Qual a vocação da sua cidade?

foto: Augusto Pessoa

foto: Augusto Pessoa

A cultura como atrativo turístico é um dos temas desses tempos modernos. Quando um turista  visita uma capital como São Paulo sabe que vai encontrar de um tudo, como dizem os pernambucanos, boa gastronomia, bons espetáculos de teatro, bares e tal… da mesma maneira quando for a Recife-Olinda, impossível não associar ao frevo, ao blocos e seus bonecões, são marcas identitárias importantes. Mas e para as outras cidades do Brasil? Ainda há que se construir esse caminho, certamente teremos algo que atraia o turista, que se encantará, talvez não com os teatros e restaurantes, ou o serviço das grandes cidades, mas terá uma experiência única em viver culturas diferenciadas, formas de hospitalidade espontânea construída pela simplicidade ou pela capacidade extrovertida do brasileiro.

Em tempos de cidades criativas, e construções de modelos e arranjos inovadores , deixamos de lado modelos simples e tradicionais construídos por pessoas persistentes e que acreditam na transformação da cidade e seus habitantes pela cultura, por meio de soluções criativas e com escassos recursos e que são reconhecidos a posteriori e conseguem encontrar formas alternativas de fomento.

É o caso da Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri na cidade de Nova Olinda no estado do Ceará, projeto do casal Rosiane Limaverde e Alemberg Quindins , músicos e arte-educadores que em 1992 transformaram uma antiga casa da fazenda Tapera, em um centro cultural, não um qualquer, um administrado por crianças e que colocou Nova Olinda na rota do turismo na região do Cariri, e que promoveu um desenvolvimento da cidade e seus moradores.

As dificuldades iniciais estava mais relacionadas a criar um espaço onde o protagonismo você a criança, e não subestimar a capacidade de organização e responsabilidade, valores que o casal apresentava para esse pequenos habitantes de uma cidade com 16 mil moradores e que é considerada pobre pelos índices econômicos, mas rica em outros valores intangíveis.

A música foi um dos carros chefes do projeto e permitiu formar as crianças primeiramente brincando com a banda de lata, onde os instrumentos eram fabricados com latas e madeira, e os sons emitidos pela boca, assim surgiu Us Cabinha  que depois começavam a aprender a tocar instrumentos e a ler partitura.

À partir das necessidades locais a Fundação criou um programa que contempla : memória,, Artes, Comunicação e Turismo, que são atendidos por dois laboratórios, um de Conteúdo com: Gibiteca, DVDteca, Discoteca, Biblioteca, Educação Patrimonial e Informática; e outro de Produção com: Memorial, TV, Rádio, Editora, Teatro.

A formação de Rosiane Limaverde em arqueologia permitiu que o programa de MEMÓRIA resgatar o acervo mitológico e arquelógico da pré história do homem da região do cariri,catalogando-os e expondo-os para formação antropológica que a Fundação Casa Grande desenvolve nos laboratórios de produção.

Foram criados 5 museus, entre eles o do mestre Espedito Seleiro, artesão e patrimônio vivo do Ceará que tem uma atelier para formação de novos artesãos de couro, criador de bolsas, calçados, roupas e designers para móveis.

As mães tem um papel importante na culinária e na hospedagem dos turistas, que vão para além de conhecer a Fundação e seus equipamentos, participar de eventos como festival de músicas e seminário em 2016 passaram pela cidade mais de 60.000 turistas, o que mostra que estão no caminho certo para um desenvolvimento sustentável e transformador. A direção da fundação é realizada pelos então meninos de 1992 e que se especializaram em criar soluções vencedoras para o desenvolvimento de Nova Olinda.

As vocações podem ser construídas pela percepção dos atrativos naturais, como as inscrições deixadas pelos cariris e que se tornaram museu ou do povo, no caso as crianças e os artesãos que ganharam reconhecimento para além do seu território.

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