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  • O trabalho de tornar acessível um acervo público. Entrevista com Edson Gomi, da biblioteca digital Brasiliana

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    por: Gabriela Agustini, em Cobertura, Vídeo no dia 11/12/2009

    “A digitalização vem atender a limitação dos acervos físicos”. A fala é do responsável pela infraestrutura tecnológica da biblioteca Brasiliana Digital da USP e professor da Escola Politécnica da universidade Edson Gomi. Ele foi um dos palestrantes da mesa de discussão sobre memória do Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira e aproveitou a passagem pela Cinemateca para falar um pouco mais sobre o projeto nesta entrevista em vídeo.

    “A quantidade de material interessante e que está, digamos, claramente em domínio público é tamanha que preferimos por ora nos dedicar a parte que não é polêmica e nos preparar com calma para a digitalização do acervo mais recente”, disse fazendo referência às possíveis implicações na lei de direito autoral. A Brasiliana Digital tem hoje um acervo de 40 mil volumes incluindo livros, coleções e periódicos.

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  • A fala do ministro no #culturadigitalbr

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    por: Gabriela Agustini, em Cobertura, Vídeo no dia 10/12/2009

    Dispensando formalismos, Juca Ferreira assumiu o microfone na cerimônia de encerramento do Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital, no dia 21 de novembro na Cinemateca, fazendo um retrospecto das ações e responsabilidades do Ministério da Cultura.

    “É preciso ressignificar profundamente e não só disponibilizar técnica, porque a técnica é a possibilidade mas não chega a ser a realização da possibilidade”. O ministro não dispensou críticas à televisão brasileira. “Eu entendo porque a minha mãe, uma senhora de quase 92 anos tem medo de sair na rua. Ela vê a televisão. [...] A população brasileira é prisioneira da tv aberta”, disse falando sobre a escassez de outras ofertas culturais em parte do país. E ainda complementou: “Precisamos de banda larga ágil para que todos possam ter acessos”. Assista ao vídeo com o discurso na íntegra:

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  • Debate sobre o Marco Civil da Internet Brasileira

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    por: Marco Nalesso, em Cobertura, Vídeo no dia 04/12/2009

    O Ministério da Justiça, em parceria com a FGV-Rio, busca a interlocução com a sociedade para a construção de um Marco Civil da Internet. O debate realizado no Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira proporcionou uma oportunidade de diálogo presencial entre a equipe responsável pelo projeto, representantes de outros órgãos públicos como o Ministério Público Federal, advogados especialistas em direito da rede e ativistas.

    Para saber mais sobre o Marco Civil, acesse culturadigital.br/marcocivil.

    Veja abaixo a íntegra do encontro:

    Parte 1

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    Parte 2

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    Parte 3

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    Parte 4

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    Parte 5

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  • Entrevista com o fundador do Miro Holmes Wilson

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    por: Marco Nalesso, em Cobertura, Vídeo no dia 04/12/2009

    Holmes Wilson fala português “por acaso” e mora atualmente em Belém do Pará. Ele é gerente de campanhas políticas da Free Software Foundation e também fundador do Miro, uma ferramenta para a distribuição descentralizada de vídeo na rede.  Nesta entrevista, realizada durante o Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira, ele conta, entre outras coisas, como sua participação nas manifestações de Seattle em 1999 o levou a ser um ativista do software livre.

    Assista à entrevista completa:

    Parte 1

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    Parte 2

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    Parte 3

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  • Blogs, jornalismo e redes sociais estão encadeados, diz Alex Primo

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    por: Gabriela Agustini, em Cobertura, Vídeo no dia 04/12/2009

    Antes de fazer a sua apresentação na mesa de discussão sobre comunicação digital no Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Alex Primo foi entrevistado pela equipe do fórum. No vídeo, ele defende a não obrigatoriedade do diploma de jornalismo, conta por que é inútil a batalha travada entre os grandes veículos de comunicação e a liberdade de acesso à informação na rede e ataca a visão idealizada que o debate jornais X blogs assume frequentemente.

    “Essa visão da credibilidade [dos meios de informação] parte de visões idealizadas do jornalismo e de blogs. Como se o jornalista fosse amigo da verdade e os blogs pertencessem a adolescentes irresponsáveis ou fossem algo autêntico. Nenhuma dessas visões é correta. Os blogs são meios de informação que se prestam a qualquer tipo de comunicação”, disse. Na sequência, complementou: “O conflito continua sendo a busca pelas melhores verdades. Mas na pós- modernidade descobrimos que temos múltiplas verdades. E é isso que precisamos defender. A credibilidade é determinada pela pessoa que está lendo. Ninguém vai me dizer o que eu tenho que ler”.

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  • Encerramento do seminário disponível em vídeo

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    por: Gabriela Agustini, em Cobertura, Vídeo no dia 04/12/2009

    Assista abaixo a cerimônia de encerramento do Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira. Os primeiros minutos da leitura feita por Claudio Prado da Carta da Cultura Digital não foram gravados, mas você pode conferir o conteúdo em texto: Carta da Cultura Digital Brasileira.

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  • O Ministro da Cultura do Século 21, por David Sasaki

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    por: Gabriela Agustini, em Participantes no dia 02/12/2009

    Este texto é uma adaptação do post escrito por David Sasaki, publicado em seu Blog El Oso: http://el-oso.net/blog/archives/2009/11/28/brazil-a-ministry-of-culture-for-the-21st-century/. David foi um dos convidados internacionais do Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital e dias depois relatou suas impressões.

    O que faz um ministro da cultura? Esta foi a questão colocada pelo repórter político Chris Bean, em 2007, quando, na mesma semana, comandos invadiram a casa do ministro da cultura do Iraque para prendê-lo por uma tentativa de assassinado a um companheiro político, em 2005. A conclusão do repórter sobre a função do ministro: “Eles arrecadam fundos para as artes, fazem o repasse de verbas públicas, financiam museus, e normalmente procuram preservar e promover a identidade nacional”. Ele ainda complementou, citando os ministros da cultura da Ingraterra, Canadá, Japão, França e Brasil, que as responsabilidades específicas de cada ministério podem variar muito.

    Os europeus costumam tirar sarro dos Estados Unidos por não ter um ministro da cultura. Quando um europeu postou no Yahoo! Respostas “por que o EUA não tem ministro da cultura”, recebeu entre outros comentários:

    “Que cultura? Carregar armas, amar dinheiro, enquanto a educação e as artes afunda? Essa é a cultura promovida pela mídia nos EUA. Não faz sentido gastar dinheiro com um ministro representando isso.”

    “Porque não tem cultura nos EUA”  :-)

    “Nosso ministro da Cultura se chama Michael Savage (radialista polêmico por emitir opiniões conservadoras)”


    Outras explicações que valem a pena :

    “Porque não somos uma sociedade fechada. A América é muito diversificada para ser representada por uma pessoa só”

    “O governo não está autorizado a manipular nossa cultura. Nossa cultura é que deve manipular o governo”


    Na verdade, Beam disse haver ao longo da história norte-americana alguns cargos equivalentes ao do ministro da cultura:

    Em 1859, o presidente James Buchanan assumiu a Comissão Nacional de Arte do país, mas saiu dois anos depois. Teddy Roosevelt fez a mesma tentativa 50 anos depois e, em 1937, durante o novo contrato de expansão do governo, um congressista de Nova York criou legalmente o Departamento de Ciência, Arte e Literatura, mas a proposta nunca teve comprometimento. Esforços seguintes para criar uma agência que centralizasse a cultura foram asusmidas em parte por setores ligados à propaganda nazista e ao “aparelhamento cultural” da União Soviética.


    André Malraux, um excêntrico escritor da alta sociedade francesa que foi preso por volta dos 20 anos de idade tentando remover pedaços de um templo que ele descobriu na selva no Camboja, é comumente citado como o primeiro ministro do mundo da cultura, tendo atuado na era Charles de Gaulle em 1959. Beam escreveu: ele “incentivou o que chamamos de ” democratização da cultura “, deixando as artes acessíveis para todos e não apenas à elite”.

    Ministérios da Cultura rapidamente se espalharam por todo o mundo como uma forma dos governos federais promoverem a identidade nacional, principalmente nos países com passado colonial. Com o passar do tempo, o foco deixou de ser a democratização da cultura e passou a promover alguns poucos “superstars” para atrair a atenção internacional e competir no cenário da globalização cultural.

