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	<title>Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais &#187; google books</title>
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	<description>26 a 29 de abril em SP</description>
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		<title>Cultura do século 20 está mais ameaçada que a dos séculos anteriores</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Jul 2010 21:09:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Pretti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O apelo da professora da Universidade de Buenos Aires e membro da Fundación Via Libre, Beatriz Busaniche, é engraçado mas retrata uma realidade preocupante: &#8220;Precisamos facilitar a vida dos antropólogos de daqui a 100 anos. Eles vão nos estudar e precisam ter acesso à nossa produção simbólica&#8221;. Beatriz acha que a cultura do século 20 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O apelo da professora da Universidade de Buenos Aires e membro da <a href="http://www.vialibre.org.ar">Fundación Via Libre</a>, <strong>Beatriz Busaniche</strong>, é engraçado mas retrata uma realidade preocupante: &#8220;Precisamos facilitar a vida dos antropólogos de daqui a 100 anos. Eles vão nos estudar e precisam ter acesso à nossa produção simbólica&#8221;. Beatriz acha que a cultura do século 20 está mais em perigo do que a dos séculos anteriores, por causa dos direitos autorais. Obras mais antigas são automaticamente enquadradas em domínio público, com livre acesso a qualquer um.</p>
<p>Esses posicionamentos são defendidos na entrevista em vídeo abaixo, concedida durante o <a href="http://www.acervosdigitais.blog.br">Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais</a>.</p>
<p><object classid="d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="601" height="338"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12489549&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ff9933&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="601" height="338" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12489549&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ff9933&amp;fullscreen=1" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Beatriz se diverte com o que chama de paradoxo: o próprio Google não encontrar os detentores dos direitos autorais de obras órfãs. &#8220;É um dos principais desafios hoje lidar com obras órfãs, que não podem ser desbloqueadas enquanto não forem encontrados os &#8216;donos&#8217;.&#8221; Ao mesmo tempo, a professora se preocupa com o que pode se tornar uma &#8220;inversão de monopólio&#8221; &#8211; o Google <a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/2010/05/19/digitalizacao-de-acervos-e-o-modelo-google-de-negocios/">ter domínio dessas informações no projeto Google Books</a>. Isso tornaria as obras tão inacessíveis quanto são hoje.</p>
<p>&#8220;é uma pena, pois há muito o que se fazer com o conteúdo digital preservado, não apenas na internet, mas com a TV digital. Abrem-se muitas possibilidades de edição com esse novo meio&#8221;, afirma. A <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Televis%C3%A3o_digital">tecnologia da TV digital</a> permite, a grosso modo, que o espectador interaja com o conteúdo da televisão e assista programas sob demanda. Assim, a lógica digital da internet passa à potencialidade do controle remoto.</p>
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		<title>A rede é uma revolução que vai além do capitalismo</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jun 2010 18:04:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Pretti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A frase-título deste post, dita pelo pesquisador da Universidade de Montreal (Canadá), Jean-Claude Guedon, é o resumo de toda uma teoria sociológica defendida por ele. No vídeo abaixo, em entrevista dada à equipe da FLi Multimídia durante o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, ele conceitua a internet como a precursora de um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A frase-título deste post, dita pelo pesquisador da Universidade de Montreal (Canadá), <strong>Jean-Claude Guedon</strong>, é o resumo de toda uma teoria sociológica defendida por ele. No vídeo abaixo, em entrevista dada à equipe da <a href="http://www.flimultimidia.com.br">FLi Multimídia</a> durante o <a href="http://www.acervosdigitais.blog.br">Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais</a>, ele conceitua a internet como a precursora de um tempo em que se formará uma nova individualidade: não mais a totalitária (religiosa ou política) nem a capitalista tradicional (que cada pessoa é como um átomo autossuficiente). Guedon cunhou o termo &#8220;individualidade fonêmica&#8221; para representar este novo tempo. Ele entende o fonema como um bom exemplo da natureza desses novos indivíduos: parecem átomos, autônomos, mas são átomos que só existem na diferenças e semelhanças em relação aos outros. A sociedade em rede, enfim.</p>
