A internet é aberta e democrática por conceito e estrutura, e talvez por isso a discussão sobre espaços públicos virtuais nem sempre chegue à tona. Para o coordenador do projeto Brasiliana USP, Pedro Puntoni, é necessário encarar a digitalização de acervos públicos da mesma forma como se trataria um prédio físico: manter as obras acessíveis e com circulação livre pela rede.

O historiador comparou a iniciativa da USP ao Google Books para concluir, nesta entrevista em vídeo abaixo, que o Google partiu de outra premissa, quantitativa, para catalogar e indexar os 12 milhões de livros já digitalizados até hoje. “Nós na USP, não. Temos o viés qualitativo, cuidado com os metadados, com os textos de contexto”, afirma. “A Brasiliana Digital é um espaço público virtual e assim deve se comportar.”

Uma das medidas que respeitam essa linha de pensamento é a disponibilização para download gratuito dos livros exigidos pelo vestibular da Fuvest, prometida para este mês de junho. “O desafio imposto pelo digital é equilibrar duas preocupações: a preservação dos acervos para as futuras gerações e a garantia do acesso à presente geração”, afirma Puntoni. Este é o desafio da universidade. E o do mercado editorial? Puntoni acha que a indústria brasileira do livro ainda não entendeu como lidar com a cultura digital.

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