O que é Tecnocália?

É mais fácil começar pelo o que não é: Tecnocália não é um manifesto, não é um conceito fixo, não é uma imposição de produção. Tecnocália é um método de pesquisa em que se busca ressignificar o que foi a Tropicália nos dias atuais considerando a produção contemporânea em arte e tecnologia brasileira.

Da mesma forma que os Tropicalistas internalizaram os conceitos da antropofagia e de uma produção pop, porém de qualidade, a Tecnocália quer considerar os diferentes aspectos da contemporaneidade para se compreender quais são os atuais desafios sociais quando o assunto são as tecnologias.

Este blog busca ser um banco de referências sobre as discussões que acontecem no mundo inteiro, desde o cada vez mais fixo conceito de Aceleracionismo até as discussões sobre a criação de uma terceira natureza, que já considera as tecnologias como naturais, derivadas do Antropoceno.

Hoje em dia, não se tem como separar mais as discussões sobre artes das criações em arte e tecnologia. O mundo cada vez mais rendido à evolução do maquinário precisa considerar as diferentes vertentes de exploração de mídia para se compreender a sociedade atual. O mercado financeiro, que já dita as nossas vidas, está rendido às tecnologias; as grandes corporações virtuais, como Google e Facebook, já são considerados tão poderosos quanto Estados-Nações; as criptomoedas, cada vez mais, marcam um novo modo de trocas e de confiança; o big data, hoje, é a principal fonte de renda de diversos serviços que usamos diariamente. A tecnologia já é — e sempre foi, na verdade — parte do nosso dia-a-dia.

Mas o que é a Tecnocália, então? É simples: é uma tentativa de ressignificar a Tropicália nos dias atuais de forma a se considerar as evoluções tecnológicas atuais. Da mesma forma que os tropicalistas usaram as guitarras elétricas e sintetizadores para compor suas criações, a Tecnocália coloca as tecnologias como parte integrante da produção atual. Nós, brasileiros, temos a grande vantagem de ser antropofágicos, de ter a liberdade de se apropriar, triturar, desconstruir e reconstruir algo completamente novo. Por que não, então, usar essa estratégia de forma mais ativa nos tempos atuais?

Há anos temos discutido e pensado a gambiarra como a vanguarda brasileira. Mas até onde isso nos levou? Volta e meia, depois de anos, as mesmas discussões são retomadas sem se ver real construção de um discurso legitimado. Por que não inserir essa discussão em uma deglutição mais ampla, fazendo referências e embasando o discurso de forma a ser compreendido ao redor do mundo? O mesmo se aplica à estética da favela. Muito se vê de tentativas de inserção de uma produção local que é apropriada pelo mercado Norte-Ocidental, mas pouco se é considerado dentro do próprio país. Por que não legitimar cada vez mais este discurso?

A Tecnocália é o sopão das produções contemporâneas estéticas e artísticas. É o ponto de intersecção entre o histórico e o contemporâneo. É a ressignificação de um passado rico em tempos atuais. Tecnocália, no fim, é um mexidão com tudo que sobrou na geladeira.

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