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  • Entre o acervo e o público há o editor

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    por: Lucas Pretti, na categoria Entrevistas, Vídeos dia 18/06/2010

    A jornalista Ana Claudia Souza, coordenadora do Portal das Artes/Funarte, está à frente do desafio talvez mais importante dos comunicadores em tempos de sociedade em rede: editar conteúdo. Nada adianta apenas manter a consulta a um acervo importantíssimo como o Cedoc da Funarte. É preciso recortá-lo, editá-lo, indexá-lo, filtrá-lo para que seja acessível e organizado. Na entrevista à FLi Multimídia durante o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, no vídeo abaixo, ela foi enfática sobre a autonomia da rede em “decidir o que é interessante” e do novo papel complexo de mediação do jornalista.

    A digitalização de todo o material da Funarte – entre fotos, músicas, filmes etc. – começou entre 2004 e 2005 e resultou na reforma do site da isntituição e na criação do Portal das Artes como janela para acessar todo esse conteúdo. Ana Claudia busca fazer uma “abordagem editorial sobre o acervo institucional” para torná-lo interessante e encontrável na internet.

    Há materiais preciosos, como todo o Projeto Pixinguinha (shows de 1977) e as 40 mil fotos de Carlos Moskovics (o “Foto Carlos”) sobre os bastidores do teatro brasileiro nos anos 40 e 50. Nem tudo também são coisas relevantes, mas têm uma grande importância histórica. Ana Claudia fala de uma carta enviada pelo cantor Renato Russo à Funarte de Brasília antes de existir a Legião Urbana, em que ele pede um espaço para se apresentar e diz que faz música “positivamente barulhenta”.

    “Temos um grande trabalho de dar tratamento editorial para o acervo e de resgatar informações essenciais, como o nome de todos que aparecem nas fotos antigas”, afirma. A distribuição do material fica por conta da capilaridade da rede: “A internet tem a capacidade de tornar público e viral tudo que acha interessante. Se a gente fizer um trabalho interessante, ele vai ser multiplicado pela própria rede”.

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  • Um e-reader é livro ou aparelho eletrônico?

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    por: Lucas Pretti, na categoria Entrevistas, Vídeos dia 17/06/2010

    Parece besteira discutir essa pergunta em tempos de hibridismo – cultural, tecnológico, de comportamento. Mas a diferença é tributária. O primeiro e-reader brasileiro, fabricado pela Mix Tecnologia no pólo de tecnologia do Recife, chegaria ao mercado final com preço menor que os atuais R$ 990 se não fosse considerado um aparelho eletrônico, e sim um livro. O diretor da Mix, Murilo Marinho, levanta essa questão no vídeo abaixo, produzido pela FLi Multimídia no Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais.

    O Mix Leitor D (www.leitord.com.br), como foi batizado depois do fim do simpósio, é o primeiro produto patenteado como e-reader no Brasil, propagandeado pelos fabricantes como um leitor “adaptado à realidade nacional”. Isso significa preocupação educacional. Um software chamado Interquiz daria conta de criar interação entre o usuário e o livro digital em forma de perguntas, respostas e comentários para determinadas palavras ou assuntos. O Leitor D ainda não está no mercado, por isso não se pode avaliar o funcionamento do software. Quando estiver disponível para compra, o preço será R$ 990.

    O Senado brasileiro aprovou no ano passado isenção de impostos para fabricantes de livros – e a Justiça sinalizou, numa decisão pontual em São Paulo, que o Kindle, o e-reader da Amazon, seria tributado como livro. A competitividade aumentaria, assim como baixaria o preço final dos aparelhos.

    Mas como definir o caráter de um aparelho desse? E o iPad, da Apple, indefinível entre os universos de tablets e e-readers? “O Leitor D usa tinta eletrônica, tecnologia que simula papel e consome pouca bateria. É mais um Kindle do que um iPad”, afirma Murilo Marinho. Ele acredita que, sim, o fato de ser um produto nacional seria preponderante na decisão de compra do consumidor no varejo e do poder público, que poderia distribuir o aparelho em escolas. A ver.

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  • Bibliotecários não são mais guardiões de livros

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    por: Lucas Pretti, na categoria Entrevistas, Vídeos dia 16/06/2010

    O conceito original de biblioteca (e o quanto ele não faz mais sentido hoje em dia) é o ponto central para discutir a questão dos acervos digitais, para o coordenador do projeto holandês Images for the Future, Paul Keller. “Não andamos mais a cavalo. Não faz sentido que tudo fiquei reunido num lugar só, no centro das cidades.” Em entrevista para a FLi Multimídia durante o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, que resultou no vídeo abaixo, ele defendeu a descentralização do conhecimento e a liberdade da rede.

    “Antigamente, a sociedade precisava mesmo se reunir em centros, para facilitar o acesso a tudo. Agora é o contrário”, diz Keller. O acesso, hoje, é garantido exatamente pela descentralização. “Não é necessário que todas as bibliotecas da Europa tenham a obra completa de Goethe ou de Shakespeare. Essa replicação não faz mais sentido.”

