Somos animais culturais!

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Por que não revisitamos ou resignificamos, para adaptar a novos paradigmas, o conceito de Responsabilidade Social? Termo desenvolvido ao longo do século XX e assimilado pelo senso comum para atender às necessidades do mundo corporativo e que utiliza a cultura como um dos eixos de atuação.

O termo surgiu no começo dos anos 1900, cunhado pelo empresário e filantropo estadunidense Andrew Carnegie (1834-1919), ao definir que o “princípio da responsabilidade social se baseia na premissa de que as organizações são instituições sociais”, quando, em 1899, publicou nos Estados Unidos da América a obra “O evangelho da riqueza”, caracterizando dois princípios básicos, relativos à responsabilidade social da empresa: “caridade e  governança”.  O próprio título da obra já dá o aspecto religioso que o empresariado, intuo pentecostal, e estabelece o retorno desejado com a caridade oferecida, que seria uma melhor governança, e consequentemente maior lucro.

Mas foi somente com o trabalho de Howard Bowen, intitulado “Responsabilidades sociais do homem de negócios”, publicado em 1953 nos Estados Unidos da América e em 1957 no Brasil, que se demarcou o início de uma análise mais criteriosa e profunda. Bowen debruça-se sobre as relações entre a sociedade e os negócios e define a responsabilidade social como «o dever dos homens de negócios em perseguir as políticas que são desejáveis em termos de objetivos e de valores da sociedade». Segundo este autor, o negócio está inserido na sociedade e não pode ser visto como uma entidade independente da sociedade. Tanto os negócios como as pessoas nascem e crescem numa determinada sociedade estabelecendo laços profundos. O sucesso das pessoas e dos negócios depende do sucesso da sociedade.

A sociedade então foi cooptada pelo negócio e este passou a ter uma premissa de que tem a responsabilidade de criar uma política (interna) para atender os objetivos e valores da sociedade. Todos nós sabemos que estes valores numa sociedade capitalista, está baseado na ascensão e no acúmulo de recursos e bens, e muito pouco em valores culturais, no território onde vive o trabalhador, na relação com os serviços públicos e como melhorar a qualidade de vida destes e dos que vivem em seu entorno.

Com o passar do tempo outros momentos na historia da evolução, como na crise do meio ambiente, a Responsabilidade Social sofre transformações para atender, no meu ponto de vista, de forma mitigatória os danos causados ao meio ambiente em troca de alguma benesse, como crédito de carbono, ou a conservação de alguma área ambiental protegida, o que também é aceito pela sociedade e seus governantes.

Atualmente a questão ambiental está na ordem do dia, desde a ECO 92 e depois a RIO +20, acordos e desacordos são traçados para diminuir o aquecimento global e suas consequencias, a preocupação foi refletida nos ODM Objetivos do Milênio até 2015 e depois com os ODS Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, e teve à partir da RIO +20 a inclusão da Cultura como o quarto eixo do desenvolvimento sustentável.

E aqui começa a reflexão, na ECO 92 , quando surge o termo da Ecologia como uma questão de inclusão nas políticas de todos os países, foi estabelecido três eixos de atuação: Ambiental, Econômico e Social. Onde estaria a Cultura? No eixo social, afinal a cultura é exercida na sociedade, mas ficaria secundarizada e perdia a sua importância que tem impacto inclusive nos outros dois eixos. A partir desse ponto inicia um processo de convencimento dos países por meio de fóruns e cooperação articulada pela UNESCO e a UCLG Unitede Cities and Local Governements, para tratar a Cultura como o quarto ;eixo do desenvolvimento sustentável e que veio a se concretizar na RIO +20 e implementada nas ODS.

Roy Baumeister em Animal Cultural faz a seguinte reflexão:

“A cultura é uma maneira melhor de ser social. Ou seja, a cultura surgiu como uma estratégia para lidar com os ambientes sociais e físicos. Em última análise, a cultura se desenvolveu porque serviu os objetivos biológicos de sobrevivência e reprodução. Com certeza, as culturas desenvolveram ideias, objetivos e propósitos adicionais, mas a razão pela qual a seleção natural criou as capacidades necessárias para a cultura é porque alguns animais descobriram que poderiam sobreviver e se reproduzir melhor fazendo uso da cultura.

Por que poucas espécies usam cultura, se é tão bom? Quase com certeza, é porque a cultura é difícil para a natureza. A vida na cultura requer estruturas consideravelmente mais internas do que viver nos mundos sociais ou físicos. ”

Se somos animais culturais precisamos estabelecer novos paradigmas para a Responsabilidade Cultural, tanto nos ambientes do trabalho, da gestão pública e da sociedade, está lançado o desafio e nos próximos textos vamos aprofundar a discussão.

 

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