    Uma exceção notável a essa tendência é Gilberto Gil, figura-chave da Música Popular Brasileira e integrante do movimento Tropicalia da década de 1960, que serviu como Ministro da Cultura do Brasil entre 2003 e 2008, no governo Lula. A filosofia política de Gil da Tropicalia foi uma escolha natural para o emergente movimento Cultura Livre da geração da internet: ambos incentivam uma cultura de remix, colaboração e globalismo. Durante seus cinco anos de mandato, Gil redefiniu o papel do Ministério da Cultura. Em vez de perpetuar a linhagem cultural, ele contratou o autodeclarado hippie e ex-produtor musical Claudio Prado como seu “coordenador de políticas digitais” e iniciou o Programa Pontos de Cultura para incentivar a produção cultural por meio de ferramentas de código aberto em mais de 600 comunidades em todo o país. “Não estamos aqui para competir, nós estamos aqui para compartilhar”, foi o slogan que definiu a missão e perspectiva de Gil.

    José Murilo também esteve envolvido em vários desses projetos desde o início. Hoje, ele é o gerente de Cultura Digital do Ministério da Cultura e um dos responsáveis pela criação do Fórum da Cultura Digital Brasileira, que abre a formulação das políticas públicas do ministério para todos os que desejam participar. Neste vídeo, ele descreve esse processo no Fórum de Cultura Livre, em Barcelona.

    Ao longo dos últimos meses, pesquisei como os governos utilizam ferramentas de mídia digital para encorajar um envolvimento mais cívico, e como os pessoas utilizam as ferramentas digitais para monitorar o poder público. O que eu encontrei, assim como o desenvolvedor web Anil Dash, é que muitos governos estão fazendo um bom trabalho usando mídia digital para mostrar as suas próprias iniciativas, mas não sabem tirar proveito da internet no sentido de ouvir as valiosas contribuições que os cidadãos podem adicionar à prática política. Há algumas exceções. (Veja o mapa feito pelo Tiago Peixoto das ações de orçamento participativo pelo mundo). A FCC (Federal Communications Commission- órgão responsável pela regulamentação da comunicação norte-americana) implementou, por exemplo, um site para receber sugestões para montar o plano nacional de banda larga dos EUA. A iniciativa recebeu, no entanto, 221 votos e 7 comentários num país com mais de 300 milhões de pessoas.

    José Murilo percebeu que se a intenção é fomentar a participação dos cidadãos na criação de uma política nacional deve-se ir além de simplesmente colocar um site,. E assim, além da plataforma CulturaDigital. BR (melhor aplicação de BuddyPress que eu já vi), o Ministério da Cultura convida diversas pessoas dessa rede para eventos ao vivo, para dar o seu “feedback” sobre os objetivos do ministério, as atividades e estratégias.

    E assim, fui convidado a apresentar na semana passada no Fórum de Cultura Digital, que aconteceu na bela Cinemateca Brasileira. (Talvez o melhor local para uma conferência que eu já vi.) Fiquei impressionado com o nível de engajamento de todos os presentes. Houve muito entusiasmo com a iniciativa do ministério, mas ficou claro que ninguém iria deixá-los sair dali sem responder perguntas difíceis. Também ficou claro que o Ministério da Cultura ainda tem capacidade limitada para realizar mais alterações relativas à utilização de software livre e formatos abertos nos escritórios do governo.

    Foi uma daquelas semanas que me deu orgulho de estar envolvido em toda essa comunidade / movimento / visão compartilhada … do que você quiser chamar. A palavra “utopia” tem sido frequentemente aplicada para aqueles que trabalham em projetos que utilizam a mídia digital para promover a participação e o engajamento. É uma crítica fácil de fazer por aqueles que não gostam de se envolver.

    José Murilo e eu em 2006

    José Murilo e eu em 2006

    José Murilo e eu em 2009 (foto de Lou Gold)

    José Murilo e eu em 2009 (foto de Lou Gold)

    Conheci o Murilo pessoalmente há 3 anos e meio no primeiro Encontro ICommos, no Rio de Janeiro. Isso foi antes do Rising Voices (projeto do Global Voices dirigido por Sasaki) e antes do ministério da cultura do Brasil ter uma coordenação de cultura digital. Três anos e meio é um espaço curto de tempo e ainda sim foi difícil me manter a par de tudo o que aconteceu desde nossa conversa entusiasmada no carro andando pelo Rio de Janeiro e falando sobre ecologia digital.

    Mal posso esperar para ver o que acontecerá nos próximos três anos e meio.

  • Usuário sempre vai driblar censura, diz cineasta

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    por: Gabriela Agustini, em Participantes no dia 02/12/2009

    Em entrevista à Folha de São Paulo, o diretor do documentário “Steal This Film” (roube este filme) fala sobre direitos autorais e liberdade na internet

    Por CARLOS MINUANO (Originalmente em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/informat/fr0212200918.htm)

    O inglês Jamie King não imaginava que sua vida não seria mais a mesma após lançar na internet seu documentário “Steal This Film” (roube este filme), sobre confrontos envolvendo direitos autorais. O filme, lançado em 2006 e disponível para download gratuito, foi visto por cerca de 5,6 milhões de pessoas. O documentário critica a investida de um lobby americano contra o site sueco Pirate Bay, considerado na época o maior tracker de BitTorrent do mundo.
    Não deu outra: Jamie King tornou-se celebridade e um ícone da liberdade na rede. Ele esteve no Brasil, na semana passada, e conversou com a Folha durante o Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira, realizado em São Paulo.

    FOLHA – Como surgiu a ideia do documentário “Steal This Film”?
    JAMIE KING – O filme foi feito em 2006, momento em que a tecnologia peer-to-peer começou a ser muito utilizada para compartilhar mídias, filmes, músicas e literatura. Essa tendência desenvolveu um conflito entre as diferentes comunidades virtuais que surgiram na esteira da web 2.0 e os modos mais tradicionais de distribuição de filmes. Achei importante mostrar esse cenário do ponto de vista dos usuários da rede.

    FOLHA – Você pode falar sobre a prisão dos criadores do Pirate Bay?
    KING -
    O Pirate Bay, no momento em que o filme foi feito, era considerado o maior tracker de BitTorrent do mundo e foi atacado pela polícia sueca devido a uma pressão feita por lobistas da indústria de distribuição de filmes sobre o governo sueco. Existem provas da participação dos Estados Unidos no caso. Eles utilizaram um documento internacional, o WTO, da OMC, que funciona como uma lista negra. Se o Pirate Bay não fosse tirado do ar pelo governo, a Suécia seria incluída na famigerada lista negra da OMC. Essa dimensão surpreendente do peer-to-peer na geopolítica nos fez ver que não estava em jogo apenas uma tecnologia, e sim algo bem mais importante, a nossa liberdade, fundamental para o desenvolvimento da sociedade.

    FOLHA – Você acompanhou outro caso similar?
    KING - Sim, houve todo tipo de ataque no mundo inteiro. Teve um caso de um rastreador de BitTorrent muito grande de música, no norte da Inglaterra. O proprietário sofreu uma invasão da polícia em sua própria casa, onde funcionava o rastreador. Acho que foi em 2008. Era chamado Oinc, se tornou famoso quando o vocalista de uma banda inglesa badalada afirmou que era seu site preferido para buscar música.

    FOLHA – Ao mesmo tempo em que se observa um movimento a favor da liberdade na internet, aumenta também a demanda por leis e maior controle. O que você pensa disso?
    KING -
    Estamos vivendo um período tecnológico e cultural singular. E, quando chegamos a momentos como este, é uma responsabilidade de quem sonha com um novo mundo torná-lo sedutor e positivo o bastante para atrair aquelas pessoas que ainda vivem no velho mundo. Acho perigoso ver esta relação como uma luta. Este novo mundo é cada vez mais interessante para artistas e criadores, porque oferece novos modos de distribuição, um imenso público e formas renovadas de obter reconhecimento, apoio, por meio de novos modelos de negócio que estão surgindo. Precisamos lembrar que no mundo antigo nem tudo é perfeito. É nosso dever encontrar novos caminhos, para que mais pessoas possam se expressar e alcançar público.

    FOLHA – Qual é a sua opinião sobre a cultura digital no Brasil?
    KING
    - Há um ditado que diz: “A grama é sempre mais verde do outro lado da cerca.” É mais ou menos o que ocorre. Os EUA e o Reino Unido olhavam para o Brasil como se aqui fosse tudo livre, mas o fato é que os problemas dos nossos cineastas e artistas são os mesmos enfrentados pelos brasileiros, por exemplo, a falta de possibilidades de distribuição, maior entrave para qualquer criador.

