A jornalista Ana Claudia Souza, coordenadora do Portal das Artes/Funarte, está à frente do desafio talvez mais importante dos comunicadores em tempos de sociedade em rede: editar conteúdo. Nada adianta apenas manter a consulta a um acervo importantíssimo como o Cedoc da Funarte. É preciso recortá-lo, editá-lo, indexá-lo, filtrá-lo para que seja acessível e organizado. Na entrevista à FLi Multimídia durante o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, no vídeo abaixo, ela foi enfática sobre a autonomia da rede em “decidir o que é interessante” e do novo papel complexo de mediação do jornalista.

A digitalização de todo o material da Funarte – entre fotos, músicas, filmes etc. – começou entre 2004 e 2005 e resultou na reforma do site da isntituição e na criação do Portal das Artes como janela para acessar todo esse conteúdo. Ana Claudia busca fazer uma “abordagem editorial sobre o acervo institucional” para torná-lo interessante e encontrável na internet.

Há materiais preciosos, como todo o Projeto Pixinguinha (shows de 1977) e as 40 mil fotos de Carlos Moskovics (o “Foto Carlos”) sobre os bastidores do teatro brasileiro nos anos 40 e 50. Nem tudo também são coisas relevantes, mas têm uma grande importância histórica. Ana Claudia fala de uma carta enviada pelo cantor Renato Russo à Funarte de Brasília antes de existir a Legião Urbana, em que ele pede um espaço para se apresentar e diz que faz música “positivamente barulhenta”.

“Temos um grande trabalho de dar tratamento editorial para o acervo e de resgatar informações essenciais, como o nome de todos que aparecem nas fotos antigas”, afirma. A distribuição do material fica por conta da capilaridade da rede: “A internet tem a capacidade de tornar público e viral tudo que acha interessante. Se a gente fizer um trabalho interessante, ele vai ser multiplicado pela própria rede”.

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