brasil isso seja o que a gente já tem de mais bem desenvolvido. Desde todo o processo de descoberta e realização que passou pelo Mídia Tática Brasil, Findetático, Digitofagia e acabou gerando as conferências Submidialogia, até os festivais internacionais de alto nível como FILE, Arte.Mov e Mobilefest, além de diversos eventos que, mesmo com focos diversos, abrem espaço para essas iniciativas, o Brasil já começa a ter um calendário de eventos interessantes, que promovem o encontro e a troca entre o meio.

Eu estive recentemente na Future Everything, em Manchester. Além do grande interesse no Brasil, que resultou na realização de uma perna da conferência internacional enredada (GloNet) em São Paulo, o FE contou também com uma temática bastante relevante, e com a participação de pessoas do mundo inteiro, que estavam ali dispostas a trocar e conversar. Relatei mais sobre o evento no Desvio.