Segue um compilado de propostas que pretende funcionar como subsídio à construção das propostas nesta tarde, no eixo 1 da pré-conferencia setorial de arte digital.
Foram reunidas proposições oriundas de vários documentos produzido coletivamente, tais como os resultdos do Fórum da Cultura Digital Brasileira, diretrizes do PNC para o digital, metas do GT de trabalho de arte digital no CNPC, assembléia de arte digital ocorrida no Pará e as contribuições advindas da Conferência livre “Comunicação para a Cultura”.
Bom proveito!
EIXO I – PRODUÇÃO SIMBÓLICA E DIVERSIDADE CULTURAL
Foco: produção de arte e de bens simbólicos, promoção de diálogos interculturais, formação no campo da cultura e democratização da informação.
PROPOSTAS RESULTANTES DO FÓRUM DA CULTURA DIGITAL
1. Sistematização de um currículo para cursos de arte que queiram inserir disciplinas na área de “arte digital”. Criação de uma “grade” ou de “disciplinas” sugeridas por acadêmicos ou pesquisadores do campo das artes digitais para a inserção nos currículos de arte tradicionais. Nesse item, foi discutida uma maior aproximação com o Ministério da Educação para uma posterior análise dessa possibilidade em conjunto com o Ministério da Cultura. Essa sistematização poderia ser realizada por um colegiado específico de especialistas na área, como curadores de arte digital, pensadores, professores e pesquisadores, nacionais e internacionais.
2. Implementação de cursos ou centros de “arte digital” ou “arte computacional” em Universidades no país com apoio do Ministério da Cultura em parceira com o MEC. Item que também deve ser negociado em parceria com o MEC. A idéia é criar incentivos para a abertura de “Núcleos de arte digital”, quase como os “pontões da cultura”, só que com ênfase interdisciplinar e com o intuito de capacitar os alunos à produção de obras digitais, tanto na área de artes visuais quanto na área de cinema e vídeo. Esses “núcleos” ou “centros” podem ser chamados de Mídias Laboratórios, ou centros de arte digital, e teriam como “acervo” algo em torno de 10 computadores, que viriam com um manual de instalação de softwares arte para a produção de arte e tecnologia e como contrapartida as universidades devem prover acesso à rede e infraestrutura para instalação dos equipamentos .
3. Criação de grupos de trabalho para formular um programa de ensino-aprendizagem na área de Arte Digital. A formação foi um dos itens apontados como “deficitários” na maioria dos debates, tanto no Fórum on-line quanto nos Fóruns presenciais. Um grave problema apontado foi, segundo especialistas das áreas da arte e da comunicação, a falta de processos interdisciplinares que coloquem juntos em um mesmo local cientistas da computação ou engenheiros da computação, por exemplo, com artistas ou estudantes de arte, para a produção conjunta de reflexões no âmbito da arte digital, ou da arte ciência. Falta uma nova visão acadêmica que leve em consideração os tempos atuais de colaboração, desenvolvimento em conjunto e análise das complexidades de forma dinâmica, ampla e mais abrangente, não mais sendo possível uma formação ainda baseada nos moldes fordistas, que ainda está em vigência em praticamente todas as universidades do Brasil.
4. Metodologias de ensino da arte digital: softwares, processos, criação em mídias digitais. Sugere-se a criação de métodos de ensino para as artes digitais, tais como fomento à produção de oficinas em centros culturais que visam a capacitação artística e o domínio ou produção de softwares ou hardwares como obras de arte ou representações do campo artístico que dialoguem com o campo da arte, tais como teatro, performance ou cinema. A proposta tem como objetivo ensinar e pensar com os artistas interessados em como produzir vídeos, filmes, obras interativas e instalações com sistemas em software livre já existentes, como Processing, OpenFrameWorks, Vimus etc. para a criação artística.
5. Padronização de algumas ferramentas: utilização de softwares livres em sala de aula, ampliação do uso de instrumentos Open Source: linguagem “processing”, “openframeworks”, Vimus, entre outros, para o ensino da arte digital. Como apontado no tem 1.2, existe uma demanda reprimida de interessados em produzir arte digital, mas que não possuem acesso ao conhecimento necessário para a produção. O problema não são custos de softwares, pois todos os programas que podem ser utilizados, tanto na criação visual quanto na musical, por exemplo, são livres ou open source, portanto, a demanda é mais direcionada à organização de eventos, que podem acontecer em Mídia Labs na Cinemateca, ou nas Funartes, por exemplo, discutindo e debatendo abertamente o campo da arte digital e promovendo um contato direto com essas formas de representações artísticas.