    FOLHA – Que outros problemas são semelhantes?
    KING -
    O sistema antigo, do qual estamos emergindo, exigia grandes quantidades de capital monetário para a reprodução de trabalhos culturais. Os jornais, por exemplo, aqui ou em qualquer lugar, são propriedade de pessoas muito ricas, ou de um grupo de pessoas com muito dinheiro. Não quero dizer que sejam pessoas ruins, mas são ricos, e isso muda o que ouvem, o que podem dizer e influencia os tipos de visão que circularão no jornal. É uma consequência de um momento muito particular, no qual é preciso muito dinheiro para operar. Isso obviamente significa que diferentes grupos e ideias políticas tiveram menos representatividade. É assim no mundo todo. O ambiente digital muda o jogo, pois agora podemos publicar essas visões, não custa mais milhões de reais, libras ou dólares. Então, para um país como o Brasil, com tanta desigualdade social, os problemas não são diferentes, são mais urgentes. Meu objetivo é justamente mostrar às comunidades, que são naturalmente muito criativas, como elas podem usar as novas tecnologias para se expressarem, distribuírem seus conteúdos, serem reconhecidas e conseguirem suporte material para o seu trabalho.

    FOLHA – As tentativas de controle da rede avançarão?
    KING -
    Tenho duas respostas para essa pergunta. Primeiro, para preservar o modelo antigo, os defensores do que chamo “velho mundo” exigirão a limitação ao uso de internet, vigilância total das pessoas, criminalização de atividades como copiar um CD ou um filme, e não fazem isso porque são ruins, mas porque acreditam ser o melhor modo de se estruturar uma sociedade, por isso são forçados a tomar ações muito extremas. Eles sabem que se uma cópia escapar o que virá depois é 1 milhão de copias. Entendo a posição deles, mas estão lutando uma batalha impossível. Infelizmente estão preparados para retirar algumas das liberdades mais fundamentais de nossa sociedade, por uma simples falta de criatividade em termos de pensamento sobre o futuro.

    FOLHA – E a segunda resposta?
    KING -
    Eles nunca vencerão. Existem características fundamentais no período tecnológico em que vivemos. A rede não será removida e o formato digital não vai desaparecer. Os usuários consideram a censura algo danoso e sempre encontraram modos de se livrar dela.

    FOLHA – Você ganhou dinheiro?
    KING -
    O documentário foi visto por 5,6 milhões de pessoas, isso mudou minha vida. Surgiram novas oportunidades e convites de diferentes tipos. Creio ser um bom modelo a ser seguido por novos cineastas e criadores que pensem em usar a internet. Claro que não fomos pagos pelo filme, pelas cópias baixadas na rede, mas houve retorno mesmo assim.

    FOLHA – Em que projetos você trabalha atualmente?
    KING
    - Eu estou trabalhando num projeto chamado Vodo (vodo.net), que busca ajudar produtores culturais a fazerem uso das novas tecnologias. Descobrimos que, criando uma rede de comunidades de compartilhamentos de arquivos, conseguimos audiência para nossos criadores de filmes. O próximo passo é construirmos um público cada vez maior que curta fazer download de filmes livres. Estamos desenvolvendo novos modelos de negócios, novas maneiras de sustentar nossos trabalhos e famílias.

    ROUBE ESTE FILME
    Para ver “Steal This Film”, acesse www.stealthisfilm.com e vá até a seção de downloads, que conta com arquivos nos formatos Xvid, DVD, iPod e HD; o filme, baixado mais de 5,6 milhões de vezes, foi feito pelo diretor Jamie King, que nasceu em 1974 no País de Gales, no Reino Unido.

  • Cobertura colaborativa: a caminho da Cinemateca

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    por: Gabriela Agustini, em Cobertura, Vídeo no dia 02/12/2009

    Maximiliano Leguiza, de Fortaleza, veio para o Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital e gravou uma série de vídeos. Abaixo, uma edição bem bacana feita por ele com imagens colhidas no trajeto do hotel para a Cinemateca.

  • As redes de alta velocidade da RNP: entrevista com José Luiz Ribeiro Filho

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    por: Gabriela Agustini, em Cobertura, Vídeo no dia 01/12/2009

    Depois de participar da mesa de discussão sobre infraestrutura, o diretor de serviços e soluções da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), José Luiz Ribeiro Filho, foi entrevistado por Lia Rangel e André Deak na sala reservada à produção do Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital na Cinemateca. Nos vídeos abaixo, ele fala sobre o papel da RNP, como surgiram as redes de alta velocidade, banda larga.

    O que é cultura digital e rede de alta velocidade
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    O papel da RNP
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    Espectro aberto, banda larga e implantação de backbones
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  • “O desafio é não reduzir a cultura digital a mera técnica”. Entrevista com Nelson Pretto

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    por: Gabriela Agustini, em Cobertura, Vídeo no dia 01/12/2009

    O professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e membro titular do Conselho Estadual de Cultura da Bahia foi assistir o Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital, e, em meio a sua passagem pela Cinemateca, conversou com Lia Rangel e André Deak. No vídeo, ele fala sobre a necessidade de políticas públicas para garantir o acesso e crítica o atual modelo de inclusão digital. “A meninada das classes médias e altas tem acesso ao universo da cibercultura dentro de casa, trancada nos seus quartos, e a meninada de família pobre vai para os telecentros ou infocentros para aprender processador de texto e planilha eletrônica. Isso é de uma crueldade total. Porque você dá ideia de que a molecada esta sendo “incluída digitalmente” e, na verdade, essa é a forma pior e mais violenta de exclusão. Porque ela tem a sensação de que pertence e não pertence a nada. Ela é apenas um digitador”, diz.

    Parte 1: Cultura e inclusão digital
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    Parte 2: A lógica da colaboração
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    Parte 3: Lan House como espaço de sociabilidade e a necessidade da criação de políticas públicas
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  • Entrevista: Pablo Soto fala sobre cultura digital e a experiência Guifi.net

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    por: Gabriela Agustini, em Cobertura, Vídeo no dia 01/12/2009

    Catalão integrante do coletivo Hackirtetura, que reúne arquitetos, programadores e ativistas sociais para trabalhar na convergência do espaço físico tradicional e do espaço digital, é entrevistado por Lia Rangel, da equipe do Fórum da Cultura Digital, e fala sobre o que é cultura digital, a cultura brasileira e explica como funciona a Guifi.net, rede autônoma de alta velocidade aberta na Espanha. Pablo veio ao Brasil para participar de um Congresso de Cartografia na Unicamp e, ao saber do Seminário do Fórum, veio a São Paulo conferir.

    Parte 1: O que é cultura digital e isso é uma revolução?
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    Parte 2: A experiência Guifi.net
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  • Roda de conversa: José Murilo, Ivo Corrêa e Amelia Andersdotter

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    por: Gabriela Agustini, em Cobertura, Vídeo no dia 01/12/2009

    Em paralelo à programação oficial, rodas de conversas entre os participantes foram organizadas e gravadas para discutir os assuntos abordados no Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital. Nos vídeos abaixo, José Murilo, gerente de Cultura Digital do MinC, Ivo Corrêa, diretor de políticas públicas do Google e Amelia Andersdotter, do Partido Pirata Sueco, falam sobre o poder de integração da internet, copyright, compartilhamento livre…

    Os três participaram da última mesa de discussão do Seminário, na manhã do sábado, sobre o contexto internacional da cultura digital.

    Parte 1: O que é cultura digital e copyright
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    Parte 2: Novos modelos de negócios para a cultura digital e Partido Pirata Sueco
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    Parte 3: A rede e a participação política e transparência governamental
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    Parte 4: Google em diferentes culturas e Creative Commons
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    Leia os principais trechos da conversa, compilados por André Deak

    Por que ser contra o copyright?
    Andersdotter: É um modelo antigo e estou confiante que existem novos modelos. O Creative Commons (CC), por exemplo, está ficando mais forte. [O CC é um contrato que permite uma flexibilidade na utilização de obras protegidas por direitos autorais, sem infringir as leis de proteção à propriedade intelectual].

    Os cinemas também estão indo muito bem, ficando mais fortes. Nós estamos rodeados de informação todos os dias. Uma cópia é só um produto, ninguém quer pagar por isso, mas o cinema é toda uma experiência que as pessoas estão dispostas a pagar. É um serviço. Vemos isso ocorrer com a música ao vivo, uma experiência única que as pessoas querem pagar, colocar tempo e esforço nisso. Acho que é por aí que os criadores culturais terão que ir, terão que ser mais criativos, encontrar novos modelos. E não é papel de um legislador exigir que as pessoas fiquem agarradas a um modelo que está vencido há pelo menos 10 anos.

    Ivo Corrêa: E é importante acrescentar algo. É um pequeno grupo de artistas que, hoje, pode viver vendendo cópias de livros ou CDs. A maioria dos artistas não vive de vender CDs. Deveríamos gastar energia e dinheiro em novos modelos. A Apple faz muito dinheiro vendendo música online de maneira criativa. Melhor tentar descobrir o novo do que tentar lutar para manter o antigo.

