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mar 15

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Fake

FakeSabe, comecei esse diário porque acho que estou pirando legal. Eu sou uma vampira. Uma jovem e estúpida vampira. Ignorante e abandonada vampira. Sempre fui de me entregar a uns solilóquios, principalmente quando começam com “sabe…”. Acho que é uma forma de validar minha posição de interlocutora de mim mesma.

Fui transformada em vampira com um objetivo preciso: ser bucha de canhão e morrer. O cara que me transformou é um cretino. Ele me tratou como imbecil o tempo todo. Fez questão de dizer que eu estava ali só para morrer (de novo) pela causa maluca dele.

O grupo dele fazia uns rituais de beberem o sangue uns dos outros e até disso ele me deixava fora. “Ela é dispensável”, disse ele uma vez para outro como se eu não estivesse presente. Da última vez, o cretino do Joaquim queria me convencer de que eu era muito forte, “a mais forte de nós” para me jogar contra um lobisomem. A razão é simples. Eu ia ser destroçada pelo bicho, enquanto eles fugiriam. Como arrumaram um plano melhor, mas que causaria a possível perseguição por outros vampiros, ele me entregou uma granada e pediu para que eu fosse na direção dos inimigos e chegando lá puxasse o pino. Ele realmente achava que sou uma idiota.

Ele me transformou e nem sequer soube meu nome. Não teve sequer a delicadeza de perguntar. Pelo contrário, ele moldou a carne de meu rosto como se fosse argila, transformando-a em uma réplica da líder do grupo dele. O nome dela é Amanada. Pelo o que entendi depois, ela estava sendo caçada, sei lá por quem. Ele me transformou em vampira e me fez ficar parecendo com ela para o caso do assassino chegar ao bando deles. pois é! Isso mesmo! O cara me mataria no lugar do alvo verdadeiro. Simpático da parte dele, né? Dele não, deles, afinal não estava sozinho.

Eu tenho ressalvas para dois do grupo e só. Um ex-policial meio pirado que entrou para o grupo na véspera da minha saída e um bonitão que foi o único que perguntou meu nome e me tratou como uma vampirinha camarada. Eles se chamavam Pedro e Antônio.

Sabe, é aqui que começa a minha história. O Joaquim acabou de me mandar ir na direção dos vampiros inimigo e puxar o pino da granada. Disse que eu sou forte para resistir ao dano. Fala sério, né? Será que achava que eu era estúpida ao ponto de não sacar que eles estavam fugindo? E que se a explosão não afetasse vampiros, não faria sentido explodir os inimigos.

Cara, tirando o Antonio, eles nem souberam meu nome. Eles me chamavam de Amanda Fake. De certa forma, me conformei com isso. Eu sou uma vampira agora. A Luisa morreu quando aquele escroto enfiou as presas em mim. Para não dizer que eu não ganhei nada com ele, eu herdei o seu dom de moldar carne e tenho muitos planos para ele. Para começar, não serei mais a “Amanda Fake”, pois isso ia me faz lembrar muito o Joaquim e as ideias dele sobre mim. A verdade é que podendo moldar meu rosto, posso ser vera, Joana, Carlos, Marcelo e quem eu quiser. Daqui pra frente, some “Amanda Fake” e eu serei apenas “Fake”. E Joaquim, ainda vamos nos ver novamente, seu escroto.

 

 

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