6. Apoio à criação artística digital: bolsas de pesquisa para acadêmicos que atuam na área de artes e comunicações e que queiram produzir no campo da arte digital. Propostas: bolsas com valores mensais, para estudantes com vinculação comprovada em curso de arte ou comunicação, com ênfase na temática “arte digital”, “arte e tecnologia”, “arte computacional”, “cultura digital”, “comunicação digital”, “cultura computacional”, entre outras. A aplicação dessas bolsas poderia ser tanto nos Mídia Labs a serem criados quanto nos Pontos da Cultura, ou outras atividades financiadas pelo Ministério da Cultura.
7. Apoio à produção de centros de pesquisa na área de arte digital.
8. Apoio à apresentação de obras artísticas em formatos digitais: criação de um mecanismo de apoio à artistas direcionado especificamente à exibição de suas obras, em um circuito específico a ser delineado no projeto ou mesmo em exibições em espaços de arte no Brasil e no exterior. Incentivo a disponibilizacao de obras artisticas em formatos digitais livres/abertos. Criação de mecanismos de fomento à exibição, tanto nacional quanto internacional, de artistas que precisam expor suas obras fora do país ou que queiram mostrar seus trabalhos no campo das artes digitais. Poderia ser realizado através de editais, ou do diálogo com museus já estabelecidos que poderiam ceder seus espaços por determinados períodos de tempo para a exibição de obras de artistas que trabalham na área de arte digital. Os equipamentos culturais que atuam nessa área poderiam concorrer a materiais que os equipariam e permitiriam exposições regulares dessa categoria de arte, como projetores, computadores, roteadores, entre outros equipamentos que são necessários a uma exposição permanente de obras de arte computacionais.
9. Promoção de projetos/exposições que tenham como foco as “artes digitais”. As exposiçoes devem acontecer em diferentes equipamentos culturais, para que se inicie um processo de assimilação das obras digitais e que tenham continuidade num longo prazo para a criacao de perspectiva de formacao de uma critica capaz de estabelecer pontes entre a historia da arte e da arte digital.
10. Formas de patrocínio para a exposição de obras em suportes computacionais e outros com apoio incentivado para esse fim. Ver item ANTERIOR, mas com a criação de setores em equipamentos culturais e museus preparados para acolher as artes digitais, com infraestrura como tomadas, pontos de redes com e sem fio, servidores de computador, profissionais capacitados para manutencao e conservacao, incluindo aí especialistas em acervos digitais, recuperação de obras digitais e exibição de obras em formatos digitais diversos, assim como especialistas na leitura e na montagem de instalações interativas em museus de arte digital em todo o pais.
11. Metodologias de ensino da arte digital no currículo escolar, em âmbito fundamental e médio, presencial e a distancia. Item a ser debatido com o MEC. Conceitos de arte digital. Apresentar as definições do que seria arte digital, de como pode ser ensinada e de que forma ela está presente em nosso cotidiano.
12. Disponibilizar às escolas e museus um acervo dos principais trabalhos, processos de produção, artistas e softwares livres para a criação artística (Pure Data, Processing, OpenFrameWorks, entre outros) do campo no país, no formato da Enciclopédia de Arte e Tecnologia do Itaú Cultural, que é on-line e em constante atualização.
13. Apoio à publicação dos resultados e das obras em suportes diversos. Fomento à publicação de obras de arte digitais, em suportes diversos, tais como postagem em servidores disponibilizados pelo MinC, ou MCT, por exemplo, para os artistas fomentados pelo MinC na área de artes digitais, vídeo, cinema, performance, dança, entre outras área, que não tenham condições de postar seus trabalhos em servidores de computador pagos. Esse acervo seria de acesso público e gratuito e os artistas teriam a liberdade de criar e divulgar o seu próprio conteúdo nesses servidores da Cultura.