    Andersdotter: Muitas das políticas feitas hoje são feitas para manter o velho mercado. E as políticas públicas deveriam se focadas em permitir a participação e a colaboração das pessoas. Pensando bem, talvez, numa economia digital, sem copyright, nós não tenhamos mais um Paul McCartney dirigindo uma BMW. Talvez esse tipo de artista não possa existir mais. Eu ouço esse argumento sempre: onde estarão os Hitchcocks numa economia digital? Como eles irão surgir? Bom, nós não temos mais um Hitchcock desde os anos 60. Talvez não tenhamos que ter outro. Talvez o ambiente digital seja completamente diferente, e deva ser mesmo. E a política tem mesmo que pensar mais na política colaborativa em vez de defender os velhos mercados.

    O Partido Pirata propõe mudanças substanciais nas leis de direito autoral. Mudanças no mercado de telecomunicações. Mais privacidade. Menos vigilância, nenhuma censura. Mais compartilhamento de informações, transparência, mesmo as que sejam controversas. Esses são problemas que vemos na Europa nos últimos anos: governos querendo vigiar cidadãos.

    Quem são seus eleitores?
    Andersdotter: A maioria homens e jovens. Existem pessoas tanto de esquerda quanto de direita. Por que mais homens que mulheres? Bem, acho que esse debate é bastante dominado pelos homens, você não vê tantas mulheres discutindo copyright. E acho que o efeito multiplicador ocorre dentro dessas estruturas masculinas.

    Como o partido lida com as diferenças entre esquerda e direita?
    Andersdotter:
    Temos bastante acordo sobre quais mudanças precisam ser feitas para uma sociedade da informação mais justa. Então há acordo sobre onde queremos chegar. Algumas vezes temos alguma discordância sobre como vamos traçar este caminho. Em geral a maioria das pessoas [do partido] é liberal. Então você tem a esquerda liberal junto com a direita liberal. A grande diferença, e o grande problema atual, é construir o mapa desta estrada para o objetivo final. Você vê a mesma coisa ocorrer com anarquistas, com socialistas, até mesmo com sindicalistas. Você olha a sociedade ideal deles e a visão é bastante similar. Mas eles têm soluções completamente distintas para chegar lá.

    E isso ocorre em todos os assuntos? Meio ambiente, trabalho…
    Andersdotter:
    Não, não. Nós não discutimos esses assuntos. Estamos totalmente voltados para inovações nas políticas culturais criativas, em geral. Mas eu poderia perguntar a mesma coisa sobre o Brasil. Me disseram que vocês têm um governo que incentiva a participação social, mas o Senado, parece, não coopera muito a respeito disso… Como vocês lidam com isso?

    José Murilo Jr.: Me parece um problema de gerações. Aqui no Brasil os jovens não acreditam mais no governo. Eles preferem movimentos sociais em vez de criar um novo tipo de partido político. As pessoas me parecem mais felizes em fazer isso do que entrar nos velhos esquemas partidários. Por que vocês optaram por este caminho?

    Andersdotter: Apesar de todas as redes sociais que existem na sociedade civil, quase toda regulamentação é feita nos parlamentos. Ali é o campo de batalha, ainda. E tudo o que sai do Parlamento Europeu tem impacto no mundo todo. É uma batalha importante também, mudar as coisas de dentro. Movimentos sociais são ótimos. O parlamento é mais lento. Mas, provavelmente, também é bom, em algum nível.

    O modelo do Creative Commons é uma solução?
    Andersdotter: Laurence Lessig [criador do CC] é um advogado. O que eu sempre observo em advogados é que eles não são contrários aos direitos de propriedade. É conveniente transformar o conhecimento em propriedade, porque facilita a criação de contratos mais amarrados, facilita a solução de conflitos. Se você quer ser radical sobre copyright, então você precisa defender o copyleft, não o CC [o copyleft é a oposição ao copyright. No copyleft, tudo é permitido]. Porque o copyleft é um modelo mais comunitário (dos “commons”). O sistema CC é mais uma maneira de flexibilizar o sistema atual de copyright.

    Ivo Corrêa: O Creative Commons tem um mérito: de informar os autores que eles podem decidir como sua obra será usada. O autor fica sabendo que tem uma escolha. O principal mérito, acho, é informar as pessoas que a lei não precisa determinar tudo. No Brasil, a maioria acha que não tem opção. Que é tudo copyright.

    Andersdotter: Existe uma falha nessa argumentação, que é a seguinte: consideremos que o Creative Commons mostra às pessoas que elas podem fazer uma escolha. Mas elas não deveriam ter essa escolha. Quando alguém decide criar informação, ou cultura, toda a produção deveria, automaticamente, ser livre. E, talvez, apenas em poucos casos, a escolha pudesse ser ao contrário: escolher proibir o acesso. Mas tudo, em geral, por definição, seria livre.

    Mas o sistema de Creative Commons garante, ao menos, que o autor seja reconhecido pela obra. Pode tudo, desde que citada a fonte. No copyleft não existe essa garantia.
    Andersdotter: Na comunidade artística, me parece que existe uma integridade mínima de não se apropriar do trabalho do outro. Se você faz um filme, não acho que niguém pegaria seu filme e colocaria o nome dele em cima. Em primeiro lugar, seria vergonhoso. Segundo, você faria inimigos. Acho que isso seria autoregulado pela comunidade. Assim, me parece que o copyleft, basicamente, resolve tudo.

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  • A memória do futuro: o seminário do fórum na visão do curador Rogério Lourenço

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    por: Gabriela Agustini, em Cobertura no dia 30/11/2009

    Por Rogerio Santana Lourenço (curador do eixo Memória do Fórum da Cultura Digital Brasileira)

    O Fórum da Cultura Digital Brasileira,< em sua versão “presencial” ocorreu durante os dias 18 a 21 de novembro. Foi um encontro onde pude ver pessoas com quem nos últimos meses tive apenas “contatos digitais” e que, ao vivo, são infinitamente mais interessantes. Elogios à parte, e fazendo um pausa ( pensei em dar uma de repórter e falar sobre o Fórum, mas mudei de idéia por e, de qualquer forma, houve uma cobertura bem legal do evento) aproveitei para olhar o que se passava naquele espaço onde havia gente de todo canto, mas todos com o mesmo objetivo: discutir e expor idéias e ideais sobre o uso social de tecnologias de comunicação e informação.

    Essa pausa no blog teve como motivo principal uma avaliação. Feita a reflexão, é hora de voltar e retomar, direto do passado, ou seja, direto da constatação da situação atual dos acervos, para o futuro: o que fazer com esse patrimônio cultural?

    Para quem não foi ao Fórum, para quem foi e não entendeu e, para quem foi, entendeu e gostou, fica aqui este espaço virtual aberto para interferir, perguntar e participar no processo que segue… O encontro acabou, mas o Fórum não.

    Aliás, as discussões apenas começaram, já que os textos dos eixos temáticos para discussão, disponibilizados para o público servirão agora de baliza para novas participações. Nunca achei que o tema do eixo de memória fosse um sucesso de IBOPE, mas, pelo que pude constatar das discussões, houve uma percepção sensível do público, confrontado com a pergunta: produzir, distribuir e depois? Ninguém soube responder o que fazer com a produção, que clamavam para ser aumentada e receber linhas de financiamento. A pergunta continua.

    De tudo que foi discutido, havia sempre a percepção de que estamos apenas no começo. Tudo muito novo: banda larga, direito autoral, apropriação coletiva de mídias, novos modelos de economia

    números de buscas da palavra "digitalização "no Google por ano.

    Número de buscas e notícias sobre a palavra “digitalização” no Google a cada ano.


    Um assunto que me chamou a atenção durante o evento, foi o número de pessoas interessadas no assunto digitalização. Afora o tema ser confundido com outro, de igual importância, qual seja, a digitalização como fenômeno, quase todos o discutiram, em maior ou menor grau. O mundo passa por isso, afinal até cinco anos atrás, o digital ainda era futuro. Não apenas a televisão ou o cinema, mas, de fato, os fluxos de informação se “digitalizam”. Quando alguém fala em “online” está falando de algo que corre por servidores, “hubs”,  “switchs” e todos esses equipamentos com “luzinhas” (leds)  que piscam para alegria de muitos. Haja eletricidade.

    Daqui para frente, as discussões da plenária sobre Acervo, Memória, História, Identidade e Cultura Digital, ocorrerão com base no que foi discutido no texto de memória digital.

