O eixo Economia da Cultura Digital teve sua plenária realizada na tarde do dia 19 e contou com a presença de um grande público disposto a pensar em como criar oportunidades de empreendedorismo e mensurar o campo intangível da cultura digital. Coordenado pela curadora Oona Castro, a reunião traçou um paralelo com a economia da material, baseada na escassez, buscou-se pensar no que as ilimitadas possibilidades do ambiente digital podem trazer. Como foi colocado durante a plenária, hoje se mede “litros com régua” e os modelos de negócios se equilibram entre os tradicionais e estas possibilidades embrionárias. Abaixo, estes e outros tópicos destacados.

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  • Questão do escopo. O que está acontecendo nos meio digitais. Ainda não sabemos delimitar, porque o universo é muito informal, não temos um mapeamento.
  • Comparação com o “excedente” de café durante a crise de 1929: quanto mais cultura menor o seu valor? Queimar é um caminho? No mundo digital não há escassez.
  • Modelo de negócios antigo tentando se adaptar. Este não é o nosso foco, discutir soluções para esta indústria. Há coisas mais importantes para pensarmos, esta cultura que não está baseada nos modelos antigos de negócios. O Minc hoje reconhece esta cultura, mas de modo geral precisamos de uma política de estado que reconheça e que não trate como marginal.
  • Escassez / abundância: esta é uma grande oportunidade. Café era oferta/demanda e isso gerava escassez: inelástico. Consciência de que temos um desafio maior. No Brasil nem estamos errando, porque nem estamos tentando. Bloqueio de pensar nova economia na rede. Pensar como sobreviver neste mundo novo, elástico. Possibilidade de criarmos o que quisermos, mas temos que ter coragem. Empirismo é fundamental. Emprego não existe mais: nomadismo sedentário.
  • Economia da cultura é medir o tamanho do negócio. Agora não temos noção do tamanho. A economia do que é tangível gera disputas. O intangível gera possibilidades absurdas: mudança na história. Como medir riqueza e o que tem valor? A questão que está em pauta internacionalmente: como medir?
  • Macro: definição de riqueza; como trabalhar outras questões além do econômico; como mensurar.
  • Economia é como alocar recursos escassos. Economia da sustentabilidade: como reduzir os impactos ambientais. Não dá para pensar em termos de métrica econômica, sem chegarmos a um modelo de moedas sociais.
  • Avaliar por vários aspectos:  é preciso pensar na infra de conectividade e hospedagem de forma pública. Toda a infra hoje é exclusivamente privada e proprietária. Para pensar a eco digital é preciso repensar o direito autoral. Reformular esta lei, neste processo da cadeia produtiva da musica no digital. Muita gente lida com a internet como se fosse um meio clássico. Precisamos mudar nossa postura em relação ao processo. Minc tem que pensar políticas publicas, música: fazer festivais.  Editais que contemplem músicas livres.
  • O que é valor na economia digital? Fazer um exercício de pensar fora da caixa, pensando nas mesmas formas de remuneração. Questão da produção: tem que ser levado em conta; eliminar a necessidade dos intermediários. Estamos sob o domínio privado. E se o Google fechasse?
  • Qual o papel do poder público nisso? Estrutura pública ainda está muito atrasada. Tivemos um avanço muito grande. Não há inclusão digital sem inclusão social. Pensar nesta questão qualitativa: educação.
  • Laboratório constante é o que pode trazer soluções. Já existem experiências bastante exitosas, como as moedas sociais, criando uma inteligência coletiva. Constantemente tentando debater este processo. Discordo que não tentamos, porque existem muitos casos. É preciso coragem para construir um ambiente de disponibilidade, precisamos de uma inteligência coletiva mais ativa. Desafio é tentar estabelecer uma territorialização. MPB, Fora do Eixo, criam um banco de estímulo lastreadas por moeda social. Tentar focar com todas as experiências conectadas de forma mais eficiente.
  • Pouco valor ao underground. Estes novos modelos já existem. Pegamos um modelo antigo e tentamos reformular. Discordo que os artistas tenham que liberar suas criações. Libera quem quiser e quem não quiser que chore para as gravadoras. Precisamos criar unidade. Tem uma ética que é da economia porque a galera vai atrás de quem tem grana (gravadoras). Tecnobrega significou sair da ditadura da gravadora para a ditadura do carrinho. Positivo é que saiu da indústria, mas se criou outra. Pensamos no mercado e em como vamos ganhar dinheiro. Temos que esquecer essa galera das antigas e zerar a conversa.
  • Dentro dessa rubrica: indústria da música foi a primeira. Modelo está em desconstrução. Fundamental é pensar em políticas públicas para que a população possa organizar o seu trabalho. Superação da cultura fonográfica. Se isto é autosustentável temos que pensar nesses modelos.
  • Pensar em propostas que ajudem a todos que estão criando. O mais difícil é chamar a atenção, porque sua obra fica perdida nessa nuvem digital: como chegar ao público. Só um repositório público de música não adiantaria. Uma coisa importante é que todas essas músicas ficassem sob uma espécie de curadoria: críticos. Filtros que ajudem o artista a chamar atenção. Você não vai começar a ganhar dinheiro antes de ter um público. Teatro Mágico tem um público enorme e se sustenta assim. Organizar o caos, porque ninguém tem tempo para procurar.