<p>Veja a explicação detalhada no vídeo:</p>
<p><object classid="d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="601" height="338"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11925349&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ff9933&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="601" height="338" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11925349&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ff9933&amp;fullscreen=1" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>O que tudo isso tem a ver com a digitalização de acervos? Guedon relaciona essa visão sociológica a outras duas &#8220;sociologias&#8221;, conforme já tinha exposto na palestra no simpósio: a das máquinas e dos documentos. &#8220;Digitalizamos os livros para as máqunas lerem, não para as pessoas&#8221;, diz. Por isso a importância de lutar pela liberação dos direitos autorais e da vigilância pública sobre projetos como o Google Books. Guedon acha a intenção do Google &#8220;extremamente perversa&#8221;. &#8220;Eles nos darão o acesso aos livros como se fosse um presente, mas serão donos das informações computacionais, dos algoritmos, o bem mais precioso.&#8221;</p>
<p>O debate é rico justamente porque expõe diversas visões de mundo. Um dos diretores do Google no Brasil, Ivo Correa, também <a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/2010/05/19/digitalizacao-de-acervos-e-o-modelo-google-de-negocios/">participou do simpósio e foi entrevistado neste blog</a>. Ele obviamente defende &#8211; ou pelo menos explica &#8211; o posicionamento da principal empresa da internet em relação à digitalização. Não se trata apenas de defender um lado ou outro, mesmo porque todos têm suas contradições e desafios, mas enxergar a questão de forma mais ampla. Guedon, por exemplo, coloca que tudo o que fruimos do mundo é mediado, hoje, por máquinas. &#8220;Nossa visão de mundo é moldada pelo algoritmo de busca do Google.&#8221;</p>
<p>Dai a conclusão do próprio Guedon de que a internet vai fazer com que todas as relações entre as pessoas seja repensada, e aos poucos alterará leis, costumes e cultura. &#8220;Assim é uma verdadeira revolução.&#8221;</p>
<ul>
<li><a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/2010/04/29/documentos-nao-vivem-sem-pessoas-em-volta/">Veja como foi a exposição de Guedon no simpósio</a></li>
<li><a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/2010/04/25/o-sistema-atual-exclui-muitas-boas-cabecas-do-universo-cientifico/">Leia entrevista com Jean-Claude Guedon</a></li>
</ul>
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		<title>Instituições públicas devem zelar por espaços públicos na internet</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 19:50:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Pretti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A internet é aberta e democrática por conceito e estrutura, e talvez por isso a discussão sobre espaços públicos virtuais nem sempre chegue à tona. Para o coordenador do projeto Brasiliana USP, Pedro Puntoni, é necessário encarar a digitalização de acervos públicos da mesma forma como se trataria um prédio físico: manter as obras acessíveis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A internet é aberta e democrática por conceito e estrutura, e talvez por isso a discussão sobre espaços públicos virtuais nem sempre chegue à tona. Para o coordenador do projeto Brasiliana USP, Pedro Puntoni, é necessário encarar a digitalização de acervos públicos da mesma forma como se trataria um prédio físico: manter as obras acessíveis e com circulação livre pela rede.</p>
<p>O historiador comparou a iniciativa da USP ao Google Books para concluir, nesta entrevista em vídeo abaixo, que o Google partiu de outra premissa, quantitativa, para catalogar e indexar os 12 milhões de livros já digitalizados até hoje. &#8220;Nós na USP, não. Temos o viés qualitativo, cuidado com os metadados, com os textos de contexto&#8221;, afirma. &#8220;A Brasiliana Digital é um espaço público virtual e assim deve se comportar.&#8221;</p>
