Ferramenta interativa incentiva a participação dos internautas na elaboração de uma política pública para as novas tecnologias. Um seminário internacional, que acontece entre 18 e 21 de novembro, em São Paulo, vai sistematizar as contribuições

As possibilidades de participação, construção e distribuição no mundo virtual crescem exponencialmente. No Brasil, são aceitas e divulgadas numa velocidade impressionante se compararmos com países mais ricos e com menores índices de exclusão social e digital. No ano passado, por exemplo, de acordo com relatório do Comitê Gestor da Internet, cerca de 90% dos internautas brasileiros participaram de redes sociais, como o Orkut, Twitter, Facebook; 14% interagiram na rede alimentando ou criando blogs e fotologs, produzindo e distribuindo informação; 49% utilizaram a internet para ver e compartilhar filmes e vídeos.

O potencial de interação da internet no Brasil pode ser chave para ampliar a participação da sociedade na consolidação e na fiscalização da democracia. Iniciativas pioneiras no Brasil já começam a circular e explorar a rede mundial de computadores. A criação do Fórum de Cultura Digital Brasileira em julho foi um marco para o início do debate para a criação colaborativa e democrática de políticas públicas de cultura digital.

Nessa rede, o cidadão pode se cadastrar, criar o seu perfil e articular grupos, postar conteúdos, além de conhecer pessoas que também pensam a cultura digital. Mesmo que o usuário não queira se cadastrar na rede, poderá acessar o conteúdo disponível e acompanhar os debates – diferentemente de redes como Orkut e Facebook, a rede da Cultura Digital é aberta e integrada às outras redes já existentes, gerando conversas dentro do site, mas também explodindo suas informações para toda internet. Em três meses de funcionamento, o fórum já conta com mais de 2.300 participantes, 143 grupos de debate, 233 blogs, 711 posts, 649 seguidores no twitter e mais de 45 mil visitantes.

Recentemente, um debate importante circulou na rede culturadigital.br: o processo colaborativo de discussão e formulação de um marco civil para a internet brasileira. A iniciativa do Ministério da Justiça já repercutiu e gerou grande participação dos internautas, não só pela rede da culturadigital.br, como pelo twitter, mostrando uma nova forma de fazer e pensar as políticas no país.

Nos eixos de discussão do Fórum da Cultura Digital Brasileira, os cidadãos se dividem nos temas de seu interesse, tais como inclusão digital (acesso da rede a todos os brasileiros), modelo regulatório (direitos e obrigações das empresas e usuários, privacidade e neutralidade na rede), infovias (troncos de alta velocidade e redes de servidores), digitalização de acervos (bibliotecas e museus), novos modelos de negócio (desenvolvimento de softwares, a cultura colaborativa), direitos autorais (cópia autorizada, licenças livres e repartição dos lucros), arte digital (novas linguagens e novos circuitos de produção e distribuição), comunicação digital (produção e troca da informação, acesso ao conhecimento científico e o uso da língua portuguesa na rede).

A sistematização dessas discussões poderão ser acompanhadas presencialmente durante os dias do Seminário Internacional do Fórum de Cultura Digital. O evento acontecerá entre os dias 18 e 21 de novembro, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo e vai consolidar as ideias que circularam na rede para a elaboração de uma proposta de política pública da cultura digital.

Abaixo, confira um resumo de cada um dos cinco eixos:

- Infraestrutura Digital: http://www.culturadigital.br/infra/

Sob a curadoria de Diogo Moyses, jornalista, radialista e pesquisador em regulação e políticas de comunicação, o eixo busca formular propostas de políticas de acesso e inclusão, além de avaliar a infraestrutura disponível no país e propor formas de democratizá-la. A infraestrutura para a cultura digital é composta pelos meios materiais e imateriais necessários para garantir a produção, a difusão e o acesso à cultura digital. Tal estrutura envolve o uso e exploração de redes, processadores, servidores, terminais e softwares, com modelos de exploração de serviços e negócios diversos.

- Economia da Cultura Digital: http://culturadigital.br/economiadaculturadigital/

A proposta apresentada pela curadora do eixo, a jornalista Oona Castro, prevê a definição dos pontos e o estabelecimento de marcos a serem explorados, de modo a determinar a abrangência do conceito. A ideia é construir o cenário da cultura digital brasileira, por meio de levantamento de dados, relatos e estudos de caso, mostrando a importância da economia digital e suas possibilidades.

- Arte Digital: http://www.culturadigital.br/artetecnologia/

Coordenado por Cícero Inácio da Silva, o grupo debate entre outras coisas a linguagem na era digital e a democratização da criação cultural através do barateamento dos custos e da fruição dos bens culturais. Os debates já renderam a organização de um comitê para atuar diretamente com o Ministério da Cultura e a eleição do seu conselho. “A participação e o engajamento da sociedade civil envolvida, de pesquisadores e acadêmicos no campo da arte digital brasileira tem sido enorme. Já traçamos diretrizes e estabelecemos áreas importantes para a arte digital, como formação, fomento, criação de circuitos, produção e disseminação. Conseguimos nos unir em torno de um ideal comum e começamos a mostrar que o campo das artes digitais estão em franco debate para se estabelecer como uma área de produção e reflexão crítica na seara das artes”, relata o curador do eixo de arte digital, Cícero Inácio da Silva.

- Comunicação Digital: http://www.culturadigital.br/comdigital

O grupo pretende elaborar uma carta de princípios em defesa da liberdade dos indivíduos que circulam na rede. Para isso, as propostas apresentas ao eixo coordenado pelo jornalista André Deak abrangem o direito à privacidade, o direito ao acesso à rede e aos meios digitais, educação pública no meio digital e princípios de ética para a utilização da rede, além de incorporar documentos como a Carta de Princípios para a Internet elaborada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, a declaração universal dos direitos humanos e a declaração dos direitos da criança e do adolescente.

- Memória Digital: http://culturadigital.br/acervodigital/

Coordenado pelo antropólogo Rogério Santana Lourenço, o grupo pretende elaborar a base de uma proposta de delimitação de ações do que pode ser feito em termos de digitalização do patrimônio cultural brasileiro, uma vez que entende que a continuidade, distribuição e preservação do fluxo histórico cultural do Brasil passa pelo acesso de sua população ao seu patrimônio material e imaterial digitalizado.

SERVIÇO:
Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital
Data: 18/11 a 21/11
Local: Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino)

Credenciamento de imprensa será feito previamente pelo e-mail forumculturadigital@gmail.com. Quem não conseguir mandar os dados antes, poderá se credenciar nos dias do evento. Mande seu nome, e-mail, contato telefônico e veículo. Para garantir seu lugar nas salas de debate, pedimos que chegue com 30 minutos de antecedência.

Contato:
Christiane Peres (Fórum da Cultura Digital) – 11 7547-0289 – forumculturadigital@gmail.com / melo.christiane@gmail.com
Marcelo Lucena (Ministério da Cultura) – 61 2024-2401 – marcelo.silva@cultura.gov.br