14. Formação Profissional: Um dos maiores entraves à aceitação das ações da Cultura Digital é o fator humano. Os recursos humanos habilitados para compreensão dos conceitos, tecnologias são poucos e, de acordo comas visitas realizadas nas instituições, voláteis. Sugere-se que um plano de formação técnica continuada seja desenvolvido, com caráter interministerial (MinC, MEC e MCT) no sentido de fomentar iniciativas que hoje são isoladas e não contam com apoio sistêmico por parted as administrações.
15. Ensino/Acesso/Formação de profissionais capazes de mediar: Políticas públicas de ensino de comunicação digital, mais do que simples acesso. Ensino que faça compreender o processo de relacionamento na rede. Ensino àdistância. E- learning. A pessoa acha que é só colocar o teste na rede, depois fazer uma prova… E tudo bem. É a mediação que vai fazer o processo de aprendizagem ocorrer. E hoje o mercado não tem mediadores. As pessoas não entenderam ainda este papel: alguém que vai promover os grupos, alimentara conversa. Isso não tem. E isso será o papel do comunicador.
ASSEMBLÉIA DA PRÉ-CONFERÊNCIA SETORIAL DE ARTE DIGITAL NO PARÁ
16. Promover o intercâmbio entre artistas e produtores culturais da Pan-Amazônia.
17. Incentivar e fomentar a formação de redes de movimentos culturais, primando pela participação em associação colaborativa e solidária.
18. Ampliar os incentivos e fomentos à troca de experiência horizontal entre produtores culturais e artistas, através de circuito de eventos temporáriosrodas de conversas e residências que promovam a convivência e que valorize, reuna e faça circular horizontalmente os agentes das artes pelo território nacional.
19. Incentivar, criar e fomentar iniciativas de Fóruns de artistas e produtores culturais para a formação de redes de troca de conteúdos na internet.
20. Incentivar, criar e fomentar iniciativas para a produção e veiculação de programas audiovisuais (rádio e TV) independentes, específicos da produção artística e das manifestações culturais feito pelos próprios agentes da cultura para a veiculação via internet e nos canais de TVs publicas e estatais.
21.Incentivar e fomentar o intercâmbio com experiências artísticas e culturais de outros países da América Latina e Caribe.
22..Grupo de trabalho de Arte Digital do Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC)
24.Incentivar e valorizar a formação em Arte Digital e reconhecer a profissão.
25.Estabelecer políticas publicas para o desenvolvimento da produção em Arte Digital e garantir sua difusão, disponibilização, manutenção e consumo em todos os setores sociais.
26.Fomentar, mostras, exposições, festivais premios em Arte Digital.
Grupo de trabalho de Arte Digital do Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC)
27. Incentivar e valorizar a formação em Arte Digital e reconhecer a profissão.
28. Estabelecer políticas publicas para o desenvolvimento da produção em Arte Digital e garantir sua difusão, disponibilização, manutenção e consumo em todos os setores sociais.
29.Fomentar, mostras, exposições, festivais premios em Arte Digital.
Conferência Livre “Comunicação para a Cultura”
30. Fomento à criação e à disponibilização de redes e bases de dados geridas colaborativamente para as redes de comunicação e cultura;
31. Criação de espaços públicos de comunicação em comunidades e povos tradicionais com rádios, TVs, telecentros e gráficas livres, que possibilitem e reforcem o registro e a divulgação da cultura local e bens culturais materiais e imateriais produzidos nesses espaços. Estes espaços devem ainda atuar como pontos de difusão de conectividade utilizando redes sem fio, provendo também serviços de TV, rádio e telefonia além do conteúdo cultural produzido localmente;
32. Criação de marco regulatório para legalização e estímulo das redes de troca e compartilhamento de conteúdo livre, cultural, educacional, comunicacional e informacional;
33. Criar um sistema público de distribuição de conteúdos produzidos pelas redes de comunicação e cultura e garantir que a produção cultural financiada com dinheiro público seja exibida e distribuída de forma livre, licenciada através de licenças flexíveis e disponibilizada em acervos livres.
34. Criar um repositório comum de metodologias que partam do reconhecimento das identidades culturais regionais, que contemplem soluções tecnológicas flexíveis de letramento digital, produção e divulgação de conteúdo, reforçando a importância da autonomia e liberdade nos processos de aprendizagem.
35. Incentivar a produção colaborativa de conteúdos em plataformas como internet, televisão, mídias móveis etc. entre Pontos de Cultura, Pontos de Mídia Livre e produtoras culturais.