  • Relatorias das plenárias – Eixo Infraestrutura Digital

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    por: Henrique Costa, em Programação no dia 25/11/2009

    Sob a coordenação do curador Diogo Moyses, aconteceu na manhã do dia 20 a plenária do eixo Infraestrutura Digital, contando com a presença de especialistas, gestores públicos e interessados em debater e propor políticas de acesso e qualidade para a infraestrutura digital no país.  O ponto central e consensual entre os presentes foi a necessidade de universalizar o acesso à banda larga no país, a partir de sua definição como serviço público essencial. Na mesma linha, discutiu-se o Plano Nacional de Banda Larga, além da disponibilização de servidores públicos para a cultura digital e a infraestrutura para a digitalização de acervos culturais.

    *

    • Programa que preveja empresa pública que dê conta de tudo não parece bom. Centralização excessiva. “Internetobras”.
    • Plano Nacional de Banda Larga foi muito fechado no governo.
    • Instituições culturais devem fazer um acervo e disponibilizar. E hoje o que se vem fazendo é usar Youtube, etc. A longo prazo isso é bem ruim por ser privado e com várias licenças.
    • Adoção e estímulo a padrões abertos foi importante, mas ministério não investiu no desenvolvimento de Software Livre. SL também é infraestrutura para a produção de cultura.
    • Empresa pública para administrar linhas da Eletronet, Furnas, etc. Propostas para o PNBL serão apresentas no dia 24 para o Lula.
    • Comitê de Software Livre.
    • Em relação ao PNBL não há novidades. É importante incluir instituições e equipamentos culturais.
    • Pautar questão da última milha, que está quase definida. O Ministério da Cultura tem interesse em conectar seus equipamentos culturais. Estamos discutindo com a RNP a utilização em espaços de cinema universitário: digitalizar e conectar.
    • Maioria das universidades federais têm problemas de infra, inclusive interna. Articulação de MEC e Minc: programas na área de comunicação, artes.
    • É preciso ir além das universidades federais e ampliar programa para todas as universidades públicas brasileiras.
    • Desagregação das redes já está acontecendo na Europa, mas aqui ainda vai dar muita polêmica e talvez não valha a pena tocar nisso agora.
    • Política nacional de telecomunicações: universalização da banda larga.
    • Centros de produção de conteúdo. Possibilidade de produtores de conteúdo terem acesso a pontos de conexão para determinadas comunidades. Linhas de fomento.
    • Deve existir no PNBL atenção às instituições culturais. Infraestrutura de conectividade se remete ao plano. Recorte da cultura. Inserir no documento que é necessário uma compreensão mais ampla do conceito de cultura digital.
    • É fundamental que exista esta infraestrutura: programa de oferta de infra, mas isso depende de uma concepção mais ampla.
    • Estúdio livre: programa que tem que ser ampliado, pois ainda não gerou a transformação necessária.
    • Estúdio Livre até hoje está hospedado em um servidor na RNP em um acordo informal.
    • Concordância que talvez seja melhor não entrar em outras disputas e, assim, acabar tirando o foco do essencial.
    • Plano Nacional de Cultura: Ciência e Tecnologia é reconhecida pela cultura. Objetivo também é elaborar melhorias para o plano.
    • Pontos de Cultura têm perfis bem diversos.
    • Formular e implementar uma política pública nacional de digitalização, gestão e difusão dos acervos das instituições culturais nacionais, privadas e públicas dos diferentes níveis da administração.
    • Não é só digitalizar, muitos não tornam disponível este conteúdo.
    • Implementar um sistema distribuído de servidores de uso público para armazenamento e difusão de acervos.
    • Servidores terão que estar em algum lugar. Se o processo de digitalização avança, podemos não ter onde guardar. Abranger elementos fundamentais para a sustentação da proposta: estruturas como um Internet Data Center tem que estar no horizonte.
    • Minc deveria fomentar um estrutura descentralizada.
    • É necessário uma rede distribuída, mas não do ponto de vista da instituições públicas. Instituições têm obrigação de manter o acervo. Se digitalizado, faria sentido que o Minc tivesse um IDC para as suas demandas.
    • Não é excludente. Biblioteca Nacional, por exemplo, pode contar com um espelho do acervo em outro servidor. Pessoa acessa de onde for mais perto. Todos ganham com o aumento da banda.
    • Problema é subestimado. Talvez seja necessário que esteja descentralizado, em mais de um IDC.
    • Quem tem um não tem nenhum. Proposta que venha de fora das instituições culturais. Não é objetivo delas manter uma estrutura como um IDC. É leviano afirmar que vamos conectar todas as instituições pois não pensamos no custeio.
    • É preciso pensar como seria o intercâmbio deste conteúdo: metadados, protocolos. Hoje cada instituição faz do seu jeito. Não há um pensamento organizado, o que dificulta o intercâmbio. Política mais racional para como organizar e uniformizar este conteúdo.
    • Rede de servidores deve vir acompanhada por uma estrutura de softwares. Ideia é dar uma estrutura de modo que as pessoas que acessem tenham pouco trabalho. Software também é infraestrutura.
    • Criar um microformato de catalogação para saída de consultas proposto pelo Minc.
    • IDC é uma coisa caríssima. A longo prazo, pensar que é possível ter estruturas melhores.
    • Estrutura tem que ser mais profissional. Tem muita coisa na área de TI que pode ser pensada. Também há carência de pessoal qualificado. É preciso tirar o ônus das instituições em manter estrutura.
    • Política de formação de recursos humanos: profissionais que sejam capazes de levar a cabo a proposta de infraestrutura. Não temos hoje recursos humanos capazes de dar sustentação à proposta.
    • É importante uma etapa prévia de mapeamento. Há uma série de subitens que nem estão em pauta. Instituições não se conversam num plano de metatags. Antes de discutir quais são as necessidades é preciso mapear prefeituras e estados que tenham políticas de digitalização.
    • Marco regulatório nesse sentido.
    • Necessidade de estabelecer um padrão centralizado de tipos de metadados que devem ser disponibilizados pelos acervos. Legal seria que o sujeito pudesse fazer buscas por todo o acervo.
    • Questão profissional de quem gere cada tipo de arquivo é complicada. Passagem de responsabilidades: há uma necessidade de diálogo entre produtores, organização da informação e tecnologias.
    • Sistema distribuído P2P é exequível. Mas em termos de acesso, haverá situações de desigualdade, comparando com instituições pequenas e longínquas.
    • Estruturas parecidas para replicar esses dados. Proposta de padronização de metadados já existe. O MEC está mais interessado no acervo textual.
    • Federações culturais: raiz da cultura, padronização de metadados, somente uma parte é compartilhada.
    • Acessa o repositório da própria instituição de forma local. Periódico da Capes é exemplo.
    • Se cada um continuar fazendo do seu jeito, não vai ser possível nunca criar uma política uniforme de catalogação.
    • É preciso haver uma preocupação para a questão da gestão. Política de dar continuidade ao processo. Do ponto de vista tecnológico, cada instituição tem um conjunto de metadados totalmente diferente. Ao mesmo tempo em que falamos de padronização, é preciso ver o lado das instituições. Mínimo é necessário, mas é preciso respeitar as diversidades de cada área.
    • Sistemas distribuídos de servidores: armazenamento? Eles poderiam estar dentro de backbones. Caminho pode ser muito longo. Empresas de Telecom querem garantir tráfego dentro de seu backbone.
    • Estimular a criação de trocas de tráfego pelo Brasil. Facilitar a vida do usuário final sendo mais rápido. Ponto de entroncamento de diversas redes no backbone.
    • Visão de empresa pública é estatista. Misto entre isso e a agregação das empresas privadas, como no modelo australiano.
    • Criação de um backbone nacional pelo governo. Backhaul, no entanto, não necessariamente tem que ser feito pelo Estado. Temos grandes empresas querendo fazer (operadoras de celular).
    • Disponibilizar a rede não é monopólio. Lógica é que não deixemos nas mãos da iniciativa privada definir a política de universalização.
    • Existem três conceitos: backbone; backhaul; última milha. Não necessariamente o governo tem que ser responsável pelos três. Algo participativo com as operadoras, e até com os governos estaduais. Governos podem regular o preço. Flexibilizar mas com uma visão de que não é comércio (não só para ganhar dinheiro).
    • Questão do incentivo financeiro ao desenvolvimento de SL. Editais para a comunidade criadora.

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  • Relatorias das plenárias – Eixo Arte Digital

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    por: Henrique Costa, em Plenárias no dia 24/11/2009

    O curador Cícero Inácio da Silva coordenou na tarde do dia 20 a plenária do eixo Arte Digital. Com a participação de artistas de várias áreas e de gestores de instituições, buscou-se avançar na definição do conceito de arte digital, ele mesmo posto em questão. Financiamento público para cursos, desenvolvimento de softwares livres para criação e o incentivo à formação de mídia labs foram alguns dos pontos abordados pelo público, destacados a seguir.

