“É só com a circulação e distribuição do conteúdo que os acervos digitais ganham sentido para existir.” A tese do músico e pesquisador Cristiano Scabello, defendida na apresentação do GT de Vídeo e do GT de Áudio do Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, dá estofo às teorias que pregam a catalogação livre e aberta dos materiais audiovisuais: se não está (bem) distribuído não existe.
Scabello e o VJ Pixel, especialista em vídeo online e ativista do software livre, mostraram em que pé estão as discussões do núcleo e convidaram todos a debater o assunto no blog do GT – http://culturadigital.br/digitalizavideo.
VJ Pixel e Cris Scabelo (falando no microfone) durante o encontro do GT de Vídeo. Crédito: Coletivo Garapa.
Veja as principais questões levantadas:
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VJ Pixel
- Apresenta a Open Video Alliance, que prega a liberdade total. Assim, qualquer um possa pegar o código, desenvolver para fins específicos de instituições e empresas e depois devolver a experiências, para definir um ambiente colaborativo de criação.
- Explica tecnicamente que o codec de vídeo é uma espécie de contêiner – uma caixa onde se guarda o vídeo, como uma caixa física mesmo. Ali, dentro da mídia, há várias fitinhas de áudio e várias sequências de fotos (o vídeo). Aí, cada fitinha está dividida em trilhas (stereo ou mono, no caso do áudio, ou linear ou digitail, no caso do vídeo, em que é possível mudar, por exemplo, o ângulo da câmera enquanto um vídeo está em execução).
- Daí a questão: como distribuir esses videos? “É importante ter domínio sobre a distribuição dos seus vídeos. Se você sobe um no YouTube, qual o controle? Eles não podem a qualquer momento simplesmente deletar o conteúdo? Quais as garantias? É preciso se preocupar com isso.” Primeira discussão sobre isso foi feita durante o Fórum da Cultura Diitl Brasileira, no ano passado.
- Pixel diz que o sistema sobre o qual a internet está construída não admite o controle do autor sobre os vídeos. Há discussões técnicas relevantes, mas o licenciamento é também muito importante (o 4º eixo de trabalho da Open Video Alliance).
- Tentativa brasileira de construir uma plataforma aberta de distribuição de vídeos: http://video.culturadigital.br. Ainda se discute a plataforma definitiva, começando pelos vídeos, o tipo de conteúdo mais complexo. Depois o modelo se replicaria para áudio e texto.
- Alternativas gringas recentemente “descobertas” por Pixel: Miro Community (maneiras eficientes e participativas de distribuição de vídeos por qualquer usuário) e Vodo.net (este com curadoria e estímulo a formatos livres e torrent).
- São três os eixos de discussão do GT de Vídeo:
1 – metadados
com formatos diferentes sendo digitalizados, o remix se torna impossível e a integração entre acervos é dificultada
2 – interface e infra-estrutura
3 – modelos de negócio
como sustentabilizar a digitalização e disponibilização de acervos?
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Cristiano Scabello
- Questão conceitual importante: o digital se soma ao analógico; não o substitui. “A preservação das matrizes analógicas acompanha o processo de digitalização e é bem importante.”
- Scabello fez um estudo nestas instituições: CCSP, Biblioteca Nacional, Biblioteca Mário de Andrade e Funarte (públicas) e Nirez, MIS e todos nós, usuários (privadas).
- A conclusão, que geralmente não é levada em consideração no caso dos acervos públicos, é que a força do “conteúdo produzido em rede” é muito maior do que “pagar um cara pra escrever um release positivo do meu produto”. Os acervos estão mofando, segundo Scabelo, porque servem apenas universidades, pesquisadores, audiófilos. “O interessante da discussão é que seja publicizada, compartilhada, que circule pela rede.”
- Apresenta um site referência para questões de digitalização de áudio e vídeo: International Association of Sound and Audiovisual Archives (Iasa) – www.iasa-web.org
- Uma frase de Scabello: “Sem o direito autoral resolvido, os acervos vão continuar presos e sem grande acesso ao público”. Por isso o chamado para todos participarem das discussões do GT de Direito Autoral.
- Por fim, uma ironia: “Todo mundo gosta muito de defender o desenvolvimento de software livre em iniciativas públicas, mas na prática pouco dinheiro público está circulando para isso”.
Carlos h. Machado 28 de abril
Boa noite…. estou procurando os videos das palestras de ontem e não localizo.
Eles serão disponibilizados?
Grato
Carlos
Lucas Pretti 29 de abril
Oi, Carlos. Já estão diponibilizados.
O GT de Vídeo (este do post) está neste link:
http://www.ustream.tv/recorded/6482689
Você pode ver todas as transmissões feitas arquivadas no canal do CulturaDigital.br no Ustream:
http://www.ustream.tv/channel/culturadigital-br
Abraço