36. Alocação de recursos de publicidade institucional do Governo Federal, Estados e Municípios em mídias vinculadas aos Pontos de Cultura, comunitárias, livres, independentes, educativas e universitárias, valorizando produtos e serviços populares.
37. Manutenção e ampliação do financiamento público para a comunicação livre objetivando a estruturação sustentável dos coletivos beneficiados.
38.Elaboração de projeto de lei determinando que recursos públicos nas áreas federal, estadual e municipal, previstos para publicidade nos Planos Plurianuais (PPAs), sejam destinados para aplicação nas TVs Públicas, Comunitárias e Universitárias.
39.Elaboração de Projeto de Lei para garantir no sistema digital a criação de emissoras de Rádios e TVs Comunitárias em sinal aberto, criando fundos específicos para estes meios e permitindo que captem recursos com publicidade para garantir sua auto-sustentabilidade.
40.Criação e manutenção de equipamentos públicos para produção, armazenamento, documentação e distribuição de conteúdos audiovisuais, sonoros e impressos, que atendam prioritariamente povos tradicionais e comunidades com dificuldade de acesso a estes recursos, geridos por meio de conselhos paritários que envolvam Poder Público e sociedade civil .
41.Garantir que todo conteúdo oferecido por serviço de radiodifusão digital sonora e de sons e imagens sejam livres de qualquer dispositivo técnico, sinal codificado ou outra medida de proteção tecnológica que possam impedir ou restringir o seu acesso e uso legítimos.
42.Construção de plataformas públicas que possibilitem a difusão e maior visibilidade de conteúdo para as mídias livres.
43.Criar mecanismos de apoio à implementação dos canais criados pelo Decreto 5.820/2006 (TV Digital), inclusive com aporte de recursos financeiros, garantindo a participação da sociedade civil na programação e na gestão dos canais, mediante a ocupação dos canais da Cidadania, Educativo, Cultura e Universitário.
44.Garantir, nas três esferas de governo, a aquisição de produtos impressos e digitais de mídia livre para equipamentos de educação e cultura, que sejam também produção de conhecimento livre.
45.Reconhecer e apoiar experiências de educação não formal no campo da cultura e da comunicação.
46.Implementar Educação Audiovisual e de Mídias Digitais, inclusão de Lógica de Programação e Desenvolvimento de Software na educação básica.
47.Promover práticas educativas, nos âmbitos da educação formal e não-formal, a fim de popularizar o direito à comunicação e garantir o aprendizado de uso das novas tecnologias da comunicação e informação, visando o desenvolvimento de competências, habilidades e a reflexão político-transformadora, na perspectiva da mediação tecnológica na educação, da educação para a comunicação e da gestão educomunicativa.
48. Políticas de formação para o midialivrismo e do midialivrista em espaços formais e informais de educação.
49. Criação e manutenção de escolas livres de formação multimidiática com núcleos regionais e/ou estaduais, reunindo as experiências metodológicas já desenvolvidas por instituições de reconhecimento público, com ênfase na formação continuada para o desenvolvimento de novas práticas nas relações de mercado na área do audiovisual, da Economia Solidária e do Comércio Justo.
Plano Nacional de Cultura
50.Ampliar as linhas de financiamento e fomento à produção independente de conteúdos para rádio, televisão, internet e outras mídias.
51.Incentivar inovações tecnológicas na área cultural que compreendam e dialoguem com os contextos e problemas socioeconômicos regionais do país.
52.Adequar a regulação dos direitos autorais, suas limitações e exceções, ao uso das novas tecnologias de informação e comunicação.
53.Apoiar políticas de inclusão digital e de criação, desenvolvimento, capacitação e utilização de softwares livres.
54.Ampliar as políticas dedicadas a elevar a inserção de conteúdos regionais, populares e independentes na televisão, no rádio, no cinema, na internet.
55.Estimular redes de compartilhamento de conteúdos que possam ser utilizados livremente por escolas, bibliotecas de acesso público, rádios e televisões públicas e comunitárias, de modo articulado com o processo de implementação da televisão digital.
56. Apoiar a implementação e qualificação de portais de internet para a difusão nacional e internacional das artes e manifestações culturais, com a disponibilização de conteúdos que possam ser compartilhados.