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    • Debate sobre conceito de Arte Digital ainda está em aberto.
    • Dificuldade das universidades em manter estrutura por conta da defasagem. Inserir nesta demandas cursos interdisciplinares e interuniversidades apoiados pelo Minc, bancadas por Capes, Finep. Demandas por tecnologia.
    • Cursos de atualização em ferramentas.
    • Apoio e investimento com linhas de crédito/fomento em desenvolvimento de softwares artísticos.
    • Editais que não sobreponham outros.
    • O próprio Minc cria paradoxos. Lei Rouanet forçou a virar empresa, e Ministério abre editais onde elas não podem participar.
    • Criação de sistemas de apoio que sejam realmente viáveis. Desenvolvimento em tecnologia custa dinheiro.
    • Temos que lembrar que algumas universidades já tem seus projetos, mas alguns não querem se atrelar a elas.
    • Sistematização de bases para um currículo de arte digital
    • Política de criar uma universidade aberta de arte digital. Pólos da Universidade Aberta do Brasil (UAB) podem ser os mídia labs e Minc daria suporte às prefeituras. Cultura de educação à distância. Cursos de arte digital têm que ser livres. Pensar na linha da educação à distância. É mais fácil entrar nas prefeituras do que nas universidades.
    • Mídia labs funcionando 24h.
    • Amapá não tem banda larga!
    • Mudar de PONTOBR para PONTOLAB.
    • Artista administra o Pontolab.
    • Como ser livre da burocracia ganhando dinheiro público?
    • A ideia é dar liberdade e flexibilidade.
    • Lei Rouanet: limitação a compra de equipamentos.
    • Demandar do Minc uma proposta de política pública. Não entrar em especificidades ou redundâncias.
    • Questão dos servidores é fundamental. Provedores públicos e acesso gratuito.
    • Arte digital não pode ficar no gueto. Artista tem que poder mostrar.
    • Exigir formatos digitais abertos ou livres.
    • Não podemos obrigar todos a serem livres.
    • Incentivo à disponibilização de obras artísticas que sejam livres/abertos.
    • Construção de uma mudança de mentalidade sobre a vida dos museus. Grande esforço para colocá-los na web 2.0.
    • Mesmo que haja uma exposição sobre arte digital, será apenas uma. Esta geração de curadores não vai mudar nada. Por isso ainda somos gueto. É preciso uma política de formação de uma crítica rejuvenescida.
    • Promoção de exposições é tiro no pé.
    • Na UFRGS não há disciplina de arte e tecnologia.
    • Existe uma formação que não é profissional. Estímulo e perspectiva de uma crítica capacitada. História da arte e da mídia arte.

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  • Relatorias das plenárias – Eixo Memória Digital

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    por: Henrique Costa, em Plenárias no dia 24/11/2009

    Primeira plenária realizada no Seminário Internacional na tarde do dia 18, o eixo Memória Digital, sob curadoria de Rogério Lourenço, assumiu a tarefa de buscar soluções para a preservação do acervo cultural brasileiro, propondo uma política de digitalização e padronização para as instituições culturais. Entre os pontos destacados, a necessidade de um mapeamento do acervo e a infraestrutura necessária. Abaixo o relato da plenária.

    *

    • Esboçar um plano nacional de digitalização.
    • Minc: ampla pesquisa entre as instituições conveniadas.
    • Já há ações em curso; Minc pensa para si as políticas independente do Fórum. Esse desdobramento é uma consulta ampla; ações simultâneas: evento participativo; um aspecto é a política pública, outra é a participação.
    • Eixo da gestão é recuperação e digitalização dos acervos das rádios públicas/áudio; ainda não temos uma política pública clara para isso; expectativa em relação ao Fórum: formatar (Minc: não ficar refém de empresas, sobretudo na fase de formatação); temos alguns desafios: mapear, catalogar e mapear o acervo; digitalizar o mais rápido possível; ainda está na fase de catalogação, principalmente dos anos 60 para cá; segundo, formatar o próprio projeto; encontrar um meio de disponibilizar para o público (Villa Lobos, p.ex); etapa de ganhar apoios institucionais e financeiros.
    • Pessoas não dão importância para a questão da memória.
    • Digitalização é uma novidade para todo mundo.
    • Estamos propondo que o processo continue, explicando para os participantes do que o Fórum se trata.
    • Questão dos acervos dentro de algo mais amplo. Mapeamento para o Minc. 90% do digitalizado está na Web.
    • Questão da eficácia da ferramenta (plataforma). Compreensão de que estamos convergindo para uma situação de rede social. Soluções que estão começando a aparecer.
    • Experiência é recente; exigir que o processo seja aberto e que as questões da sociedade sejam ouvidas.
    • Premência do assunto é maior que a ferramenta. Volume de demanda é maior que a ferramenta; confiança em mecanismos de discussão embasadas.
    • Iniciativa muito ousada, por isso ela também exige um tempo de assimilação. Este é um bom problema para ser enfrentado.
    • Circulação do acervo ainda é restrita. Pensamento é que a memória deve ser preservada e, portanto, guardada. Medo de que o acervo seja dilapidado.
    • Ter uma instituição que congregue essa questão dos acervos públicos. Centro Nacional de Digitalização. Tratar especificidades a partir de políticas públicas.
    • Fazer consultas imediatas.
    • Qualquer cidadão deve ter acesso aos acervos, e não apenas às instituições.
    • Digitalização não pode ser “aos sustos”. Perspectiva “inabalável”, não sujeita a mudanças de administração.

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  • Relatorias das plenárias – Eixo Economia da Cultura Digital

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    por: Henrique Costa, em Plenárias no dia 24/11/2009

    O eixo Economia da Cultura Digital teve sua plenária realizada na tarde do dia 19 e contou com a presença de um grande público disposto a pensar em como criar oportunidades de empreendedorismo e mensurar o campo intangível da cultura digital. Coordenado pela curadora Oona Castro, a reunião traçou um paralelo com a economia da material, baseada na escassez, buscou-se pensar no que as ilimitadas possibilidades do ambiente digital podem trazer. Como foi colocado durante a plenária, hoje se mede “litros com régua” e os modelos de negócios se equilibram entre os tradicionais e estas possibilidades embrionárias. Abaixo, estes e outros tópicos destacados.