<p><object width="601" height="338"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12365198&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ff9933&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12365198&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ff9933&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="601" height="338"></embed></object></p>
<p>Uma das medidas que respeitam essa linha de pensamento é a disponibilização para download gratuito dos livros exigidos pelo vestibular da Fuvest, prometida para este mês de junho. &#8220;O desafio imposto pelo digital é equilibrar duas preocupações: a preservação dos acervos para as futuras gerações e a garantia do acesso à presente geração&#8221;, afirma Puntoni. Este é o desafio da universidade. E o do mercado editorial? Puntoni acha que a indústria brasileira do livro ainda não entendeu como lidar com a cultura digital.</p>
<ul>
<li><a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/2010/04/27/wikipedia-e-fantastica-para-comecar-uma-pesquisa-e-pessima-para-finaliza-la/">Veja o que Pedro Puntoni falou durante o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais</a></li>
<li><a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/2010/04/26/poesia-completa-de-vinicius-de-moraes-esta-disponivel-de-graca-para-download/">Saiba mais sobre a Brasiliana USP</a></li>
</ul>
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		<title>A digitalização e o &#8216;modelo Google de negócios&#8217;</title>
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		<pubDate>Wed, 19 May 2010 17:15:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Pretti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Google costuma apostar no que chama de &#8220;soluções tecnológicas&#8221; para enfrentar dilemas que, a princípio, não têm a ver com tecnologia. Foi assim na publicidade e, agora, nos direitos autorais sobre livros. O Google Books é um projeto no meio do caminho entre a proteção total e a liberação total dos direitos autorais. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Google costuma apostar no que chama de &#8220;soluções tecnológicas&#8221; para enfrentar dilemas que, a princípio, não têm a ver com tecnologia. Foi assim na publicidade e, agora, nos direitos autorais sobre livros. O <a href="http://books.google.com/">Google Books</a> é um projeto no meio do caminho entre a proteção total e a liberação total dos direitos autorais. A solução, que envolve dinheiro, claro, tem sido elogiada como uma via possível. &#8220;Aplicamos o modelo Google de negócios. Repartimos os lucros gerados por publicidade com os detentores dos direitos&#8221;, diz o diretor de políticas públicas e relações governamentais do Google Brasil, <strong>Ivo Correa</strong>, na entrevista em vídeo abaixo, feita durante o <a href="http://www.acervosdigitais.blog.br">Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais</a>.</p>
<p><object classid="d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="601" height="338"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11825246&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ff9933&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="601" height="338" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11825246&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=ff9933&amp;fullscreen=1" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Das quase 7 milhões de obras já digitalizadas pelo Google Books, apenas 15% estão em domínio público &#8211; as demais 85% vêm com algum tipo de direito autoral. Aí, caso a caso, as editoras são consultadas e escolhem o que fazer. Quando o livro pertence ao acervo de uma grande biblioteca ou instituição pública, a contrapartida do Google é devolver à instituição todo o material digitalizado e abrir mão de direitos nos próximos contratos feitos por essa instituição com outras empresas.</p>
<p>Parece perfeito. Mas há questões importantes a serem discutidas. É de interesse da sociedade que uma empresa privada tenha controle sobre a indexação do patrimônio cultural humano na internet? Qual exatamente o algoritmo de busca que faz um e não outro livro aparecer em primeiro no ranking? Como são feitas as relações entre livros a partir dos metadados, que levariam a um conteúdo relacionado? Qual o tamanho da operação de digitalização pelo mundo (recursos financeiros, pessoas envolvidas, equipamentos)? Uma vez que há parcerias com editoras e foco em lucro, é possível admitir que exista isenção em todos esses processos? São perguntas que o Google não responde.</p>
