Parece besteira discutir essa pergunta em tempos de hibridismo – cultural, tecnológico, de comportamento. Mas a diferença é tributária. O primeiro e-reader brasileiro, fabricado pela Mix Tecnologia no pólo de tecnologia do Recife, chegaria ao mercado final com preço menor que os atuais R$ 990 se não fosse considerado um aparelho eletrônico, e sim um livro. O diretor da Mix, Murilo Marinho, levanta essa questão no vídeo abaixo, produzido pela FLi Multimídia no Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais.

O Mix Leitor D (www.leitord.com.br), como foi batizado depois do fim do simpósio, é o primeiro produto patenteado como e-reader no Brasil, propagandeado pelos fabricantes como um leitor “adaptado à realidade nacional”. Isso significa preocupação educacional. Um software chamado Interquiz daria conta de criar interação entre o usuário e o livro digital em forma de perguntas, respostas e comentários para determinadas palavras ou assuntos. O Leitor D ainda não está no mercado, por isso não se pode avaliar o funcionamento do software. Quando estiver disponível para compra, o preço será R$ 990.

O Senado brasileiro aprovou no ano passado isenção de impostos para fabricantes de livros – e a Justiça sinalizou, numa decisão pontual em São Paulo, que o Kindle, o e-reader da Amazon, seria tributado como livro. A competitividade aumentaria, assim como baixaria o preço final dos aparelhos.

Mas como definir o caráter de um aparelho desse? E o iPad, da Apple, indefinível entre os universos de tablets e e-readers? “O Leitor D usa tinta eletrônica, tecnologia que simula papel e consome pouca bateria. É mais um Kindle do que um iPad”, afirma Murilo Marinho. Ele acredita que, sim, o fato de ser um produto nacional seria preponderante na decisão de compra do consumidor no varejo e do poder público, que poderia distribuir o aparelho em escolas. A ver.

Tags: , , , , , , , ,