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    • Questão do escopo. O que está acontecendo nos meio digitais. Ainda não sabemos delimitar, porque o universo é muito informal, não temos um mapeamento.
    • Comparação com o “excedente” de café durante a crise de 1929: quanto mais cultura menor o seu valor? Queimar é um caminho? No mundo digital não há escassez.
    • Modelo de negócios antigo tentando se adaptar. Este não é o nosso foco, discutir soluções para esta indústria. Há coisas mais importantes para pensarmos, esta cultura que não está baseada nos modelos antigos de negócios. O Minc hoje reconhece esta cultura, mas de modo geral precisamos de uma política de estado que reconheça e que não trate como marginal.
    • Escassez / abundância: esta é uma grande oportunidade. Café era oferta/demanda e isso gerava escassez: inelástico. Consciência de que temos um desafio maior. No Brasil nem estamos errando, porque nem estamos tentando. Bloqueio de pensar nova economia na rede. Pensar como sobreviver neste mundo novo, elástico. Possibilidade de criarmos o que quisermos, mas temos que ter coragem. Empirismo é fundamental. Emprego não existe mais: nomadismo sedentário.
    • Economia da cultura é medir o tamanho do negócio. Agora não temos noção do tamanho. A economia do que é tangível gera disputas. O intangível gera possibilidades absurdas: mudança na história. Como medir riqueza e o que tem valor? A questão que está em pauta internacionalmente: como medir?
    • Macro: definição de riqueza; como trabalhar outras questões além do econômico; como mensurar.
    • Economia é como alocar recursos escassos. Economia da sustentabilidade: como reduzir os impactos ambientais. Não dá para pensar em termos de métrica econômica, sem chegarmos a um modelo de moedas sociais.
    • Avaliar por vários aspectos:  é preciso pensar na infra de conectividade e hospedagem de forma pública. Toda a infra hoje é exclusivamente privada e proprietária. Para pensar a eco digital é preciso repensar o direito autoral. Reformular esta lei, neste processo da cadeia produtiva da musica no digital. Muita gente lida com a internet como se fosse um meio clássico. Precisamos mudar nossa postura em relação ao processo. Minc tem que pensar políticas publicas, música: fazer festivais.  Editais que contemplem músicas livres.
    • O que é valor na economia digital? Fazer um exercício de pensar fora da caixa, pensando nas mesmas formas de remuneração. Questão da produção: tem que ser levado em conta; eliminar a necessidade dos intermediários. Estamos sob o domínio privado. E se o Google fechasse?
    • Qual o papel do poder público nisso? Estrutura pública ainda está muito atrasada. Tivemos um avanço muito grande. Não há inclusão digital sem inclusão social. Pensar nesta questão qualitativa: educação.
    • Laboratório constante é o que pode trazer soluções. Já existem experiências bastante exitosas, como as moedas sociais, criando uma inteligência coletiva. Constantemente tentando debater este processo. Discordo que não tentamos, porque existem muitos casos. É preciso coragem para construir um ambiente de disponibilidade, precisamos de uma inteligência coletiva mais ativa. Desafio é tentar estabelecer uma territorialização. MPB, Fora do Eixo, criam um banco de estímulo lastreadas por moeda social. Tentar focar com todas as experiências conectadas de forma mais eficiente.
    • Pouco valor ao underground. Estes novos modelos já existem. Pegamos um modelo antigo e tentamos reformular. Discordo que os artistas tenham que liberar suas criações. Libera quem quiser e quem não quiser que chore para as gravadoras. Precisamos criar unidade. Tem uma ética que é da economia porque a galera vai atrás de quem tem grana (gravadoras). Tecnobrega significou sair da ditadura da gravadora para a ditadura do carrinho. Positivo é que saiu da indústria, mas se criou outra. Pensamos no mercado e em como vamos ganhar dinheiro. Temos que esquecer essa galera das antigas e zerar a conversa.
    • Dentro dessa rubrica: indústria da música foi a primeira. Modelo está em desconstrução. Fundamental é pensar em políticas públicas para que a população possa organizar o seu trabalho. Superação da cultura fonográfica. Se isto é autosustentável temos que pensar nesses modelos.
    • Pensar em propostas que ajudem a todos que estão criando. O mais difícil é chamar a atenção, porque sua obra fica perdida nessa nuvem digital: como chegar ao público. Só um repositório público de música não adiantaria. Uma coisa importante é que todas essas músicas ficassem sob uma espécie de curadoria: críticos. Filtros que ajudem o artista a chamar atenção. Você não vai começar a ganhar dinheiro antes de ter um público. Teatro Mágico tem um público enorme e se sustenta assim. Organizar o caos, porque ninguém tem tempo para procurar.
    • Pessoas ainda tem aquela ideia antiga do artista-estrela. Artistas agora tem que pensar em mais coisas. Músico e artistas não tem formação sobre as questões do negócio. Guarulhos; possibilidade de haver rádios públicas, etc. Artistas locais tem que buscar nas prefeituras, universidades, porque casa de show não vai fazer isso, abrir espaço. Músico tem que ter disposição para se formar e informar. Ensinar aos outros como fazer. Descer do salto e do palco, formar o cidadão comum, e não ficar reclamando que estamos perdidos. Está nascendo uma nova geração. Sites, rádios, TVs públicas para divulgar os artistas.
    • Poder consensuar uma agenda mínima, um direcionamento para como esse Fórum vai continuar. Perdemos muito se encerrarmos agora. Tem muita informação, e as pessoas estão perdidas. Como gerenciar essa massa de informação que só aumenta: formas de tageamento, catalogação. Organização de conteúdos, informações qualificadas. Ideia de ter uma plataforma (culturadigital.br): oferta de infraestrutura para esse coletivos, mas embrionário e insuficiente. Avançar para uma coisa mais estabelecida. Limite do comer pelas brechas: momento de consolidar as coisas.
    • Gerenciar isso é uma loucura, mas não adianta porque a internet é a figura do caos. A coisa é auto-gerida. Inteligência vai nos dois sentidos. Fomentar iniciativas na web. Temos que fazer por nós e dar um jeito de linkar isso. Trabalhar em cima do caos.
    • Festival com dinheiro público não pode aceitar artista que faz jabá. Editais que privilegiem a prática da música livre, que não é só colocar na internet. Repositórios: questão do direito autoral.
    • Colocar as coisas num servidor do Minc não é viável. Precisamos de um programa de oferta de infraestrutura para coletivos culturais de todos os tipos.
    • Cultura digital não acontece só na web. Criar plataformas de distribuição. Pensar um conjunto de políticas.
    • O que a sociedade brasileira quer enquanto cultura. Reduzir os efeitos dos intermediários. Maximizar o uso.
    • Cuidado no sentido de que trabalhamos sob novas formas, mas ainda com um pé no velho. Problema é que ainda não nos reconhecemos como um setor. Problemas que são sempre relatados: como fico desejável, e então como circular. Mapear já é difícil no caso da cultura, mais ainda na digital. Mapeamento através de experiências exitosas de quem faz. Criar ambiente favorável, trabalho de sensibilização com a mídia, governos.
    • O que pode criar um ambiente favorável: advocacy.
    • Tornar-se desejável: precisa ser visível. Como fazer com que as coisas se distinguam. Criar tecnologias de busca, de ranking.
    • Circular: criar espaços
    • Importância do distribuidor (atuar como modem)
    • Questão das moedas complementares
    • Questão da mensuração: estudos nesse sentido têm de ser feitos.
    • Não podemos esquecer que ao mesmo tempo a economia digital representa alguns problemas que fazem sentido na economia tradicional: universalização, infraestrutura, criar um ambiente favorável para a cultura digital. Vale cultura (Lei Rouanet); direito autoral; marco civil; plano nacional de banda larga. Questões que vão determinar como faremos cultura nos próximos anos.
    • Como fazer política pública 2.0? Políticas públicas de longo prazo têm que ser legítimas, com a participação da sociedade civil.
    • Nosso papel é construir ferramentas para que todos tenham acesso de forma igual? Mensurar a riqueza. Levantar dados.
    • Medir impactos. “Medir litros com régua”.
    • Gerenciamento do caos: pontos de cultura cairam nesse erro. Mandaram para o ponto o cara que ia instalar o software, e não quem fez a conexão. Se as ideias não se conectam, redes não se articulam para ajudar o movimento social. Como estabelecer uma agenda mínima. Só quem fica, apesar da eleição, é o movimento social.
    • Criação do ambiente favorável passa pela conexão dos movimentos. Qual a provocação que o Fórum pode fazer ao movimento para que ele troque o Orkut?
    • Sociedade deve tomar para si. Recultura RJ: nova legislação para a cultura. Discussão ficava restrita a blogs, sites, e agora estamos ansiosos com este debate, mas temos que pensar no processo. Criar novos repositórios (centralidade) talvez não seja a solução. Aproveitar que estamos em um momento favorável para transformar em lei.
    • Pensar na economia da possibilidade. Pensar em uma universalidade. No Brasil, curiosamente, o Governo é o espaço de inovação. Aprofunda a partir do know how. Sistematizar sob um olhar econômico, e se apropriar de forma democrática. Trabalhar na base da concordância e não da discordância e no comprometimento em compartilhar.
    • Repositório tem que ser de ideias. Lembrar da questão dos Webservices.
    • Teoria do impacto para o software livre: políticas afirmativas para a cultura livre. Dinheiro público, portanto, é obrigação do estado fomentar a troca de experiências.
    • Inteligência e comunicação entre redes.
    • Problema do consumidor de cultura; acesso aos artistas. Criação de um repositório inteligente: API; criações armazenadas e indexadas. Algo que não seja focado apenas no público final.
    • Idiossincrasia brasileira: maioria das iniciativas parte do poder público.

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  • Relatorias das plenárias – Eixo Comunicação Digital

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    por: Henrique Costa, em Plenárias no dia 24/11/2009

    A plenária de Comunicação Digital, ocorrida na manhã do dia 19, foi mediada pelo curador do eixo André Deak, e contou com boa participação de acadêmicos e comunicadores em geral. Entre os temas abordados pelos participantes, o financiamento público a veículos de mídia alternativa e, especialmente, a novas práticas jornalísticas no ambiente digital, a não-obrigatoriedade do diploma de jornalista em nome da democratização da comunicação e a importância das redes sociais. Logo abaixo, os tópicos destacados durante a plenária.

