A Pré-conferência Nacional de Cultura Afro-brasileira foi aberta ontem (24/02), em Brasília, com a presença de delegados, militantes, atores, representantes de religiões de matriz africana e demais protagonistas da cultura afro-brasileira. Do encontro resultarão as propostas do setor para a 2ª Conferência Nacional de Cultura (CNC), que acontecerá entre os dias 11 e 14 de março, também na capital federal.

Na mesa de abertura estavam o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo; a secretária de Articulação Institucional do Ministério da Cultura e coordenadora executiva do Programa Mais Cultura, Silvana Meireles, representando o ministro Juca Ferreira; o embaixador do Senegal no Brasil, Fodé Seck; o cantor baiano Lazzo Matumbi; a ialorixá Railda de Oxum; o editor da revista Raça, Maurício Pestana; e o deputado Zuzu Ribeiro.

Após a benção de mãe Railda – a mais antiga ialorixá de Brasília, com 50 anos de iniciada – os conferencistas passaram a vivenciar um momento histórico, “que significa a valorização de um governo federal às lutas travadas por um movimento que busca seu espaço no campo das políticas públicas”, como explicou Silvana Meireles.

Segundo ela, diferentemente da 1ª Conferência Nacional de Cultura, que buscou um recorte regional, a segunda edição do evento atenderá a uma reivindicação do primeiro e terá recorte setorial, incluindo os vários segmentos que têm assento no Conselho Nacional de Política Cultural: dança, circo, teatro, música, artes visuais, livro e leitura, culturas afro-brasileiras, patrimônio imaterial, arquitetura, moda, design e artesanato.

O presidente da Fundação Cultural Palmares fez um relato das conquistas da instituição nos últimos anos e afirmou que a cultura brasileira tem nome, endereço e CPF, ou seja, é basicamente composta por negros e índios. Ele falou também das lutas pelo reconhecimento da capoeira e das baianas do acarajé como patrimônios culturais brasileiros.

A abertura solene da Pré-conferência foi seguida pela palestra do professor Samuel Vida, advogado e docente de Direito da UFBA, sobre o tema geral do evento: Cultura, Diversidade, Cidadania e Desenvolvimento na Cultura Afro-brasileira.

Ao final da programação de atividades, os conferencistas aprovaram o Regimento Interno e hoje, 25/02, começaram a debater os cinco eixos temáticos.

A atividade cultural do dia ficou por conta do grupo DF Zulu Breakers, de Ceilândia, e seu movimento hip-hop que integra dança, grafite e rap.

Organizada pela Fundação Cultural Palmares/MinC, a Pré-conferência Nacional de Cultura Afro-brasileira traz ainda como novidade o pioneirismo na votação eletrônica para as conferências de Cultura.