<p>O que há, sim, são novas &#8220;soluções tecnológicas&#8221;, como o <a href="http://www.youtube.com/t/contentid">Content ID</a> do YouTube. É um scanner de todo o conteúdo do site de vídeos que identifica os donos do material. As produtoras e donas do conteúdo podem então escolher entre três caminhos: pedir para o Google tirar o vídeo do ar, pedir para que toda audiência do vídeo vá para a produtora ou pedir que parte do dinheiro lucrado com links patrocinados seja revertida para a produtora. Os servidores do YouTube recebem 30 horas de vídeos por minuto (quando a Rede Globo, por exemplo, produz de 20 a 24 horas de conteúdo por dia). Diante de um número desse tamanho, é impossível deixar tanto de louvar como questionar.</p>
<ul>
<li><a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/2010/04/30/politica-publica-e-necessaria-para-ampliar-acesso-ao-conhecimento/">Leia a fala de Ivo Correa durante o simpósio</a></li>
</ul>
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		<title>A lógica do acesso deve orientar os processos de digitalização</title>
		<link>http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/2010/05/18/a-logica-do-acesso-deve-orientar-os-processos-de-digitalizacao/</link>
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		<pubDate>Tue, 18 May 2010 18:50:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela Agustini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando se fala em digitalização de acervos, é preciso pensar em acesso qualificado. O que significa extrapolar os limites de apenas tornar visível um determinado conteúdo e permitir ao usuário operar sobre o objeto digital, catalogando, criando conexões com outras obras e até remixando. A visão é apresentada pelo gerente de cultura digital do Ministério [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando se fala em digitalização de acervos, é preciso pensar em acesso qualificado. O que significa extrapolar os limites de apenas tornar visível um determinado conteúdo e permitir ao usuário operar sobre o objeto digital, catalogando, criando conexões com outras obras e até remixando. A visão é apresentada pelo gerente de cultura digital do Ministério da Cultura José Murilo Jr., na entrevista em vídeo a seguir.</p>
<p>Nele, Murilo explica os objetivos do Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, que aconteceu em São Paulo de 26 a 29 de abril, fala sobre a rede do Fórum da Cultura Digital Brasileira, a necessidade de mudar a lei de reforma de direitos autorais e reflete sobre qual papel o Estado deve desempenhar no processo de digitalização de acervos. &#8220;A lei está caduca e precisa ser atualizada. Hoje, instituições culturais públicas não podem digitalizar seus acervos (nem) para a preservação (das obras físicas). [...] Quando você tem recursos públicos embutidos na produção de bens culturais digitalizados, [..] é preciso pensar que esse acesso deve ser público e facilitado&#8221;, disse.</p>
<p><strong>Google Books aponta caminhos</strong><br />
O acordo de digitalização de livros feito pelo Google é apontado por Murilo como um case importante. &#8220;O Google explora possibilidades que estão abertas no cenário criado pelo ambiente digital, pelas novas perspectivas, e entra no vácuo que acontece entre público e privado. É como se fosse uma terceira dimensão, que não é público nem privado, é Google&#8221;.</p>
<p>&#8220;É quase como se o acordo Google Books denunciasse que o Estado não foi rápido suficiente para repensar seu marco regulatório de direito autoral, criando uma situação que é constrangedora para todos, para artistas, distribuidores, indústria cultural e principalmente para os usuários&#8221;, completou.</p>
<p>Assista à entrevista com José Murilo Jr. gravada durante o Simpósio:</p>
<p><object classid="d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="601" height="338"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11840038&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=fc7f1e&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="601" height="338" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11840038&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=fc7f1e&amp;fullscreen=1" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><a href="http://vimeo.com/11840038">José Murilo Jr, do Ministério da Cultura</a> from <a href="http://vimeo.com/user3480238">FLi Multimídia</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
<p>Veja a transcrição da entrevista, feita voluntariamente por <a href="http://culturadigital.br/members/jorgedersu/">@jorgesersu</a>, membro da comunidade culturadigital.br, e a visualização gerada no Many Eyes:</p>
