“A idéia da realização do I Seminário Nacional de Políticas Públicas para as Culturas Populares surgiu de muitos anseios, tanto por parte dos indivíduos, grupos e comunidades que não viam respeitadas suas culturas e modos de fazer, como por parte dos militantes, intelectuais e apaixonados pela cultura popular. A tantos anseios somou-se a vontade de administradores públicos de contribuir, efetivamente, para o reconhecimento e a valorização das culturas populares.

Num processo participativo, a Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura estabeleceu um proveitoso diálogo com a sociedade civil, representada pelo Fórum Permanente de Culturas Populares de São Paulo e pelo Fórum das Culturas Populares, Indígenas e do Patrimônio Imaterial do Rio de Janeiro. Estas entidades, em parceria com o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/MinC, a Fundação Cultural Palmares/MinC e a Secretaria de Políticas Culturais/MinC, passaram a constituir o Grupo de Trabalho, que pensou, planejou e construiu o Seminário Nacional de Políticas Públicas para as Culturas Populares, com assessoria metodológica do
Instituto Pólis, também responsável pela relatoria do Seminário e edição da presente publicação.

Abrindo um novo espaço na cena cultural brasileira para as manifestações de nossas tradições populares, como estratégia de troca de conhecimento e divulgação, foram realizadas, no segundo semestre de 2004, catorze ofi cinas nos estados do Acre, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe. Contando com a parceria das Secretarias Estaduais e Municipais de Cultura, os encontros resultaram em enriquecimento, tanto com relação ao conteúdo, como no tocante à presença de seus protagonistas em Brasília.

Na etapa final do Seminário, entre os dias 23 a 26 de fevereiro em Brasília, o processo de construção coletiva culminou com a Carta das Culturas Populares e indicação de diretrizes e ações votadas e incluídas no documento final do Seminário. O evento, final contou com uma rica programação cultural e promoveu espaços de diálogos entre diversos manifestantes das várias regiões do país, além de pesquisadores, produtores culturais e gestores públicos, em clima de harmonia, alegria e responsabilidade, num ambiente fértil e único para manifestar seus modos de expressão. Foram palestras, oficinas, espetáculos de música e dança, com artistas de todo o Brasil. Destacou-se também a exposição “Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura, diversidade”, com um universo de práticas e tradições culturais, contribuindo com o debate sobre a situação atual das Culturas Populares e a construção de um novo olhar para a diversidade e identidade cultural.

O conteúdo deste trabalho é a síntese do Seminário Nacional de Políticas Públicas para as Culturas Populares, suas principais reflexões e propostas, e visa a contribuir para o processo de construção de um país mais justo, com suas múltiplas cores, saberes, celebrações e encantamentos. Houve o reconhecimento de que sob a denominação “Culturas Populares” consolida-se um campo específico e fundamental para a construção das Políticas Públicas na área da Cultura.

Como em toda publicação, foram feitas algumas opções editoriais: as falas foram transcritas, editadas e aprovadas pelos autores e receberam títulos segundo seu conteúdo. Selecionaram-se algumas fotos dos participantes da programação ofi cial e as ilustrações foram realizadas com base na leitura dos textos.

Como aponta a Carta das Culturas Populares, “o reconhecimento da diversidade, das especificidades e do valor artístico e cultural das manifestações populares pelas instituições públicas e privadas é parte fundamental do processo de inclusão cultural e econômica e do desenvolvimento humano”.

O Ministério da Cultura entende que o Seminário representa um marco histórico e cultural no reconhecimento e na valorização das Culturas Populares e espera que o produto deste trabalho sirva como modelo da vontade e da união e contribua para a valorização da diversidade cultural brasileira e para o desenvolvimento cultural do nosso país, inspirando nossos jovens de idade e de coração.

Agradecemos a todos aqueles que contribuíram para a realização do Seminário; em especial, aos mestres, artistas, agentes culturais, educadores, secretarias estaduais e municipais e aos movimentos culturais e voluntários, com seu especial brilho.”

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