laborA percepção de singularidade do momento histórico atual predominou nas apresentações desta tarde no Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira. Participaram da mesa sobre economia da cultura digital: Ronaldo Lemos, da FGV-Rio, Ladislaw Dowbor, da PUC-SP, Juliana Nolasco, gerente de economia da cultura do Ministério da Cultura, Pablo Capilé, do Coletivo Cubo e do Circuito Fora do Eixo, Daniel Granados, da produtora cultura catalã Producciones Doradas e a moderadora Oona Castro, curadora do eixo economia do Fórum da Cultura Digital.

Lemos fez um apanhado de movimentos musicais no mundo que surgem das periferias globais e, por meio de novos modelos de distribuição, conseguem atingir o público maciçamente e contabilizam um grande retorno, inclusive, financeiro. “Tecnobegra e banda Calypso são os grandes expoentes disso no país, mas não estão isolados”, falou citando o dubstep inglês, o bubblin americano, o kuduro da Angola, a champeta africana, o coupé decalé da Costa do Marfim, o kwaito da África do Sull, entre tantos outros.

Ele mostrou o modelo em que se apoiam essas iniciativas, que acaba com intermediadores do processo cultural e aproxima usuários/consumidores dos produtores/criadores de cultura. Tese, aliás, explicitada por todos os palestrantes. “O que acontece é uma mudança radical do contexto de distribuição, que vai gerar por parte dos que trabalhavam com intermediação de riquezas uma revolta”, falou Ladislaw Dowbor.

O professor emendou ainda: “A economia da intermediação é um ranço dos séculos passados”. De lá para cá, segundo Ladislaw, o que aconteceu foi um deslocamento da economia, que estava baseada nos bens materais, para bens não tangíveis. “O conhecimento está no centro dos processos de produção de valor. E ele é um bem cujo consumo não reduz o seu estoque. Na sociedade do conhecimento, quanto mais se divulga, mas todo o planeta se enriquece. E o ponto de remuneração também está se deslocando”, disse.

Ele mostrou ainda como a lógica do copyright crie entraves ao conhecimento: “É o que chamo de economia do pedágio. Se você fecha o acesso, ele adquire valor”. Sua experiência pessoal como professor e pesquisador com diversos livros publicados e disponibilizados para download gratuito foi considerada: “Não ganho dinheiro diretamente com isso. Mas existe um ganho de notoriedade, convites para palestras que viabilizam. O fato é que eu não preciso ganhar dinheiro em todo o que faço, porque isso inviabiliza o processo como um todo”.

Experiências criativas

Pablo Capilé contou como montou o Circuito Fora do Eixo, movimento social que reúne 40 coletivos artísticos em todo o país. “Começamos organizando festivais em Cuiabá e [..] percebemos que era necessário criar uma rede de colaboração”, disse. O circuito fora do eixo tem uma moeda paralela que é usada para a troca de serviços entre os grupos atuantes. “Uma parte da remuneração é feita em “cards”, que pode ser usada em toda a rede de serviço que mapeamos”.

Outra experiência relatada foi a Producciones Doradas, na Espanha, produtora que reúne coletivos de artistas e promove além de festivais, debates sobre questões pertinentes ao mundo da música. “Tivemos que romper com as estruturas tradicionais para viabilizar o modelo”.