<p><a href="http://manyeyes.alphaworks.ibm.com/manyeyes/visualizations/jose-murilo-jr-sobre-digitalizacao/comments/37601812650211dfb190000255111976"><img class="size-large wp-image-720 alignleft" title="tagsmurilo" src="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/files/2010/05/tagsmurilo-1024x415.jpg" alt="" width="614" height="249" /></a></p>
<p><strong>José Murilo Jr<br />
Gerente de Cultura Digital do Ministério da Cultura</strong></p>
<p>Entrevista dada durante o Simpósio Internacional de Políticas Públicas Para Acervos Digitais, em São Paulo entre 26 e 29 de abril de 2010</p>
<p>Bem! Dentro da nossa atuação na coordenação da cultura digital, a gente imaginou um processo de escuta na sociedade, que foi o acesso no Fórum de Cultura Digital Brasileira, que propôs a avaliar exatamente vários desses cenários que impactam a questão digital.</p>
<p>Um deles foi a memória digital e dentro desse diagnóstico que a gente viu, é que a digitalização de acervo no Brasil, principalmente da perspectiva pública, ela se encontra em um estado de desintegração bastante insatisfatório. Quando a gente vê a questão da digitalização como um processo tão complexo, que envolve equipamentos sofisticados, recursos humanos especializados, a própria dimensão da disponibilização desses acervos que envolve toda uma questão de aplicações de interfaces avançadas, se você está pensando no uso qualificado, ou seja, todo esse processo de digitalização de acervos é bastante complexo, grande, envolvendo muito setores, muitas camadas e realmente, da maneira como estava sendo feito, pensado, de uma forma desintegrada, cada projeto pensando a sua própria solução, utilizando o seu próprio padrão, a sua própria interface, isso estava gerando um cenário bastante insatisfatório onde você, se você parte da lógica do acesso, você tem uma dificuldade muito grande de acessar esses acervos, os que já estão digitalizados. Você tem dificuldades enormes para empreender até os projetos de digitalização.</p>
<p>Então a ideia da gente realizar um evento como este, um Simpósio Internacional de Digitalização de Acervos, é exatamente poder compartilhar experiência, ou seja, ouvir experiências internacionais, ouvir quais as experiências e quais os projetos que estão sendo tocados no Brasil e chegar numa conversa entre essas várias perspectivas, várias camadas, das várias instituições, no sentido de tirar diretrizes para políticas públicas, ações, programas que possam realmente aproveitar do interesse que eu acho que é comum de todos esses projetos e tentar realizar isso de uma forma compartilhada. Compartilhando recursos, com projetos de capacitação e formação de pessoal que de uma certa forma atenda os diversos projetos, ou seja, é uma atuação integrada do setor.</p>
<p>Mas o que a gente acha, que inclusive este evento vem marcar essa nova dimensão, que a lógica do acesso passa a orientar de uma forma mais presente todos os processos e procedimentos, ou seja, não mais digitalizar para preservar, também para preservar, obviamente, mas a lógica do acesso passa a presidir sobre o que a gente pensa do processo, sobre o que a gente pensa no marco legal, por exemplo, no direito autoral. Quando a gente pensa nas interfaces que vão possibilitar um acesso qualificado e quando falamos do acesso qualificado, não é somente acessar, mas é operar sobre aquele projeto digital, fazer algum tipo de catalogação ou de salvamento daquele arquivo, no seu perfil, digamos assim, ou conexão daquele conteúdo com um terceiro conteúdo, ou até propriamente o remix. Então pensar em digitalização hoje, acho que envolve várias camadas de possibilidades, e a gente realmente tem a intenção de passar por todas elas, refletir por todas elas.</p>
<p>Eu diria que, partindo da perspectiva pública, quando você tem recursos públicos embutidos na produção de bens culturais digitalizados, eu acho que temos que partir do princípio de que esses são bens públicos, cujo acesso deve ser facilitado.</p>
<p>Mas tudo isso são questões muito novas. O Marco Regulatório do Direito Autoral, da forma como ele foi pensado nos últimos vinte anos, não responde essas questões novas que surgem. Para você ter uma idéia, ou seja, a própria digitalização para preservação, ela é ilegal, tudo isso que está sendo digitalizado hoje nas instituições para preservação e que não tem acesso, isso ainda é proibido. Então, realmente, a lei está completamente caduca, ela precisa ser atualizada.</p>
