Todos os anos, com a proximidade do dia 13 de maio, os quilombolas de São José da Serra, no município de Valença (RJ) realizam o mesmo ritual: recebem os amigos para uma grande festa em homenagem aos Pretos Velhos, envolvendo toda a comunidade, comunidade amigas e visitantes de todos os lugares. Neste ano, acompanhamos essa festa desde o início, respeitando e nos integrando ao processo com encantamento e respeito a toda a ancestralidade que se evidenciou.

A festa começa com uma missa. Um padre católico conduz o rito, enquanto as músicas tradicionais são substituídas por cantos do quilombo, acompanhada sempre pelos tambores tradicionais dali. No lugar das hóstias, frutas da região são distribuídas para a comunhão. E, na abertura, um cortejo canta a mensagem: “Vamo acabar com essa conversa/ de nego ser inferior”.

Em seguida foi servida a feijoada, regada a samba, calango, e outros ritmos e manifestações, com participação de vários grupos e dos visitantes. Chama a atenção a quantidade de pessoas dedicadas ao registro da festa em vídeo, audio e fotos, muitas fotos. Profissionalmente ou não. Houve momentos em que era até difícil tirar uma foto sem enquadrar outro fotógrafo.

Em nosso trabalho por lá, focamos em dois tipos de registro: o registro em vídeo com cenas e entrevistas com diversas pessoas que estava por lá; e registros de trechos de áudio para edição e inclusão no CD e DVD Semussum Brasil. O registro de áudio foi feito ao vivo, enquanto a festa se desenrolava. Foi importante a participação de jovens da comunidade, que acaba de receber os equipamentos de seu Ponto de Cultura. Juntos montamos uma aparelhagem de som para gravação e amplificação das apresentações na festa.

Um momento emocionante é o acendimento da fogueira, que é benzida por mãe  Têtê, matriarca da comunidade. Neste momento toda a família do quilombo se reuniu em uma roda voltada para a fogueira, cantando para reforçar a benção à fogueira e a todos os presentes. A música conta a história da própria fogueira e sua feitura. O calor dela embala o resto da noite, enquanto continua o jongo e também o forró.

Usamos o espaço de camping para montar barracas e guardar os equipamentos. Também houve oportunidades para conhecer a área, que inclui cachoeiras, riachos com água gelada, as casas da comunidade, separadas por trilhas com escadas de pedras e árvores, muitas antigas. A família do quilombo recebeu a todxs com muita alegria e gentileza, mostrando alguns do valores que permeiam a continuidade da comunidade, com suas crenças e festas simbolizando e sustentando sua cultura.

Mais fotos tiradas na festa podem ser vistas no Picasa Sambada de Coco, clicando aqui.