O que é cultura digital? Qual a diferença entre arte e tecnologia e arte digital? Que possibilidades a tecnologia traz para o campo das artes? O que fazer com uma mega conexão de 10 gigas? Existe uma cultura digital brasileira? Essas foram as perguntas colocadas aos participantes da mesa de discussão sobre arte digital do Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira na entrevista feita durante o evento na Cinemateca.

Pau Alsina é professor da Universidade Aberta da Catalunha, na Espanha, e membro do coletivo ZZZinc, Gisele Beiguelman é midia artista e professora da PUC-SP e Cícero Silva é o curador de arte digital do Fórum da Cultura Digital Brasileira. Abaixo, alguns trechos e, na sequência, os vídeos com a conversa na íntegra.

Cultura Digital

Gisele: “A pergunta hoje é o que não é cultura digital. A pergunta é por que ainda temos necessidade de definir a cultura digital como algo exterior a nossa experiência diária.”

Cícero: “É um conceito que agora faz sentido, mas não sei em quanto tempo. Vai acabar sendo apenas cultura. A incorporação vai se dar em níveis ainda mais profundos.”

Pau: “A evolução das tecnologias enfatizam novos valores e dinâmicas que estão presentes na cultura e potencializam coisas que contribuem com a cultura digital e com a digitalização da cultura. O digital aporta uma revolução, uma quebra de paradigma, provoca transformações estruturais.”

Arte digital

Cícero: “Pensando na apropriação tecnológica melhor não usar o termo arte e tecnologia. Não queríamos que as pessoas pensassem que qualquer coisa é arte e tecnologia, que o digital é só mais uma, não necessita de um novo campo. Assim como uma enxada: se um artista pegar uma enxada e fizer buracos no chão está fazendo arte tecnologia.”

Conexão de 10 gigabytes

Pau: “A arte sempre buscou os limites da tecnologia, explorando-a ao máximo. Há uma relação muita profunda entre tecnologia e sociedade e essa relação é muito explorada pelos artistas. Esse é um papel importante.”

Gisele: “Nosso impasse é outro: o que faço com 10 gigas se nem tomada tenho? É importante olhar para todas as perspectivas do limite. Concordo que é um desafio da arte testar os limites, mas o que eu não gostaria de recair é para um discurso perigoso de que a possibilidade de arte digital é condicionada pela tecnologia de ponta. A questão do digital é a quebra de paradigmas.”

Existe uma cultura digital brasilira?
Gisele: “O Brasil tem conseguido fazer algo diferenciado: um política cultural que engloba a questão do open source. Isso é uma coisa única no mundo. Eu não diria que tem arte digital ou cultura digital própria, o que o Brasil consegui modelar são politicas públicas relacionadas ao âmbito da cultura digital com perfil muito diferenciado. E isso é mérito mesmo.”

Pau: “Percebo uma capacidade inventiva para lidar com aparatos eletrônicos, se apropriar e criar novos usos, novas possibilidades. Uma apropriação criativa dos meios para finalidades expressivas ou tecnológicas. Uma capacidade de gerar ideias, porque permite criar possibilidades novas a partir do digital.”

Cícero: “A ideia da gambiarra, da reciclagem do computador, do software livre estão sempre muito presentes.”

Parte 1: O que é cultura e arte digital?

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Parte 2: Possibilidades dadas à arte pela tecnologia

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Parte 3: Gambiarra: a cultura digital brasileira

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