“O melhor escândalo que pode acontecer é uma Teia”. E foi sobre a Teia 2010 – Tambores Digitais, o último grande encontro dos Pontos de Cultura dentro deste governo, que nós conversamos com TT Catalão, diretor de Acesso à Cultura da Secretaria de Cidadania Cultural (SCC), do Ministério da Cultura (Minc). Conversamos também sobre a continuidade do programa Cultura Viva.

Essa teia está na transição para consolidar o que foi, o que veio, e programar um perfil do futuro. É importante trazer essa dimensão da reflexão e da alegria. Os tambores tocam, mas também pensam. Com os Pontos de Cultura do Brasil longe de ser um sarampo no mapa, aqueles pontinhos de cultura, a gente quer criar as linhas. A gente está trazendo muito essa perspectiva da legitimação do programa em rede e os circuitos. Isso é o mais encantador que a gente pode conseguir na Teia: o Acre conversando com o Sul, o Sul conversa com o centro… isso é um caldeirão, um angu maravilhoso.

TTSegundo TT, tanto o Ministério da Cultura quanto sociedade civil realizam um movimento de manutenção do programa e será na Teia Ceará que todos irão trazer suas propostas de regulamentação da Lei Cultura Viva.

Há dois movimentos para a Lei Cultura Viva. Um é institucional, do próprio Ministério da Cultura, que segue uma determinação da Presidência da República, via Casa Civil, da consolidação das leis sociais do governo Lula. Isso já foi encaminhado à Casa Civil, que vai equalizar todas as propostas. O programa Cultura Viva está dentro do Minc, com todos seus valores e princípios. E tem o movimento da sociedade. O próprio programa não monitora a sociedade no sentido de seu legítimo direito de apresentar suas propostas. Tanto que em todas as Teias Regionais está tendo esse capítulo da Lei Cultura Viva. E isso é fundamental por que é uma contribuição que vem das ruas. Estão o caminho institucional e o caminho da sociedade e estes dois movimentos ocorrem juntos.

O diretor falou, ainda, sobre o que se alcançou desde que os Pontos de Cultura surgiram lá em 2004, quando o Minc fechava convênios diretamente com eles. Hoje, o número que passou de 400 para 2500 pontos conveniados representa uma mudança de mentalidade na criação cultural.

Esse é um bom caminho de cidadania: você poder legitimar o Estado por uma ação da sociedade e a sociedade aprender que o Estado é dela e ela que é a autora da autoridade.

E desse passo inicial, dos 400 pontos conveniados diretamente com a secretaria (antiga Secretaria de Programas e Projetos Culturais que, hoje é a SCC) e o Ministério da Cultura, teve esse salto extraordinário para 2500 pontos. Aí entram os novos interlocutores, que são estados e municípios. O que já era complexo ganhou uma dimensão extremamente complexa, tem mais interlocutores, mais negociação. Mas essa é uma característica fundamental do programa: aprender a negociar, trabalhar no conjunto, combinar os jogos, acertar as relações. É um belíssimo exercício que está acontecendo.

É um caso muito novo na Política Pública do Brasil, na organização do movimento social na cultura e pela cultura. [Antes] Os artistas ficavam criando e esperando que o Estado soberano reconhecesse uma genialidade extraordinária ou o artista que nem chance tinha e morria no desprezo e à míngua. Foram quebradas algumas barreiras. No caso dos Pontos de Cultura, que têm suas celebridades, são celebridades muito raras e especiais, porque elas transitam no caminho da legislação, no caminho político. Está se criando um novo perfil de criador e produtor também.

TT2TT Catalão defendeu o amadurecimento dos trabalhos tanto dentro do Cultura Viva quanto dos Pontos de Cultura. E acrescentou:

O salto orçamentário também é importante, você ter crescido na realização desse orçamento. A relação com emendas parlamentares que qualifica a discussão, a própria luta do Minc na questão da Lei Rouanet, por exemplo; um dos eixos do combate da nova Lei Rouanet está no fortalecimento dos fundos e com os fundos você consegue manter política publica. E sinônimo de política pública é continuidade. E o programa [Cultura Viva] trabalha com continuidade. É ambicioso até o ponto em que grupos e comunidades não ficam como espectadores. O acesso à Cultura, para a gente, é o acesso ao criar, você ter informações e técnicas para criar. Inclusive você já tem equipamentos já disponíveis, como mesas de edição, câmeras de filmar, ou seja, o processamento da informação que você gera. Os seus conteúdos são determinados pelos seus pontos de vista. A grande força do programa é a pluralidade cultural, e isso é reforçado pelos pontos de vista.

Em nossa conversa, TT trouxe suas expectativas para esse evento e um histórico das outras Teias. Ele também deixou um recado para os participantes da Teia e dos Pontos de Cultura. Confira e baixe aqui.

E não deixe de conferir a íntegra da nossa entrevista com o diretor de Acesso à Cultura.

Ouça aqui.

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