<p>Dentro do Marco Regulatório norte-americano por exemplo, quando você tem essa situação, ela é avaliada por um juiz no seu mérito específico. Se aquilo ali é uso justo frente às novas situações que foram criadas pela rede, pela internet. Isso viabiliza uma atualização constante da lei frente ao que está acontecendo. No nosso caso brasileiro isso não é fato, o que gera, por exemplo, essa situação de instituições culturais públicas não poderem digitalizar seus acervos para preservação. Então, realmente, existe essa diferença e isso faz com que a atualização da lei brasileira se torne muito mais urgente e necessária.</p>
<p>O acordo do Google Books é realmente um case fundamental para explicar muito do que está acontecendo no nosso cenário. A princípio pode parecer assim, uma coisa ameaçadora, um monopólio incrível que o Google poderia estar criando sobre o acesso às obras orfãs, por exemplo. Visto do lado do usuário, a possibilidade de você ter todas as obras ao alcance de um clique, ou de uma busca no Google, eu não consigo achar isso, não consigo deixar de achar isso uma coisa fantástica, uma perspectiva muito interessante. Por outro lado, obviamente, você pensar que isso seria um monopólio, poderia constituir um monopólio do Google de acesso a essas obras, isso se torna realmente uma coisa preocupante. Mas eu acho que esse caso traz, assim como ilumina para nós o tema, é que é recorrente o caso do Google. O Google explora as possibilidades que estão abertas pelos cenários que são criados pelos ambientes digitais, pelas novas perspectivas. O Google é muito rápido em compreender esses cenários e entra nesse vácuo que acontece entre o público e o privado, como se fosse quase uma terceira dimensão, que não é nem público, nem privado, é Google. Mas o interessante, uma reflexão que está sendo levantada por alguns especialistas brasileiros, é que o Google de alguma forma, com o acordo, ele demonstra qual o papel que o poder público poderia estar tendo num processo como esse. Na verdade é quase como que o acordo do Google denunciasse que o estado não foi rápido o suficiente para repensar sobre o Marco Regulatório de Direito Autoral, criando toda uma situação constrangedora para todos, artistas, distribuidoras, indústria cultural e especialmente para os usuários. Então é como a gente vendo que o Google, na sua rápida capacidade de processar todas essas mudanças, ele tem a visão clara do que precisa ser ocupado. Se o poder público puder isso como uma indicação e não como uma atuação de um adversário, isso pode compor um cenário diferente do que imaginamos hoje ou inviabilizar um processo do acordo do Google Books, ou permiti-lo da forma como esta proposto.</p>
<p>O Ministério da Cultura tem trabalhado muito a questão de que cada município tenha a sua biblioteca e isso pode ser a infra estrutura legal para a gente pensar isso que eu vou dizer agora, que é o seguinte: fazer que cada ponto de biblioteca possa ter acesso livre, independente de você ter direito ligados àqueles conteúdos que vão estar disponibilizados, acesso livre, ou seja, a Biblioteca Nacional disponibiliza todo o seu conteúdo, não pode ser disponibilizado na internet, devido às questões de restrições de direitos, mas se você estiver no ambiente da biblioteca, você pode acessar aquilo e fazer com que essa rede esteja contemplando todas as bibliotecas públicas de forma que você entrando na biblioteca pública lá do Acre, de repente uma portinha com dois computadores, naquele local, ter acesso livre a todo o conteúdo.</p>
<p>No momento que pensamos o Marco Regulatório e também em infra estrutura de acesso, no Plano Nacional de Banda Larga, se não tivermos a reflexão da Cultura Digital a partir da perspectiva pública, corremos o risco da reflexão de mercado formatar marcos regulatórios ou mesmo diretrizes mercadológicas que vão abortar essas possibilidades públicas de utilização da internet.</p>
<p>Entrevista produzida durante o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, realizado em São Paulo entre os dias 26 e 29 de abril de 2010</p>
<p>http://www.acervosdigitais.blog.br</p>
<p>Entrevista em vídeo:<br />
André Deak / Lia Rangel / Rodrigo Savazoni</p>
<p>Produção:<br />
Felipe Lavignatti / Gabriela Agustini / Lucas Pretti / Rodrigo Zahc Kubu</p>
<p>Vídeo:<br />
MidiaDub</p>
<p>Realização;<br />
<a href="http://www.flimultimidia.com.br">http://www.flimultimidia.com.br</a></p>
<p>Iniciativa:<br />
Biblioteca Brasiliana José Mindlin<br />
Casa da Cultura Digital<br />
Cinemateca Brasileira<br />
Sociedade Amigos da Cinemateca<br />
Ministério da Cultura<br />
Governo Federal</p>
<p>Licença:<br />
Creative Commons</p>
<p>Transcrição:<br />
<a href="http://www.jorgematheus.mus.br">Jorge Dersu</a></p>
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