Ethans e histórias antigas afroameríndias

Todas as atividades da ocupação foram intercaladas por Ethans Africanos, conversas e histórias afroameríndias.
Durante a ocupação, a oralidade e a troca de saberes foi a principal metodologia para a realização das atividades, a abertura para os interesses dos integrantes da ocupação foram o ponto forte e a cada momento em que as conversas traziam a tona conceitos e reflexões que tinham relações com os ethans, eles vinham a tona e as histórias e ensinamentos antigos faziam parte da roda.

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Ethans são as histórias que fazem parte do universo mítico do panteão africano, em conjunto são conhecidas como a mitologia dos orixás, que vem sendo transmitidos oralmente ao longo dos séculos e tem origem em diferentes regiões africanas.

Primeira apresentação do grupo artístico fora do CEU

O Grupo de Samba Reggae Cabeça de Nego fez sua primeira apresentação artística fora de Sertãozinho no dia 24/10, a apresentação foi realizada como abertura de um Show do Mestre Lumumba no espaço da Teia – casa de criação, ponto de cultura da cidade de São Carlos que realiza atividades culturais desde 2001.
Nessa apresentação, recheada de tambores e ethans, o grupo apresentou as músicas ensaiadas junto ao mestre durante a ocupação no CEU em Sertãozinho. Larissa e os meninos estavam bastante nervosos mas deram conta do recado e realizaram uma bela apresentação.

Ensaio aberto e finalização da ocupação

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Na sexta-feira, dia 23 de outubro, as atividades da ocupação Ethans e Tambores Africanos foram finalizadas com uma apresentação geral dos resultados. Num formato de ensaio aberto os participantes das atividades apresentaram os tambores construídos na primeira etapa da ocupação, foram apresentadas também músicas cantadas e tocadas pelo grupo artístico resultado da interação entre Mestre Lumumba e o grupo Cabeça de Nego, além de muitas histórias e ethans.
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Essa apresentação contou com boa presença de público, familiares e amigos dos participantes da ocupação, usuários e equipe de gestão do CEU, funcionários do CRAS além de outros interessados em geral como alabês integrantes do Centro Cultural Orunmilá de Ribeirão Preto.
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Gravação de demo do grupo

A segunda etapa da ocupação, após a construção dos tambores e os ensaios do grupo, foi realizada uma seção de gravação dentro do auditório do CEU. Aproveitando a infraestrutura acústiva existente, e contando com equipamentos do cabeça de nego, tais como: microfones, pedestais, cabos, mesa, placa de captura de áudio e computador.
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A gravação deste áudio teve duas finalidades diretas: a primeira servir como material de estudo, tanto para o grupo no sentido de ouvir o que estão produzindo musicalmente quanto para o entendimento da qualidade do espaço do CEU para esse tipo de uso; a segunda para o grupo começar a documentar sua trajetória e montar um disco demo do seu trabalho.
O áudio gravado será disponibilizado neste blog em breve!
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O embrião de um grupo artístico

Para além das atividades de formação artística que já acontecem no CEU, o encontro entre a ocupação Tambores e Ethans Africanos e alguns integrantes do grupo Cabeça De Nego (grupo cultural localizado na comunidade de entorno do CEU e que já realiza várias ações no espaço), gerou o embrião de um grupo artístico – o samba reggae Cabeça de Nego, chamado entre seus integrantes de “Ala Show”.
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Esse grupo se empenhou em acompanhar as atividades da ocupação do início ao fim, aproveitando ao máximo os ensinamentos e a experiência de um artista com mais de 50 anos de estrada. O grupo montado também é resultado direto da ocupação e promete desdobramentos futuros. Veremos…

Núcleo de produção de tambores

No retorno ao CEU uma surpresa nos agrada muito, primeiro que os participantes da ocupação levaram pra casa seus tambores e além de finalizar a afinação deles ainda customizaram com pinturas, cordas e adereços. Dentre eles dois dos meninos que aprenderam a construir os polos na primeira semana de atividade, não só deram acabamento aos seus como também construiram outros seguindo as técnicas utilizadas na ocupação e presentearam amigos e parentes com os tambores.

