Tropos Cultural

Atualmente, as pessoas estão constantemente preocupadas em aperfeiçoar seus perfis online e organizar seus arquivos de imagens. Como podemos entender as dimensões curatoriais dessas práticas na fotografia amadora?

Sou muito interessada na difusão de práticas de “curadoria” na cultura em rede e sua incorporação como termo do marketing digital. Por um lado, existe uma subversão genuína e uma certa criatividade por parte dos usuários que buscam organizar suas coisas, que refletem seu tropos cultural ao mapear seu ambiente informacional. E por outro lado (e esta é uma preocupação que eu ouço especialmente dos meus alunos), existe uma pressão por criar um arquivo perfeito das redes sociais pessoais de modo a criar uma “marca própria”. Em resposta, tenho trabalhado com textos do Gilles Lipovetsky [autor do livro A era do vazio] e do Zygmunt Bauman [autor de Modernidade líquida] que são muito úteis para entender os paradoxos da vida do indivíduo hipermoderno soterrados pela “liberdade” oferecida para construir e manter suas identidades no mundo do hiperconsumo. Há também um conjunto de questões em torno do que pode ser uma abordagem feminista dessas imagens, quando questões do olhar e do poder são reconstruídas por meio de novas ecologias midiáticas.

Entrevista: Katrina Sluis, curadora digital da Photographer´s Gallery, fala sobre fotografia e a cultura de imagens na internet“, por Bruno Zorzal & Gabriel Menotti para a Revista ZUM

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