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    • Apresentação – documento montado a partir das discussões na plataforma. Temas organizados por assunto. Contribuições da Conferência Livre de Comunicação.
    • Introdução ao campo: o que é comunicação digital. Transversalidade da comunicação digital.
    • Planejamento de novas mídias feito na Secretaria de Cultura da Bahia.
    • Planejamento de comunicação: blog, twitter, youtube, picasa, etc. Importância de criar redes sociais: mais importante do que criar suporte era criar rede social.
    • Metodologia de mobilização através das redes. Consulta a sociedade civil.
    • Fala da importância da comunicação. O resumo das várias áreas, Hoje o jornal é a internet. Não há mais necessidade de ter jornal. Para o público jovem não há necessidade de jornal.
    • Papel do jornalista, pensar em públicos diferentes falando a mesma língua. Importante relacionar o jornalista com o conteúdo. Questão da propriedade intelectual: jornalista tem. Conteúdo não é só postar um vídeo, etc.
    • Precisa ir além do jornalista, e a grande questão em termos de políticas públicas é a propriedade intelectual.
    • Creative Commons: mesmo assim ganham dinheiro, pois o modelo está mudando.
    • Pagar pelo tamanho (de texto jornalístico) é um paradigma anterior, porque o espaço era limitado: economia da escassez. Fazer esse desenho: o que é comunicação digital.
    • Importância da mediação. Com relação à comunicação, separação do jornalismo da comunicação: se antes havia um compromisso do jornalista em expandir, hoje não se discute o jornalismo, e sim o jornalista. Estamos nos fechando em um movimento contrário ao anterior: liberdade de expressão só para quem tem diploma. Discurso vira “Comunicação é para todos, jornalismo é para alguns”.
    • Aceita que a informação é uma commodity. Jornalista pode cobrir, mas quem tem um blog também pode. Onde se agrega o valor: na comunidade, na relação. Relação que você cria só de estar informando.
    • Duas táticas presentes no documento: jornalismo como prática social é essencial para a democracia. Que política pública poderia haver para incentivar blogs, sites. Também existe muita informação mal produzida, e o que o governo poderia fazer. Como salvar o jornalismo: incentivo público ao jornalismo independente: garantia de valorização do jornalismo em tempos de crise.
    • Distanciamento do jornalismo do campo da comunicação. Processos de produção de conteúdo.
    • Fomentar novas práticas jornalísticas. Jornalistas se tornaram muito conservadores: defesa do diploma e não da qualidade. Livre informação é um paradigma. Deveríamos firmar essa posição: defesa da liberdade de expressão não mediada pela técnica (diploma). Incentivar a pluralidade. Comunicação nesse novo lugar passa por outros lugares, como a economia, o marketing, a cultura.
    • Fundos públicos para o jornalismo independente é uma solução. Seriam gerados por conselhos de comunicação, que poderiam fomentar o que é relevante ou não: pautas investigativas. Jornalismo cidadão pode superar o jornalismo diário. Hoje você paga pela credibilidade de uma assinatura, e não pela informação. Reconhecimento destes comunicadores que não são só jornalistas.
    • Eixo de investimento público: financiar alguém para disputar a hegemonia midiática ou pequenas iniciativas?
    • Internet é limitada a uma classe social. Como fazer para isso chegar ao resto da população.
    • Transparência de dados, quando existem, não são públicos, ou não são legíveis. Interfaces mais simples para estes dados públicos, como gastos.

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  • Seminário do Fórum pela rede

    6 comentários

    por: Gabriela Agustini, em Cobertura no dia 24/11/2009

    forumAbaixo, listo os links espalhados pela rede encontrados até agora sobre o Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital. Se alguém tiver visto algum conteúdo diferente ou quiser enviar outra sugestão, será muito bem vinda.

    Folha de S. Paulo- Informática
    Usuário sempre vai driblar a censura, diz cineasta

    Bola e Arte
    CarlosCarlos no Fórum de Cultura Digital Brasileira

    Blog Convida você
    Cinemateca sedia Fórum da Cultura Digital Brasileira

    Viva Favela
    Transformações digitais

    Site da Aberje- Coluna Pollyana Ferrari
    Banda larga para todos

    Blog Música, Redes Sociais e Blábláblá
    Fórum de Cultura Digital – Parte 1

    Blog do Bleffe
    Fórum de Cultura Digital – Parte 2 (conclusões)

    Yahoo
    Fórum da Cultura digital reúne 600 pessoas em São Paulo

    Comunicação e Tecnologia

    Mate com Angu no Seminário do Fórum

    Blog Rasevero

    Desafios do Brasil Digital

    Blog Marcelo Träsel

    Seminário Internacional de Cultura Digital

    Blog Rede+Mídia

    Acompanhe o seminário do Fórum da Cultura Digital Brasileira

    Coletivo Raio Q Uparta

    Raio q Uparta no Seminário Internacional do Fórum de Cultura Digital

    Producciones Doradas

    Producciones Doradas a Brasil

    BDI BBS

    Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira

    Portal Terra

    Ministério faz balanço de propostas para marco regulatório

    Marco civil: liberdade e privacidade são pontos mais falados

    MEGALOZEBU

    Cultura Digital por várias vozes

    IPNews

    Cerca de 500 pessoas participaram da consulta pública sobre regulamentação da internet

    Portal Abril.com

    Marco regulatório da internet já recebeu 433 sugestões

    Membro do Partido Pirata Sueco vem ao Brasil

    Circuito Mato Grosso

    Proposta para marco regulatório na Internet será divulgada hoje

    A Unidade Móvel

    Evoé #culturadigitalbr – uma geral pelo Fórum dia 1

    Tudo junto e misturado

    Coletivo A Retomada

    Fórum da Cultura Digital Brasileira

    Cultura e Mercado

    Luta pela Internet Livre avança

    Seminário Internacional discute políticas para o ambiente digital

    Linux e CIA

    Ministério divulga propostas para marco regulatório na internet

    Blog do Guaciara

    Espaço: modo de usar

    Administradres.com.br

    Consulta sobre marco da web vai até o dia 17

    Blog da Amiga Jane

    As meias, os meios e as mídias do Ministro

    TV ainda está fora da Memória Digital

    Blog do Paulo Thomaz

    Avança o processo colaborativo para a criação do marco regulatório da internet

    Blog do Link- Estadão

    Encontro discute ate projetos do governo

    “Precisamos pensar mais nos direitos dos usuários e menos nos de propriedade intelectual”

    Seminário discute economia da cultura digital

    Marco civil da internet ficará pronto em janeiro

    Economia da cultura e legislação no Fórum da Cultura Digital

    Teia MG

    Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital e sua Carta da Cultura Digital Brasileira

    Música para Baixar

    Carta da Cultura Digital Brasileira

    Blog do Tsavkko

    Apontamentos sobre o Forum de Cultura Digital Brasileiro #CulturaDigitalBR

    Último Segundo IG

    Mano Brown e Racionais ensaiam guinada “pop”

    Marco regulatório civil da internet já recebeu 433 sugestões

    Portal do MinC

    Cultura Digital

    Revista Brasileiros

    Infraestrutura digital

    Cenários Internacionais

    Periferias Globais

    Terra sem lei

    Folha de S. Paulo- Ilustrada

    Autora de “YouTube e a Revolução Digital” fala hoje em seminário em SP

    RNP

    Seminário Internacional discute políticas públicas de cultura digital

    Primeiro seminário do Fórum da Cultura Digital discute infraestrutura de redes

    Memória e arte são debatidas no segundo dia do Fórum da Cultura Digital

    Plenária de Infraestrutura aborda o acesso a acervos digitalizados

    Experiência estrangeira no último encontro do Seminário de Cultura Digital

    Ministro da Cultura recebe propostas do Fórum da Cultura Digital Brasileira

    Coletivo Catraia

    Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital

    Internet Legal

    Carta da Cultura Digital Brasileira encerra o Seminário Internacional em SP

    Blog da Raquel Camargo

    Debata a Cultura Digital

    DiverCult

    Seminário Internacional da Cultura Digital Brasileira

    Portal Luis Nassif

    Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital

    Observatório do Direito à Comunicação

    Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital

    Rede Brasil Atual

    Seminário consolida debates via internet sobre cultura digital

    Brasil de Fato

    Seminário discute cultura digital brasileira

    Blog Agenda Sociedade Civil

    Seminário Internacional consolida debates do Fórum da Cultura Digital Brasileira

    Associação do Parque Histórico do Carambeí

    Cultura Digital

    IDG Now!

    Blog de discussão sobre marco legal da internet teve 120 mil acessos

    Partido Pirata do Brasil

    Amélia Andersdotter, do Parido Pirata sueco, vem ao Brasil

    Eurodeputada Amélia Andersdotter, do partido Pirata, participa de Desconferência em São Paulo

    Vitrine

    Restringir o acesso à música é um erro

    Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira

    A Rede

    Contribuições a consulta pública do marco civil da internet: um debate sobre como legislar a rede

    Golden Light Business

    Encerra-se o seminário sobre culura digital

    Ministério Público Federal

    MPF participa de debate sobre marco civil da internet em São Paulo

    Vídeos

    Canal no Youtube de Maximiliano Leguiza

    Canal no Youtube da MudaCultural

    Canal no Youtube do Marcos Piovesan

    Kaltura

    Fotos

    Picasa do Gil Prado

    Galeria do Pontão Nós Digitais

    Slideshow no Flickr: tag culturadigitalbr

    Flickr do Lou Gold

    Flickr do Coletivo Mate com Angu

    Flickr do Maximiliano Leguiza

    Flickr do David Sasaki