A rede é feita por pessoas e suas relações. E como trabalhar essas conexões entre os usuários, os países, as diferentes culturas foi o objeto de discussão da última mesa do Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital. Partiparam da debate: Raquel Rennó, brasileira integrante do coletivo ZZInc, de Barcelona, Ivo Corrêa, do Google Brasil, David Sasaki, da Rising Voices, Alfredo Manevy, do Ministério da Cultura, Amélia Andersdotter, do Partido Pirata Sueco e o moderador José Murilo, do MinC.
Em sua apresentação, Raquel mostrou o contexto geral de locais para produção e difusão da cultura na Espanha. Um deles é o Medialab Prado, que por meio de um ambiente informal, com sofás e internet grátis, passou a promover encontro de artistas, desenvolvedores, comunicadores e interessados em cultura no geral. E essa aproximação que é a base para os muitos projetos que vem acontecendo por lá. Arteleku, Open Street Map e o Hangar foram outros exemplos citados por ela.
Como trabalhar com cultura digital em países com leis, mentalidades diferentes foi o foco da apresentação seguinte, do Ivo Corrêa. “Existe uma tensão de como você articula princípios globais da rede, de liberdade de expressão, abertura, neutralidade com as preocupações dos estados nacionais de fazer valer a cultura de cada povo”, disse. Segundo o palestrante, o Google já teve produtos bloqueados ou filtrados em 40 países do mundo, incluindo França, Alemanha, Inglaterra, Itália.
O caráter recente do que são as alterações provocadas pelas novas tecnologias é, segundo ele, o que envolve essa questão. “Estamos na pré- história do que a internet representa e do que de fato é a cultura digital, por isso é natural que a gente tenha dificuldades em se acertar, mas é uma enorme oportunidade para modelar o que vai acontecer”, disse.
Ele falou ainda sobre a necessidade de garantir por meio de leis os princípios básicos da rede. “A cultura do remix precisa ser legalizada”. A relação da tecnologia com o direito também foi abordada por Amelia. “É preciso proteger as pessoas que produzem conteúdo, interagem na rede. O monitoramento constante nos preocupa”, disse contando como é complexo para o Partido Pirata debater as questões legislativas. “É muito difícil ser um legislador, se você está contra as legislações”.
A importância de estabecer políticas públicas para garantir direitos e estabelecer deveres foi abordado na apresentação seguinte, do Alfredo. “A gente tem uma grande responsabilidade pela frente. Precisamos discutir abertamente a economia da internet, porque é um grande business, há uma economia subjacente, há empresas que operam e mantêm essas redes funcionando. É legítimo perguntar como a riqueza que a internet gera pode ser melhor distribuída.”
Ele citou ainda a necessidade de estabelecer uma política pública global que dialogue e estabeleça relações com os diversos temas presentes na cultura digital: “Temos que trabalhar para que as exclusões e lógica presente da sociedade não se repita e se replique na internet. Porque a tecnologia por si só não vai alterar esse estado de forças e relações”.
Finalizando as apresentações, David falou como o conceito de artesão pode se transpor para o ambiente virtual. Exemplos de produtos na web que não são feitos para o consumo de massa e possuem um cuidado e alta qualidade na sua elaboração foram citados. David mostrou como a importância de pensar na rede como um ambiente de compartilhamento e colaboração.
Rodrigo Grecco Carvalho 22 de novembro
Palestra execelente!
Parabéns a todos!
abs
Rodrigo Grecco