  • Pessoas ainda tem aquela ideia antiga do artista-estrela. Artistas agora tem que pensar em mais coisas. Músico e artistas não tem formação sobre as questões do negócio. Guarulhos; possibilidade de haver rádios públicas, etc. Artistas locais tem que buscar nas prefeituras, universidades, porque casa de show não vai fazer isso, abrir espaço. Músico tem que ter disposição para se formar e informar. Ensinar aos outros como fazer. Descer do salto e do palco, formar o cidadão comum, e não ficar reclamando que estamos perdidos. Está nascendo uma nova geração. Sites, rádios, TVs públicas para divulgar os artistas.
  • Poder consensuar uma agenda mínima, um direcionamento para como esse Fórum vai continuar. Perdemos muito se encerrarmos agora. Tem muita informação, e as pessoas estão perdidas. Como gerenciar essa massa de informação que só aumenta: formas de tageamento, catalogação. Organização de conteúdos, informações qualificadas. Ideia de ter uma plataforma (culturadigital.br): oferta de infraestrutura para esse coletivos, mas embrionário e insuficiente. Avançar para uma coisa mais estabelecida. Limite do comer pelas brechas: momento de consolidar as coisas.
  • Gerenciar isso é uma loucura, mas não adianta porque a internet é a figura do caos. A coisa é auto-gerida. Inteligência vai nos dois sentidos. Fomentar iniciativas na web. Temos que fazer por nós e dar um jeito de linkar isso. Trabalhar em cima do caos.
  • Festival com dinheiro público não pode aceitar artista que faz jabá. Editais que privilegiem a prática da música livre, que não é só colocar na internet. Repositórios: questão do direito autoral.
  • Colocar as coisas num servidor do Minc não é viável. Precisamos de um programa de oferta de infraestrutura para coletivos culturais de todos os tipos.
  • Cultura digital não acontece só na web. Criar plataformas de distribuição. Pensar um conjunto de políticas.
  • O que a sociedade brasileira quer enquanto cultura. Reduzir os efeitos dos intermediários. Maximizar o uso.
  • Cuidado no sentido de que trabalhamos sob novas formas, mas ainda com um pé no velho. Problema é que ainda não nos reconhecemos como um setor. Problemas que são sempre relatados: como fico desejável, e então como circular. Mapear já é difícil no caso da cultura, mais ainda na digital. Mapeamento através de experiências exitosas de quem faz. Criar ambiente favorável, trabalho de sensibilização com a mídia, governos.
  • O que pode criar um ambiente favorável: advocacy.
  • Tornar-se desejável: precisa ser visível. Como fazer com que as coisas se distinguam. Criar tecnologias de busca, de ranking.
  • Circular: criar espaços
  • Importância do distribuidor (atuar como modem)
  • Questão das moedas complementares
  • Questão da mensuração: estudos nesse sentido têm de ser feitos.
  • Não podemos esquecer que ao mesmo tempo a economia digital representa alguns problemas que fazem sentido na economia tradicional: universalização, infraestrutura, criar um ambiente favorável para a cultura digital. Vale cultura (Lei Rouanet); direito autoral; marco civil; plano nacional de banda larga. Questões que vão determinar como faremos cultura nos próximos anos.
  • Como fazer política pública 2.0? Políticas públicas de longo prazo têm que ser legítimas, com a participação da sociedade civil.
  • Nosso papel é construir ferramentas para que todos tenham acesso de forma igual? Mensurar a riqueza. Levantar dados.
  • Medir impactos. “Medir litros com régua”.
  • Gerenciamento do caos: pontos de cultura cairam nesse erro. Mandaram para o ponto o cara que ia instalar o software, e não quem fez a conexão. Se as ideias não se conectam, redes não se articulam para ajudar o movimento social. Como estabelecer uma agenda mínima. Só quem fica, apesar da eleição, é o movimento social.
  • Criação do ambiente favorável passa pela conexão dos movimentos. Qual a provocação que o Fórum pode fazer ao movimento para que ele troque o Orkut?
  • Sociedade deve tomar para si. Recultura RJ: nova legislação para a cultura. Discussão ficava restrita a blogs, sites, e agora estamos ansiosos com este debate, mas temos que pensar no processo. Criar novos repositórios (centralidade) talvez não seja a solução. Aproveitar que estamos em um momento favorável para transformar em lei.
  • Pensar na economia da possibilidade. Pensar em uma universalidade. No Brasil, curiosamente, o Governo é o espaço de inovação. Aprofunda a partir do know how. Sistematizar sob um olhar econômico, e se apropriar de forma democrática. Trabalhar na base da concordância e não da discordância e no comprometimento em compartilhar.
  • Repositório tem que ser de ideias. Lembrar da questão dos Webservices.
  • Teoria do impacto para o software livre: políticas afirmativas para a cultura livre. Dinheiro público, portanto, é obrigação do estado fomentar a troca de experiências.
  • Inteligência e comunicação entre redes.
  • Problema do consumidor de cultura; acesso aos artistas. Criação de um repositório inteligente: API; criações armazenadas e indexadas. Algo que não seja focado apenas no público final.
  • Idiossincrasia brasileira: maioria das iniciativas parte do poder público.

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