    Keller é um dos coordenadores do projeto Images for the Future, que pretende organizar e indexar, em sete anos (começando em 2006), toda a produção audiovisual holandesa dispersa em diversas instituições do país. O projeto será pioneiro na integração dos bancos de imagens e filmes com  os da Wikimedia Commons, em licença Creative Commons. Ou seja, tudo o que for digitalizado e catalogado pelo projeto estará disponível para consulta na encilopédia online Wikipedia.

    A própria Wikipedia, para Keller, é o exemplo de organização descentralizada de que o mundo precisa hoje. Sites para troca de arquivos em torrent também. “Eles têm infinitamente mais conteúdo e bancos de dados mais completos do que os arquivos nacionais porque simplesmente decidiram ignorar as restrições impostas por leis de direito autoral”, afirma. E conclui com uma nova conceituação, agora sobre o papel dos bibliotecários: “Bibliotecários não são mais guardiões de livros, mas pessoas que te ajudam a navegar pela informação”.

  • “Uso comercial” está incluído na definição de “uso livre”

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    por: Gabriela Agustini, na categoria Entrevistas, Vídeos dia 14/06/2010

    Durante sua apresentação no Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, o diretor de projetos da Wikimedia alemã e membro do Comitê de Comunicação da Wikimedia Foundation, Mathias Schindler, já havia levantando a questão da licença realmente livre ser aquela que permita inclusive o uso comercial. Nesta entrevista em vídeo, gravada durante o evento que aconteceu em São Paulo, ele retoma o ponto dizendo que é preciso entender  o que realmente significa liberar o conteúdo para qualquer propósito. Para ele, a falta de consenso sobre “uso comercial” gera limitações que podem ser prejudiciais ao livre acesso ao conhecimento.

    A Wikipedia é uma enciclopédia colaborativa online, mantida em mais de 250 idiomas que já abriga mais de 16 milhões de artigos. O volume de informação ainda é pequeno perto do que poderia ser, na avaliação do próprio Mathias, mas a plataforma vem crescendo a cada ano. “No ano passado ficou em quinto lugar entre os sites mais acessados do mundo. E era o único não comercial entre os 10 ou 20 primeiros da lista”, aponta.

    Mathias fala ainda sobre a necessidade da preservação da memória digital. “É quase impossível reconstruir como eram os sites há 10 anos e isso gera um buraco de informação terrível. Quase não conseguimos saber como as informações chegaram às pessoas naquele tempo”. Ele cita o caso do 11 de setembro, quando com a queda das torres gêmeas o grande volume de acesso ao site derrubou o sistema, causando a perda de diversas colaborações. “E isso não poderá nunca ser reconstituído”, conta.

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  • A rede é uma revolução que vai além do capitalismo

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    por: Lucas Pretti, na categoria Entrevistas, Vídeos dia 10/06/2010

    A frase-título deste post, dita pelo pesquisador da Universidade de Montreal (Canadá), Jean-Claude Guedon, é o resumo de toda uma teoria sociológica defendida por ele. No vídeo abaixo, em entrevista dada à equipe da FLi Multimídia durante o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, ele conceitua a internet como a precursora de um tempo em que se formará uma nova individualidade: não mais a totalitária (religiosa ou política) nem a capitalista tradicional (que cada pessoa é como um átomo autossuficiente). Guedon cunhou o termo “individualidade fonêmica” para representar este novo tempo. Ele entende o fonema como um bom exemplo da natureza desses novos indivíduos: parecem átomos, autônomos, mas são átomos que só existem na diferenças e semelhanças em relação aos outros. A sociedade em rede, enfim.

    Veja a explicação detalhada no vídeo:

    O que tudo isso tem a ver com a digitalização de acervos? Guedon relaciona essa visão sociológica a outras duas “sociologias”, conforme já tinha exposto na palestra no simpósio: a das máquinas e dos documentos. “Digitalizamos os livros para as máqunas lerem, não para as pessoas”, diz. Por isso a importância de lutar pela liberação dos direitos autorais e da vigilância pública sobre projetos como o Google Books. Guedon acha a intenção do Google “extremamente perversa”. “Eles nos darão o acesso aos livros como se fosse um presente, mas serão donos das informações computacionais, dos algoritmos, o bem mais precioso.”

    O debate é rico justamente porque expõe diversas visões de mundo. Um dos diretores do Google no Brasil, Ivo Correa, também participou do simpósio e foi entrevistado neste blog. Ele obviamente defende – ou pelo menos explica – o posicionamento da principal empresa da internet em relação à digitalização. Não se trata apenas de defender um lado ou outro, mesmo porque todos têm suas contradições e desafios, mas enxergar a questão de forma mais ampla. Guedon, por exemplo, coloca que tudo o que fruimos do mundo é mediado, hoje, por máquinas. “Nossa visão de mundo é moldada pelo algoritmo de busca do Google.”

    Dai a conclusão do próprio Guedon de que a internet vai fazer com que todas as relações entre as pessoas seja repensada, e aos poucos alterará leis, costumes e cultura. “Assim é uma verdadeira revolução.”

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