O apelo da professora da Universidade de Buenos Aires e membro da Fundación Via Libre, Beatriz Busaniche, é engraçado mas retrata uma realidade preocupante: “Precisamos facilitar a vida dos antropólogos de daqui a 100 anos. Eles vão nos estudar e precisam ter acesso à nossa produção simbólica”. Beatriz acha que a cultura do século 20 está mais em perigo do que a dos séculos anteriores, por causa dos direitos autorais. Obras mais antigas são automaticamente enquadradas em domínio público, com livre acesso a qualquer um.

Esses posicionamentos são defendidos na entrevista em vídeo abaixo, concedida durante o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais.

Beatriz se diverte com o que chama de paradoxo: o próprio Google não encontrar os detentores dos direitos autorais de obras órfãs. “É um dos principais desafios hoje lidar com obras órfãs, que não podem ser desbloqueadas enquanto não forem encontrados os ‘donos’.” Ao mesmo tempo, a professora se preocupa com o que pode se tornar uma “inversão de monopólio” – o Google ter domínio dessas informações no projeto Google Books. Isso tornaria as obras tão inacessíveis quanto são hoje.

“é uma pena, pois há muito o que se fazer com o conteúdo digital preservado, não apenas na internet, mas com a TV digital. Abrem-se muitas possibilidades de edição com esse novo meio”, afirma. A tecnologia da TV digital permite, a grosso modo, que o espectador interaja com o conteúdo da televisão e assista programas sob demanda. Assim, a lógica digital da internet passa à potencialidade do controle remoto.

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