O conceito original de biblioteca (e o quanto ele não faz mais sentido hoje em dia) é o ponto central para discutir a questão dos acervos digitais, para o coordenador do projeto holandês Images for the Future, Paul Keller. “Não andamos mais a cavalo. Não faz sentido que tudo fiquei reunido num lugar só, no centro das cidades.” Em entrevista para a FLi Multimídia durante o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, que resultou no vídeo abaixo, ele defendeu a descentralização do conhecimento e a liberdade da rede.

“Antigamente, a sociedade precisava mesmo se reunir em centros, para facilitar o acesso a tudo. Agora é o contrário”, diz Keller. O acesso, hoje, é garantido exatamente pela descentralização. “Não é necessário que todas as bibliotecas da Europa tenham a obra completa de Goethe ou de Shakespeare. Essa replicação não faz mais sentido.”

Keller é um dos coordenadores do projeto Images for the Future, que pretende organizar e indexar, em sete anos (começando em 2006), toda a produção audiovisual holandesa dispersa em diversas instituições do país. O projeto será pioneiro na integração dos bancos de imagens e filmes com  os da Wikimedia Commons, em licença Creative Commons. Ou seja, tudo o que for digitalizado e catalogado pelo projeto estará disponível para consulta na encilopédia online Wikipedia.

A própria Wikipedia, para Keller, é o exemplo de organização descentralizada de que o mundo precisa hoje. Sites para troca de arquivos em torrent também. “Eles têm infinitamente mais conteúdo e bancos de dados mais completos do que os arquivos nacionais porque simplesmente decidiram ignorar as restrições impostas por leis de direito autoral”, afirma. E conclui com uma nova conceituação, agora sobre o papel dos bibliotecários: “Bibliotecários não são mais guardiões de livros, mas pessoas que te ajudam a navegar pela informação”.