No assunto digitalização de acervos, a obra humana (livros, fotografias etc.) precisa ser encarada com raciocínio robótico – como fazer para tudo virar 0 e 1? É a abordagem inversa que o professor doutor Jean-Claude Guedon, da Universidade de Montreal (Canadá), propõe: as máquinas também precisam ser encaradas com raciocínio humano. Na palestra sobre Acesso à Cultura no Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, o canadense disse que a combinação entre três sociologias explica boa parte do que está acontecendo com o mundo em rede:
- Sociologia dos documentos
O conjunto de livros depende de como está prganizado – por temas, autor, ano, classificação etc. Isso constrói a sociologia dos documentos. Os tipos de hiperlinks entre eles cria uma espécie de comunidade de documentos.
- Sociologia das pessoas
Sempre que um estudante de graduação, um professor ou um leitor comum têm acesso a determinada obra ou documento, há uma comunidade em formação: a dos leitores daquela obra. Automaticamente se cria uma demanda por relações pessoais, com maior ou menor profundidade dependendo dos interesses suscitados pela obra em cada um.
- Sociologia das máquinas
A relação dos computadores em rede é a parte técnica (que costuma ser debatida como se fosse o todo): modelos e capacidade de processamento, abertas ou proprietárias, direito de acesso, filtro de conteúdo. Também se forma aqui um todo unido por hiperlinks, um universo ‘social’.

Jean-Claude Guedon, da Universidade de Montreal, na palestra em que defende as três sociologias. Foto: Coletivo Garapa.
Para amarrar tudo, Guedon diz que o contexto só é válido quando levar em conta as três perspectivas. “Os documentos não vivem sem pessoas em volta”, afirma. E dá o exemplo histórico da Idade Média, em que a Igreja Católica restringia o acesso a bibliotecas e ao conhecimento. É certo que muito se perdeu. “Quando se cria links entre documentos, pessoas e computadores tem-se um novo significado. É uma nova perspectiva sociológica.”
Daí a conclusão de que documentos digitais podem ajudar a produzir comunidades, a promover vidas em comum. Mas tudo torna uma grande utopia se não houver acesso aberto real. Tem de ser aberto. “Toda a digitalização feita até agora é para máquinas, não para pessoas. E está certo. As máquinas precisam ler os documentos, que precisam ser abertos, com padrões discutidos.” Só então, segundo Guedon, será possível falar em comunidades e em “tudo que acontece”.
sonia maria guimaraes ferraz 29 de abril
O uso aberto para participação coletiva e o nascimento de comunidades não pode ter o condão de violar direito de autor no aspecto patrimonial e extrapatrimonial- Direitos de Personalidade.
Podemos conseguir ou uso aberto a partir de um padrão mínimo universal a ser implantado, vez que a uniformidade poderá contribuir melhor para a abertura e a preservação dos direitos de autor.
sonia ferraz advogada rio de janeiro – rj soniamgferraz@hotmail.com