Polos customizados

Polos customizados


Pedro e Cleber começaram a receber pedidos para construir tambores para outros jovens e pais da comunidade, foi iniciado assim um núcleo produtivo de tambores, que pode ser considerado um dos desdobramentos da ocupação. Depois dos polos, os dois encontraram bojos e estão querendo construir também ilus.
Integrantes do núcleo de produção

Integrantes do núcleo de produção

Confluências

Na retomada das atividades da ocupação, ao chegar no CEU com sua guitarra, encontramos um grupo de integrantes da ocupação participando junto a outros jovens de ensaios de samba reggae. Dessa interação surge a idéia de montar uma “ala show” do grupo de samba reggae Cabeça de Nego.

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A partir desse encontro de interesses a ocupação passou a trabalhar com ensaios musicais utilizando tambores, guitarra e voz. Logo no primeiro dia de ensaio uma menina de doze anos chamada Larissa, integrante da prática de capoeria do Cabeça de Nego, se destaca pela sua capacidade vocal. Ela acaba se tornando a vocalista da ala show.
Entre conversas sobre histórias africanas, musicalidade afro, tambores, toques, vão rolando interações musicais. Num dado momento Larissa começa a cantar uma canção que foi composta coletivamente por Lumumba e outros artistas negros há mais de 40 anos atrás, nem ela nem niguém do grupo sabiam que estavam cantando a música para o compositor da mesma. A partir desse momento a identidade que já era forte só aumentou e o elo entre os participantes já estava formado.
Os ensaios seguem, o rapaz que cuida da biblioteca e é guitarista se entusiasma, o professor de violino e violaocelo do CEU cai pra dentro e contribui com a sonoridade, o som vai ganhando corpo e a ocupação se disseminando no espaço e em outras atividades do CEU.
As atividades acontecem em diferentes espaços, dentro do laboratório multimídia, dentro do auditório, na sala multiuso do CRAS, no pátio na frente do auditório, na lona de circo, na área externa na frente do CRAS. Ensaios abertos trazem muita musicalidade para o CEU, ocupando musicalmente todo o espaço.

O poder do Balafon

Quando o Balafon chegou ao CEU, logo chamou a atenção das pessoas. Instrumento de percursão com linha melódica, é considerado um antepassado do xilofone.
Saiba mais sobre o Balafon.
No momento em que começou a ser tocado todos olharam assustados percebendo o som que ele imprime.
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O teclado sonoro ancestral chegou dividindo espaço do laboratório multimídia. Junto às bancadas dos computadores teclados de plástico e teclados de madeira e cabaça.
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A empolgação com a sonoridade foi tanta, que surgiu um interesse direto e inesperado. Os participantes da ocupação quiseram construir um balafon!!! O que seria construído na ocupação eram os Polos, o Balafon veio para ficar em exposição!
E então as atividades foram tomando rumo próprio e seguiram os trabalhos:
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E pra montar um balafon tem que se levar em conta as proporções matemáticas que geram as diferentes notas musicais. Todo um conhecimento africano refinado.
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Enquanto a construção do balafon segue, entre uma e outra tecla sendo produzida, ninguém resiste à possibilidade de experimentar sua sonoridade impressionante.
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E assim seguem as atividades da ocupação, misturando tambores no laboratório multimídia, públicos de diferentes idades e a reunião de tecnologias ancestrais e contemporâneas.
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Os mais pequenos também sentem o magnetismo dos tambores, não resistem e querem tocar também.
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E surgem os Polos.

As atividades rolando a todo o vapor, de tarde e de noite, jovens frequentadores do CEU conhecendo os trabalhos e as histórias sobre os tambores e a juventude negra.
Chegam os bambus gigantes colhidos em São Carlos na lua minguante:
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As peças vão sendo escolhidas pelos interessados, pedaços que vão tranformar em tambores (polos).

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E as atividades construtivas seguem…

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A construção envolve bambus, couro de cabra, corda de nylon, arame enrolado como arquilha, pitotes de goiabeira e talento do artesão envolvido.

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Preparace o bojo, corte da boca, quebra dos nós internos do bambu, empachamento da boca, preparação da arquilha, perfurações do bojo, fixação dos pitotes, encoura do tambor.

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