De diferentes lugares do país, participantes do movimento vieram “ao eixo” para compartilhar com quem estava no Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital a experiência considerada um dos exemplos mais importantes de economia criativa no Brasil. Concebido em 2005, o circuito que hoje abriga cerca de 47 coletivos culturais começou com trocas de serviços entre bandas de Cuiabá. Horas em estúdio de ensaio de um eram “dadas” em troca da gravação no espaço do outro. Essa relação foi se intensificando e sistematizada na criação de uma moeda virtual: o Cubo Card, fazendo referência ao coletivo pioneiro mato grossense. “Com isso, as bandas podem gravar, ensaiar, ter assessoria de imprensa…”, explica um de seus integrantes mais conhecidos, Pablo Capilé, do pŕoprio coletivo Cubo.

Hoje a moeda já contempla serviços como restaurante, convênio médico, vestuário, entre outros. Conseguidos em troca, por exemplo, de exposição das marcas em eventos organizados pelo Circuito Fora do Eixo. Aliás, já nem se pode mais falar em uma moeda. Os coletivos acabam criando ativos diferentes, com seus parceiros locais, e tudo isso é interligado em uma rede de serviço, organizada pelo CFE.

Essa mesma rede é usada para o compartilhamento das experiências entre os grupos. É por meio dela que os integrantes do Palafita, no Amapá, se comunicam com o Goma, em Uberlândia, por exemplo. Os encontros, reuniões e metodologias ficam disponíveis na própria rede, no Observatório Fora do Eixo. A comunicação do circuito conta ainda com o Portal Fora do Eixo e um perfil no Twitter com mais de 1.500 seguidores.

Para Pablo Capilé, esse é um movimento de comportamento jovem. “Hoje, não há uma identificação com os partidos políticos, com o movimento estudantil…”, disse no Seminário explicando uma das razões do sucesso do CFE. E, de fato, não há como restringir o trabalho deles a uma alternativa ao modelo econômico vigente, ignorando sua expressão artística. Estão na rede, bandas como Macaco Bong (MT), Mini Box Lunar (AM), Caldo de Piaba (AC), Porcas Borboletas (MG), para citar apenas as que se apresentaram na tenda montada na Cinemateca.

Além das apresentações, o Circuito esteve presente no Seminário, representado por Pablo, na mesa de discussão sobre economia da cultura. Um pouco antes dela acontecer, ele, Otto Ramos, do coletivo Palafita e da banda Mini Box Lunar, do Amapá, Thales Lopes, do coletivo Goma, de Uberlândia e Gabriel Cardoso, do coletivo Lumo, de Recife, conversaram com Lia Rangel sobre o Circuito. Veja abaixo alguns trechos do bate papo e assista o vídeo com a entrevista na íntegra e ainda os vídeos com entrevistas feitas com integrantes da banda Mini Box Lunar e Porcas Borboletas.

Alguns trechos:

O que é o Circuito Fora do Eixo?
Capilé: “É uma grande rede nacional de coletivos que trocam tecnologias e investem na economia do conhecimento, criando novas ferramentas para viabilizar a construção de instrumentos favoráveis para difusão de produtos culturais, para a discussão do comportamento jovem, para agregar cada vez mais pessoas pensando na ocupação do espaço do poder político real”

E o eixo?
Otto: “A gente passou muito tempo visualizando só o eixo e a produção fora do eixo já estava acontecendo. Quando começamos a interligar os coletivos, passamos a perceber a produção local de cada coletivo, que tem 20, 10 bandas. É ele o termómetro da produção local. A partir disso, a gente pensa, é claro no resto do país, também no eixo Rio-São Paulo. A produção local cresce e tenta chegar em novos pontos, no eixão mesmo.”

Capilé: “A questão geográfica num primeiro momento era importante para a afirmação da identidade. Com o tempo, passamos a perceber que existiam coletivos em São Paulo e no Rio que eram tão fora do eixo quanto os fora do eixo geograficamente. Que eram fora do eixo tradicional de produção cultural. E hoje não tem mais essa distinção se o cara é do Amapá ou de São Paulo.”

Cultura digital
Capilé: “A gente nasce numa perspectiva pós década de 90, em que as pessoas começam a dialogar. Antes eu tinha que pagar uma fortuna em passagem aérea para conhecer a experiência do outro. Quando vem as listas de email, os sites começam a surgir, o banco de estímulo começa a criar um lastro muito maior. Mesmo sendo pontual a relação num primeiro momento, você se estimula a ver o outro fazendo. Nossas estratégias de comunicação foram no ciberespaço até conseguir transformá-lo numa expansão dessa territorialização.”

Artista como pedreiro
Gabriel: “O artista não é só mais banda, ele faz outras coisas. Faz transmissão ao vivo, é road, técnico de som, direção de palco….Dentro do circuito dos coletivos eles fazem outras funções. Essa é a lógica que a gente quer inverter para utilizar a força de trabalho do músico e não deixá-lo só como alguém iluminado.”

Assista a entrevista na íntegra:

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Entrevista com integrantes da banda Mini Box Lunar

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Entrevista com integrantes da banda Porcas Borboletas- parte 1

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Entrevista com integrantes da banda Porcas Borboletas- parte 2

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Entrevista com integrantes da banda Porcas Borboletas- parte 3

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Veja ainda trechos das apresentações das bandas do Circuito Fora do Eixo no Seminário em:

Macaco Bong, Porcar Borboletas, Caldo de Piaba e Lucas Santanna: 1 noite

Teatro Mágico, Tarántula, Mini Box Lunar e Jorge Mautner: 2ª noite

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