O que a Cultura precisa aprender com o Turismo

São João de Campina Grande PB - foto:  Lívia Nascimento MTur

São João de Campina Grande PB – foto: Lívia Nascimento MTur

Em tempo de festas juninas, época mais importante do calendário dos eventos culturais dos estados, em especial do nordeste, tive a oportunidade  de participar entre 19 e 21 de junho de 2018, do 18º Congresso de Turismo Paulista,  organizado pela AMITur – Associação Brasileira dos Municípios de Interesse Cultural e Turístico, que me inspirou a escrever essas linhas.

A AMITur é constituída por representantes de municípios paulistas que fazem parte da política estadual de desenvolvimento do turismo paulista, que fomenta ações em 140 cidades com potencial turístico.

Na estrutura da Secretaria Estadual de Turismo existe o DADETUR Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos, responsável pelo programa MIT Municípios de Interesse Turístico, que fomenta o desenvolvimento do turismo na cidade por meio de um repasse que pode chegar a R$ 500 mil/ano, segundo uma das palestras sobre o balanço das ações este ano, foram repassados R$ 400 milhões/ano para os municípios, recursos provenientes do Fundo de Melhoria das Estâncias.

A receita que o Fundo disponibiliza para os municípios é composta pela somatória dos Impostos Municipais de todas as estâncias por meio da apresentação de seu DREMU (Declaração de Receita Tributária Própria Municipal). Há também uma dotação oriunda do Governo do Estado no próprio Plano Plurianual. O orçamento que é disponibilizado para cada cidade, anualmente, também varia de acordo com a participação do próprio município na composição do Fundo de Melhoria das Estâncias.

Os municípios que desejam ter acesso aos recursos do fundo, devem constituir um Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) e um Plano Diretor de Turismo, o que é bem semelhante com a proposta do Sistema Nacional de Cultura e o CPF – Conselho, Plano e Fundo.

Mas o que precisamos aprender com o Turismo, vejamos, a primeira observação está relacionada ao COMTUR que na sua constituição tem conselheiros ligados à cadeia produtiva do turismo, ou como preferem o trade turístico, composto por representantes responsáveis pela hospedagem, bares e restaurantes, Centros de Convenções e Feiras de Negócios, agências de viagens e turismo, empresas de transporte, lojas de souvenires.

O Conselho de Cultura já tem uma composição mais representativa das linguagens artísticas, diversidade cultural, representantes de classe, produtores culturais, Sistema S, Instituições Culturais públicas e privadas.

Qual a diferença principal no Turismo, a presença de empresários que participam dos conselhos e se envolvem com as políticas e claro com os benefícios inerentes às ações, já na Cultura inexiste essa presença, embora todos os representantes se beneficiem das políticas públicas, não existe o entendimento de que Cultura pode ser encarada como um vetor de desenvolvimento econômico, gerador de empregos e de rentabilidade, o que nos deixa em desvantagem em relação ao turismo, que também contemplam benefícios para o município.

Precisamos refletir, aprender e aplicar com a experiência do turismo que cresce ano a ano e consolida uma política de interesse da sociedade e das gestões, o Turismo Cultural é um dos vetores da política, mas ainda tratado apenas como um atrativos, a EMBRATUR em 2009 realizou um pesquisa “Perfil do Turista Estrangeiro e Imagem do Brasil”, que teve o que o brasileiro é o melhor do Brasil (45%), no entanto a produção cultural desse povo ainda não tem a devida valorização.

Para concluir, é necessário ter uma organização mais profissional do setor cultural, com parcerias estratégicas que permitam alavancar outras políticas, principalmente as do turismo, e conquistar investimentos para além do orçamento  público.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


*